C. İlk Abbasiler Döneminde Cezire'nin Sosyo-Ekonomik Durumu
3.4. Rakka Kölelerinin isyanı ( 150/768 )
Embora o tópico da entrevista requeresse o posicionamento positivo ou negativo dos nossos jovens quanto à importância da consideração de seus gostos e preferências nas indicações de
leituras literárias, de certo modo, sugestionando as respostas, nossa análise foca-se, sobretudo, nos comentários feitos pelos leitores em torno dessa questão.
Tabela 20: Consideração das preferências na indicação de leituras literárias70
Categorias Ocorrências
Considera importante 14
Às vezes considera importante 13
Total 27
Fonte: Elaborada pela autora.
O grupo de jovens que atribui importância à consideração de suas preferências nas indicações de leituras literárias apresenta justificativas variadas para esse posicionamento:
124.Roger: Eu acho que sim, porque meus amigos conhecem mais ou menos o
meu gosto e “acaba” indicando livros que eles acham que eu vou gostar, não só livros como jogos, filme...
P: Entendi, então, isso pra você é importante... que a pessoa conheça um pouco do que você gosta e do que você prefere?
Roger: Sim (Leitor/BBA – 14 anos, entrevista, 2014).
125.Bruno: Sim (risos). Eu gosto sempre de falar, quando eu tô conversando
sobre livro, por exemplo, no meu serviço, quando eu vou conversar com uma menina lá /.../ eu sempre coloco em destaque os gêneros que eu gosto... (Leitor/BVN – 15 anos, entrevista, 2014).
126.Adriano: Geralmente, você chega à pessoa e procura o livro pra adequar ao
seu gosto /.../ quando cê pede, ela adéqua ao seu gosto.
P: Como... cê acha que primeiro... me explica isso que eu não entendi.
Adriano: Igual tipo, uma pessoa quer comprar uma mercadoria (sei) o vendedor
fica o que? Na dele. A pessoa vem até o vendedor e ele passa a mercadoria; mesma coisa do livro: é o meu gosto, eu vou até a biblioteca, peço o meu gosto e ela me
indica /.../ dentro do meu gosto... (Adriano/BVN – 15 anos, entrevista, 2014).
Para Roger, a indicação que considera suas preferências está relacionada aos seus amigos e compreende a promessa de apreciação das leituras: “...meus amigos conhecem mais ou menos o meu gosto e “acaba” indicando livros que eles acham que eu vou gostar...”. Se, por um lado seu depoimento mostra a necessidade de compartilhamento dos referenciais de leitura da comunidade de leitores. Por outro lado, ao explicitar que seus amigos conhecem seu gosto, nota-se a faceta subjetiva dessa interação. E esse movimento dialógico que congrega aspectos sociais e subjetivos também é identificado nos relatos de Bruno e Adriano quando eles expressam suas preferências para que seus pares ou a bibliotecária tenham-nos como
70 Categorias emersas do item da entrevista: “Você considera importante que suas preferências e gostos
parâmetro nas sugestões: “...quando eu vou conversar com uma menina (no serviço) /.../ eu
sempre coloco em destaque os gêneros que eu gosto... e “...vou até a biblioteca, peço o meu
gosto e ela me indica...”. Além disso, ambos demonstram ter papel ativo nas suas escolhas de leituras.
É interessante notar que, quando se trata da consideração dos gostos e preferências nas indicações de leituras literárias, não vemos nesses depoimentos referência à escola. No caso de Adriano, a instituição mencionada é a biblioteca pública. No relato de Bruno, menciona-se os colegas de trabalho. E Roger cita os amigos.
O grupo de leitores que possui a postura flexível quanto à consideração de suas preferências nas indicações de textos literários também apresenta suas motivações para esse posicionamento:
127.Renato: ...a pessoa tem que levar em consideração se eu gosto, se /.../ não conhecer muito sobre o que a pessoa gosta até não vejo muito problema, a não ser
que queira é... ampliar o gosto da pessoa.
P: ... Cê tá falando /.../ em não considerar o que você gosta (como) /.../ possibilidade de ampliação /.../ Essa prática cê acha que é positiva, negativa. Renato: Eu acho que é positiva sim, porque quando a gente lê amplia os conhecimentos, cê vai lendo mais “gênero”, vai interessando por mais “tipo” de
livros, vai ampliando cada vez mais, é... conhecimentos literário... escrita entre outras coisas (Leitor/BVN – 16 anos, entrevista, 2014).
128.Marina: ...quando você tá falando com outra pessoa, geralmente ela deve ser
diferente de você e tem gente que gosta de ficar com pessoas parecidas, mas uma opinião diferente, eu acho que isso iria abrir uma gama maior, então se eu gosto de terror, quem sabe ela não pode me passar um conto ou um romance /.../ Eu acho
que é bom expandir um pouco mais a sua visão sobre livros e tal...(Leitora/BVN –
13 anos, entrevista, 2014).
