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Refenandum'a gidilecek ve Kürtler KESĠN ayrılık isteyecekler

Belgede 2004 Yılı Sohbetleri (sayfa 94-97)

Sohbet n° 219 - Tarih: 25 Ģubat 2004

1. Refenandum'a gidilecek ve Kürtler KESĠN ayrılık isteyecekler

O cenário econômico social da América Latina mostra índices alarmantes de desemprego, marginalidade, pobreza e violência. Seus diferentes países apresentam de 20% a 50% da população vivendo à margem da sociedade, sem acesso à moradia, alimentação e educação de qualidade (THOMAS; FRESSOLI, 2009).

O Brasil, incluído nesta realidade, apesar de ter alcançado grandes avanços nos últimos anos ainda apresenta graves problemas sociais. Segundo estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria – CNI (2014), a maioria da população brasileira revelou

que os principais problemas que afligem o Brasil compreendem a saúde, com 58% de indicações, seguida da violência e a criminalidade, com 31%, e das condições inadequadas da educação, com 28%. Além destes, vale citar outros problemas que afligem a sociedade brasileira, como as drogas, a inflação, o desemprego, os altos impostos e salários insuficientes, que geram a exclusão econômica e social.

O esforço de vários atores das sociedades (Estado, empresas privada e sociedade civil) não tem se mostrado suficiente para solucionar tais problemáticas. Pena (2004) afirma que para superar estas dificuldades que afligem a população brasileira faz-se necessário construir estratégias comuns de ação, focados em objetivos específicos e concretos, como inclusão social e cidadania.

Nas últimas décadas, as políticas formuladas pelo setor de Ciência e Tecnologia – C&T, inseridas no contexto brasileiro, fundamentam-se prioritariamente em utilizar as estratégias adotadas pelos países desenvolvidos como modelo, o que é contraditório à realidade do Brasil, uma vez que suas condições reais são específicas e distintas. Assim, limitam-se as ações voltadas para solucionar os problemas primordiais que afligem a população brasileira (DAGNINO, 2009).

A crescente exclusão social e precarização do trabalho no Brasil desperta a preocupação de vários cidadãos com estes agravantes de problemas sociais, resultando no surgimento da tecnologia social como instrumento para enfrentar as condições alarmantes que preocupam o país (DAGNINO, 2009). Todavia, a tecnologia social emerge não apenas como um paliativo para a exclusão social, ela busca incentivar dinâmicas de inclusão, capazes de solucionar problemas sociais e ambientais, levando em consideração o contexto social, cultural, político e econômico no qual o ser humano está inserido (THOMAS; FRESSOLI, 2009).

Vale acrescentar que, o papel das ONGs no Brasil foi preponderante para a introdução da perspectiva “social” à tecnologia. Por meio do trabalho social ímpar que desempenham, alinhado aos parâmetros da tecnologia social, conquistou reconhecimento junto ao sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Assim, as ONGs ampliam as oportunidades de acesso a recursos destinados à sistematização e disseminação de práticas fundamentadas na tecnologia social (ITS, 2004b).

Assim, observa-se que, no cenário brasileiro a tecnologia social surge como um movimento de “baixo para cima”, incentivando o envolvimento da população, com suas habilidades criativas e organizadoras, para construir soluções em prol das necessidades e/ou

demandas sociais (MACIEL; FERNANDES, 2011). Baumgarten (2008) menciona que a tecnologia social, compreendida a partir dos atributos das redes de conhecimento, possui capacidade para promover a inovação social no Brasil.

Neste contexto, alguns órgãos foram constituídos no Brasil com o intuito de fomentar estudos e pesquisas, disseminar conceitos e consolidar práticas orientadas para a tecnologia social. Em 2001, fundou-se o Instituto de Tecnologia Social (ITS) como uma associação de direito privado, denominada como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) segundo a Lei n. 9.790/99. Sua missão objetiva “promover a geração, o desenvolvimento e o aproveitamento de tecnologias voltadas para o interesse social e reunir as condições de mobilização do conhecimento, a fim de que se atendam as demandas da população” (ITS, 2013).

O ITS surgiu com o propósito e, ao mesmo tempo, o desafio de incentivar ações que possibilitem estabelecer uma efetiva relação entre as necessidades da sociedade e o conhecimento científico. A maior tenacidade do ITS está em localizar o conhecimento adequado para que seja inserido em um processo dinâmico e canalizado até a demanda social, podendo reverter as situações deficientes detectadas (ITS, 2004b).

