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Nasr b Şebes el-ʽUkaylî İsyanı (198-210/813-825)

C. İlk Abbasiler Döneminde Cezire'nin Sosyo-Ekonomik Durumu

3.1. Ukayli Kabilesinin İsyanları

3.1.2. Nasr b Şebes el-ʽUkaylî İsyanı (198-210/813-825)

Identificamos que o interesse por obras e autores específicos, das peças teatrais, bem como do cinema, também contribuem com o incentivo à leitura:

26.Bruno: Foi um filme: “As crônicas de Nárnia”, o primeiro filme, a história de

uma feiticeira e um guarda roupa, eu... assisti esse filme, depois fui pesquisar na internet e descobri que tinha o livro. Eu fiquei super interessado de achar esse

livro e comprar, eu acabei vindo aqui no centro cultural e achei esse livro

disponível.

P: Foi a partir da leitura desse livro que você começou a gostar de ler? Bruno: Foi, foi sim. (risos) (Leitor/BVN – 15 anos, entrevista, 2014).

Nesse caso, o interesse pela leitura foi despertado a partir da descoberta de que o filme era uma adaptação cinematográfica do livro: “... eu... assisti esse filme, depois fui pesquisar na internet e descobri que tinha o livro...”. Esse fragmento também demonstra a influência da internet na socialização dos jovens na contemporaneidade. E, ainda, o acesso aos livros proporcionado pelas bibliotecas públicas: “... eu acabei vindo aqui no centro cultural e achei esse livro disponível...”.

As experiências leitoras entre os pares também configuram-se como aspecto que favorece o exercício das práticas de leitura literária:

27.Adriana: ...o meu amigo também me influencia muito com isso. Na verdade, a gente foi se influenciando. Eu comecei a gostar de ler, ele também, a gente foi

trocando tipos de livros, experiências. Essas coisas.

P: E vocês tinham um bate-papo sobre o livro?

Adriana: Sim (Leitora/BNE – 15 anos, entrevista, 2014).

28.Renata: As minhas amigas que elas gostam de ler também...

P: E em relação aos seus amigos /.../ em que sentido que você acha que eles te incentivam?

Renata: Que as minhas amigas leem os mesmos livros que eu e, às vezes, elas me emprestam ou até mesmo /.../ me dão uns livros.

P: Ah, então vocês fazem tipo um rodízio?

29.Alícia: ...teve uma vez que eu li um livro que chama “Melancia”33 cê já ouviu falar? No início, eu achei ele um pouco chato que contava a mesma coisa /.../ela tava sofrendo e tinha terminado com o marido /.../ eu já tava a fim de desistir de ler o livro, só que uma colega falou: “Alícia, não desiste que o final é bom!”. Eu fui lendo, fui lendo, eu acho que o livro tinha umas trezentas páginas ou quinhentas, não lembro e quando tava na página duzentos e cinquenta... Umas cinquenta páginas pra acabar, começou a ficar bom, eu gostei.

Nelas, estão incluídas as indicações e trocas de impressões sobre os livros: “... a gente foi trocando tipos de livros, experiências...” (Adriana/BNE – 15 anos) e os empréstimos: “... as

minhas amigas leem os mesmos livros que eu e, às vezes, elas me emprestam ou até mesmo /.../ me dão uns livros” (Renata/BVN – 17 anos). Esse último fragmento mostra que a

interação na comunidade de leitores é favorecida pelo compartilhamento entre os jovens dos mesmos referenciais leitores. E, no caso de Alícia, o incentivo é para a continuidade das leituras: “... eu já tava a fim de desistir de ler o livro, só que uma colega falou: “Alícia, não desiste que o final é bom!”...”.

Isto é, essas referências leitoras que circulam entre os jovens, ora favorecem a ampliação do espectro leitor desses sujeitos, como visto no caso de Adriana, ora funcionam como resgate da prática leitora na juventude, conforme mostra o depoimento seguinte:

30.Roger: ... quando era criança eu lia pra caramba /.../ depois que eu parei de

gostar de ler /.../ eu tava indo pra escola /.../ passei na casa de uma menina que

tinha um livro da série que eu gostava e eu comecei a ler. P: E que livro que era? Você pode falar?

Roger: “The walking dead”

P: Ah, então o “The walking dead” foi sua volta ao mundo da leitura? Digamos

assim?

Roger: É que eu gosto da série.

P: E o que você pensa: “Ah, eu lia muito na infância e eu parei de ler na adolescência. A que você atribui isso? /.../ Tem algum motivo especial?

Roger: Eu saia, nada me interessava, já livro de terror me interessa.

P: Entendi. É mais uma questão de descoberta do que o jovem pode ler? Tá relacionado a isso?

Roger: Mais ou menos (Leitor/BBA – 14 anos, entrevista, 2014).

Esse depoimento revela a ruptura da prática leitora na passagem da infância para a adolescência: “...quando era criança eu lia pra caramba /.../ depois que eu parei de gostar de

ler...”, resgatada pelo reencontro de Roger com novos referenciais de leitura indicados por um

de seus pares: “...passei na casa de uma menina que tinha um livro da série que eu gostava e

eu comecei a ler.

Petit (2008) considera que esse desinteresse pela leitura literária é marcado por situações contingenciais cotidianas que, algumas vezes, afastam os indivíduos temporariamente de algumas práticas culturais e os aproximam de outras. Também nessa direção, Horellou- Lafarge e Segré (2010, p.123) entendem que: “o leitor muda e renova suas leituras ao sabor de suas experiências; abandona ou retoma a prática de leitura, modifica suas escolhas”.

Para Petit (2008), esses momentos de interrupção das práticas leitoras não devem ser motivo de preocupação, porém, se estiverem relacionados à superação de dificuldades com os textos, o contato com alguma novidade que incomodou os leitores ou o esgotamento de determinados temas de interesse, nesses casos, cabe a orientação dos mediadores de referência.

Alguns aspectos subjetivos também foram indicados pelos leitores como razão de aproximação da prática leitora:

31.Giovana: É, deixa eu pensar /.../ é só porque eu gosto mais de ficar em casa, eu

gosto de ficar lendo pra passar o tempo... (Leitora/BCS – 16 anos, entrevista, 2014) 32.Marcos: ...Eu acho muito que era por causa de uma curiosidade, isso acaba

influenciando (Leitor/BCS – 13 anos, entrevista, 2014).

O testemunho de Giovana mostra uma leitura mais intimista, realizada em sua casa, talvez até deitada em seu quarto. Langlade (2013, p.32) entende que esse tipo de leitura convoca elementos da personalidade global do leitor: seus conhecimentos literários e suas leituras anteriores, mas também sua experiência de mundo, suas recordações pessoais e sua própria história. No caso de Marcos, sua curiosidade leva-o aos livros informativos, por exemplo: “Inventores e suas ideias brilhantes”34

, indicado pelo leitor no questionário como uma de

suas leituras recentes.

A partir dos relatos apresentados, constata-se que, se por um lado, vemos a ascendência significativa da família e da escola na aproximação da leitura, por outro lado, percebe-se a atuação de outras instâncias, como a biblioteca pública e as mídias e, também, outros atores sociais, como os amigos e os bibliotecários, demonstrando que a relação estabelecida entre os jovens e a leitura literária é multifacetada e influenciada pelos diferentes modos de socialização atuantes na contemporaneidade.