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TÜRKİYE’DE MALİ YARDIMLARIN UYGULANMASINA YÖNELİK YAPILANMA VE İLKELER

4 2 PROJE BİRİMLERİ (MERKEZİ OLMAYAN YÖNETİM SİSTEMİ)

Cada proposta curricular apresenta certas orientações, legitima determinados conhecimentos e relações de poder que podem confrontar ou não as concepções dominantes. Organiza e expressa discursos que visam a formação de determinados sujeitos.

Os diferentes currículos da Educação Física apresentam peculiaridades, propósitos diversos de sociedade e pretendem a constituição de indivíduos distintos tal como analisado por Neira e Nunes (2008) e Nunes e Rúbio (2008). Isso se deve aos conhecimentos selecionados e às bases teóricas que os sustentam.

Interessados em identificar as representações sobre a Educação Física e sua função na escola, pudemos perceber durante a realização das entrevistas que em muitos casos as representações expostas pelos professores se aproximam dos propósitos das Orientações Curriculares, no entanto, em outras perdura uma certa confusão epistemológica.

É unanime entre os professores a compreensão que a Educação Física escolar não se refere apenas aos aspectos vivenciais, mas sim está comprometida com a tematização sobre as práticas corporais.

Isso, não é eu vou jogar e jogar, não, tem que pensar naquilo que está fazendo. (Professor 6)

Não é prática pela prática. (...) Com toda certeza é você praticar, mas sabendo que por trás daquelas práticas você tem diversas outras coisas. É que a gente na verdade, se a gente tivesse isso desde criança, fico pensando, a gente ia lá e se divertia, eles também querem, do mesmo jeito que a gente, só que a gente tem que dar a possibilidade deles pensarem sobre o que eles estão fazendo, o que nós não tivemos. (Professor 7)

Eu acho que essa é grande discussão da função da Educação Física hoje, foi-se aquele tempo que era a prática pela prática, independente do que eu vou abordar é essa a reflexão. (Professor 1)

Meu intuito é fazer as crianças pensarem também, não necessariamente teria que sair com as crianças o tempo todo, independente se elas estavam no primeiro ano, no segundo. (Professor 4)

Acho que a reflexão, reflexão sobre o que ele tá fazendo, sobre a prática que ele tem, porque muitas vezes a prática sem a reflexão não acaba tendo sentido. (Professor 8)

Além disso, alguns professores apontam que a Educação Física escolar apresenta função diferenciada em relação a outros espaços fora da escola, destacando o seu compromisso educacional.

Acho que é pensar sobre a prática, porque fazer por fazer pode fazer na escolinha de futebol, na rua ou em qualquer lugar. (...) a escola não é esse espaço, tem espaço para fazer cada coisa, nós somos a parte educacional. (Professor 3)

A Educação Física não é o momento que os alunos podem extravasar as energias que eles têm contidas na sala de aula, então nós vamos virar promoters e recreacionista, nada contra recreacionista, mas gente... (...) a prática pela prática eles tem em escolinha de futebol, eles tem em monte de lugares. (Professor 2)

O campo de atuação da área é bem amplo, abrange objetivos e locais diversos, por exemplo, recreação, academias de natação e ginástica, treinamentos esportivos etc. Uma das críticas realizadas no âmbito da Educação Física escolar é justamente a sua redução a finalidades extraescolares, pautando as aulas nos modelos e intenções de outros setores que apresentam outras especificidades que não dialogam ou pouco contribuem com os objetivos da educação formal. A disciplina na escola, como expõe o documento curricular, trata pedagogicamente da cultura corporal.

Nesse sentido, e as Orientações Curriculares explicitam isso, o ensino não se limita a meras vivências das práticas corporais. A Educação Física nesta perspectiva rompe com as características exclusivamente práticas presentes em outros currículos da área (por exemplo, com base no ensino de modalidades esportivas ou aqueles com

finalidades recreacionistas como destacado pelos professores), defende a reflexão sobre as configurações e relações que permeiam as manifestações corporais70.

Diante de sua especificidade na escola, um dos professores participantes da pesquisa evidencia e defende a relação da Educação Física com os objetivos da instituição escolar, destacando que a disciplina não deve restringir-se ao aspecto vivencial.

