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Resort Otel Tüketici Deneyimi Doğrulayıcı Faktör Analizi

Patologia pode ser entendida como os sintomas, os mecanismos, as causas e origens dos defeitos, como parte do estudo que compõe o diagnóstico. (HELENE, 1992). Perez (1988) afirma que em prédios de valor histórico cultural, a falta de manutenção é responsável por cerca de 60% das manifestações patológicas. Certamente a umidade é a manifestação mais frequente. (IOSHIMOTO, 1988).

Para uma primeira avaliação do estado de conservação, um cuidadoso exame visual do edifício deve ser executado. Segue-se, então, a necessidade da determinação do tipo químico e mineralógico da rocha usada, bem como o reconhecimento de suas características físicas: dureza, porosidade, peso específico, textura e cor. Um estudo das condições ambientais do meio onde está inserida a obra de cantaria poderá facilitar o reconhecimento da influência dos agentes atmosféricos e ambientais no processo de deterioração da pedra. Para isso, deve-se preliminarmente determinar a variação de temperatura e umidade, o nível de poluição do ar, a salinidade do solo, ventos, chuvas, etc. Quando se suspeita da influência de ataque biológico no processo de deterioração da pedra, os agentes biológicos (algas, bactérias, fungos, plantas, etc.) também devem ser analisados. (IPHAN, 2000, p. 16).

Bandeira (2005) revela que em edificações históricas as patologias advêm de ações do homem - usos e intervenções inadequadas, ausência de manutenção, população residente em número excessivo, obsolescência da infraestrutura urbana, renovações urbanas sem critérios, e trafego pesado -, do meio ambiente - água (intemperismo, corrosão e, na conjunção chuva mais poluição, chuva ácida); umidade; ar; poluição (gás carbônico, dióxido de enxofre, combustão dos automóveis, fuligem, poeira e fumaça, com depósito sobre a superfície que ativa a erosão progressiva); temperatura (quando alta, acelera processos de corrosão, principalmente em relação aos metais, despigmentação das fachadas, ressecamento do madeiramento e cristalização rápida com consequente expansão dos sais na alvenaria); microrganismos; fatores botânicos (raízes de plantas – desprendimento do revestimento, aumento das rachaduras, penetração e acúmulo de umidade -, fungos, musgos, liquens, entre outros); e fatores biológicos (reações que transformam a composição química dos materiais de construção, produzindo ácidos corrosivos que alteram cor, forma, textura e integridade; e excrementos de aves e insetos – cupins e formigão) -, e fatores físicos (do sistema estrutural - comprometimento da estabilidade como fendas; fissuras na união das paredes e nos cunhais; recalque de

fundação por ligeira acomodação; parábola na parte inferior; recalque da fundação, ruptura de tubulações de esgoto, água ou galerias de água potável ou alteração do nível do lençol freático - de água subterrânea; vazios nos terrenos causados por formigas ou outros animais; apodrecimento de baldrames e/ou movimentos vibratórios causados por tráfego intenso; recalque de fundação e sua parede vazada - com abertura de vãos -; desaprumo da parede; desligamento entre parede e pisos e entre outros) -, das alvenarias - substrato e argamassa (problemas de umidade: tubulações, umidade ascendente do solo e do telhado, e por percolação – passagem lenta de um líquido através de um meio filtrante); argamassa de revestimento (má aplicação, mau proporcionamento de argamassa e o tipo e qualidade dos materiais utilizados no preparo); mecanismos de deterioração (cristalização dos sais com aumento de volume e rompimento da alvenaria e rejunte); aparecimento de sais (dos materiais ou inadequada combinação de materiais de construção); entre outros -, da cobertura - infiltração (telhas quebradas, transbordamento de águas da calha, maus dimensionamento das calhas ou deterioração da mesma); e insetos xilófagos -, das esquadrias - estanqueidade (função de vedação ao intemperismo e segurança do patrimônio), arrancamento, ruído -, e dos pisos e forros em madeira - cupins; microrganismos por infiltração (apodrecimento, abaulamento e enfraquecimento da madeira, e o deslocamento de sua pintura); e, no caso do piso, desgaste físico.).

