2.3. Petrol Fiyatlarının Küresel Ekonomik Büyüme Üzerindeki Etkisi
2.3.2. Petrol Fiyatı Şoklarının Petrol Ithal Eden Ekonomiler Üzerindeki Etkisi
Sendo assim, acredito que a divulgação científica pode contribuir para a Geografia, pelo menos, de três maneiras, conforme as três metodologias de pesquisa mais comuns identificadas na história do pensamento geográfico.
Pensando a Geografia de acordo com a lógica-formal do conhecimento científico, isto é, orientada pelas ciências naturais ou pela matemática, a divulgação científica pode contribuir para manter os pesquisadores mais “próximos do chão”. Segundo Goodchild (2009), a separação entre cientistas e leigos ou especialistas e iniciantes é causada, frequentemente, pela complexidade dos conteúdos disciplinares, pela terminologia usada na academia e pelos “altos custos” de entrada e medição empíricas das pesquisas. Sendo assim, o outsider não tem acesso à ciência, nem aos resultados produzidos, muito menos às etapas anteriores de planejamento e realização das pesquisas. As práticas de comunicação pública da ciência podem representar, nesse sentido, o grande diálogo que os modelos científicos mais ambiciosos nunca deveriam ter abandonado em
nome do produtivismo e das conversas exclusivamente intra-acadêmicas. As ciências existem por causa da sociedade e não o contrário. Nesse sentido, Goodchild (2009:83) reconhece dificuldades, mas afirma que
Enquanto a Torre de Marfim é caracterizada comumente desta maneira, alguns acadêmicos percorrem longas distâncias de vez em quando para tornar suas ciências mais acessíveis, e cientistas como Carl Sagan ou Stephen Jay Gould fizeram um belo trabalho ao comunicar conceitos difíceis ao grande público (tradução minha).
Para este autor, a proximidade e a familiaridade com os assuntos pesquisados são grandes facilitadores para que o público compreenda o trabalho do cientista, o que impõe, no caso da Geografia, um desafio maior ainda, visto que seus temas, conceitos e/ou instrumentos de análise podem ser experimentados por qualquer um99. As imagens que as pessoas têm das disciplinas científicas influenciam diretamente as atitudes que elas terão em relação às suas práticas e sujeitos específicos (Goodchild, 2009).
O controle público das atividades acadêmicas ou a participação de não- cientistas na produção da ciência também pode ser usado para justificar as práticas de divulgação em Geografia. Uma das principais críticas feitas pelos geógrafos de origem marxista já nos anos 1970 apontava para o papel da ciência e dos cientistas na organização da sociedade contemporânea. O saber geográfico seria indispensável porque, vivendo em um mundo regido pelo modo flexível de acumulação do capital, o cidadão precisa reconhecer de onde vêm as ameaças ao seu bem-estar, assim como escolher quais rumos tomar. De acordo com Carlos (2002:163)
A produção de um 'saber geográfico' move-se no contexto do conhecimento que é cumulativo (histórico), social (dinâmico), relativo e desigual, ao mesmo tempo contínuo/descontínuo. O dinamismo no qual está assentado o processo de conhecimento implica em profundas transformações no pensamento geográfico.
Ao comentar o papel da Geografia no futuro da humanidade, Santos M. (2002:262) afirma que “o estudo do espaço exige que se reconheça os agentes dessa obra, o lugar que cabe a
99
“In short, everyone feels himself or herself to be an expert in geography because geography is
experienced by everyone. The same kind of criticism is often levelled at the social sciences generally, on the grounds that all of us experience and deal with human nature. More over recent developments, such as GPS, the Web, and open-source GIS, have reduced the cost of entry into map-making and geographic information collection almost to zero” (Goodchild, 2009:83).
cada um, seja como organizador da produção e dono dos meios de produção, seja como fornecedor de trabalho”. Desse modo, os geógrafos seriam os responsáveis por “pensar, refletir/revelar” o mundo (Carlos, 2002) e dividir suas considerações com o restante da sociedade, enquanto os cidadãos comuns seriam os mais afetados pelas transformações recentes do capitalismo e, por esse motivo, os mais interessados no entendimento destas questões100. Nesse sentido, a divulgação da crítica geográfica pode contribuir para que a organização do espaço ocorra de forma mais democrática, visto que uma população mais engajada com as causas e consequências da ciência moderna é crucial para manter esse projeto de conhecimento próximo dos seus propósitos originais de emancipação e liberdade.
Em terceiro lugar, tomando a Geografia como uma disciplina carente de experiências, subjetividades e humanismos, as práticas de divulgação podem auxiliar na compreensão dos fenômenos espaciais por inserir diversas visões de mundo na produção do conhecimento científico. Segundo Oliveira, L. (2008:6-7)
O Humanismo em Geografia sempre esteve na vanguarda da crítica e negação das tiranias acadêmicas, como o cientificismo, o positivismo e o economicismo, apregoando como valor para a ciência o homem em sua condição humana, tanto como indivíduo (ser) quanto como coletividade (cultura). Por este caminho, a Geografia se abre para as humanidades, as artes e uma perspectiva humana e social da relação homem-meio e sociedade-natureza.
