1.4. RUSYA VE JAPONYA’NIN DEMİRYOLU PROJELERİ
1.5.3. Savaşın Başlaması ve Seyri
1.5.3.1. Port–Arthur Baskını
Três pontos fundamentais caracterizam a narrativa épica, segundo esse autor: 1) Seu tema é o passado histórico nacional.
É um mundo feito de fundadores, de heróis considerados os primeiros e os melhores, que deram início a uma determinada coletividade nacional. Mas o ponto fundamental não é pre- cisamente o tema, e sim o fato de que nas narrativas épicas o mundo representado é transferido para o passado. Esse mundo é congelado no passado. A posição do autor é aquela de alguém que fala de um passado que é inacessível, com a atitude reverente de um descendente. Está longe de ser o dis- curso de um autor contemporâneo que se dirige a leitores contemporâneos. Entre esse passado e o autor fica a tradição. O passado é, portanto, narrado com base no que é transmitido por essa tra- dição, e não com base na experiência pessoal. Esse passado absoluto da narrativa épica é a fonte e o começo de tudo o que acontece posteriormente. É na verdade a memória (transmitida pela tra- dição), e não o conhecimento (possibilitado pela experiência pessoal), que serve como fonte do impulso criador. Esse passado é sagrado, absoluto, jamais é submetido a um ponto de vista relativo.
2) A fonte da narrativa épica é uma tradição nacional, e não a experiência pessoal e o pensamento livre que daí decorrem.
O passado épico é separado de modo absoluto em relação ao presente. Há uma fronteira intransponível entre esse passado e a realidade contemporânea. Ele somente é revelado por meio da tradição. Esse é um traço imanente dessa narrativa, assim como o é também o passado absoluto. Esse mundo do passado é inacessível à experiência individual. Ele somente é traduzível na linguagem da tradição e em nenhuma outra.
3) Nas narrativas épicas, uma distância absoluta separa o mundo da narrativa do mundo da realidade cotidiana, isto é, do tempo e espaço em que estão situados o narrador e o leitor.
A “zona de contato” entre a narrativa épica e a realidade contemporânea é constituída por mínimas interações. Há uma separação absoluta entre o que se passa no plano da narrativa e o que se passa na realidade cotidiana. Ela é infensa a qualquer ponto de vista, a qualquer desafio da realidade contemporânea. Por isso, somente se pode aceitar o mundo épico com reverência, pois ele está além do domínio da experiência, das atividades e dos sentimentos humanos. O passado por ela representado tem uma dimensão monumental.
Em resumo, a narrativa épica está articulada por uma idéia não relativizada do passado, e os personagens que aí se movem e os acontecimentos que se passam são absolutos. O passado é um todo acabado e perfeito, que se comunica com o presente apenas através da “tradição”. Os per- sonagens agem de modo exemplar, não estão sujeitos às contingências do cotidiano. Os eventos e personagens das narrativas épicas estão fora do tempo, congelados. Não se valoriza a experiência pes- soal. Valoriza-se a “memória”, e não o conhecimento. O mundo do passado épico é um mundo per- feito. Não há incertezas.
Já o romance é concebido por Bakhtin a partir de três traços definidores:
1) Seu estilo tem um caráter tridimensional, que está associado à consciência multilingüística que se realiza nessa narrativa.
Essa consciência de múltiplas linguagens está associada ao próprio contexto em que emerge na Europa moderna, no século XVIII, um contexto de intensos contatos entre línguas e cul-
turas, que se torna um fator decisivo na visão de mundo desse período. Daí o caráter eminentemente dialógico do romance, um gênero de narrativa em que se fazem presentes diferentes linguagens, pon- tos de vista que dialogam e se desafiam mutuamente. Esse fato contrasta com o contexto das nar- rativas épicas, que se caracterizam precisamente pelo isolamento em relação a outras culturas e lín- guas, o que repercute no seu caráter monológico.
