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Dönmenin Sözleşmenin Geçerliliğine Etkisi Üzerine Teoriler

B. Dönme (Rücktritt) Kavramı ve Dönmenin Sözleşmeye Etkisi Üzerindeki

2. Dönmenin Sözleşmenin Geçerliliğine Etkisi Üzerine Teoriler

Dentre os cinco níveis propostos por Zilberberg que pressupõem a geração do sentido dos textos, ou seja, o nível tensivo, o aspectual, o modal, o narrativo e o discursivo, Tatit (1997, p. 132) destaca o nível tensivo e o aspectual pelo fato de se adequarem à “[...] passagem mais fluente e motivada ao domínio musical”. Em todos esses níveis citados, Zilberberg conserva as oposições dos termos Hjelmslevianos “intenso” versus “extenso”. “O primeiro tem valor de concentração da tensividade [...] de interrupção [...]” (TATIT, 1997, p. 132), e, o segundo, “[...] valor de expansão da tensividade [...] de continuidade [...]”. Desta

forma, Tatit afirma que, no nível profundo, Zilberberg “[...] estabelece uma oposição

extremamente simples, como um mínimo necessário para indicar que alguma coisa acontece ou não: continuação (termo extenso) versusparada (termo intenso)” (TATIT, 1997, p. 132). O autor relaciona os valores extensos e intensos à questão da temporalidade e da espacialidade. Vejamos o que diz:

[...] os valores extensos correspondem à temporalidade corrente, ao tempo que passa, se distende e se difunde [...] enquanto os valores intensos correspondem à temporalidade suspensa, remissiva, erigida como um ponto tenso [...] Do mesmo modo, o espaço se fecha quando sobrevêm os limites impostos pela parada (intensa) e se abre quando o fluxo de continuação excede as barreiras

Zilberberg (2006, p. 164), no seu artigo Síntese da Gramática Tensiva, toma a

afetividade como direcionadora da “produção do sentido” e, ainda, propõe, como segundo

momento, a semiótica dos intervalos. Esta reconhece a primazia da afetividade sobre a semiótica das oposições, considerando, assim, que “nossas vivências” podem ser medidas,

levando-se em consideração os graus da dinâmica que possibilitam a construção da significação. Esse grau tensivo, para Luiz Tatit (2009, p. 49),

[...] prevê, no discurso oral, graus de abertura (cadeias explosivas) alternando-se com graus de fechamento (cadeias implosivas) dos órgãos bucais [...] concebe, para o plano do conteúdo, progressos ascendentes ou descendentes que aumentam, respectivamente, a positividade ou a negatividade de uma grandeza [...] O autor serve-se então das chamadas ‘unidades de progressão’, o mais e o menos, que permitem combinações entre si bastante representativas do nosso imaginário tensivo.

Certos mais e certos menospodem chegar a um grau de “saturação” (máxima de mais ou máxima de menos), impedindo a continuidade de um determinado discurso. Para que o discurso, dado numa comunidade qualquer, tenha continuidade, é preciso haver a distensão da máxima de mais ou da máxima de menos. Neste ponto, Tatit (2009) se volta à silabação

saussuriana para explicar que “[...] ao atingirem o mais alto grau de abertura sonora, nossos órgãos bucais já se colocam [...] à disposição dos procedimentos de fechamento, gradual ou brusco do som. Essa alternância caracteriza a noção que temos de continuidade nos dois

planos da linguagem” (TATIT, 2009, p. 50). A distensão das máximas ocorre através da “atenuação” que se dá ao retirarmos o excesso de mais (menos mais) ou o excesso de menos (mais menos). O mais se coloca no eixo da positividade e o menos no eixo da negatividade, assim como mostra o diagrama seguinte:

Figura 2 – Diagrama da positividade e negatividade

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Entre os estudiosos das sensações, Zilberberg (2006, p. 167) cita Deleuze pelo fato de que este reconhece que, desde Kant, as sensações são concebidas como uma “grandeza

intensiva”. O autor postula que, em vez de chamar a afetividade apenas de “adjunto adverbial de modo”, no sentido formalmente gramatical, ela se chama intensidade. A partir dessa ideia,

ele apresenta o seguinte esquema de relações tensivas:

De imediato, poderíamos olhar para o diagrama e pensar que a tensividade rege a intensidade e a extensidade. No entanto, Zilberberg (2006, p. 169) explica-nos que:

[...] (i) a tensividade é o lugar imaginário em que a intensidade – ou seja, os estados de alma, o sensível – unem-se uma a outra; (ii) essa junção indefectível define um espaço tensivo de recepção para as grandezas que têm acesso ao campo de presença: pelo próprio fato de sua imersão nesse espaço, toda grandeza discursiva vê-se qualificada em termos de intensidade e extensidade; (iii) em continuidade com o ensinamento de Hjelmslev, uma desigualdade criadora liga a extensidade à intensidade: os estados de coisas estão na dependência dos estados de alma; [...].

Para o autor, é a afetividade que rege a extensidade, ‘os estados de coisas’ que ‘estão

na dependência dos estados de alma’. Ora, se a intensidade é uma dimensão, ela apresenta

subdimensões que regem o campo da extensidade por uma correlação inversa. Primeiro o autor apresenta a subdimensão andamento que rege a temporalidade (subdimensão da extensionalidade) considerando que “andamento9 é senhor, tanto de nossos pensamentos, quanto de nossos afetos, dado que ele controla despoticamente os aumentos e as diminuições constitutivas de nossas vivências” (ZILBERBERG, 2006, p. 168). Como segunda subdimensão da intensidade, apresenta-se a tonicidade que rege a espacialidade (subdimensão da extensionalidade).

Podemos visualizar melhor as explicações do autor no diagrama seguinte:

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Ver glossário.

Figura 3 – Relações tensivas

O acesso ao mundo sensível, para os semioticistas da atualidade, dá-se por um corpo próprio ou corpo imaginário (FONTANILLE, 2007, p. 44), considerado-se como mediador dos dois planos da linguagem, conteúdo e expressão, chamado pelo autor, respectivamente de interoceptivo e exteroceptivo. Na obra Tensão e Significação, “[...] o corpo próprio é o lugar em que se fazem e se sentem, de uma só vez, as correlações entre [...] (intensidade e

extensidade)” (FONTANILLE; ZILBERBERG, 2001, p. 20).

Tatit (2001, p. 20) concebe “o nível profundo do percurso gerativo” como sendo o

nível tensivo, no qual ocorremas “interações tensivas”. Fazem parte, segundo o mesmo autor,

do nível tensivo, as gradações, “[...] os processos de concentração e expansão, as oscilações fóricas, a duração, o andamento (tempo rápido ou lento) [...] ”(p. 22). Mais adiante, em

discussão acerca do nível tensivo, o autor apresenta dois valores tensivos: contenção e distensão, compreendidos, respectivamente, como descontinuidade e continuidade, o que podem ser traduzidos como parada e parada da parada (p. 22). De acordo com o “quadrado

tensivo”, obtemos as relações indicadas pelas setas:

Figura 4 – Subdimensões da intensidade e extensidade

Fonte: Zilberberg (2006, p. 169), ampliado pela autora, 2011.

Figura 5 – Quadrado tensivo

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Tomando as cantigas e parlendas, inscritas no Cancioneiro da Pa raíba e arranjadas em sala de aula, observamos que são de caráter complexo por serem expressas em várias linguagens. O nível tensivo, regido pelas continuidades e descontinuidades e, respectivamente, por um fazer emissivo e um fazer remissivo, encontra campo propício para sua aplicabilidade nas análises que esta pesquisa se propõe a realizar. Considerando que, a parada é uma “interrupção” e a pa rada da parada é a “retomada do programa narrativo”, as canções e os arranjos dados em sala de aula, perpassam por essas “interrupções” e “retomadas” tanto no plano do arranjo, da melodia10

, da letra, quanto no plano gestual. Tudo isso ocorre pelas escolhas realizadas pelo sujeito da enunciação, “[...] sob a égide de um

‘corpo’ que ‘percebe’ e ‘ sente’ [...]” (TATIT, 2007, p. 233).