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Binayı Şahsen İnşa veya Yönetimi Altında İnşa Borcu

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1. Binayı Şahsen İnşa veya Yönetimi Altında İnşa Borcu

Não há unanimidade nem clareza quanto às origens do carnaval. Muitos historiadores defendem que ele tenha se moldado a partir das festas religiosas da Antiguidade em que homens e mulheres se pintavam, dançavam e bebiam em comemoração à chegada da primavera.

É fato que essas festas funcionavam como um momento de descontração e quebravam a rotina dura e monótona de trabalho no campo e em casa. No Egito Antigo, por exemplo, há cerca de seis mil anos, ou seja, por volta do ano 4000 a.C., aconteciam, às margens do Rio Nilo, festas em homenagem a deusa Ísis e ao touro Ápis.

Entre esses pesquisadores que defendem esta remota origem carnavalesca, podemos citar Araújo (2003). Para ele, diversas outras festividades agrárias que aconteciam na Antiguidade seriam as precursoras do que hoje conhecemos como carnaval.

Para Ferreira (2004), estas não seriam “festas carnavalescas nem precursoras somente do carnaval, mas sim de todos os tipos de festas públicas populares que o mundo conheceu depois delas, incluindo as festas juninas, os rodeios e até mesmo o Natal e Halloween.” (FERREIRA, 2004, p. 17).

Na Pérsia, por exemplo, ocorriam comemorações em homenagem à deusa da fecundidade, Anaitis, e ao deus Mitra, o “Sol invicto”. Na Fenícia, à fecundidade das terras também era festejada em nome da Artarte e de seu amante Adônis. Já na ilha de Creta, a proteção da terra e a fertilidade eram de responsabilidade da “Grande Mãe”, representada por uma pomba.

Na Grécia antiga, havia três grandes festivais em tributo a Dionísio: as Dionísias Rurais, nas quais se pedia àquele deus que fertilizasse o solo; o Festival de Lenaea, momento dedicado à realização de casamentos e os votos de felicidade aos casais; e a Dionísia Urbana, que ocorria em Atenas e se destinava à exibição das peças gregas como até hoje conhecemos. Para Dabdab-Trabulsi (2004),

nos dias 11, 12 e 13, no mês de Anthestérion (fevereiro - março) era realizada a festa em questão. Não se pode afirmar com toda certeza que esta festa fosse diretamente dedicada a Dioniso, contudo, é a festa mais antiga, e que, se não é de fato, para o deus, é mui provavelmente, relacionada a ele. (...) no entanto podemos afirmar que no primeiro dia se dava a abertura do vinho novo que, durante um bom tempo estivera lacrado para fermentação. O vinho era

misturado com água, para então, ser bebido. Este dia simbolizava outrossim, a abertura do mundo dos mortos que voltavam, mesmo que por tempo limitado, a conviver entre os vivos. No segundo dia se iniciava uma bebedeira, seguida de um cortejo e de um evento que simbolizava o casamento da esposa do arconte-rei com Dioniso. Isto representava o renascimento da vegetação, da vida e a transmissão de forças vitais à cidade. No último dia eram tomados certos cuidados para se entrar em contato com o mundo dos mortos, todo o dia era dedicado aos finados.

Na Roma antiga, as festividades ocorriam em homenagem à Baco, deus do vinho, que corresponde justamente ao Dionísio grego. Nas Bacanais, do latim bacchanale, ocorriam cerimônias religiosas, as Vindimas, seguidas de celebrações populares repletas de dança, bebida e orgias. Por isso, embora houvesse celebrações de caráter sacro, repletas de contrição, o termo bacanal está associado, geralmente, à devassidão e à pornografia.

Ainda na Antiguidade romana, existiam as Saturnais, em homenagem ao deus Saturno, que, na mitologia latina, após ser expulso do céu por Júpiter, teria criado Roma. Durante as festividades, vivia-se um tempo de descanso, os escravos não trabalhavam, falavam o que pensavam e eram servidos por seus senhores. Assim como nas Bacanais, era bastante comum a permissividade sexual durante as comemorações em deferência a Saturno.