Em relação aos materiais pétreos, Angeli (2007) informa que a deterioração45 verificada é muito semelhante à que acontece na natureza, ou seja, nos afloramentos da rocha46. Entre as causas de alteração, estão os parâmetros ambientais, como chuva, vento, diferenças de temperatura, e presença de sais solúveis; e de origem antrópica, como existência de poluentes atmosféricos47 e restauração sem critério (realizada de maneira errada). As alterações podem ser físicas (ou mecânicas: quando as tensões causam quebra da peça), química

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Uma das dificuldades na discussão da deterioração das rochas é encontrar o uso de uma linguagem comum. O “ICOMOS-ISCS Illustred Glossary on Stone Deterioration Paternas (VERGES; BELMIN, 2008), contribuía para definir e esclarecer o uso dos termos em todos os idiomas.

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Costa (2009) cita que o uso de rochas já em processo de deterioração, resulta em aparição de alterações em um curto espaço de tempo, não na escala de tempo geológico, e sim na escala de tempo do homem.

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Storemyr (2004) relata o impacto das alterações climáticas na pedra, citando o aquecimento observado no século XIX devido ao uso expressivo do carvão como fonte de energia; e posteriormente com o desenvolvimento industrial, crescimento populacional e consequente aumento da poluição.

(envolve reações químicas, como cristalizações e dissoluções, com alteração da composição da pedra), e alteração biológica. As alterações não ocorrem de maneira uniforme em um mesmo objeto, resultado este da exposição sofrida (mais ou menos exposição à radiação solar, à chuva, entre outros), da geometria da peça, e da natureza da pedra (composição mecânica e porosidade, por exemplo).48

O IPHAN (2000) cita como agentes ‘degradadores’ da pedra os estresses externos (tensões relacionadas ao carregamento a que o objeto está submetido)– durante a deformação, podem surgir fissuras que aceleram o processo de deterioração da pedra dilatação térmica processo cíclico de expansão e contração térmica dos materiais e, sabendo que a superfície externa está mais sujeita a variações térmicas que a estrutura interna, há geração de deformações diferenciais e consequentes estresses estruturais” -, e expansão devido a umidade - é verificado a mesma tensão diferencial entre a estrutura externa e a interna. Internamente os estresses ocorrem devido ao congelamento (quando em clima glacial e temperado), cristalização de sais – é um dos principais fatores de deterioração no Brasil, no qual o sal solúvel instala no poro e ao cristalizar, aumenta o volume criando estresse estrutural - , erosão alveolar – rápida cristalização de sais solúveis, aparecendo alvéolos na superfície que acelera a desagregação superficial da pedra -, eflorescência - concentração de sais solúveis na superfície, indicando contaminação interna da pedra -, e corrosão de grampos de ferro – quando oxidados, os elementos metálicos aumentam de volume criando fissuras e fraturas com favorecimento da passagem de água e aceleração do processo de corrosão.

Externamente os principais agentes, todos esses dependentes da umidade, são a capilaridade (“processo de sucção de água [...] juntamente com a umidade, vêm os sais solúveis, tão danosos, precipitando reações químicas desfavoráveis à conservação dos materiais porosos”. IPHAN, 2000, p. 19.), a condensação (“A água suspensa no ar, em seu estado gasoso, entra em contato com a superfície da pedra,

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Doehne; Price (2010) citam que as causas para a deterioração da pedra podem ser devidas a terremotos, incêndio, inundação, terrorismo, vandalismo, negligência, turismo, intervenções anteriores, flutuações de vento, chuva, geada, temperatura, ataque químico, presença de sal, poluição, biodeterioração, fatores intrínsecos (‘vício inerente’: a deterioração é resultado do material utilizado), entre outros. Três temas podem ser tidos como os principais: poluição do ar, sais, e a biodeterioração.

