Sohbet n° 220 - Tarih: 29 nisan 2004
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Em meio às diversas propostas de conceitos, objetivos e funcionalidades para a tecnologia social, ora semelhantes, ora complementares, apresentados anteriormente, torna-se relevante expor os critérios abordados por vários autores para identificar uma tecnologia social.
Lima e Dagnino (2011) elencam algumas condutas que resultam em uma tecnologia social, tais como, renunciar a neutralidade da ciência e tecnologia, produzir por meio da ação conjunta, considerar as particularidades de cada contexto socioeconômico e incentivar a autogestão das atividades concernentes à implantação e manutenção da tecnologia.
Além disso, uma tecnologia pode ser caracterizada como “social” por meio dos seguintes atributos: atende produtores e consumidores com baixo poder aquisitivo, está direcionada para a população em massa, estimula a potencialidade criativa dos sujeitos, fomenta a formação de empreendimentos autogestionários e de economia solidária, não se fundamenta na hierarquia e no controle rígido das relações de trabalho, incentiva a integração entre teoria e prática, objetiva a satisfação das necessidades básicas do homem (DAGNINO; BRANDÃO; NOVAES, 2004; NOVAES; DIAS, 2009).
Maciel e Fernandes (2011) compartilham algumas finalidades que descrevem a tecnologia social, são elas: dissemina o comprometimento em efetivar mudanças sociais; incentiva a população a diagnosticar as demandas da sociedade; proporciona resultados significativos para a comunidade; promove o desenvolvimento sustentável social, ambiental e
econômico; reflete um processo educativo imbuído de inovação, organização, sistematização e democracia; permite que os indivíduos se apropriem da tecnologia à medida que são estimulados a construí-la; fornece um processo de aprendizagem aos membros envolvidos; possibilita a interação entre os diversos conhecimentos; incita a participação ativa da população nas atividades de planejamento, monitoramento e avaliação da tecnologia.
De acordo com o CGEE (2011b), para verificar a eficácia social de uma tecnologia faz-se necessário avaliar os seguintes critérios: os progressos alcançados no que se refere à cidadania, educação, integração entre saber popular e científico, autonomia das pessoas frente ao uso da tecnologia, acessibilidade, construção de ambientes de decisão coletiva. Estes aspectos estão conectados de forma dinâmica, onde, por exemplo, o mau desempenho em um determinado critério pode influenciar negativamente no resultado dos demais.
Perante as categorias de análise da tecnologia social citadas até então, vale destacar que, desde 2004, o ITS atua no projeto Centro Brasileiro de Referência em Tecnologia Social (CBRTS), em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social pertencente ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secis/MCTI). Uma das finalidades deste projeto é a construção do conceito de tecnologia social através de pesquisa, análise de experiências e promoção de encontros. Assim, em 2004, o ITS publicou o “Caderno de Debate: Tecnologia Social no Brasil”, no qual consta os parâmetros de análise da tecnologia social.
Sendo assim, julgou-se mais adequado utilizar para a presente pesquisa os parâmetros da tecnologia social publicados pelo ITS (2004a, p. 28-30), devido a consistência da metodologia (levantamentos bibliográficos e análise de experiências) implementada para elaborar os critérios de análise, sintetizando de forma clara e abrangente as abordagens dos demais autores. Os parâmetros estão elencados da seguinte forma:
1. “Quanto a sua razão de ser: a tecnologia social visa à solução de demandas sociais concretas, vividas e identificadas pela população”.
2. “Em relação aos processos de tomada de decisão: formas democráticas de tomada de decisão, a partir de estratégias especialmente dirigidas à mobilização e a participação da população”.
3. “Quanto ao papel da população: há participação, apropriação e aprendizagem por parte da população e de outros atores envolvidos”.
4. “Em relação à sistemática: há planejamento e aplicação de conhecimentos de forma organizada”.
5. “Em relação à construção de conhecimentos: há produção de novos conhecimentos a partir da prática”.
6. “Quanto à sustentabilidade: visa à sustentabilidade econômica, social e ambiental”. 7. “Em relação à ampliação de escala: gera aprendizagens que servem de referência para
novas experiências. Gera, permanentemente, as condições favoráveis que tornaram possível a elaboração das soluções, de forma a aperfeiçoá-las e multiplicá-las”.
