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PROJEKSİYONLAR VE NÜFUS TAŞIMA KAPASİTESİNE YÖNELİK KARARLAR

6. PLANLAMA KARARLARI

6.3. PROJEKSİYONLAR VE NÜFUS TAŞIMA KAPASİTESİNE YÖNELİK KARARLAR

Na mesma obra mencionada acima, Azevedo (1995) afirma que o socialismo também se apresenta como conceito pouco claro e bastante ambíguo nas formulações iniciais do PT. Para o autor nos documentos básicos do partido, na verdade “a ênfase não está no socialismo e sim na democracia”. Um maior destaque ao socialismo, segundo o ele viria ser apresentado somente a partir das Resoluções do V Encontro Nacional, no entanto marcando uma profunda relação entre socialismo e democracia na aspiração do chamado “socialismo democrático”. Este último conceito, por sinal, aparece tão confuso e indeterminado como os princípios empregados ao conceito de democracia, e, por conseguinte de socialismo, como discorreremos a seguir.

No caso específico dos dirigentes petistas no Paraná duas falas são bem marcantes e coincidentes quanto a isso. A necessidade de negar experiências que se encontravam em declínio, bem como o anseio de construir algo novo marcam as definições dadas ao “socialismo democrático”.

É que quando a história do PT começou, nós tínhamos alguns exemplos da socialdemocracia europeia que conduziu até um determinado patamar a economia e os direitos sociais e estagnou. E nós tínhamos o exemplo russo aonde se dizia comunista, porém não existia, apesar de uma série de igualdade econômica, não existia a liberdade que se deseja. E a democracia ela sempre é incompleta. Vou buscar mais liberdade, eu vou buscar mais cidadania, direitos. Então isso é dinâmico. (informante 7)

Também fica claro nas falas a reivindicação por democracia, muito vinculada ao desejo de liberdade e igualdade. Este sentimento encontra respaldo no próprio

contexto de fundação do PT que fora marcado pela luta contra o Regime Militar, portanto o reflexo de um socialismo que trazia resquícios de autoritarismo era tão rejeitado quanto a Ditadura que se buscava derrubar.

(...) ‘não existe socialismo sem democracia’, então se existe socialismo é por que [se] supõe que seja democrático. Nós, talvez, demos ênfase a este conceito ‘socialismo democrático’ pra diferenciar no socialismo na Rússia, socialismo europeu, que passou para o mundo uma experiência socialista, mas não democrática. (...) Então, nós usamos muito esse termo pra contrapor o conceito dos socialismos que se tinha nas experiências desses países. (informante 8)

Uma vez disposto a se afastar das experiências europeias mal sucedidas do socialismo, a Resolução do VII Encontro Nacional (1990) do partido buscou definir o que seria o socialismo petista, e quase duas décadas depois o 3º Congresso Nacional do PT (2007) voltou a reafirmar o socialismo do partido intimamente ligado à democracia, como se pode ler pela Resolução que afirma:

Para o socialismo petista a democracia não é apenas um instrumento de consecução da vontade geral, da soberania popular. Ela é também um fim, um objetivo e um valor permanente de nossa ação política. O socialismo petista é radicalmente democrático por que exige a socialização da política. Isso implica na extensão da democracia a todos e na articulação das liberdades políticas – individuais e coletivas – com os direitos econômicos e sociais. (PT, 2007, p. 13)

Neste trecho a indagação da seção anterior ressurge. Pois, se a democracia não seria um instrumento e sim o fim do socialismo petista, então o que seria de fato o socialismo? A reafirmação do socialismo petista traz também como outros princípios fundamentais a defesa irrestrita da liberdade de expressão, a “construção de uma nova economia na qual convivam harmonicamente crescimento com distribuição de renda”, o “combate à alienação do trabalho” (PT, 2007, p. 13-14), bem como a não apropriação privada dos recursos naturais.

Para tanto, o partido afirma ainda que “a democracia será a referência estratégica para a construção do nosso modelo de socialismo. Uma democracia alicerçada na participação organizada das massas e que seja capaz de articular representação com participação direta” (PT, 2007, p. 22). Se a democracia é referência, não seria ela então um meio, um “instrumento”, sim?

De modo geral esta é, de fato, a visão predominante também entre os dirigentes paranaenses entrevistados, pois as noções de socialismo apresentadas, quando não aparecem como complementar à democracia – como na fala abaixo – trazem definições muito próximas daquelas descritas na seção anterior, em especial quando se faz uma

leitura que de o socialismo seria uma sociedade “cada vez mais inclusiva e com maior participação na política, e nas decisões da sociedade”.