resfriando-a . Com esse resfriamento, a água passa para o estado líquido e é depositada na superfície da pedra, que a absorve.” IPHAN, 2000, p. 20.), o ataque da chuva (“[...] o ar contém dióxido de carbono, que, dissolvido em água, forma ácido carbônico”. IPHAN, 2000, p. 20.):

Os monumentos que estão inseridos nos grandes centros urbanos e industriais estão mais expostos à ação da poluição atmosférica. O ar poluído geralmente contém grandes concentrações de dióxido de enxofre (SO2), que, na presença da água e do oxigênio do ar, transforma-se em ácido sulfúrico (H2SO4), forte o bastante para causar a deterioração de vários materiais mineralógicos. A cantaria recebe os depósitos de poluentes atmosféricos que vão se acumulando na superfície, escurecendo-a. Quando há uma grande concentração desses depósitos, forma-se uma camada de poluentes e fuligem que é chamada de “crosta negra”. (IPHAN, 2000, p. 20).

Outro fator que comumente contribui para a deterioração das peças em pedra, é o ataque biológico, como bactérias e fungos que geram energia para sobrevivência por meio de reações químicas com a formação de ácidos que corroem os materiais; algas; líquens – associação de fungos e algas que têm o poder de penetração pela produção de ácidos orgânicos causando danos superficiais principalmente -; e plantas. (IPHAN, 2000).

Uma das principais causas de deterioração, é a presença de sais solúveis que geram alterações químicas e mecânicas por meio da perda de material interno e surgimento de diversas fraturas e seções internas, tornando-os frágeis e quebradiços. O decaimento salino que ocorre devido à entrada por capilaridade de soluções salinas, com cristalização e recristalização de sais e quebra interna que são lixiviados pelo movimento natural de entrada e saída de água (evaporação, alterações climáticas, intempéries). Segundo Figueiredo Júnior (2012), a recristalização pode gerar pressões de até 1.000 atm (aproximadamente 100 Mpa). Um sal49 comum responsável pela deterioração no decaimento salino é o sulfato de sódio, Na2SO4, também conhecido com ternardita. Este sal, devido ao íon Na+

presente que possui um alto parâmetro eletrostático. Édevido a sua alta densidade de carga em um raio iônico pequeno (0,95 Ǻ), é extremamente higroscópico e capaz de gerar um produto hidratado com 10 moléculas de água. A forma hidratada,

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Angeli (2007) cita que podem ser encontrados alguns cloretos (NaCl, KCl), sulfatos (Na2SO4, MgSO4, CaSO4), carbonatos (CaCO3, MgCO3) ou nitratos (KNO3, NaNO3).

Na2SO4·10H2O, é conhecida como mirabolita. A conversão da ternardita a mirabolita

pode gerar pressões de 254,23 atm (aproximadamente 26 Mpa) (ESPINOSA, 2008). O NaNO3 (nitrato de sódio) é também outro sal capaz de deteriorações em bens

culturais (EL-GOHARY, 2011). Atm x mP (megapascal)

Outras patologias podem ser percebidas nas pedras, como o gelo e desgelo (temperaturas baixas permitem a cristalização da água no interior da pedra, gerando aumento do volume e consequente fissura), choque térmico (rápida mudança de temperatura com dilatação térmica diferenciada dos variados componentes da peça), ação da água (ação erosiva da água que flui pela superfície, podendo contribuir ainda para a dissolução de componentes), poluição atmosférica (crosta negra50 e sujidade), chuva ácida (relacionada à dissolução de componentes da pedra, bem como à poluição atmosférica), colonização biológica (comumente relacionada à umidade existente na superfície do objeto), e sua composição mineral (a composição irá determinar a durabilidade da pedra, pautada em suas propriedades hídricas, resistência mecânica, e porosidade). (ANGELI, 2007). O IPHAN (2000) cita ainda a alteração cromática, alveolização (cavidades de dimensões variadas na superfície), crosta negra, degradação diferenciada, desagregação, esfoliação (“destacamento espesso de uma ou mais camadas do substrato superficial”), fissura, perdas (formação de lacunas por perda de material), pitting (degradação puntiforme), presença de vegetação (musgo, lodo ou plantas), e grafitismo (“camada de tinta sobre a superfície por vandalismo ou intervenção inadequada”).

