No aspecto de construção da força de resposta para ameaças QBRNE, observa-se que, conforme Jernigan (2006), nos anos 70 o trabalho relacionado a bombas e explosivos era relegado para algumas poucas cidades grandes nos Estados Unidos, como Nova Iorque, Miami e Los Angeles. Tais esquadrões antibombas eram formados por ex-militares que acabaram entrando no campo da segurança pública. Porém, fora dessas cidades a responsabilidade de promover respostas antibomba era das unidades especializadas das forças militares.
Na época, o Law Enforcement Assistance Administration (LEAA) iniciou o treinamento de explosivistas civis e a Association of Chiefs os Police (IACP) formou o National Bomb Data Center. Posteriormente a IACP solicitou ao Exército a formação dos explosivistas civis e, a partir daí, em janeiro de 1971, ocorreu o primeiro curso básico de formação de explosivistas em Redstone Arsenal, no Missile and Munitions Center. Foi então que surgiu a Hazardous Devices School (HDS), que nos dias de hoje é uma parceria do FBI, que controla o orçamento
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da instituição, com o Exército americano que continua provendo instruções para indivíduos que irão atuar na primeira resposta.
Desde 2004 a HDS se mudou para uma nova sede, com custo total de 25 milhões de dólares, onde existe toda a infraestrutura necessária para realização dos cursos, sendo que a capacitação básica tem duração de 6 semanas. A seleção dos estudantes da HDS é por meio dos escritórios do FBI que mantém ligações com os esquadrões antibombas locais dos Estados Unidos. A escola apenas aceita indivíduos patrocinados pela própria organização. Desde sua criação, mais de 20.000 indivíduos já foram formados na escola.
Também são disponibilizados nos Estados Unidos programas de graduação, mestrado e doutorado, focados principalmente em política e administração pública, justiça criminal e saúde pública, com áreas de concentração em terrorismo, segurança interna e gerenciamento de emergências, sendo verificado que os programas têm o foco em servidores públicos envolvidos na área e também cidadãos comuns interessados no assunto, sendo capacitados ao longo dos anos mais de dois milhões de estudantes, em cursos presenciais e não presenciais (FEDERAL EMERGENCY MANAGEMENT AGENCY, 2012).
Este incentivo é dado pelo Emergency Management Institute (EMI), situado no campus do National Emergency Training Center, no estado de Maryland. É ligado à Federal Emergency Management Agency (Fema), órgão do Department of Homeland Security (DHS). O EMI oferece mais de 400 cursos que podem ser agrupados em programas de treinamentos relacionados e credencia as instituições de ensino participantes do Programa de Ensino Superior em Gerenciamento de Emergências.
A Fema ainda mantém outras duas unidades de treinamento o Center for Domestic Preparedness (CDP) e a National Training and Education Division (NTED). Ambas tem a função de capacitar os times de primeira resposta para atendimento de ameaças QBRNE. O principal público alvo dessas instituições são os servidores não federais, sendo os cursos oferecidos gratuitamente dentro de uma cota de servidores por estado e município. O CDP executa os cursos diretamente em suas instalações e possui um hospital escola para treinamento de instituições hospitalares e profissionais de saúde na preparação e resposta a desastres. A NETD oferece mais de 200 cursos em áreas como gerenciamento de emergências, gerenciamento e análise de riscos, segurança aeroportuária, inteligência,
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abandono de instalações, gerenciamento de crises, cyber segurança, dentre outros. Não administra um centro de treinamento próprio, pois opera com 65 parceiros, dentre eles universidades, associações profissionais nacionais e internacionais, unidades de polícia e outros órgãos governamentais.
Tem-se ainda o National Domestic Preparedness Consortium (NDPC), que é formado pelas seguintes instituições, sendo cada instituição especializada em uma área QBRNE:
• National Center for Biomedical Research and Training - Academy of Counter Terrorist Education (NCBRT-ACE), na Universidade Estadual da Lousiana, especializado em agentes biológicos;
• Energetic Materials Research and Testing Center (EMRTC), no Instituto do Novo México de Mineração e Tecnologia, focado em dispositivos explosivos e incendiários; • U.S. Department of Energy's Counter Terrorism Operations Support (CTOS) no
Nevada Test Site, relativo a detecção, resposta e mitigação de agentes radiológicos e nucleares; e
• National Emergency Response and Rescue Training Center (NERRTC) no Serviço de Extensão de Engenharia do Texas, que trata de armas de destruição em massa.
