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BÖLÜM 3: TÜKETİM KÜLTÜRÜNE YÖN VERENLER

3.2. REKLAM

sobre a sinceridade das condutas do outro no passado, não agora, de modo que enquanto não se puder acusar aquele que fala a mentira, o que fala está aprisionado por suas palavras [...]

A convivência na desconfiança de hipocrisia só gera ruptura social e sofrimento, porque sempre implica a contínua geração de ações contraditórias (MATURANA, 1998, p.76-77).

Afirmamos que nem sempre a harmonia sobrepõe as tentativas de polarização entre as condutas da boa convivência e as condutas indesejáveis ao bom convívio. A harmonia em que pesa à superação dessa prática só é possível pela ampliação do sentido posto por Maturana e Verden-Zöller (2004), quanto à convivência no entrelaçamento dos sujeitos a partir de uma experiência no linguajear e no amor. É no encadeamento do linguajear com o amor que se convive, se vive. Condição para uma existência desenhada na acepção humana.

A dimensão política do existir na convivência corresponde a conduta do ser em se relacionar com o outro no linguajear, um linguajear que tem sua forma inicial no conversar e que se expande, até assumir sua forma ampliada e potencializada, a qual estamos considerando o diálogo. Fazemos referência ao ato do diálogo, como manifestação política e consciente do sujeito, manifestação ampliada do linguajear.

Ainda temos muito a fazer, podemos mudar pra melhor ou pior, somos nós que fazemos nossas escolhas, pois são elas que fazem de nós o que somos hoje, e por isso, é sempre bom ouvir, pois é ouvindo que amadurecemos e crescemos como pessoa. (Pollyana).

O amadurecimento e crescimento mencionados pelo Pollyana, constituem manifestações do acúmulo de interações e de experiências aprendidas com o outro. Essa troca com o outro constitui uma história de condutas solidárias que nos faz retomar Freire (2005) quando afirma que, é no diálogo que transformamos a realidade. O que nos faz pensar que, qualquer transformação social é uma resposta solidária entre indivíduos que tomam uma decisão, a partir de uma demanda comum, o que constitui uma conduta política em si. Nesse sentido, expomos que a dimensão sócio-política da convivência encontra-se no diálogo, amplitude do linguajear que implica na articulação coletiva de renúncias e também de reivindicações comuns aos indivíduos afins no emocionar.

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A dimensão ética da convivência está no diálogo, elemento fundamental do viver com outros compartilhando experiências e saberes, condição de um existir humano, político, ético e sensível. Nesse sentido, compartilhamos com Maturana (1998, p.73), o pensamento de que “a ética não tem um fundamento racional, mas sim emocional” (MATURANA, 1998, p.73), pensamento esse que destacamos. Portanto, compreendemos que a ética também é uma forma de viver nas emoções coletivamente, um viver na qual aprendemos uns com os outros.

Através da maneira de abordar, tratar e falar uns com os outros, aprimoramos os laços de relacionamento. Isso implica em cumplicidade, amizade, companheirismo, fortalecendo o sentimento de grupo, ao mesmo tempo em que facilita o processo e a qualidade de ensino e de aprendizagem do conhecimento da ginástica. Essa resposta solidária é fruto de um engajamento político, ato que se faz no diálogo entre afins. Outrossim, é no diálogo que o indivíduo ouve e se pronuncia, criticando, sugerindo, expondo, agindo e transformando a realidade (Freire, 2005). O diálogo também é visto como uma preciosidade na construção do entendimento, sendo esse um caminho para cultivo da amizade posta como elemento essencial na composição do grupo. Nos fragmentos a seguir observamos a partir de situações vividas no processo de seleção das ginastas que viajaram em 2007 para Campinas que a unidade do grupo e da amizade deve prevalecer: “... todas nós amamos muito o grupo, para deixá-lo por quaisquer intrigas e brigas sem propósitos, isso faz com que ninguém desista do GGTP. Eu não sei como seria minha vida sem o grupo” (Caroline Diniz); “O GGTP é o lugar aonde eu me sinto bem. Quando estou triste, é no GGTP que encontro ombro amigo” (Yaponira).