2.3.1 O esteatito

Em relação ao esteatito, Silva (2007) revela que as pedreiras e afloramentos podem ser encontrados com elevado grau de sanidade até completamente decomposto,

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Geralmente o enxofre (SO2) da atmosfera reage com água e oxigênio atmosférico, transformando- se em ácido sulfúrico e, posteriormente, reage com a calcita (CaCO3) formando gesso (CaSO4

. 2H2O) e liberando CO2. A zona afetada torna-se frágil e, consequentemente, com menor resistência mecânica – pulverulência e degradação da rocha. O enegrecimento (formação de crostas negras) e a sulfatação são maiores quanto maior for a poluição atmosférica, tendo como facilitadores a porosidade, a permeabilidade, a conexão existente entre os poros, a rugosidade e a geometria das superfícies. (CURSO DE CARACTERIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE PEDRAS, 2014.).

com aspectos estéticos completamente distintos. No conjunto escultural dos doze profetas de Congonhas do Campo, Costa (2009) revela que a pedra sabão foi extraída das redondezas, apresentando significativa heterogeneidade de composição, cor e textura. “As rochas empregadas são relativamente pobres em talco e ricas em outros minerais, como clorita, carbonato, anfibólios, óxidos e sulfatos, o que explica em parte as microfissuras e as perdas de material

observadas”. (COSTA, 2009, p. 200).

Com a criação do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no final da década de 1930, ocorreu o tombamento expressivo de bens culturais em Minas Gerais, privilegiando a produção artística do período conhecido como barroco colonial mineiro (século XVIII), com iniciativas no sentido de restauração e da preservação do patrimônio cultural do Brasil, e pesquisas da utilização de materiais como pigmentos, tintas, madeira e argamassa, o mesmo não ocorrendo com a pedra. (COSTA, 2009).

A pedido do SPHAN, no ano de 1941 Orosco fez um estudo das avarias nas esculturas do período colonial de Minas Gerais. Como existia um número significativo de peças em material pétreo na região mineira, e como havia desgastes que gerava o temor da destruição das peças pela ação do tempo, foi solicitado o estudo da cantaria. (Revista do SPHAN, 1941). À época foi constatado que o abandono (ou a ausência de ações de conservação e manutenção) gerava a mutilação das peças (conjunto de doze profetas esculpidos em pedra sabão51) por ações de vandalismo, como os dedos decepados de Jonas (FIGURA 29), assim como a língua arrancada (FIGURA 30); mutilação na parte do pé de Oséas; quebra do canto da cornija da coluna que sustenta Daniel; painel de Ezequiel destruído (possivelmente por golpes), assim como a sua mão direita e punho (FIGURA 30);

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O conjunto de doze profetas foi esculpido em pedra sabão por Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho, 1730-1814), quase em tamanho natural para dispor no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas do Campo. Embora o santuário já estivesse concluído em 1777, os profetas foram confeccionados entre os anos de 1800 e 1805. O conjunto é tombado pelo IPHAN (SPHAN, setembro de 1939, processo nº75-T, inscrição nº 239, livro das belas artes, página 41) e reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial (1985). (ROBERT, [200-]). Possivelmente o Santuário de Congonhas foi inspirado no Santuário do Senhor Bom Jesus do Monte, em Braga, Portugal. (HERKENRATH et al., 1994). O conjunto pode ser tido como uma das séries mais completas da arte cristã ocidental representado profetas. (ITAUCULTURAL, 2005).

Habacuc exibe ausência da ponta do pé e do antebraço direito (FIGURA 29); e sobre o manto e base da coluna de Jeremias há profundas inscrições em caracteres árabes. (Orosco (1941) ainda observa que, sendo o vandalismo a principal causa de danos aos profetas, vê-se que a população não respeitou o conteúdo artístico- estético da escultura, tampouco o significado religioso. (OROSCO, 1941). Há ainda outros elementos faltantes, como o cajado do Profeta Amós. (Figura 31).

