Sohbet n° 216 - Tarih : 18 ocak 2004
1. Lut'un karısı gazapta -yarı kurtarıldı / Ģans verildi- bu imtihanda SAKIN ARKANA bakma dendi
No início da análise dos dados foi percebida a necessidade de constituir definições, ou conceitos, operacionais das variáveis das dimensões desta pesquisa. Isso porque nem todas as definições constitutivas encontradas na bibliografia foram suficientes para compreender a realidade empírica (TRIVIÑOS, 1987; GIL, 1994).
Desta forma, foram listadas as definições passíveis de observação e mensuração no Quadro 14. O Quadro 14 apresenta as variáveis com as suas definições constitutivas e as operacionais. De acordo com Martins (2005, p. 32), uma definição operacional “atribui um significado concreto, ou empírico, a um conceito ou variável, especificando as atividades ou ‘operações’ necessárias para medi-lo ou manipulá-lo”. Os fatores internos e externos, previstos nos Quadros 10 e 11 e que foram verificados na pesquisa empírica, também foram incluídos nessa relação de modo a facilitar a consulta.
Quadro 14 – Definições constitutivas e operacionais da pesquisa.
Variáveis Definição constitutiva Definição operacional
Ambiente externo
É o composto de elementos externos às organizações, e que fogem aos seus domínios, detendo amplo escopo e abrangendo a forma de distribuição e uso dos recursos, as características e atributos da sociedade, as obrigações governamentais, as legislações e regras aprovadas e aceitas, as abordagens para a produção de bens e serviços e os procedimentos e equipamentos existentes (CHIU; CHEN, 2009).
Definiram-se como ambiente externo os dados, as informações, os conhecimentos, os recursos, as competências, as rotinas, as capacidades e os fatores que não estavam sob o domínio das IES públicas brasileiras investigadas e que foram verificados nos documentos, nas entrevistas e nas observações.
Anterioridade intelectual
Nível mais alto do desenvolvimento científico e tecnológico alcançado em determinado tempo e espaço e acessível ao público (PIMENTEL, 2005; 2006).
Diferente da “anterioridade intelectual” utilizada para constituir o estado da técnica em depósitos de patentes, essa anterioridade foi observada empiricamente quanto aos
modelos teóricos disponíveis na literatura, ou às melhores práticas de outras organizações, sobre transferência tecnológica que influenciaram explicitamente na construção ou na estruturação da transferência tecnológica das IES públicas brasileiras investigadas.
Apreensão
Capturar as oportunidades (TEECE, 2007).
Nesta pesquisa a apreensão foi evidenciada, a partir dos dados, como sendo as ações internas, das IES públicas brasileiras investigadas, voltadas a melhoria contínua dos procedimentos operacionais após a detecção de problemas ou de oportunidades de mudança.
Caminho prévio
Percurso antecedente da organização ao longo do tempo que a faz acumular conhecimento e transformar recursos, processos e rotinas (TEECE; PISANO; SHUEN, 1997; ZAHRA; SAPIENZA; DAVIDSSON, 2006)
O caminho prévio foi verificado, nesta pesquisa, a partir de todas as informações que constituíram as características de cada IES pública brasileira investigada ao longo de anos antecedentes ao primeiro ano de análise ou no recorte temporal da pesquisa (dez anos) ou no recorte de cada contexto (quatro anos), conforme a passagem.
Capacidade dinâmica
“A capacidade de uma organização propositalmente criar, estender e modificar sua base de recursos” (HELFAT et al., 2007, p. 4).
A partir dos dados empíricos desta pesquisa, foi possível verificar se diversos esforços rotineiros, e suportados por recursos e competências, tinham como objetivo em comum a transferência de tecnologia, e se esse processo era intencional e se era aprimorado ao longo dos anos.
Capacidade operacional ou substantiva
São feixes de recursos, competências e rotinas básicas ou indispensáveis para a efetividade competitiva da organização no mercado (PENROSE, 1959; BARNEY, 1991; PRAHALAD; HAMEL, 1990; PETERAF, 1993).