A Educação Física tem que discutir a prática do aluno e eu não vejo ela diferente de qualquer outra disciplina dentro da escola. (...) então, quando você traz um olhar apenas prático, tá trazendo um olhar limitado a aquilo e muitas vezes muito funcional para aquela coisa. Você está trazendo uma prática no meu entender de forma alienada e a Educação Física não pode estar alienada ao contexto escolar. Então, como sempre tem que estar preso ao PP porque ela é um componente como qualquer outro. (Professor 8)

A fala explicita que a Educação Física deve estar atrelada às finalidades da escola e, como os professores a seguir apontam, contribui na formação dos estudantes como qualquer outra disciplina do currículo.

Eu acho que como todas as outras áreas é produzir conhecimento. A diferença é que nós temos ao nosso favor o corpo. Nós temos outras linguagens que está agregando. Nós podemos produzir muito conhecimento e temos a nosso favor outras linguagens, linguagens não verbais, do corpo é fundamental. Produzir conhecimento é fundamental na escola, dar acesso ao conhecimento, transformar esse conhecimento. A Educação Física é importante como todas as outras disciplinas. (Professor 9)

Quando tem o trabalho interdisciplinar eu acho que outras disciplinas acabam vendo a importância que tem na Educação Física. Eu acho que eles enxergam, é uma coisa que fazem eles enxergarem que podemos contribuir também para a formação. Acho que o trabalho interdisciplinar deixa bem a mostra dentro da escola a parcela de contribuição da Educação Física. (Professor 6)

Com as discussões do campo educacional atreladas à promulgação da LDB nº 9.394/96, a Educação Física teve seu papel revisto, sendo requisitada a integrar e se aproximar dos objetivos pedagógicos da instituição educacional. Deixou de ser

70 É interessante destacar que diante da dificuldade relatada por um dos docentes em relação ao trabalho

com aulas teóricas, devido à resistência de estudantes e de outros profissionais da escola a esse formato, os docentes defenderam e relataram alguns elementos de como lidam com essas situações. O que reafirma um novo olhar para a disciplina.

entendida como uma atividade complementar71 realizada fora do período escolar para ser um componente curricular. Nessa direção, o documento é explícito: "considerando o atual status da Educação Física enquanto componente curricular que valoriza sua experiência, ele está inserido no Projeto Pedagógico de uma escola comprometida com a socialização e ampliação crítica do universo cultural" (SÃO PAULO, 2007, p. 35).

Os professores caminham na mesma direção ao valorizar a relação entre a disciplina e a instituição escolar, aspecto que será melhor analisado posteriormente quando se expressam sobre os elementos que subsidiam a seleção dos temas de estudo do componente.

Outro elemento digno de nota é o entendimento da Educação Física escolar, enquanto disciplina atrelada à realização da leitura das práticas corporais.

Você busca e mostra que existe outras modalidades ... e o fato de você conhecer também muda como você vê o esporte, como espectador. Você começa a analisar o esporte de forma diferente. Quando eu conheço o esporte a apreciação do espetáculo é totalmente diferente. Então, por exemplo, eu vou falar de Olimpíadas de Inverno, a princípio eu posso não conhecer nada, pode ser diferente, agora se eu já conheço um pouquinho eu vou entender como funciona o jogo, quais são as regras, qual o objetivo do jogo. Então, essa apreciação do espetáculo se torna diferente, agora se não tem um ponto de partida vai ficar na mesmice. (Professor 9)

Na escola você tem que saber o que está fazendo, aqui mostra uma coisa que eu acho que lembra um pouco da minha escola, a criança joga futebol, se você jogar uma bola na quadra e esperar para ver, você vai ver um falando de uma regra do soçaite, o outro falando da regra do campo e outro do salão, ai você fala espera aí: é para fazer por cima, é por baixo, qual é a regra que está falando? o que vai fazer? Eles estão na prática pela prática, eles não estão pensando. Essa discussão é interessante, porque o professor faz as crianças pensarem. Ah! Então, o soçaite joga assim, salão joga assim e campo é assim, o número de jogadores pode variar, o tempo também, que é fazer pensar sobre a prática. Ah! Então, eu não to indo jogar bola, a partir do momento que faz ele pensar eles sabem que eles não estão só indo para a quadra. (Professor 3)