[...] O diálogo é de uma riqueza tão grande que, se parássemos para pensar ou para imaginar só por um instante entenderíamos que melhor do que tentar resolver as coisas no grito é tentar resolvê-las com o diálogo. Sabemos mais quando dialogamos com outras pessoas. Com isso o nosso intelecto aumenta porque aprendemos mais sobre às várias maneiras de pensamento do ser humano. [...] Entre nós, o diálogo nos ajuda a nos conhecermos mais e nos tornarmos pessoas mais humanas, mais prestativas e que certamente saberão ouvir as pessoas a nossa volta, sejam conselhos ou críticas, de quem quer que seja, escutando e opinando. (Pollyana)

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Indica-nos o Pollyana acima que, o GGTP sendo um lugar comum, de paredes invisíveis e de amigos que se conflitam e que se solidarizam, tem no diálogo um sentido aglutinador, restaurador da convivência e, portanto, transformador. Yaponira, a seguir, reforça o pensamento do grupo quanto à importância e sentido da amizade para a existência do grupo: “[...] Aprendi que amizade é algo muito sério e que ela é cultivada no dia-a-dia” (Yaponira). O mesmo expõe que é no tempo que se cultiva a amizade. Mas, sublinhemos que a amizade não se faz por si só, é necessário dialogar como forma de articulação dos desejos dos atores sociais, vivida na exposição dos mesmos a sorte do que é posto na experiência do viver em grupo.

“[...] Um sorriso ou, até mesmo, outro gesto de apoio de alguém basta para tornar nossos dias mais felizes [...]” (Llows). A condição de “dias felizes” está no empenho dos componentes da convivência em cultivá-los, para tanto, exige-se um ímpeto transformador que designamos de conduta política da convivência.

Seguindo os caminhos que nos levam às condutas que negam o outro no espaço de interações, a qual estamos designando por condutas indesejáveis, destacamos os seguintes indicadores: raiva, ira e fúria. Esses indicadores constituem os tipos de comportamento que se somam ao conjunto de contra-valores. Essas condutas são postas na negação do outro na convivência, ou se constituem manifestações da reflexão das condutas dos outros no passado (MATURANA, 1998). Expomos que essas ações se dão em conseqüência de outras ações, de outros atores sociais, como sugere o fragmento seguinte: “Nosso professor ... é muito rigoroso. Outro dia ele se estressou comigo e eu me estressei com ele [...] Embora eu não me arrependa, fiquei com raiva de mim mesma por ter respondido da forma que fiz [...]” (Stephany). O que não isenta nenhuma parte da responsabilidade da conduta.

A minha convivência com o professor Leonardo é boa. Não digo ótima porque algumas vezes tomo uns “carões” e, isso me deixa furiosa. Embora saiba que foram os “carões” que me ajudaram ao longo desses anos a me tornar a ginasta e a pessoa que sou hoje, uma ginasta e, conseqüentemente, uma pessoa mais forte e com modos [...] (Fernanda).

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Observamos que o ato desencadeador da raiva, ira ou fúria, muitas vezes sobre a luz da ponderação é subvertido na condição de necessário. Esse julgamento não é possível no momento da ação “explosiva” e não desejada. A convivência na desconfiança, manifestação da reflexão das condutas dos outros no passado, gera ruptura social, ou seja, relações não-sociais.

(MATURANA, 1998). Nesse sentido, ponderamos se não são possíveis outros caminhos, sendo um deles a conversa, exaustivamente discutido e sugerido no decorrer do texto. O fato nos leva a pensar que muitas vezes é necessário tomar decisões que implique na ação furiosa do outro sujeito, contudo, é preciso ponderar no que cerca a convivência e tomar no exercício pedagógico, o diálogo como a estratégia política do ensinar para superar tais condutas.

Ainda no caminho que nos leva aos indicadores que nos revelam as condutas relacionais indesejáveis, expomos aqui a vaidade, no sentido de arrogância, para manter nossa reflexão. Compreendamos inicialmente que, a vaidade não é posta apenas como uma virtude, seu sentido varia de acordo com a ação do sujeito no mundo. Tomemos os exemplos: “No início, achei as meninas, que já praticavam ginástica, chatas, elas aparentavam ser amostradas e orgulhosas; ao contrário das meninas que começaram comigo” (Fabrícia); “Eu achava as meninas que já faziam ginástica muito exibidas. Pensei que fosse ficar como elas [...]” (Fernanda). Ambas tecem um juízo de valor a partir da altivez corporificada pelo sujeito observado e julgado, mais uma vez nos referimos às caricaturas. Compreendemos que, embora o julgamento se consolidasse na observação da disposição corporal dos ginastas no tempo e no espaço, foi na convivência que foi possível reconsiderar a postura dos mesmos. Destacamos que o afazer, ou seja, a prática da ginástica possibilitou Fernanda avaliar a imagem construída arbitrariamente. E que a desconfiança, como geradora de rupturas sociais, só foi suprimida na convivência.

[...] Vi que eu não ia ser uma “amostrada”, mas, uma ginasta que mostrasse o que sabia fazer, sem ter que baixar a cabeça por nada. Era isso que as meninas mais antigas faziam, se orgulhavam dos exercícios que executavam. Executando bem ou mal os exercícios, nunca perdiam a pose, nem deixavam de ser graciosas. (Fernanda).

