1.2. Örgütlerde Bilgi ve Öğrenme Araştırma Alanı
1.2.4. Programlı Karar Almada Rutinler ve Yapısal Durağanlık Sorunu
O novo modelo de gestão implementado pela Secretaria de Cultura de Vitória onde a Fafi passaria a ser administrada por uma organização não-governamental não foi visto, em um primeiro momento, com bons olhos por parte dos professores e alunos da escola. Desde sua institucionalização enquanto Escola de Artes em 1992, a Fafi sempre foi administrada pela Secretaria de Cultura.
A insatisfação começou pelos alunos que se manifestaram em forma de protesto pedindo transparência ao processo licitatório da contratação da organização que iria gerir a escola. Na noite de segunda-feira do dia 24 de março de 2003, após reunião entre a direção da escola e corpo discente, estes se reuniram e decidiram criar o grêmio estudantil Amylton de
Almeida. Conduzido pelo aluno Victor Barros da turma de teatro, a reunião foi composta por 70 pessoas que ouviram “um manifesto em defesa da escola”:
Os alunos estão descontentes com os rumos da escola que será gerida por um outro modelo, tranformando-se numa organização social, passando a ser administrada por uma empresa e saindo da alçada da Secretaria de Cultura de Vitória. Eles estão recolhendo assinaturas para um abaixo-assinado que será remetido ao governador, ao prefeito de Vitória e a Câmara Municipal. No manifesto repassado à imprensa, os autores reclamam que o processo de licitação para a escolha da empresa vencedora está mascarado. O texto cita uma empresa de administração, que seria assessorada por uma ONG. Além disso, segundo o manifesto, o futuro nome que assumiria a direção da Fafi seria de uma professora aposentada da Ufes. O atual diretor da Fafi, Marcus Frizzera, diz desconhecer essas informações. [...] Ele avisou que a Secretária de Cultura, Luciana Vellozo, vai conversar com os alunos, na quinta-feira (24 de março), às 18h30min, na Fafi. [...] A lei que tira a gestão da Fafi da Secretaria de Cultura é a 1.811, de 30/12/2002, jornal A Gazeta (CADERNO DOIS, quarta-feira, 26/03/2003:5).
Não eram somente os alunos que se encontravam insatisfeitos com o processo. Na época o ex-diretor do Teatro Carlos Gomes, ator, diretor e roteirista, autor do vídeo Costa Pereira, Rômulo Mussielo, também sustentava a importância da classe artística participar desse processo. Na mesma matéria Rômulo demonstra sua opinião: “Não concordo com a forma como ele é feito. Se as mudanças estão acontecendo de forma velada, há que se questionar a forma como esta licitação está sendo apresentada ao público”128, aconselhou no encontro. Para esclarecer as mudanças de gestão implementadas em sua gestão, a secretária de cultura Luciana Vellozo Santos redige um documento subscrevendo também o subsecretário João Carlos Simonetti. O documento foi disponibilizado no site da prefeitura, descrevendo, explicando e justificando o novo formato de gestão da Escola que passa a ser administrada por uma Organização Social. O documento relata o teor da reunião entre a secretária, gestores da secretaria de cultura e alunos da FAFI na reunião de quarta-feira:
Um dos pontos mais ressaltados foi que a FAFI continua pública e gratuita, e que as mudanças não podem ser confundidas com privatização nem terceirização. A Prefeitura de Vitória continua responsável pelos resultados
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obtidos na Escola, que seguirá a política cultural de Vitória. (Luciana Vellozo, documento divulgado, na época, no site da PMV).