Figura 29 - Mutilações sofridas pelos profetas: dedos de Jonas, e antebraço e pé de Habacuc

Fonte: OROSCO, 1941, p. 181.

Figura 30 - Mutilações sofridas pelos profetas: mão, punho e painel de Ezequiel, e língua de Jonas

Figura 31 – Profeta Amós ainda com cajado original, sem data

Fonte: WERNECK, 2013.

A manutenção, já nos anos quarenta do século XX, era também responsável pelo agravamento dos danos, principalmente pelos desgastes. A limpeza era mal conduzida, realizada por massete, picão e escova d’aço, lavados com raspadeira e escova, deixando marcas, visíveis a época citada, na pedra sabão que possui maleabilidade de esculpir. Era visualizado maior número de avarias relacionadas a desgastes naturais nos profetas de Congonhas, que nas pedras observadas em Ouro Preto, Mariana e Tiradentes. Nas peças existiam manchas pardo avermelhadas em cavidades rasas, onde o material era pulverulento, destacando facilmente. Quando o bloco esculpido era cortado paralelamente aos planos da estratificação da rocha, era observada a descamação da superfície, mais evidente nas partes inferiores. As avarias são relacionadas à ocorrência de enriquecimento local de ferro, visto que é sempre encontrado um menor teor de ferro em rochas menos intemperizadas, e ainda aos agentes naturais, como aquecimento, variação brusca de temperatura, oxidação e carbonatação pelo CO2 do ar, ambos a quente e

em presença de umidade. (OROSCO, 1941).

Por fim, Orosco (1941) conclui que não serão os elementos naturais responsáveis pelas avarias, sendo a erosão pouco significativa, uma vez que há trechos intactos ladeados por partes avariadas. Em Congonhas do Campo foi verificado que a pedra se decompõe em faixas alternadas ou em manchas sobre a superfície: “a mancha da rocha é local e preexistente”. (OROSCO, 1941, p. 202). Os pontos avariados já

seriam preexistentes nos blocos ao serem extraídos, tendo as cavidades porventura existentes, mascaradas durante o processo de desgaste e polimento, quando o pó preencheria estes vazios. Em visita a uma fábrica de panelas de pedra com blocos recentemente extraídos, o autor teria observado avarias semelhantes às dos profetas, concluindo que não há razões para temer a vida dos monumentos, devendo ocorrer nos pontos já avariados, e de forma pontual, alterações mais profundas, não havendo solução possível, visto que são defeitos inerentes à constituição da pedra, podendo ser encontradas soluções apenas superficiais. Para a manutenção e conservação das peças, Orosco lista uma série de cuidados:

x evitar quaisquer limpezas por atrito sobre a pedra sabão;

x conservar pátina sobre monumentos, sem afetar a sua estética - a pátina representa um papel de elemento consolidador das partes alteradas, ocultando-as ainda, além de garantir uma proteção contra o desgaste por erosão;

x são inúteis tratamentos preventivos contra as alterações - as partes avariadas são locais e preexistentes;

x as esculturas são ameaçadas pela ação mecânica (choque, golpes, entre outros), fraturando com muita facilidade, devendo ser reguladas as aglomerações, pincipalmente infantis e juvenis, junto à igreja – uma fratura em um bem em material pétreo é “mais danoso para a integridade do monumento do que os 200 anos de sua exposição ao tempo” (OROSCO, 1941, p. 207).

A relação do conjunto escultórico com a cidade e os fieis foi retratado no século XIX (

Figura 32) e nas primeiras décadas do século XX (FIGURA 33, FIGURA 34, FIGURA 35, FIGURA 36). Além de praticamente não existir poluição atmosférica, a relação dos fieis com as peças é de muita proximidade, quase que desconsiderando seu teor religioso, tal qual mencionado por Orosco.