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Demonstra Fernanda, que é na convivência com os demais que é possível de fato tecer algum juízo sobre o outro, sobre a pena de não negarmos o outro como legítimo outro na convivência. Foi convivendo com os outros indivíduos que, Fernanda subverte a idéia de que toda ginasta é arrogante. Nesse sentido, compreendemos que é na convivência, e somente nela, que é possível identificar e diferenciar a vaidade como arrogância ou como altivez, ou seja, valorização de si. Nesse sentido, acreditamos que por mais que se fale da experiência ninguém pode substituí-la, pois é nela que temos a oportunidade de lançar um olhar mais criterioso, nem sempre aproveitado para redimensionar a própria experiência.

O comportamento que mais me incomoda é a humilhação. Muitas vezes alguma menina age como se fosse superior, não só dentro como fora do grupo, humilhando alguma outra menina, querendo ser mais que as outras. Isso não dá pra entender, falamos tanto em trabalho coletivo, parece que algumas meninas ainda não aprenderam sobre o que é isso. (Stephany).

A vaidade mal dosada deixa de ser uma virtude e passa a ser uma contra-virtude. A arrogância, como demonstra Stephany, é uma desmedida dessa natureza. Se por um lado, “Ter um espírito de ginasta ajuda a ter uma postura altiva, muitas vezes confundida com uma postura amostrada e exibida

[...]” (Naya), por outro, essa postura da vaidade pode incomodar não pela imagem arrogante, mas pela ação arrogante, conforme verificado acima, quando Stephany expõe sua experiência, fazendo-a servir à humilhação, negando o sujeito como legítimo outro na convivência.

Tomemos a humilhação como uma manifestação da vaidade, conseqüência de ações contraditórias as relações sociais. Usar da humilhação para sobrepor-se, como forma de sobressair-se em relação ao outro é uma forma de negação do outro na existência. Ao negar o outro na existência eu o anulo na convivência, aspecto que nega a existência humana no espaço relacional. (MATURANA, 1998, 2000, 2001, 2004), (MATURANA; REZEPKA, 2000), (MATURANA; VARELA, 2002), (MATURANA; VERDEN-ZÖLLER, 2004).

Compreendemos que humilhação, vaidade, arrogância, altivez, assim como a raiva, a ira, a fúria são exemplos de referências pessoais, fazem parte

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do estado de conhecimento de cada um dos atores sociais pesquisados. Os conhecimentos deles, ou qualquer indivíduo que seja, carregam consigo sobre as suas circunstâncias e suas ações no momento em que agem com outros, quando sentem os efeitos da humilhação, da vaidade, etc., constitui um caminho explicativo das nossas capacidades cognitivas que Maturana (1998) designa de o caminho da objetividade-sem-parênteses. A objetividade-entre-

parênteses é posto pelo autor (Op.Cit) como um domínio da objetividade que

ao considerar que não há verdade absoluta, não nega o outro como legítimo outro na convivência.

Não há verdade absoluta nem verdade relativa, mas muitas verdades diferentes em muitos domínios distintos. Nesse caminho explicativo existem muitos domínios distintos de realidade, como distintos domínios explicativos da experiência fundados em distintas coerências operacionais e, como tais, são todos legítimos em sua origem, ainda que não sejam iguais em seu conteúdo, e que não sejam igualmente desejáveis para serem vividos (MATURANA, 1998, p. 48).

Queremos demonstrar com isso que nossas discussões embora no caminho da objetividade-sem-parênteses16, não exclui o outro caminho. A partir

do instante em que consideramos as falas dos atores sociais, expressão da consciência, referência da experiência dos mesmos, em que não podemos distinguir ilusão de percepção, caminhamos no domínio da objetividade-entre-

parênteses17 (MATURANA, 1998).

Ao tratar de nervosismo, ansiedade e medo, os últimos três indicadores discutidos ao fim desse capítulo, compreendemos que a distinção entre ilusão e percepção não é possível. Para manter a coerência com o que viemos desenvolvendo ao longo do texto, ao tratar das condutas que negam o outro no espaço de interações que evidencia a prática da ginástica na EMTP e das condutas indesejáveis nessa, seguiremos ora caminhado pelo domínio da

16 Segundo Maturana (1998), a objetividade-sem-parênteses consiste num caminho explicativo na qual a referência de uma realidade independe do sujeito explicador e que em si se explica e valida o explicar.

17 Ao indicar a consciência de não poder distinguir ilusão e percepção no processo de explicar, Maturana (1998) nos aponta objetividade-entre-parênteses como um caminho explicativo. Nesse caminho, o autor (Op. Cit., p.47) nos expõe que “não podemos desprezar mais nossa condição se seres que na experiência não podem distinguir entre ilusão e percepção [...], o que aceitamos não é uma referência a algo independente de nós, mas uma reformulação da experiência com elementos da experiência”.

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Benzer Belgeler