Operacionalmente foi entendida como um composto de recursos, competências e rotinas específicas, pontuais, estáveis e constantes que interferiram no desenvolvimento do processo de transferência tecnológica das IES públicas brasileiras investigadas ou foram combinadas ou reconfiguradas por causa da CTT das referidas instituições.
Codificação
Exteriorização do conhecimento tácito por meio da representação simbólica para que possa ser armazenado em um determinado meio ou mídia (DAVID; FORAY, 2003).
A codificação foi evidenciada, a partir dos dados empíricos, toda vez que, após a detecção e apreensão, as reconfigurações ou as modificações dos procedimentos, ou do próprio macro processo, de transferência eram escritas explicitamente e armazenadas para possíveis consultas e revisões futuras.
Competência
Uma aptidão para mobilizar conhecimentos, valores e decisões para agir de modo pertinente numa determinada situação (PRAHALAD; HAMEL, 1990; FLEURY; FLEURY, 2001).
Tanto as competências individuais como as organizacionais foram verificadas empiricamente quanto à existência de treinamentos formalizados prévios que permitissem atuações conscientes e técnicas dos
colaboradores individualmente, ou em equipe, no processo de transferência.
Conhecimento organizacional
Conjunto de todo o conhecimento ou entendimento apreendido pela organização e por seus membros
(ZAHRA; SAPIENZA;
DAVIDSSON, 2006).
O conhecimento organizacional acumulado foi evidenciado a partir dos documentos institucionais disponibilizados, das falas dos entrevistados e nos quadros afixados e banco de dados digitais observados em cada uma das IES públicas brasileiras investigadas.
Contexto
É o conjunto de circunstâncias inter-relacionadas de cuja tessitura se depreende determinado fato ou situação; circunstância(s), conjuntura, situação (MICHAELIS, 2016).
O contexto foi observado empiricamente a partir de todos os eventos históricos, desde as origens das pesquisas e dos NIT da USP e da UNICAMP, em intervalos de tempo pré-definidos (2004-2007/2008- 2011/2012-2015), e que tiveram relação com determinados licenciamentos, ou cessões, efetivados. Nesse ínterim foram destacados eventos, ações, ocorrências, fatos etc. que indicaram mudanças ambientais internas nas IES pública brasileira, bem como em seus NIT, e externas a elas que induziram o desenvolvimento da CTT no tempo e no espaço.
Detecção
Detectar e moldar novas oportunidade por meio da exploração, criação, aprendizagem e atividade de interpretação (TEECE, 2007).
A detecção foi percebida em cada relato, informação documentada ou observada que explicitasse ação de esquadrinhar, de auditar ou de avaliar procedimentos internos de transferência, bem como rotinas de investigação ou de buscas por informações do meio externo à instituição.
Estratégia organizacional
“A dinâmica da relação da organização com o seu ambiente para que sejam tomadas as ações necessárias para atingir os seus objetivos e/ou aumentar o desempenho por meio do uso racional dos recursos” (RONDA- PUPO; GUERRAS-MARTIN, 2012, p. 180).
As estratégias organizacionais foram verificadas a partir do conhecimento formalizado em documentos ou nos relatos dos entrevistados sobre os esforços e objetivos internos para antever situações ambientais e elevar ou manter os resultados positivos das IES públicas brasileiras investigadas.
Estrutura organizacional
Em sentido restrito é a forma pela qual as atividades desenvolvidas por uma organização são divididas, organizadas e coordenadas; em sentido amplo, abrange os aspectos físicos, humanos, financeiros, jurídicos, administrativos e econômicos de uma organização
(GOSSELIN, 1997;
DAMANPOUR;
GOPALAKRISHNAN, 1998; ZHENG; YANG; McLEAN, 2010).
Toda configuração, divisão, organização e coordenação das atividades, recursos, competências, rotinas e capacidades das IES públicas brasileiras investigadas, e que visaram o atingimento dos objetivos propostos, foram verificadas nos registros documentais, na exposição em quadros ou em banners ou, ainda, a partir das entrevistas.