Nesse sentido, considerar o “homem comum”, o “leigo” ou o “não-especialista” no processo de escrita da terra é uma atitude essencial se os geógrafos pretendem relativizar de fato o valor da ciência moderna e das outras formas de conhecimento que a humanidade dispõe. Conforme Nogueira (2009:9), “é preciso fazer uma Geografia que comece pelas experiências 'pré-científicas', pelas experiências de quem vive, percebe e constrói os lugares. Uma Geografia do 'mundo da vida' tal como ela realmente é”. Portanto, essa perspectiva geográfica talvez seja aquela que mais claramente se beneficia dos trabalhos de
100
“Na cidade a luta 'dos sem teto' desloca a luta da esfera produtiva revelando a contradição intrínseca ao capitalismo entre operário e capitalista para a esfera da reprodução da vida em seu sentido mais amplo, com isso revela a reprodução ampliada das relações sociais de produção para além da produção estrita de mercadorias. A luta 'dos sem terra' se realiza questionando a propriedade que permite 'deixar a terra vazia' enquanto uma parcela crescente não tem terra para plantar, logo para viver. Ambas as lutas revelam o processo de deterioração e desintegração da vida colocando em cheque o direito da propriedade privada e as formas de apropriação do espaço enquanto condição de realização da vida seja para a produção do alimento, seja enquanto moradia e tudo o que esta atividade implica para a vida” (Carlos, 2004:11-12).
extensão e, sobretudo, flexão científica, isto é, da incorporação à pesquisa moderna de elementos que o racionalismo objetivista tentou eliminar sem sucesso e que, mais do que nunca, são necessários para se compreender os diversos tipos de relações espaciais que os homens mantêm hoje em dia.
Contudo, uma razão em particular vale para todas as formas de Geografia, pois se refere não apenas a uma ou outra metodologia, mas ao valor do pensamento geográfico de uma maneira geral. De acordo com Moreira (2008a), vivemos atualmente numa sociedade organizada em rede, cujas fronteiras regionais parecem ter se diluído diante da elevação do grau de mobilidade territorial, causado pela propagação das técnicas de transportes e comunicações durante o século XX. Sendo assim, com uma nova forma de organização mundial dos espaços, “ocupar um lugar no espaço” tornou-se uma ordem importante para sujeitos, empresas e instituições de todo tipo. Ao mesmo tempo em que alguns buscam construir alianças e ligações que os levem a um ponto de destaque na rede, outros tentam sobreviver às transformações político-culturais que o mundo vem enfrentando nos últimos anos. Portanto, se a Geografia moderna, enquanto instituição científica fundamental para a organização do espaço, pretende continuar exercendo um papel relevante de diagnóstico, análise e prognóstico das transformações do espaço hoje em dia, os geógrafos precisam elaborar novas formas de ação para manterem o seu lugar em meio a tanta competição: “é preciso se estar inserido num lugar, para se estar inserido na geopolítica da rede. Uma vez localizado na rede, pode-se daí puxar a informação, disputar-se primazias e então jogar-se o jogo do poder” (Moreira, 2008a:165). Que o diga os membros das novas Associações Profissionais de Geógrafos101 (APROGEOs) que estão sendo fundadas em várias partes do Brasil.
Enfim, a divulgação científica pode contribuir imensamente para a Geografia porque ela se constitui, essencialmente, numa forma possível de ação política. Tanto a Geografia Quantitativa, quanto a Geografia Crítica, como a Geografia Humanista (ou qualquer outra Geografia que existir) podem se beneficiar caso seus praticantes integrem
101 “Art. 1o – A Associação Profissional dos Geógrafos no Estado de São Paulo, doravante intitulada APROGEO-SP, fundada nesta data, com duração por prazo indeterminado, é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, com sede provisória na XXXXX (sic) do Estado de São Paulo, congregando os profissionais geógrafos para fins de estudos, coordenação e proteção de seus interesses, bem como, para a participação na formulação de políticas sociais e de desenvolvimento do país, será regida pelo presente Estatuto” (APROGEO-SP, 2004:1-2).
alguma atividade de divulgação às suas agendas normais de trabalho. Cada qual à sua maneira, segundo justificativas e necessidades próprias de cada perspectiva metodológica, pode desenhar propostas e planejar programas que tragam bons frutos para suas pesquisas e para a Geografia como um todo por extensão. No entanto, vale lembrar: não se deve esperar de uma coluna de jornal, de um programa de rádio ou de uma entrevista na televisão, por exemplo, resultados semelhantes àqueles obtidos pela educação formal, pelos cursos de atualização ou por qualquer outro tipo de “transformação” de leigos em semi-especialistas. Conforme Elias Santos e Cleiber Pacífico, coordenadores executivo e de produção da UFMG Educativa, afirmam para todos aqueles que se candidatam à condição de cientistas-colaboradores nesta emissora: “aula é para ser dada na sala-de- aula”. Assim como nos artigos científicos, a comunicação pública da ciência precisa ser feita aos poucos, de acordo com objetivos específicos pré-estabelecidos e justificativas bem estruturadas. Em outras palavras, a divulgação científica não existe para substituir as práticas científicas tradicionais, como as monografias, dissertações e teses, mas para complementar (ou resgatar) a comunicação pública da ciência, reforçando (ou retomando) uma ligação que vem se enfraquecendo há muito tempo e, mais do que nunca, tem um importante papel a cumprir.