Pensando-se em questões didáticas para facilitar o aprofundamento teórico destes critérios de análise, julgou-se necessário atribuir a cada um destes parâmetros de análise uma palavra-chave (FIGURA 2) a ser utilizada no decorrer desta pesquisa.
Figura 2 – Parâmetros de Análise da Tecnologia Social e suas respectivas Palavras- Chave
O primeiro parâmetro mencionado, a “solução de demandas sociais”, compreende o objetivo principal da tecnologia social, a qual constitui um método com potencial para atender às necessidades da sociedade, indica alternativas para sanar vários problemas sociais, como a exclusão social, a precarização e a informalização do trabalho, e, em geral, a violação dos direitos humanos. A tecnologia social considera as particularidades de cada contexto onde será implantada, visando criar métodos efetivos para solucionar diversos problemas de vulnerabilidade e exclusão social, contribuindo assim com a qualidade de vida da sociedade (MACIEL; FERNANDES, 2010).
O MCTI (2014) identifica na tecnologia social uma oportunidade de encaminhar produtos, técnicas ou metodologias rumo à transformação social, solucionando problemas no âmbito cultural, social, econômico e ambiental, reduzindo os índices de pobreza, analfabetismo, fome e exclusão social.
O segundo parâmetro, “decisões democráticas”, refere-se à inclusão dos membros da população no processo de tomada de decisões (PENA, 2010). Maciel e Fernandes (2010) destacam que a tecnologia social é fruto do trabalho coletivo de pessoas que implantam ações concretas para solucionar problemas sociais, priorizando o saber e a mobilização popular. Este trabalho coletivo remete ao posicionamento da comunidade não somente como beneficiários, mas formada por cidadãos ativos que influenciam nas tomadas de decisões referentes aos métodos de transformação social, desde o planejamento até a avaliação final.
A democracia é potencializada através do terceiro parâmetro, “participação, apropriação e aprendizagem”. Na concepção de Maciel e Fernandes (2010) as tecnologias sociais se distinguem pelos seus processos democráticos e participativos, cujas tecnologias (conhecimentos) são desenvolvidas por meio das experiências e ações comunitárias locais, combinando o saber popular com o científico. Dessa forma, a tecnologia social está imbuída de identidade, valores e interesses sociais, refletindo na sua apropriação pela comunidade e num ambiente propício à aquisição e compartilhamento de aprendizagens.
A apropriação do conhecimento técnico-científico revela grande potencial para minimizar as desigualdades econômicas e sociais, sendo a tecnologia social um veículo de inserção do indivíduo excluído no ambiente de construção, compartilhamento e aplicação de conhecimentos. Fato este que possibilita o desenvolvimento fundamentado na inclusão social (CAMPOS, 2004).
Baumgarten (2008) relata que a apropriação do conhecimento apresenta-se como uma alternativa para solucionar problemas relacionados à inclusão social, econômicos e políticos.
Jesus e Bagattolli (2013) destacam que a apropriação do conhecimento concede à sociedade a oportunidade para usufruir dos benefícios da tecnologia, como a inclusão social e empoderamento da população no âmbito cultural, econômico, social e ambiental. Sendo que, esta inclusão social não é resultado do artefato da tecnologia, é fruto de “como” a tecnologia está sendo produzida, ou seja, depende do processo de desenvolvimento fundamentado na participação da comunidade (COSTAS; DIAS, 2013). A inclusão social é possível quando a tecnologia é resultado de uma construção coletiva, que respeita os valores e interesses do ambiente em que será implantada.
De acordo com Novaes e Dias (2009b), várias tecnologias não obtêm êxito por negar a construção coletiva do conhecimento, não dando credibilidade à participação ativa dos usuários. Todavia, o potencial da tecnologia social está justamente em valorizar o engajamento e dedicação da população durante os momentos de diagnóstico, planejamento, implantação, utilização e avaliação da tecnologia.