Gestão de projeto
É o método e os procedimentos para coordenar as atividades com o objetivo de atingir as expectativas
A gestão de projetos foi verificada, a partir do registro em documentos ou da menção nas entrevistas, pela
dos stakeholders (GUIDE, 2008). criação ou manutenção de programas, eventos, rotinas ou mesmo projetos ligados à capacidade de transferir tecnologia das IES públicas brasileiras investigadas.
Gestor (líder)
Pessoa voltada para a orientação das ações transacionais, pela coordenação e supervisão das práticas vigentes, e transformacionais, pelo fomento a experimentação de novas práticas, da organização (VERA; CROSSAN, 2004; KHADRA; RAWABDEH, 2006).
Os gestores foram considerados líderes e foram evidenciados a partir das indicações explícitas nas falas dos entrevistados, nos documentos, pela exposição em algum quadro ou
banner, ou pela observação
hierárquica dos integrantes em ação.
Inovação
O primeiro lançamento ou anúncio no mercado de certo bem ou serviço (ARTZ et al., 2010).
Empiricamente foi constatada a inovação em duas situações. A primeira se referiu ao lançamento de alguma das tecnologias expostas nos contextos das IES públicas brasileiras investigadas e indicada nas entrevistas, nos documentos e por meio das observações. A segunda, nos recursos novos, na perspectiva das instituições averiguadas, que foram criados ou adotados para aprimorar a CTT do NIT.
Mainstream
Atividades principais no estado atual da organização (LAWSON; SAMSON, 2001).
As atividades do tipo mainstream foram percebidas a partir da explicitação empírica dos recursos, competências, rotinas e capacidades, das IES públicas investigadas, que compuseram os procedimentos vigentes padronizados e codificados.
Mercado
Um grupo de clientes e fornecedores que interagem de modo que suas interações afetem as condições de compra e venda dos demais atores (SANDRONI, 2005).
As empresas privadas e a concorrência entre elas foram consideradas genericamente como “mercado” e evidenciadas pela menção de suas ações perante as IES públicas investigadas nas entrevistas ou nas citações em documentos ou por meio das observações.
Newstream
Todos os recursos de uma organização que são dedicados a identificar e criar novo valor para os clientes (LAWSON; SAMSON, 2001).
Os resultados das atividades do tipo
newstream foram constatadas
empiricamente pelas rotinas de melhoria contínua das práticas e dos procedimentos padronizados vigentes do NIT das IES públicas investigadas e que visavam aprimorar o macro processo de transferência tecnológica.
Política (pública)
Ato estatal voltado para orientar decisões e ações que impactam instituições públicas e privadas, bem como a coletividade civil (HOWLETT; RAMESH, 2003; SECCHI, 2010).
A partir dos registros documentais, das menções nas entrevistas e dos dados observacionais foi possível identificar legislações e ações das instituições públicas nacionais, inclusive empresas públicas, que interferiram na gestão da inovação e na transferência de tecnologia das IES públicas brasileiras investigadas, bem como de seus NIT.
organização em seu setor de atuação e em relação aos seus rivais (PORTER, 1979; 2004).
situações. A primeira como sendo o estado atual após o caminho prévio da instituição, ou seja, sendo uma extensão do caminho prévio e observada, de modo amplo, como a situação atual das IES públicas brasileiras investigadas. A segunda, como sendo o estado, em determinado tempo, da CTT, ou seja, da resposta sobre “quais” eram seus elementos e componentes e “como” esses estavam configurados, integrados ou combinados em determinado contexto. A posição foi constatada a partir das informações nos documentos, das menções nas entrevistas e nos dados observacionais.
Processo de aprendizagem
Conjunto de etapas constantes de aprimoramento a partir da interpretação, criação e aplicação do conhecimento (SENGE, 1990).