Pra mim socialismo e democracia deveriam se complementar. Ou seja, pra mim socialismo não existe sem democracia. É que socialismo hoje na minha visão, na minha leitura hoje, é você ter uma sociedade inclusiva, cada vez mais inclusiva e com maior participação na política, e nas decisões da sociedade. Tem que ampliar a participação, tem que ampliar oportunidades. Portanto, pra mim socialismo é você apontar para uma política de construção como esta. Eu hoje teria muita dificuldade de definir um conceito de socialismo. Certamente tenho muita dificuldade. (informante 4)

Ainda que o informante 8 (abaixo) não possua uma definição concreta do que seria o socialismo, sua fala coincide fortemente com as delimitações que ele próprio apresentara para o que seria democracia, quando afirma que “socialismo pra mim tem que ser a superação das contradições da sociedade”.

Mesmo que nós tenhamos esse ideal dentro do partido, de se chegar ao socialismo, construir o socialismo, eu sou um defensor disso, né? De que nós temos que superar as contradições do capitalismo, nós temos que ter uma sociedade mais igualitária, uma sociedade mais justa. Mas efetivamente nós não temos uma experiência que se possa dizer: "o socialismo é isso". Mesmo na Rússia, o Partido Comunista acabou sendo um partido único. E aí o que acontece? Há uma imposição das políticas de estado. Aí nós não temos um Estado democrático. Era um estado autoritário. Socialismo pra mim tem que ser a superação das contradições da sociedade, tem que ser a superação da miséria, da desigualdade social, mas não temos uma experiência ainda efetiva. (informante 8)

O dirigente acima também aspira um socialismo que se opõe às experiências que já existiram, como no caso da União Soviética, e sua justificativa vai ao encontro do que afirma as Resoluções gerais do partido. Ou seja, o socialismo vislumbrado por este líder do PT-PR se opõe ao socialismo autoritário de um Estado não democrático, como o que teria se apresentado no leste europeu.

Esta leitura também pode ser observada na fala do dirigente abaixo que além de identificar que uma sociedade socialista seria aquela com “ampla participação das decisões”, – também muito próxima da concepção de democracia já discutida – se opõe ao autoritarismo quer seja de uma “ditadura do proletariado”, quer seja de imposições de um partido único – “um Sol que ilumina o caminho do futuro” – como prefeririam as vertentes leninistas.

“eu trabalho ainda com o desenho dessa sociedade que nós militantes da Igreja Católica chamamos de justa, e igualitária, que na verdade é uma sociedade sem classes, onde o Estado cumpre o seu papel. Mas, com uma diferença, a diferença de que o conceito da ditadura do proletariado, da teoria marxista, não se aplica também ao conceito de democracia. Na verdade, é preciso construir o socialismo, sem classes, com

oportunidades, com igualdades, mas sem o conceito da ditadura do proletariado. Qual diferença? Que a sociedade que tenha ampla participação das decisões, e que não seja o partido o grande Sol que ilumina o caminho do futuro, mas que seja a participação popular. Então, eu acho que o que me difere, na essência da visão mais ortodoxa marxista é essa. Mas, ainda vejo na leitura marxista um caminho pra se entender as contradições do capitalismo, que pode nos apontar para a construção de uma sociedade socialista, uma sociedade sem classes, uma sociedade onde ‘de cada um conforme a sua possibilidade, e a cada um conforme a sua necessidade’”. (informante 5)

Ao observarmos os posicionamentos aqui descritos acerca do socialismo podemos destacar ao menos três aspectos fundamentais que marcam as falas dos dirigentes paranaenses: participação popular nas decisões políticas do país; democratização; e, superação das contradições capitalistas que marcam uma sociedade desigual econômica e politicamente. Para Lacerda (2002, p. 57) estas características estariam nitidamente vinculadas a uma visão de socialismo democrático ligada à ala direita do partido para a qual o socialismo seria a “expansão da democracia da esfera política para as esferas social e econômica” uma vez que “só a democracia política é insuficiente” e a “realização do socialismo” só se dará “com manutenção das instituições representativas democrático-liberais, que devem ser aperfeiçoadas” em “formas de democracia direta”.

Mas o que seria a ala direita do PT? Vários autores afirmam que diante dos diferentes grupos internos ao PT os maiores representantes da guinada programática à direita que o partido teria dado estão vinculados ao grupo da Articulação 113 – atual Construindo um Novo Brasil (CNB). Neste sentido, se nos remetermos à Tabela 3.1 do capítulo 3, podemos verificar que historicamente os comandos das Executivas do PT- PR estavam ligados a este grupo, tal qual a Executiva Nacional. Além disso, no quadro 4.2 do capítulo anterior, que recria minimamente a origem sócio-política dos entrevistados, pode-se perceber que a maioria deles está atualmente vinculada à corrente interna CNB.

Diante disso podemos afirmar que os posicionamentos dos dirigentes do PT-PR em relação aos conceitos de socialismo e democracia representam um grupo muito específico dentro do PT, mas que, sobretudo configura-se como o predominante. Diante disso, não se verifica nenhum traço peculiar inerente ao PT-PR. Ao contrário disso, o que se verifica é que, neste aspecto em particular, a vinculação a uma tendência interna específica possui maior influência na composição ideológica dos dirigentes entrevistados que alguma característica externa ligada ao contexto de formação.

Benzer Belgeler