A reunião aconteceu no auditório da Fafi. Este ficou completamente lotado com as presenças de pais de alunos, funcionários da escola e professores. Todos preocupados com o novo modelo de gestão. Durante a reunião várias dúvidas foram colocadas pelos presentes para serem esclarecidas pela secretária:
Além de pública e gratuita a escola continuaria oferecendo os cursos de teatro e dança; a responsabilidade sobre a escola continuaria sendo da secretaria que cobraria resultados da entidade administradora “que assumir a Fafi”. [...] As pessoas questionaram o processo que culminou na lei por ele não ter sido discutido, inicialmente, com os alunos, pais, professores e funcionários. O subsecretário alegou que tudo correu normalmente na Câmara de Vereadores. ‘A lei foi aprovada em dezembro, na Câmara, que é um órgão competente para discutir leis’, explicou, mas o público não concordou. A reunião [houve outra na quarta com os professores] aconteceu uma semana depois da publicação do decreto 11.550, que regulamenta a lei. Segundo material divulgado pela secretaria de cultura ‘a seleção da entidade para gerir a Fafi será feito através de processo de seleção: serão convidadas todas as entidades qualificadas como organização social no âmbito do município de Vitória e que tenham por finalidade o desenvolvimento da cultura. Jornal A Gazeta (CADERNO DOIS, 29/03/2003:5).
Na mesma matéria foi divulgada que no dia seguinte a reunião, na sexta-feira, dez alunos e participantes do grêmio Amylton de Almeida fizeram um manifesto no semáforo em frente a escola, vestidos de palhaço, distribuindo panfletos entre pedestre e pedindo apoio a manifestação: “ ‘Até terça-feira (01 de abril) vamos entrar com uma denúncia nos ministérios públicos federal e estadual questionando a constitucionalidade da lei e denunciando a falta de lisura nesse processo’. Informou o membro do grêmio, Francisco de Assis”. jornal A Gazeta (CADERNO DOIS, 29/03/2003:5). No documento, a então secretária Luciana Vellozo, objetivamente explica que como vai ser o novo modelo de gestão, afirma que a Fafi continuará sendo uma escola pública, gratuita e com qualidade, que a prefeitura vai fiscalizar e acompanhar de perto o processo de gestão da OS. Explica o que é uma organização social e como um modelo vem somar para a melhoria da escola e que a grade de cursos e professores não mudaria, dentre outros pontos:
O novo modelo de gestão trará vantagens para o funcionamento da Escola com a contratação dos professores em condições estáveis, o que cria melhores condições de trabalho do corpo docente. Trata-se de uma maior agilidade administrativa, o que vai facilitar a realização de obras e manutenção de serviços de qualidade. A possibilidade de captar recursos externos com os benefícios da Lei Rouanet é vantagem.
Este modelo administrativo já foi implantado com sucesso em diversos órgãos, como a TVE Brasil, já citada, ligada à Presidência da República, o Dragão do Mar de Arte e Cultura, ligado ao Governo do Ceará, e diversos órgãos ligados ao Ministério da Ciência e Tecnologia (Luciana Vellozo Santos, Secretária de Cultura de Vitória).
Apesar de toda manifestação contrária, o IACC assumiu a gestão da Escola até o término do contrato. O IACC esteve a frente da gestão da Fafi entre 21/08/2003 a 28/02/2005, conforme cláusula nona do contrato de gestão SEMC nº. 001/2003, assinado entre a Secretaria de Cultura e o Instituto. Na sua prestação de contas após o término do contrato o Instituto informou em documento amplamente divulgado pela imprensa, a confecção e distribuição de um kit multimídia contendo um CD-ROM, para demonstrar suas ações e uso de recursos.
A secretaria de Cultura do Município não possui nenhuma documentação de uma prestação de contas geral de finalização dos trabalhos no IACC, segundo a secretária de cultura, Maria Helena Signorelli. Procurados os dois ministérios públicos, municipal e estadual, nenhum processo foi encontrado. Os nomes dos dois alunos, o criador do prêmio Victor Barros e o Francisco de Assis que informou a imprensa sobre a denúncia ao MP, foram procurados nas fichas da Escola FAFI, em sua secretaria e não foram encontrados129.