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Romantizmin Hem İçinde Hem Dışında: Goethe ve Schiller

1. BÖLÜM

1.2. ALMAN ROMANTİZMİNİN KISA TARİHİ

1.2.1. Romantizmin Hem İçinde Hem Dışında: Goethe ve Schiller

Os exercícios inventados por Stanislavski e Meyerhold para preparar o ator eram algo muito diferente daqueles executados nas escolas de teatro onde tradicionalmente os atores se exercitavam praticando basicamente esgrima, balé ou canto, enfim, exercícios com um fim neles mesmos. Stanislavski e Meyerhold acrescentaram uma nova dimensão ao trabalho do ator, visto que os objetivos dos exercícios que eles criaram não mais se esgotariam em si próprios. De acordo com Stanislavski, eles devem conduzir o ator num processo continuado de aprendizagem sobre si; de utilização consciente do seu corpo-mente; de modelação de sua própria energia psicofísica e de construção da sua personalidade artística individual. Os exercícios, segundo Barba, “são pequenos labirintos que o corpo-mente do ator pode percorrer e re-percorrer para incorporar um modo de pensar paradoxal, a fim de se distanciar do próprio agir cotidiano e entrar no campo do agir extracotidiano do palco.”23 Barba acrescenta ainda que:

Os exercícios são como amuletos que o ator traz consigo, não para exibir, mas para extrair determinada qualidade de energia da qual lentamente se desenvolve

21 Training at the Teatr Laboratorium. Odin Teatret Films, 1972.

22 Barba, Eugenio. In WATSON, Ian. Negotiating Cultures. Manchester, Inglaterra. Manchester University Press,

2002. p. 243. (Trad. nossa)

um segundo sistema nervoso. Um exercício é feito de memória do corpo. Um exercício se torna memória e age através do corpo inteiro.24

Reaparece aqui a noção de “memória do corpo”. “Corporificar a memória” me parece ser a função essencial do treinamento. “Em mim mora”; eis para mim o sentido semântico essencial da palavra memória.

Penso no corpo do ator como “a casa da memória”. Uma casa cheia de cômodos. De cada cômodo tenho uma imagem, uma lembrança, imagino. Muitas imagens e vivências, dentre elas uma imagem mais forte permanece, pois me afeta o corpo e, por isso, junto com ela, vibra uma sensação. Em cada um dos cômodos, um acontecimento, eu lembro, uma atmosfera de riso ou de dor. Na cozinha tenho fome, forço o ritmo, apresso-me, quero comer; no quarto, tenho sono, descanso, suavemente, sempre que, durante o dia, a sorte me sorri. Às vezes me zango, reviro meu corpo na cama até dormir. No banheiro relaxo ou me contraio se a barriga dói demais. Da varanda ou no jardim, contemplo as flores, vejo e cheiro, sinto. Meto a mão na terra, macia quando chove. Seca e dura, é preciso mais força, quando por muito tempo não chove, quando por vários dias faz sol. A mão se move docemente para cuidar da rosa ou agarra com bastante força para arrancar as ervas daninhas.

Reajo, corro ou me defronto, se, de susto, aparece uma cobra. Olho-a. Olho, de repente, na direção exata, para o exato lugar de onde alguém me chama. Ouço e vejo. Mais uma vez acendem-se os sentidos! Minha mulher! Ela sorri, eu sorrio, meu corpo se abre para receber o seu sorriso, extroversão. Aquele vizinho barulhento grita, eu o escuto, mas para ele o meu corpo se introverte, se fecha; meu olhar se dissipa, miro noutra direção. Escolho entre o cravo e o crisântemo, com cuidado para não me furar no espinho da rosa, cujo doce aroma impregna o ar. Prazer.

Tudo isso está em mim, em mim mora o ritmo, o sentido, a sensação, a intensidade, a precisão, a modulação da força, a direção do olhar, a lembrança... O corpo reage por prazer ou desprazer. Corpo se abre ou se fecha, respira forte ou fraco, lento ou rápido. Pode até, por instantes, se interromper. O susto! A memória do que passou aqui e agora pode já não estar. Preserve-se a memória que num e nesse exato momento se produz. Se eu sinto, cheiro, vejo, olho, corro ou paro, retenho ou disparo, está em mim a decisão, a precisão.

Alguém de fora, quando olha desde fora a minha casa e olha para mim em movimento dentro de minha casa, espectador atento, sabe se estou no banheiro ou na sala. Ao perceber o ritmo das luzes, quando as acendo e apago, se rápido ou devagar, quem está de fora, prestando atenção no tempo que permanecem apagadas ou acesas, saberá se tenho pressa ou se fui dormir. Certamente, quem me olha evocará em si suas próprias lembranças de pressa ou de lentidão, de vigília ou de solidão. Tantas vezes acendi as luzes, treinei todas noites, por noites tão diferentes uma da outra, que agora sei como acendê-las no momento exato, mesmo quando alguma situação inusitada a mim se apresente; a menos que a lâmpada queime. É que já não preciso pensar tanto antes de realizar o ato, agir. A ação exata, melhor, a energia para realizar a ação exata, se apresenta, vem, sem que eu tenha de ficar pensando nela. É que pensamento e ação, exercitados continuamente, estão agora mais próximos um do outro, “são quase uma casa só”. A memória do ato, latente, conduz o meu gesto, posto que memória em mim mora e o gesto, com o treinamento, em meu corpo veio morar.

E, quando sei que tem alguém espectando, ou mesmo quando ninguém há, recupero cada momento, acendo cada luz no preciso instante, ilumino o cômodo que devo iluminar. Mas foi bem antes, quando ninguém me olhava, que me senti livre para experimentar. Ritmo, intensidade, impulso, direção, tudo isso vi em mim. Treinei a exatidão e o ato: a exatidão do ato. Incorporei-os à minha memória. Agora eles moram em mim.

Essa linguagem assim, poética, uma metáfora, é uma maneira que encontrei para dizer que em todo ato físico e num só passo que seja, ou num simples olhar que apenas se desloca de um foco a outro estão presentes e inter-relacionadas decisões, memórias, ritmos, direções, intensidades, situações, atmosferas, sensações, imagens, associações etc. Assim, cada ação à sua vez, ato em si complexo, corresponde a uma reação específica e também complexa, que produz e revela significados. No entanto, pode-se ressaltar que as imagens, as associações, os ritmos, as modulações são qualidades de energia que se encontram no ator, e é dentro de si mesmo que ele deve procurá-las, para que possa, depois, emprestá-las de si à personagem. Durante o treinamento, o ator poderá in-corporar as diferentes qualidades das energias que compõem a complexidade das ações. ”Dono” desse patrimônio, o ator poderá valer-se, à seu tempo, de cada uma dessas múltiplas qualidades, de tal maneira que a memória corporificada pelo “exercício do exercício” possa mais prontamente ativar-se. Torna-se, então, desnecessária

a utilização do intervalo “natural” do tempo que o pensamento requer para “relembrar-se” e realizar, enfim, a ação.