Figura 32 – Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, 1880

Fonte: Foto de Marc Ferrez, 188052.

Figura 33 – Santuário Bom Jesus de Matosinhos, 1942-1944, Congonhas do Campo

Fonte: CARMO, 1973.

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Figura 34 – Santuário Bom Jesus de Matosinhos, 1942-1944, Congonhas do Campo

Fonte: CARMO, 1973.

Figura 35 – Romaria do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, 1950

Fonte: CARMO, 1973.

Figura 36 – Romaria do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, 1950

Fonte: CARMO, 1973.

A visão apresentada por Orosco (1941) é contraposta por Herkenrath et al. (1994) do Investigations into Devices against Environmental Attack on Stones (IDEAS Project53) que afirma que há uma aceleração da deterioração da pedra vista com a contribuição da comparação de fotos, relacionados aos novos mecanismos de intemperismo54 conhecidos até o momento, que por sua vez estão interligados à poluição do ar com aumento das substâncias antrópicas, além de outros fatores55, exigindo a pesquisa de medidas para a proteção da pedra. Desde a antiguidade cientistas investigam as causas da degradação, mas apenas em meados da década de 1960 que pesquisas sistemáticas com observação detalhada sobre os mecanismos de deterioração, procedimento de conservação e restauro, com foco na eficiência e risco, veem sendo realizadas. O IDEAS é o estudo existente mais completo em relação à pedra sabão.

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IDEAS Project é uma parceria Brasil-Alemanha, visando adaptar a metodologia existente para pesquisa e avaliação de processos de deterioração da pedra, avaliando e comparando o processo de alteração entre pedras brasileiras e alemãs, sob diferentes condições climáticas e de qualidade do ar, a fim de definir possíveis estratégias de intervenção e intercâmbio de conhecimento. (HERKENRATH et al., 1994, p. 19).

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Intemperismo seria o processo natural relacionado à formação dos solos, considerado lento e pouco perceptível em termos de um ciclo de vida humana, podendo, entretanto, ser visível em monumentos, já que este se mostra acelerado e visível em poucos anos. (HERKENRATH et al., 1994, p. 18).

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Condições de temperatura e umidade, vento, chuva, congelamento, calor, poluentes naturais e antropogênicos, colonização por microrganismos, etc. (HERKENRATH et al., 1994, p. 19).

Tomando como objeto de estudo o conjunto de doze profetas de Congonhas do Campo, o Projeto IDEAS identificou que eles foram executados em várias partes conectadas internamente por pinos de pedra, apresentando juntas abertas. Basicamente a pedra é composta por talco, clorita e quantidades variadas de dolomita, sendo encontradas algumas amostras contendo magnetita, óxido de ferro, hidróxidos, poucas com tremolita e, nas amostras que apresentava dolomita, foi encontrada goethita. A porosidade é baixa (2-9 vol.%), com pequenos poros (0,1 a 4 μm), densidade aproximada de 2,9 g/cm³, e baixa capilaridade (até 0,2 kg/m² h0,5,

que aumenta para 1,3 kg/m² h0,5 na peça intemperizada). Ainda de acordo com Herkenrath et al. (1994), a peça dilata sob ação hídrica, e em menor grau sob a ação térmica, mas a combinação de ambas é danosa. Congonhas do Campo tem clima subtropical temperado, com chuvas torrenciais no verão que levam ao resfriamento brusco da superfície da pedra (de 50ºC para 20ºC). Foi detectada à época do trabalho (1994), a alteração da superfície original com formação de relevos e cavidades, perda de fragmentos e decomposição estrutural, onde os componentes sensíveis da pedra são dissolvidos e alterados, gerando áreas permeáveis por onde a água penetra. Foram observados diferentes efeitos do intemperismo em cada escultura, como mudança morfológica da superfície da pedra, perda de fragmentos, fissuras, alteração da cor original, colonização de organismos, além de crosta, sujidade, e desintegração granular, sendo a alteração cromática e a mudança morfológica mais comuns. A deterioração está diretamente ligada às características