Araújo (2003) chama a atenção para o fato de que

quando o cristianismo chegou, já encontrou as festas, ditas orgiásticas, em uso nos povos. Por seus caracteres libertinos e pecaminosos, foram a principio condenadas pela Igreja Católica. Teólogos, doutores e papas da Igreja, como São Clemente de Alexandria (escritor e doutor da Igreja - 150-213 d.C), Tertuliano (teólogo romano, Cartago -155-216 d.C, grande pensador polemista dos primeiros séculos da Igreja, combateu tenazmente o relaxamento dos costumes); São Cipriano (Bispo e mártir; padre da Igreja latina, Cartago, iniciado no século III. Foi decapitado por ocasião das perseguições de Valério); Inocêncio II (Papa, Roma - 1130-1140), entre outros, foram contra o carnaval (ARAÚJO, 2003, p. 19).

Em 198 d.C., o Senado Romano censurou as Saturnais, pois geravam desordem e escândalos; os Lupercos, sacerdotes do deus, saiam nus dos templos, banhados em sangue de cabra, depois eram lavados com leite, cobertos por uma capa de pele de bode, e perseguiam as pessoas pelas ruas, batendo-as com uma correia, Suetônio refere que, por ocasião das Saturnais, os escravos podiam dizer verdades aos seus senhores, indo até ao extremo de ridicularizá-los como bem quisessem; cf. p. 15.

Durante as Saturnais, semelhantemente ao que ocorre no carnaval até hoje, as distinções de classe pareciam desaparecer, os tribunais não funcionavam e, por isso, não

ocorriam julgamentos ou execuções de condenados. Também acontecia a eleição de um Rei Saturnalício, o que no nosso carnaval corresponde à figura do Rei Momo.

Essas comemorações possuíam um lado sagrado, mas representavam, sobretudo, um momento de libertação da opressão e da exploração sofridas pelas classes trabalhadoras. As classes dominantes, por sua vez, toleravam essas manifestações, o que, para Medeiros (2005), tinha um duplo objetivo:

de tentar promover uma distensão social, permitindo a realização de sátiras e críticas aos governantes durante os festejos e, no caso específico dos romanos, buscavam, sobretudo, exorcizar os males do inverno e garantir a fertilidade, agradando e realizando rituais ao deus da agricultura e sementeiras, o deus Saturno, que estava associado à paz, à justiça social, à liberdade e a opulência (2005, p. 33).

Embora houvesse uma aparente igualdade social gerada pela permissão da participação popular nas referidas festividades, eram as classes dominantes que determinavam o período de realização das comemorações, geralmente “a partir do primeiro domingo depois da primeira lua cheia que seguisse o equinócio de primavera” (ibidem).

É nítida a afinidade do carnaval, assim como conhecemos, com essas festas pagãs da Antiguidade. Todavia, parece-nos um equívoco ou, pelo menos, um exagero afirmar que já havia carnaval no Egito Antigo ou na Antiguidade greco-romana.

Na Babilônia, por exemplo, ocorriam as Saceias, festejos que duravam cinco dias e nos quais havia um descumprimento das normas sociais estabelecidas. Excessos eram cometidos abertamente, pois quem participava dessas celebrações comia e bebia demais e, muitas vezes, participava de orgias. Além disso, havia uma inversão dos papéis entre servos e senhores, bem ao estilo carnavalesco bakhtiniano, inclusive com a eleição de um “escravo rei”, que era sacrificado no final das comemorações em nome das divindades.

Também não é por coincidência que essas festividades ocorriam de dezembro a março, ou seja, do final de um ano ao início do ano subsequente. Esse período marca o final de um ciclo solar e possui um caráter ambíguo e limítrofe, o que era bastante favorável a festejos que buscavam demarcar o início de um novo período.

As Lupercais, por exemplo, ocorriam no mês de fevereiro em honra de Luperco (Pã), deus protetor dos campos e rebanhos na Roma Antiga. Nelas, assim como em outras festividades da Antiguidade, as oferendas eram colocadas em barcos que seguiam em cortejo sobre carros até serem lançadas ao mar. Dessa forma, eles acreditavam que teriam uma colheita, ou melhor, um novo ciclo de prosperidade e bonança.