O ITS visa efetivar ações que permitam direcionar o conhecimento produzido por toda e qualquer instância da sociedade para conceder assistência às necessidades da população (ITS, 2013). Para o ITS (2004a), a tecnologia social surge no Brasil com o intuito de possibilitar aos cidadãos brasileiros o acesso democrático à ciência e à tecnologia, incentivando a sociedade a participar ativamente do processo de produção, difusão e utilização do conhecimento. A tecnologia social fundamenta-se em alguns princípios centrais, como a inclusão social, a preservação do meio ambiente e o processo democrático (ITS; 2007).

Os agentes parceiros do ITS, comprometidos com a evolução de conceitos, características e métodos de difusão da tecnologia social abrangem representantes de ONGs, do poder público, das universidades e dos institutos de pesquisa, dos órgãos financiadores, das associações comunitárias e dos consultores autônomos (ITS, 2004b).

Outra instituição relevante é a Fundação Banco do Brasil (FBB), que iniciou sua trajetória orientada para a tecnologia social a partir do início do séc. XXI, quando buscou aproximar cidadãos sensibilizados com os problemas sociais, para juntos identificarem soluções embasadas nos critérios do desenvolvimento sustentável. Sendo assim, em 2001 lançou o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social e o Banco de Tecnologias

Sociais (BTS). Este BTS disponibiliza informações sobre as tecnologias sociais certificadas pelo Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social (FBB, 2013a).

A tecnologia social é disseminada pela FBB como uma ferramenta capaz de promover a inclusão socioprodutiva, contemplando os quatro princípios da sustentabilidade: respeito cultural, solidariedade econômica, protagonismo social e cuidado ambiental. As tecnologias sociais compreendem a construção de modelos inovadores de desenvolvimento, originados a partir do conhecimento produzido e compartilhado de forma coletiva, por vários atores sociais, como as comunidades rurais e urbanas, os movimentos sociais, centros de ensino e pesquisa e o Estado (FBB, 2013a).

Na interpretação de Baumgarten (2008), a FBB define tecnologia social como sendo um conjunto de técnicas, materiais e metodologias construídas a partir de demandas sociais, com o objetivo de solucionar problemas diagnosticados na sociedade. Para tal, faz-se necessário experimentar e aprovar a relevância social da tecnologia.

Vale mencionar também a Rede de Tecnologia Social (RTS), fundada no Brasil em 2005, a partir da mobilização e organização de várias instituições (órgãos governamentais, empresas estatais, órgãos privados de fim público, universidades, ONGs e movimentos sociais) interessadas em fomentar o desenvolvimento sustentável por meio de tecnologias sociais. O seu principal objetivo é promover um ambiente de interação entre vários membros da sociedade para incentivar a difusão e reaplicação em escala de tecnologias sociais através de políticas públicas e sua apropriação pela sociedade (RTS, 2013).

Desde a sua fundação, a RTS vem ampliando o seu papel, assumindo o desafio de promover a difusão, articulação e informação de experiências de tecnologia social no Brasil, multiplicando o desenvolvimento de novas vivências (FONSECA; SERAFIM, 2009).

Dagnino, Brandão e Novaes (2004) afirmam que a RTS se assemelha a um vetor que indica a direção das políticas públicas, relacionadas à ciência, tecnologia e sociedade, rumo à sociedade ideal que se desejar alcançar no futuro.

De acordo com a RTS (2013), a tecnologia social se refere a um conjunto de métodos, técnicas ou produtos, construídos a partir da cooperação de vários membros da sociedade. Possui capacidade de reaplicação, ou seja, pode ser difundida em outros contextos, adaptando- se à demanda da realidade local. Caracteriza-se por ser produzida através do conhecimento da própria população, tendo em vista que as comunidades, por compreenderem melhor as diversas problemáticas sociais que vivenciam, podem melhor indicar soluções apropriadas.

Além da relevante contribuição das organizações acima mencionadas, atualmente, a política governamental do Brasil está comprometida com a implementação de políticas públicas orientadas para a disseminação de tecnologias sociais, visando, dessa forma, fomentar ações que possibilitem a inclusão social e o desenvolvimento sustentável. A realidade brasileira está vivenciando um processo de evolução diferenciado, onde o protagonismo social ocupa posição de destaque frente à luta pela transformação da sociedade, pois políticas isoladas não são suficientes (FBB, 2013b).

Em síntese, percebe-se o esforço de várias organizações brasileiras, as quais vêm desenvolvendo um papel relevante para a disseminação da tecnologia social no país, bem como de métodos e recursos para viabilizar a sua aplicabilidade, atraindo vários estudiosos para aprofundar a discussão acerca da sua definição e parâmetros de análise, aspectos que serão explanados nas subseções seguintes.

Belgede 2004 Yılı Sohbetleri (sayfa 94-97)