Fonseca e Serafim (2009) também compartilham deste pensamento, afirmando que uma das características essenciais da tecnologia social está em fomentar um processo democrático, mais inclusivo e participativo. O desenvolvimento tecnológico deve ser construído coletivamente, com a participação ativa de seus usuários, permitindo que a tecnologia esteja realmente alinhada às suas necessidades. A tecnologia social se fundamenta na produção coletiva do conhecimento, permitindo que os direitos dos menos favorecidos sejam respeitados.
A tecnologia passa a ser desenvolvida socialmente à medida que os cidadãos influenciam no seu conteúdo. Nesse caso, ela não é concebida somente como um produto acabado, mas como um processo político de construção social, onde a qualidade dos seus resultados depende da interação entre os atores envolvidos (DAGNINO; BRANDÃO; NOVAES, 2004).
De maneira similar, Jesus e Costa (2013) ressaltam que a tecnologia social não pode ser compreendida como um produto isolado, perdido no tempo e espaço, pois ela é resultado de uma construção coletiva, repleta de aspectos referentes a um determinado contexto, fomentando uma relação de influência recíproca entre tecnologia e sociedade. Assim, a oferta de soluções padronizadas para massa popular não se mostra eficiente.
O FBB (2013a) também afirma que participação em conjunto é característica predominante da tecnologia social, cujos atores sociais devem contribuir diretamente com o
processo de organização, desenvolvimento e implementação da tecnologia, favorecendo a inclusão social.
Na concepção de Fonseca e Serafim (2009), o processo democrático depende da relação coletiva entre os atores sociais (usuários), os quais precisam estar unidos para juntos produzirem os conhecimentos demandados. Estes atores abrangem principalmente o Estado, as comunidades de pesquisa e os movimentos sociais, onde cada um pode contribuir com suas competências, habilidades e aptidões.
O Estado tem o papel de fomentar políticas públicas de ciência e tecnologia com foco na inclusão social. As comunidades científicas têm o dever de conhecer a fundo a realidade social para produzir conhecimentos específicos a cada ambiente e eficaz na sua aplicação. Além de desenvolver e incentivar uma nova forma de se fazer educação, fundamentada no pluralismo, na democracia e na inclusão. A educação constitui uma porta de acesso democrático às políticas de ciência e tecnologia. E, os movimentos sociais devem interagir com as comunidades científicas, contribuindo significativamente com o desenvolvimento de pesquisas e a construção de conhecimentos específicos para cada realidade local (FONSECA; SERAFIM, 2009).
Mediante este cenário com enfoque democrático e participativo, os problemas sociais não podem ser simplesmente estabelecidos previamente, distantes do contexto onde se apresentam, nem muito menos determinados de forma padronizada frente às distintas realidades sociais. É indispensável que os atores da sociedade, como os movimentos sociais e as comunidades locais, expressem sua visão acerca dos problemas que vivenciam, participando do processo de construção e aplicação de soluções eficazes (DAGNINO, 2009).
O quarto parâmetro diz respeito à “disseminação sistemática do conhecimento”, onde há uma preocupação em promover um ambiente de produção estruturado, propício ao planejamento e à aplicação do conhecimento de forma organizada, para assim aumentar as possibilidades de eficácia de uma determinada tecnologia social (ITS, 2004a).
Maciel e Fernandes (2010) citam que o sucesso da reaplicação da tecnologia social em comunidades com realidades distintas depende da sistematização dos procedimentos pertinentes à tecnologia, bem como dos conhecimentos inerentes a ela. Quanto mais este processo for implantado de forma organizada, maior será a capacidade de enfrentamento dos problemas sociais.
De acordo com Barros e Miranda (2010) é essencial que a tecnologia social seja difundida através de conhecimentos sistematizados para que os resultados positivos sejam
percebidos como referência, motivando outros grupos sociais a utilizarem sua capacidade inovadora e a recriarem a tecnologia, adequando-a a sua realidade. Através deste processo a sociedade passa a acreditar na sua potencialidade, valorizando as conquistas alcançadas e as aprendizagens adquiridas, resultando assim na apropriação da tecnologia.