Ao deixar de lado a anterior visão biológica, a disciplina passa a compreender que a motricidade humana é uma linguagem que comunica e expressa a cultura e as formas de ser e viver de cada grupo cultural (SÃO PAULO, 2007). Ou seja, as práticas corporais são entendidas como formas de expressão e comunicação que manifestam

71 A educação física pelo Decreto n.69.450/71, em seu artigo 1º, era tratada como atividade e não como

disciplina do currículo, apresentava uma "conotação de um fazer prático não significativo de uma reflexão teórica" (CASTELLANI FILHO, 2011, p.84).

pensamentos, significados construídos e compartilhados pelos diferentes grupos. Como os Estudos Culturais ensinam, toda ação social expressa significados próprios em meio ao contexto em que se encontra.

A Educação Física, nessa perspectiva, se compromete com a leitura e interpretação da gestualidade. Contribui para a compreensão dos significados dados a cada prática corporal, a cada gestualidade característica, como também na produção de novas manifestações. Portanto, não se estuda o movimento e sim o gesto, entendido como um movimento que transmite um significado cultural (NEIRA; NUNES, 2008) apropriado e construído de acordo com os diversos grupos sociais.

Os professores dialogam com a proposta curricular quando apontam que a disciplina na escola está envolvida na leitura dos códigos das manifestações corporais. Ao buscar compreendê-los melhor, possibilita olhar e ler de forma diferente aquela prática, com novos referenciais e suportes, o que leva como o docente expôs a uma nova apreciação. No caso exemplificado, permitiria aos estudantes identificarem as características e entender como funciona a prática, quais são as regras, o que as diferenciam de outras modalidades e expressões, compreender as razões que facilitam a realização do jogo e suas convenções.

Contudo, além da Educação Física estar comprometida com a leitura dos aspectos, dos códigos sociais que caracterizam as práticas corporais, alguns professores relatam, e assim se aproximam mais da concepção de leitura e escrita das Orientações Curriculares, que sua função hoje está atrelada a realização de uma reflexão crítica das relações que as envolvem, realizando discussões a partir do que os estudantes trazem e buscando valorizar os diferentes grupos culturais.

A partir das manifestações da cultura corporal fazer com que o educando tenha uma leitura do mundo, uma leitura da sociedade que o cerca e das relações que estão permeando essa prática na medida que ele possa conhecer e validar os grupos sociais, grupos que acessam essa prática. (Professor R 5)

Ela tem sua função específica e essa função especifica na minha forma de ver é discutir a manifestação da cultura corporal, trazer o que os alunos conhecem, o que os alunos pensam, o que os alunos acham sobre a manifestação corporal e discutir ela. Então, na minha forma de pensar a Educação Física tem esse objetivo, discutir a manifestação corporal, como uma prática que faz parte da cultura dos alunos, do que eles fazem, do que eles vivem e tem que ser discutida, não só praticada, a prática pela prática, mas uma prática pensada, uma prática refletida, uma prática direcionada, intencional e significativa para o aluno. (Professor 8)

Eu penso hoje que a Educação Física ela tem o objetivo de não só valorizar o que o aluno já tem de conhecimento, mas de fazer com que ele conheça o maior número de práticas corporais, mas não é só conhecer é entender porque aquilo é daquela forma, como foi construído. Eu penso que a Educação Física é assim, saber os valores que estão imbricados naquele determinado esporte que a gente vai trabalhar, porque que é aquilo, porque que é assim. (Professor 6)

Como Neira (2010b) aponta, não basta ensinar regras e técnicas para que os estudantes possam jogar, a Educação Física deve proporcionar a reflexão das intenções e relações sociais que permeiam a prática corporal. O documento curricular expõe que a função social da Educação Física é "proporcionar aos alunos das diferentes etapas da escolarização uma reflexão pedagógica sobre o acervo das formas de representação simbólica de diferentes realidades vividas pelo homem, historicamente criadas e culturalmente desenvolvida" (SÃO PAULO, 2007, p. 36). Para tanto, defende que sejam valorizados os diversos grupos culturais e que seja contemplado aprendizagens para uma compreensão profunda das relações que permeiam a cultura corporal, abrangendo aspectos sociais, políticos, históricos e culturais.

