Ao encerrar este capítulo, pode-se concluir que:
Fica clara, portanto, a necessidade de horizontalidade no processo de formulação e implementação de políticas públicas. Nenhum órgão público atuando sozinho com base no modelo tradicional de áreas restritas de atividades e mandatos exclusivos, sem ações coordenadas e integradas com outros órgãos e entidades, pode garantir a cobertura e a coerência necessárias para as políticas nesse novo contexto. A colaboração entre os órgãos e organizações e entre participantes que oferecem as melhores informações, conhecimentos, habilidades e estratégias para atacar o problema, é essencial. (BRASIL, 2009, p. 32).
Quando se comparam as políticas públicas norte-americana com as brasileiras focadas na área de QBRNE, é perceptível que aquele país tem um detalhamento mais apurado de responsabilidades de atuação das instituições, há uma coordenação bem definida para as ações que devem ser desencadeadas pelo serviço público com a participação dos governos locais, estaduais e federal.
A população dos EUA é chamada a participar da política pública de resposta às ameaças QBRNE através de ações de capacitação. O cidadão recebe instruções por campanhas publicitárias, prospectos de orientação e por meio de cursos disponibilizados e acessíveis a todos. Na parte de prevenção e detecção, são distribuídas orientações a gerentes e donos de comércios, para que possam perceber a aquisição, fora do padrão, de produtos precursores para produção ou obtenção de agentes químicos, biológicos e explosivos, com canais de comunicação com as forças de segurança pública.
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O desafio dos brasileiros ainda é organizar, equipar, treinar, preparar e integrar as instituições públicas. Sem vencer essa barreira, a participação da população fica restrita e desorientada.
Durante os Jogos Pan-americanos de 2007, o risco das ameaças QBRNE foi apresentado ao Ministro da Justiça (BEZERRA NETO, 2009), houve o investimento financeiro nas equipes de vistoria e contramedida, uma integração entre DPF, Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e IRD/CNEN, porém, logo após o evento, cessaram as ações necessárias para evoluir a área.
Esforços como o realizado pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos na coordenação para criação conjunta do Caderno de Atribuições para a Copa do Mundo da Fifa de 201474
, na busca de definição de responsabilidades das instituições de segurança pública e de orientação do processo de integração de procedimentos operacionais, podem ser o início da construção de um plano de resposta de abrangência nacional para o enfrentamento das ameaças QBRNE.
Esta pesquisa não pretende definir como será o plano de resposta a ser seguido, uma vez que seria muita pretensão uma única instituição ou pesquisador elaborar e querer impor um modelo a ser seguido. A solução passa pela construção conjunta por múltiplas agências governamentais de diferentes níveis de governo, com cada agência manifestando suas competências legais, capacidades operacionais e possibilidades de mobilização e emprego. As tarefas a serem desempenhadas devem ser propostas com prazos, responsabilidades, recursos necessários e resultados esperados, integradas a um plano de resposta único.
A elaboração de um plano de resposta deve ser inserida em uma política pública de resposta a ameaças QBRNE. A política deve ser abrangente para comportar a complexidade da área e integração dos diferentes órgãos e população, conforme descrito ao longo deste trabalho.
Portanto, a política pública para ameaças QBRNE deve contemplar diferentes etapas. A primeira etapa é gerar as condições para que as instituições possam sentar lado a lado na elaboração de um plano integrado. Essa etapa passa por ações de capacitação e qualificação
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do quadro técnico e também do quadro gestor/político das instituições, muitas vezes o mais deficiente, para o gerenciamento de ataques QBRNE e cenários catastróficos, ações que já na sua origem devem ser desenvolvidas com a participação conjunta de representantes de diferentes agências.
A segunda etapa é a construção do plano de resposta, podendo servir como base o NRF, pois os EUA possuem uma estrutura de governo descentralizada, assim como o Brasil, estruturado em uma Federação com autonomia administrativa de seus estados e instituições. Recomendável é a adoção de um modelo de construção de plano com o mapeamento dos recursos disponíveis em âmbito federal, estadual e municipal, descrição dos aspectos essenciais de suporte comuns a qualquer tipo de incidente, como gerenciamento financeiro, gerenciamento de voluntários, doações e coordenação do setor privado, agrupar e definir protocolos táticos de resposta para cada tipo de incidente e como as ações serão executadas por cada órgão governamental e parceiros privados.
Através do preparo dos recursos humanos e materiais, estabelecidos na segunda etapa, se desenvolve a terceira etapa. É a preparação das forças de resposta por meio dos treinamentos e da disponibilização dos recursos materiais. Aqui podem ser estabelecidas parcerias com instituições de ensino e pesquisa. O fomento ao desenvolvimento de tecnologia aplicada pode ser previsto, de forma a evitar a dependência do país de tecnologia estrangeira.
A quarta etapa é a simulação de cenários e teste do plano elaborado. São exercícios desenvolvidos para aferir a eficiência, efetividade e eficácia do plano e das equipes que o executam. Com a adequada avaliação dos processos e procedimentos desenvolvidos, é possível corrigir e melhorar o plano de resposta, bem como apontar os ajustes necessários para a própria política pública e regulamentos pertinentes. Voltando, se necessário, à primeira etapa, reiniciando o ciclo da política pública. Se validado o plano, passa-se a quinta e última etapa.
A quinta etapa representa a publicação do plano e adoção sistemática pelas instituições, devendo a cada aplicação em situações reais retornar a quarta etapa para reavaliação.
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