129.Letícia: Eu acho legal quando a pessoa já vem falando: /.../ “Ah, esse livro me
lembrou você por isso e aquilo” /.../ Só que, às vezes, isso até pra mim é difícil,
sabe? “Você falar: “Ah, esse livro tal pessoa vai gostar” /.../ Pra mim é mais fácil, dar a minha opinião do livro e ver se a pessoa se convence /.../ entendeu? /.../ Mas é claro que quando uma pessoa vem com uma ideia prontinha falando: “Ah, você
vai gostar desse livro, esse livro tem a sua cara, é legal... (Leitor/BCS – 16 anos, entrevista, 2014).
Para Renato e Marina, essa postura flexível quanto à consideração dos gostos literários relaciona-se à possibilidade de ampliação de seus repertórios leitores: “...cê /.../ vai
interessando por mais “tipo” de livros, vai ampliando /.../ conhecimentos literários...” e “... é
bom expandir um pouco mais a sua visão sobre livros...”, mostrando a consciência desses leitores em torno da sua formação leitora. Particularmente no depoimento de Marina, ainda é
possível notar que a interação verbal ocasionada pela indicação de livros é dialógica “...uma opinião diferente, eu acho que isso iria abrir uma gama maior...”.
No caso de Letícia, embora ela avalie positivamente a indicação a partir de suas preferências, que possui o caráter subjetivo, pois para lembrar da leitora, quem indica precisa estar próximo dela, conhecê-la: “...esse livro me lembrou você por isso e aquilo”...”, ela também considera que essa interação pode realizar-se a partir da explicitação de sua opinião: “...é mais fácil dar
a minha opinião do livro e ver se a pessoa se convence...”. Essa postura de Letícia, também
vista no depoimento de Marina, que permite ouvir as diferentes vozes do discurso tem o caráter dialógico. Além disso, esse fragmento revela que a leitora não só recebe indicações, mas também as realiza, isto é, ela é parte ativa nesse processo.
Outro argumento utilizado pelos jovens, que contribui para a relativização das indicações pelo gosto, associa-se à análise do contexto e da finalidade da atividade leitora:
130.Brian: Olha, no caso de indicação, eu acho que sim /.../A pessoa tem que
conhecer um pouco mais você pra entender /.../ seu lado, (essa) indicação com certeza você vai gostar. Agora, se for uma questão /.../ mais profissional, numa
faculdade, não tem como ficar olhando o seu gosto. A pessoa tem que exigir uma
coisa realmente profissional /.../ Você tem que ler esse daqui, porque você precisa. Vai adquirir conhecimento... (Leitor/BBA – 16 anos, entrevista, 2014).
No caso da leitura literária, como explicita Brian: “...eu acho que sim /.../ A pessoa tem que
conhecer um pouco mais você pra entender /.../ seu lado...”, embora essa situação requeira a
interação social, ela também envolve aspectos subjetivos, pois para indicar um livro de literatura, esse leitor acredita que o outro precisa conhecê-lo um pouco, ou seja, saber como ele é; o que ele gosta.
Para além da leitura literária, essa compreensão quanto aos diferentes modos de leitura presente em nossa sociedade, vista no depoimento de Brian, remete-nos à noção de letramento, que envolve, além do uso satisfatório da língua, posturas, saberes e atitudes adquiridas pelos sujeitos em relação às práticas letradas: “...se for uma questão /.../ mais profissional, numa faculdade, não tem como ficar olhando o seu gosto...”. Isto é, nota-se que, em contextos, cujas práticas visam à formação da identidade leitora, nem sempre há espaço para as escolhas. Entendemos, ainda, que a percepção desse leitor também envolve a noção de
leitura motivada, pois, para ele, essa prática compreende a possibilidade de conquista e de
A partir desses relatos, evidencia-se que os jovens são receptivos às indicações textuais, o que não implica necessariamente em aceitação, pois eles estabelecem critérios próprios de avaliação para a realização das leituras. Se por um lado, vê-se a necessidade de compartilhamento das referências leitoras nas comunidades leitoras, inclusive, como forma de afirmação identitária, por outro lado, percebe-se também a busca pela ampliação desses repertórios, como atitude consciente da própria formação leitora. Percebe-se, ainda, que a indicação de textos literários é de outra ordem, está além da autoridade institucional, seja da família, da escola ou da biblioteca pública, tem uma dimensão subjetiva. Então, acreditamos que para esses leitores a educação literária é uma escolha de vida, que envolve a participação.