O United States Bomb Data Center (USBDC), unidade da ATF, situado em Washington, é responsável por coletar informações sobre incêndios e incidentes relacionados com explosivos em todo os EUA. Incorporando informações de múltiplas fontes da ATF, FBI, United States Fire Administration, unidades de polícias locais, estaduais e federais, sendo processadas, correlacionadas e ficando disponibilizadas para análise estatística e pesquisa criminal para fins de pesquisas acadêmicas e policiais.
O USBDC tem aproximadamente 4.000 unidades integradas ao Bomb Arson Tracking System (BATS), que é o sistema baseado em interface web utilizado para registrar: os casos investigados, detalhes de artefatos explosivos, mecanismos de funcionamento, indivíduos suspeitos, acidentes, oitivas de testemunhas, entre outras informações que irão compor a base de conhecimento do USBDC. Uma vez tratadas as informações, são gerados relatórios e comunicados aos usuários do sistema. É uma plataforma onde o conhecimento é centralizado, mas a inserção, relatórios e administração de usuários são distribuídos entre as várias agências
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usuárias (BUREAU OF ALCOHOL, TOBACCO, FIREARMS AND EXPLOSIVE, 2010).
A implantação do BATS é por adesão das agências policiais interessadas. Uma vez trabalhando em conjunto, a unidade parceira recebe da ATF: capacitação, recursos materiais e informações.
Na diretriz de capacitação do cidadão comum, sendo esse a primeira pessoa a estar no local, a premissa é que o preparo deste minimiza a perda de vidas. Além dos cursos a distância e presenciais, existem informativos produzidos pelo DHS e FBI para orientação de medidas de segurança para proteção contra ameaças QBRNE, tais como: distâncias de segurança, procedimentos de abandono e de proteção em áreas atingidas, identificação de ações suspeitas e preparativos para ataques, orientação para acionamento das forças de resposta, preparo de suprimentos e conjuntos de sobrevivência, entre outros (NATIONAL ACADEMIES; DEPARTMENT OF HOMELAND SECURITY, 2012).
A capacitação para preparo e resposta às ameaças QBRNE é uma característica marcante das políticas públicas norte-americanas para a área. Também existem ações voltadas ao suporte dos operadores de primeira resposta, com o fornecimento dos meios necessários ao cumprimento de suas funções.
Observa-se que as decisões estratégicas para a área foram emanadas da cúpula do Poder Executivo e Legislativo, com decisões da Presidência da República e secretários de Estado, ou seja, se compararmos com o Modelo de Fluxos Múltiplos de Kingdon, podemos concluir que: 1) a crise estabelecida foram os ataques terroristas em 11 de setembro de 2001, o problema passa a ser bem definido; 2) haviam soluções já formuladas pelas equipes técnicas e outras foram elaboradas a partir da crise, o problema das armas de destruição em massa por grupos terroristas e as ações de Osama bin Laden já haviam sido alertadas pelas equipes técnicas, sendo de conhecimento da cúpula do governo norte-americano. Também já era notória a falta de cooperação entre as instituições do governo federal, ou seja, já estava o assunto na agenda governamental; e 3) passou a existir vontade política do Congresso e das autoridades para elaboração das políticas públicas necessárias, e por coincidência, ou não, havia ocorrido uma transição de governo concomitante ao apelo popular para a tomada de providências.
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dos mais variados tipos: burocratas, militares, servidores civis, indústria bélica, imprensa, autoridades, políticos, entre outros, a janela de oportunidade política se abre, e através dela são elaboradas uma sequência de políticas públicas para atender as demandas de uma nação que já empreendia um esforço de guerra contra o terror.
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