Declarações nas entrevistas, indicações nos documentos, exposição de documentos fixados nas paredes e a própria expressão dos integrantes em ação relacionadas a cursos e a treinamentos efetivados ou em efetivação para e pelos colaboradores permitiram inferir a existência dos processos de aprendizagem.
Processo operacional
São instruções, normas ou procedimentos codificados e padronizados de trabalho que facilitam a disseminação invariável das práticas da organização entre os colaboradores de modo a atingir resultados previstos (AUCH; FLENK; GÖKER, 2010).
Os procedimentos padronizados, ou não, executados ao longo de determinada transferência tecnológica das IES públicas brasileiras investigadas e que foram documentados, mencionados nas entrevistas ou visualizados nas observações.
Reconfiguração,
Transformação ou Modificação
Combinar, recombinar, configurar, reconfigurar ou reforçar os ativos intangíveis e tangíveis da organização visando manter a competitividade (TEECE, 2007).
As declarações nas entrevistas, as citações nos documentos ou as exposições observáveis in loco que se referiam a mudanças nas configurações, nas combinações e nos próprios elementos ou componentes da CTT das IES públicas brasileiras investigadas, ao longo do tempo, foram consideradas reconfiguração, transformação ou modificação da referida capacidade.
Recurso
Todo e qualquer ativo, seja ele tangível ou intangível, e passível de utilização organizacional (CAVES, 1980)
Empiricamente os recursos foram identificados nos documentos, nas entrevistas e nas observações quando interferiam ou faziam parte do macro processo de transferência tecnológica das IES públicas brasileiras investigadas como, por exemplo, equipamentos, softwares, pessoas, dinheiro e mobiliário.
Rotina operacional
Padrões de interações que representam soluções bem sucedidas para problemas específicos (TEECE; PISANO,
Os comportamentos pré-estabelecidos de forma estratégica, padronizados e codificados, que se referiam ao como lidar com o macro processo de
1994). transferência tecnológica no âmbito das IES públicas brasileiras investigadas. Tais comportamentos foram evidenciados nos documentos, nas falas dos entrevistados ou observados in loco.
Sociedade
Um grupo harmônico de indivíduos que tem a mesma cultura e tradição e está localizado no espaço e no tempo (DURKHEIM, 1977).
A partir dos dados documentais, observacionais e das entrevistas foi possível constatar influências humanas e culturais, externas às IES públicas brasileiras investigadas, no macro processo de transferência tecnológica institucional e que não puderam ser enquadradas como anterioridade intelectual, inovação, mercado ou política pública.
Fonte: Elaboração própria.
Apresentadas essas definições a próxima subseção foi destinada à exposição de como se deram as análises dos dados.
3.5 ANÁLISE DOS DADOS
Foram adotados, como apreciação analítica, tanto o método de caso estendido (BURAWOY et al., 1991; BURAWOY, 2009) como os critérios da análise do discurso (GADET; HAK; MARIANI, 1997). Por meio do método de caso estendido foi possível analisar a especificidade das IES públicas brasileiras como um veículo para compreender os fatores que moldam a dinâmica do desenvolvimento da CTT. Isso permitiu perceber a variação das formas de transferência tecnológica de um lugar para outro, bem como a mudança dela ao longo do tempo.
“O método de caso estendido deriva generalizações constituindo a situação social como anômala em relação a alguma teoria pré-existente (isto é, um corpo existente de generalizações), que é então reconstruída” (BURAWOY et al., 1991, p. 280, tradução nossa). Ou seja, esse método visa à reconstrução da teoria existente. As observações sistemáticas, por exemplo, foram baseadas no método de caso estendido e registradas em anotações e fotografias que contribuíram para atender os itens de verificação do Apêndice B.
Em termos de explicação, o referido método é tomado como genético, ou seja, incide sobre as diferenças entre casos semelhantes. Fora isso, o sentido de significado é tomado como social, o objeto de análise é situacional, a causalidade envolve a conexão indivisível dos elementos, os fundamentos macro são tomados para entender a microssociologia e, por fim, a singularidade está localizada num contexto exterior a si mesmo,