O quinto parâmetro, o “conhecimento tácito”, mantém relação direta com o critério de análise “democracia, participação, apropriação e aprendizagem”. Novaes e Dias (2009b) definem conhecimento tácito como sendo aquele que compreende as habilidades próprias de cada pessoa, sendo obtido a partir das experiências únicas vivenciadas no dia-a-dia, é o conhecimento que não pode ser codificado. Segundo os autores, a base da construção da tecnologia social depende da aprendizagem fundamentada no conhecimento tácito, cujos atores sociais canalizam o saber popular, os conhecimentos tradicionais, em direção ao desenvolvimento da sociedade.
Baumgarten (2008) corrobora com Novaes e Dias (2009b) ao mencionar que a integração entre instituições de produção de conhecimento científico e a sociedade representa um caminho crucial para se alcançar o desenvolvimento econômico e social. De maneira similar, Diógenes, Segatto e Biscaia (2012) e Almeida (2010) relatam que as tecnologias sociais visam desenvolver soluções para as dificuldades sociais a partir do alinhamento entre o conhecimento científico e o saber popular. Seguindo o mesmo pensamento, Maciel e Fernandes (2011) afirmam que a tecnologia social envolve a ação de pessoas, que, guiadas pela sabedoria popular e pelo apoio de pesquisadores, proporcionam benefícios econômicos e sociais para a comunidade, a partir de especificidades locais.
O sexto parâmetro abrange a “sustentabilidade” nas suas dimensões econômicas, ambiental e social, revelando a contribuição da tecnologia social para o desenvolvimento sustentável. Rodrigues e Barbieri (2008) e Freitas et al. (2013) afirmam que a tecnologia social apresenta-se como uma legítima ferramenta para o desenvolvimento sustentável ao passo que busca resultados positivos para questões concernentes à pobreza, ao meio ambiente, à cidadania e à política, contribuindo significativamente com a concretização das dimensões da sustentabilidade (econômica, social e ambiental).
A tecnologia social possui potencial para ser disseminada como uma política pública orientada para o desenvolvimento local, com ênfase na sustentabilidade, pois sua metodologia intensifica a aprendizagem coletiva, o compartilhamento de conhecimentos e experiências, a inserção da sociedade no desenvolvimento das tecnologias e a autogestão dos empreendimentos solidários. Sendo assim, a sustentabilidade é cultivada a partir da
apropriação do conhecimento, da autonomia e do empoderamento dos atores sociais conscientes (PENA, 2010; SOUZA, 2010).
Souza (2010) acrescenta que o processo interativo característico da tecnologia social instiga a população a se comprometer com o desenvolvimento social, político, cultural e econômico, viabilizando assim a sustentabilidade. Além disso, são estimuladas ações éticas e solidárias, pautadas no desenvolvimento sustentável.
Considerando os critérios de análises explanados até então, Jesus e Costa (2013) expõem que a tecnologia social incentiva a produção e implantação de técnicas favoráveis à inclusão social, fomentando a ação e reflexão da população de forma a construir uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável. Este conceito faz referência aos parâmetros da “sustentabilidade”, “solução de demandas sociais” e “processo participativo”.
O sétimo parâmetro, a “reaplicação”, remete à potencialidade da tecnologia social em gerar aprendizagens que sirvam de referência para novas experiências, com potencial para elaborar, aperfeiçoar e multiplicar soluções (ITS, 2004a). O FBB (2013a) salienta que as tecnologias sociais envolvem um conjunto de produtos, técnicas ou métodos reaplicáveis, criado a partir do processo de integração entre os membros da comunidade, proporcionando alternativas capazes de promover a transformação social. Sendo assim, caracteriza-se pela sua flexibilidade, ou seja, capacidade de adaptação a cada contexto, haja vista que as diferentes realidades locais exigem metodologias de desenvolvimento específicas.
Faz-se necessário esclarecer o significado de “reaplicação”, o qual se distingue de replicação ao considerar que uma tecnologia implantada com sucesso em um dado espaço não garante que fornecerá os mesmos benefícios ao ser utilizada em outro contexto. Logo, a “reaplicação” se concretiza quando os conhecimentos produzidos por um grupo de pessoas podem ser sistematizados e compartilhados com outras comunidades, permitindo assim a aplicação desses saberes de forma adaptativa, ajustando-se às particularidades locais, recriando e inovando (LASSANCE JR.; PEDREIRA, 2004; BARROS; MIRANDA, 2010). Segundo Dagnino (2009), não basta “ofertar” ou “transferir” um conhecimento científico “pronto”, é indispensável que se estabeleça um diálogo inclusivo, capaz de alinhar as políticas de ciência e tecnologia à demanda da comunidade excluída, considerando seus valores, interesses e saberes.