De acordo com Neira e Nunes (2008, 2009) e Neira (2011), o currículo cultural da Educação Física visa a fazer com que as vozes das diversas culturas possam ser pronunciadas e reconhecidas. A partir do universo cultural dos estudantes e de outros grupos procura-se refletir sobre a cultura corporal para realizar uma leitura crítica de suas relações com a sociedade, além de problematizar as questões de poder.

Para os docentes, a contribuição da Educação Física aos estudantes é uma formação sensível a diversidade cultural, que valida e reconhece os diferentes grupos e caminha para entender as relações de poder e superar posicionamentos preconceituosos.

Ao fazer uma leitura a partir das aulas de Educação Física o aluno acaba reconhecendo os outros significados que as pessoas atribuem à mesma prática, quando ele conhece os significados e acaba validando, ou não né, mas pelo menos ele reconhece que outras pessoas atribuem um outro sentido para aquilo e isso depende do contexto que ela veio. Eu acho que contribui principalmente para que a criança, o adolescente se torne sensível a diversidade cultural, procure relações mais democráticas, por relações mais justas, porque ele vai compreender que as diferenças existem, mas a convivência é coletiva, a gente tem que entender, compreender esses significados diferentes talvez eles respeitem, não sei também se respeito é a melhor palavra, mas validar, entender e reconhecer que aquela pessoa não precisa pensar igual a ele através da manifestação corporal. (Professor 5)

Então, quando você propõe uma reflexão sobre a prática você proporciona que esse aluno tenha, repense certos conceitos, certos preconceitos, práticas que muitas vezes ele não conhece e acaba conhecendo ou ideias que eles tinham e acabam mudando essa ideia, então possibilita conhecer essa prática, quando você conhece abre um campo enorme de possibilidades dele gostar, dele não gostar, passar a gostar, de conhecer melhor, dele repensar, putz (sic) o que eu estava fazendo eu posso fazer diferente, então, não era como pensava, as coisas podem ser diferentes. Enfim, você cria esse espaço para tentar fazer com que ele repense essa prática. (Professor 8)

O objetivo dele era fazer pensar. É complexo né, mas ele queria levar as pessoas pensarem né, vai fazer uma entrevista, vai refletir, produz, ele tem um trabalho de portfólio aqui, vamos fazer fechando o projeto um livro de regras e tal, criação de gibi. Então, vou pensar sobre a exclusão da prática por quem não pode pagar por ela e tal, o mundo é complexo. (...) Ele quis fazer os alunos ter um outro olhar sobre aquela determinada prática. (Professor 4)

Os docentes expõem percepções e pretensões sobre a formação dos sujeitos que identificamos na análise do documento curricular. Ao possibilitar que diferentes expressões circulem pelo currículo com um tratamento e estudo aprofundado, abre-se espaço para que os diversos grupos sejam reconhecidos e a constituição de identidades e relações mais democráticas.

Uma das pretensões de um currículo multiculturalmente orientado é promover o respeito pela diversidade cultural, no sentido de reconhecer, legitimar as produções e identidades plurais, evidenciando as relações de poder envolvidas na construção da diferença. Para tanto, é importante que os diversos grupos tenham espaço para se representar, expor e criar as suas formas de ver e narrar o mundo. A proposta curricular "tenciona 'fazer falar', por meio da tematização das manifestações corporais, a voz de várias culturas no tempo e no espaço (...) além de problematizar as relações de poder presentes nas questões de gênero, etnia, religião" (SÃO PAULO, 2007, p. 37) .

Em concordância com Silva (2007), o currículo deve oferecer a oportunidade de desenvolvimento crítico e de questionamento das representações dominantes. Que seja apresentado discursos, textos diversos tanto como forma de reconhecimento dos diferentes grupos como para subverter as lógicas opressivas. Ao colocar em xeque as representações hegemônicas, mostrando outros discursos, conhecimentos e produções as identidades dominantes e os mecanismos de opressão podem ser desestabilizados, abrindo espaço para que outras leituras e posicionamentos possam ser realizados.