2) O romance promove uma mudança radical nas coordenadas temporais da imagem literária. Enquanto as narrativas épicas apresentam uma separação radical entre o passado e o presente, o romance vai precisamente redefinir essa relação, valorizando o presente. Conseqüen- temente, a relação com o passado, no romance, não é mediada pela tradição, e sim pela experiência pessoal. O passado, portanto, torna-se relativo. Ele vai depender de pontos de vista particulares. Não existe assim um único passado, mas vários, segundo pontos de vista individuais ou coletivos diferenciados. O passado não é valorizado em si, e sim como um instrumento na construção do futuro.
3) O romance abre um novo espaço para a estruturação de imagens literárias, especificamente aquela zona de máximo contato com o presente, isto é, com a realidade contemporânea em toda a sua abertura.
Esse último ponto é fundamental. No romance, intensificam-se ao máximo as interações naquela zona de contato entre a narrativa e a realidade contemporânea. Os espaços, os tempos, os personagens, os vocabulários da realidade cotidiana têm livre acesso ao romance. Os gêneros de dis- curso cotidianos, populares, e os vocabulários da praça pública são trazidos para o interior da nar- rativa em pé de igualdade com os vocabulários do palácio. A linguagem falada no cotidiano é colo- cada lado a lado com a linguagem escrita. Os discursos “baixos”, voltados para o corporal e o material são trazidos lado a lado com os discursos “elevados”, voltados para o que é espiritual e imaterial. Há um contato direto e cru entre esses gêneros de discursos. As relações entre eles não são mediadas pela reverência e etiqueta, e sim pelo desafio, a irreverência, o xingamento e o riso. Nesse sentido, o riso das narrativas folclóricas teve um papel fundamental na formação do romance. Foi ele que permitiu exatamente a quebra da atitude reverente das narrativas épicas.
O que era distante na narrativa épica foi aproximado e tornado diretamente acessível à experiência pessoal. A memória, quando é tematizada, é a memória de indivíduos ou de coletividades individualizadas, é a memória autobiográfica, não a memória heróica da narrativa épica. O passado, na medida em que é aproximado da contemporaneidade, da experiência pessoal, torna-se um objeto familiar, passível de investigação. Se comparado com o passado da narrativa épica, ele torna-se menos transparente, não é mais o passado cristalino e estável da épica; não ilumina mais o presente de forma exemplar (a história, no romance, deixa de ser a “mestra da vida”, como era na concepção clássica, ou épica, de história). Mas, ao tornar-se essa dimensão escura e instável, o passado torna-se, ao mesmo tempo, objeto de curiosidade, de investigação, o que supõe uma relação não marcada pela reverência. O passado das sociedades, assim como o dos indivíduos, torna-se objeto de investigação e instrumento de autoconhecimento.
O romance caracteriza-se precisamente pela ênfase no cotidiano, pela contingência, pela transformação no tempo, na história. O dia-a-dia é feito de incertezas, de acidentes. O futuro não é uma projeção da tradição, e sim uma construção baseada na experiência. Exatamente porque se valoriza o presente inconcluso, ele torna-se cada vez mais próximo do futuro.
Finalmente, enquanto na narrativa épica importa pouco o começo e o fim da estória, no romance são fundamentais tanto o “impulso de continuar” (o que vai acontecer depois?) quanto o “impulso de concluir” (como termina a estória?). Na épica, essas perguntas não fazem sentido porque todos já conhecem o enredo. Já sabemos, de antemão, o que vai acontecer com Édipo.
O contraste entre esses dois gêneros narrativos pode ser expresso através das imagens do bronze e da argila. As narrativas épicas, voltadas para o passado e para a permanência, representando um mundo acabado e exemplar, são como que moldadas em bronze ou mármore. A flexibilidade, a plasticidade e a abertura do romance para a realidade contemporânea sugerem que o material para sua construção seja a argila.