Jesus e Bagattolli (2013) indicam um caminho para facilitar a reaplicação de tecnologias sociais, que é a aplicação de várias tecnologias de forma integrada em um ambiente específico, permitindo obter uma compreensão global da sociedade e da exclusão
socioeconômica. Para tal, é preciso analisar os pontos fracos e considerar os pontos fortes de uma comunidade local, sendo possível sanar problemas de diferentes naturezas, simultaneamente.
Ao abordar a reaplicação enquanto aspecto característico da tecnologia social vale mencionar as contribuições da teoria da inovação. Segundo esta teoria, os benefícios de uma inovação podem ser realmente alcançados quando se é permitido o envolvimento entre os atores sociais, desde a concepção da ideia até sua implantação e avaliação, conforme sua realidade. Segundo esta teoria, não é possível aplicar uma relação de “oferta-demanda” quando se trata do “conhecimento”. O conhecimento necessário à inovação deve ser construído coletivamente, bem como se percebe na tecnologia social (DAGNINO; BRANDÃO; NOVAES, 2004; NOVAES; DIAS, 2009a).
As palavras esclarecedoras de Fonseca (2009, p. 149) concluem que a reaplicação envolve a “ideia de que o processo é e/ou deve ser de reinvenção da própria tecnologia social para cada local, o que permite a participação, a apropriação e a recriação do conhecimento a partir das referências locais, gerando resultados mais ricos e duradouros”.
Considerando os parâmetros de análise até aqui mencionados, Otterloo (2010) atenta para a urgência em multiplicar ações que efetivamente promovam a inclusão social e concretizem a sustentabilidade. Isto é possível a partir do modelo de desenvolvimento proposto pela tecnologia social, que tem potencial para reverter a atual situação de desigualdades, exclusão social e condições precárias de trabalho. Uma tecnologia que deve ser disseminada e reaplicada priorizando valores como democracia, solidariedade e coletividade.
Costas e Dias (2013) resumem que os atributos principais da tecnologia social compreendem o processo de reaplicação e adequação sociotécnica, em conformidade com as potencialidades locais, visando assegurar a autonomia social e o empoderamento da comunidade. Consiste em articular e ajustar o conhecimento técnico e o tácito às demandas dos usuários, os quais devem contribuir ativamente com estes procedimentos. Complementando, Maciel e Fernandes (2010) apontam para o potencial da tecnologia social em transformar o cenário socioeconômico das camadas sociais excluídas, promovendo a inclusão social. Esta inclusão implica em uma tecnologia que incentive o diálogo entre os atores sociais e entre teoria e prática. O que requer a disponibilidade das várias instâncias da sociedade em participar de um processo de mudança global, alterando as convicções do
Estado, da economia, das relações interpessoais, e da maneira como homem se relaciona com a natureza (OTTERLOO, 2010).
Enfim, para compreender os parâmetros de análise de uma tecnologia social faz-se necessário refletir sobre os elementos a ela inerentes, como: transformação social; participação plena da população; inclusão social; melhoria da qualidade de vida; atendimento às demandas sociais; inovação; organização e sistematização da tecnologia; alinhamento entre diferentes saberes (científico e popular); apropriação das tecnologias; ação pedagógica; cidadania e democracia; e desenvolvimento sustentável. Este último será explanado com maior profundidade em seção posterior, pois compreende uma das temáticas da presente pesquisa (MACIEL; FERNANDES, 2010).
3DESENVOLVIMENTOSUSTENTÁVEL
Nesta seção serão apresentados, incialmente, os aspectos históricos e conceituais do desenvolvimento sustentável, viabilizando uma fundamentação para o termo sustentabilidade, bem como suas dimensões econômica, social, ambiental e cultural. Além disso, serão delimitados os parâmetros de análise das dimensões da sustentabilidade, norteadores do presente estudo.