A educação multicultural está envolvida e comprometida com "a quebra de preconceitos contra aqueles percebidos como 'diferentes', de modo que se formem

futuras gerações nos valores de respeito e apreciação à pluralidade cultural, e de desafio a discursos preconceituosos que constroem as diferenças" (CANEN; OLIVEIRA, 2002, p. 63). Incorporar a diversidade cultural pressupõe refletir sobre os processos de exclusão e discriminação que silenciam diferentes vozes e manifestações e congelam as identidades. O currículo cultural da Educação Física, inspirado nos Estudos Culturais, está sempre a favor dos mais fracos. Os professores evidenciam pretensões e finalidades da Educação Física que caminham contra a subjugação e exclusão de determinados grupos. Nessa direção, ao menos dois professores destacam a importância da desconstrução do discurso hegemônico.

Normalmente nós somos acostumados a escutar e validar os discursos hegemônicos né, trazem um único significado para aquela determinada manifestação ou prática corporal, e quando a gente começa a ouvir outras pessoas falando sobre os seus significados a gente acaba desconstruindo um pouquinho esse discurso hegemônico e vê que tem outros significados que fazem parte da mesma prática corporal. (Professor 5)

O discurso é fundamental, pelo menos na minha maneira de pensar, é o foco de qualquer ação social, cultural é o discurso. Ele que vai moldando, ele que vai construindo as relações, as identidades de certa maneira. Então, ele está presente o tempo todo e o principal muito sutilmente, as coisas vão acontecendo, vão sendo faladas e muitas vezes naturalizadas e dadas, a gente vai passando por cima muitas vezes e a gente não vai percebendo o que vai sendo dito e quando a gente para analisar o discurso, então, é ver o que as pessoas têm dito sobre as coisas a gente para e repensa muitas vezes a nossa prática, o que a gente tem feito. Então, de certa forma a nossa ação como professor partindo da prática da cultura corporal é analisar o discurso, o que as pessoas têm dito sobre aquilo. Vamos tentar conhecer, vamos ver se realmente é assim, se não é assim, então, o foco de nossa prática de certa maneira é analisar o discurso para desconstruir esse discurso que muitas vezes acaba tendo apenas um olhar, um olhar dos interesses de alguém, de algumas pessoas, a formas que elas têm de enxergar de encarar aquela realidade. Quando a gente se limita a ouvir apenas um discurso está muitas vezes trazendo um olhar restrito, muitas vezes com preconceito, com discriminação, quando a gente para e analisa esse discurso por outras maneiras, por outras óticas a gente possibilita repensar as ações. (Professor 8)

Apresentar outros significados e narrativas buscando compreender o posicionamento assimétrico das práticas corporais no meio social, contestá-los e desconstruir aqueles que valorizam a hegemonia de determinados grupos foram aspectos identificados na análise do documento curricular.

Como os Estudos Culturais nos ensinam, e o Professor 8 aponta, os discursos constroem, moldam nossa compreensão sobre o mundo como também forjam nossas identidades. Por meio de diferentes textos que compõem o circuito cultural (mídias, livros, currículo), os discursos e representações inventam, transformam as formas de entender e nomear as coisas.

Tais significados circulam em meio a disputas, o que produz uma realidade permeada por hierarquizações. Aqueles que têm o poder de narrar as pessoas, as coisas e como elas funcionam é quem estabelece o que é real, o que é válido ou não (COSTA, 2010; SILVA, 2007). Os discursos que apresentam maior força de representação vão posicionando os sujeitos e os constituindo em meio a cada cultura. Portanto, como Hall (1997a) elucida, a luta passa a ser cada vez mais simbólica e discursiva do que física.

O problema se encontra quando os discursos e representações se apresentam e se instituem como verdades únicas e universais. Os seus significados, de tão enfáticos, aparentam ser naturais, fixos, omitindo-se o fato que são resultados de práticas de significação que estão envolvidos por relações de poder que os posicionaram em