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Para Primo (2008), os modelos lineares que separam polos considerados antagônicos (emissor e receptor) precisam ser revistos nos estudos direcionados à comunicação mediada por computadores. Para o autor, a fórmula emissor  mensagem  meio  receptor14 acaba sendo atualizada como webdesign  site 

internet  usuário, sendo descrita como a fórmula da “interatividade” (PRIMO, 2008, p. 11).15

Contudo, é importante destacar que, de acordo com o autor, “mesmo se podendo reconhecer o avanço dessa formulação em contraste com o tradicional modelo informacional e massivo, é preciso denunciar a deficiência da proposta” (PRIMO, 2008, p. 11), tendo em vista que, nessa fórmula, ainda é mantida “a polarização e a supremacia de um extremo, que tem o privilégio de se manifestar, enquanto a outra ponta ainda é reduzida ao consumo, mesmo que agora possa escolher e buscar o que quer consumir”.

Respeitando e concordando com os alertas do autor sobre as deficiências da proposta, arriscamos (re)apresentar a “fórmula da interatividade” de Primo (2008), considerando nosso foco de pesquisa. Assim, a fórmula da interatividade, em nosso estudo seria: gestores estratégicos e responsáveis mais diretos pelas ações de comunicação das organizações  webdesign  portais corporativos internet stakeholders (usuários/interagentes).

Primo (2008) define como interação16 as ações entre os envolvidos nos processos, assim como o relacionamento que se constrói neste ínterim, numa perspectiva denominada pelo autor como sistêmico-relacional, referente a uma abordagem preocupada, basicamente, com o relacionamento entre os interagentes.

14 O autor discute a utilização do termo ‘usuário’, considerando, o reducionista, sob o ponto de vista da comunicação. Afirma que as interações mediadas por computador estão inseridas em contextos que vão além das questões tecnológicas.

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O termo “fórmula da interatividade” é utilizado por Primo (2008, p. 11), dando a idéia de um processo linear. No entanto, o autor menciona que “[...] é importante agora salientar que a abordagem aqui empregada se balizará por uma visão sistêmica, que busca reconhecer a complexidade dos fenômenos em estudo. Não se trata de uma proposta sistematizadora, de pseudo-elegância funcionalista, mas de uma perspectiva que não menospreza a recursividade dos processos relacionais, que não teme o estudo da interação das partes na constituição do todo complexo.”

16 O autor reconhece as seguintes formas de interação, na perspectiva de estudo mencionada anteriormente: clicar em um link; jogar videogame, discussão via e-mails; conversas em chats.

O mesmo autor admite a existência de dois tipos de interação: a mútua e a reativa. A interação mútua é “caracterizada por relações interdependentes e processos de negociação em que cada interagente participa da construção inventiva e cooperada do relacionamento, afetando-se mutuamente” (PRIMO, 2008, p. 57). A interação reativa “é limitada por relações determinísticas de estímulo e resposta” (PRIMO, 2008, p. 57).

No caso dos portais corporativos da Gerdau e da Vale, foi possível perceber, em momentos/movimentos exploratórios da pesquisa, a ocorrência da interação reativa, pois não eram apresentadas alternativas relacionadas à construção mútua e cooperada, mas apenas uma relação de estímulo e resposta. Exemplos desta interação são os diversos links oferecidos com dados das organizações, incluindo seus programas e políticas de responsabilidade social e ambiental e as possibilidades para trocas de e-mail.

Para Recuero (2009, p. 16), a comunicação mediada por computador (CMC), “mais do que permitir aos indivíduos comunicar-se, amplificou a capacidade de conexão, permitindo que redes fossem criadas e expressas nesses espaços: as redes sociais mediadas pelo computador”. Ela menciona que a internet trouxe diversas mudanças para a sociedade; dentre elas considera, como a mais significativa, a possibilidade de expressão e sociabilização, por meio das ferramentas de comunicação mediada pelo computador.17

Essas ferramentas, segundo a autora, proporcionam a construção, a interação e a comunicação entre os atores, deixando rastros na rede de computadores, que permitem o reconhecimento dos padrões de suas conexões e a visualização de suas redes sociais.18

De acordo com Recuero (2009), as redes sociais na internet possuem

17 São exemplos de ferramentas de comunicação mediada por computadores: e-mails, listas de discussão, chats, salas de bate-papo, vídeoconferência, fóruns, websites (portais, hotsites, intranet etc.), newsletters, blogs, comunidades (facebook, orkut, twitter), dentre outras (PRIMO, 2001; CORRÊA, 2008; RECUERO, 2009).

18 Tratando-se de ferramentas de comunicação, a autora afirma que a CMC é um tipo de comunicação que privilegia o texto, muito mais do que o som e o vídeo. Ela ressalta que a mediação pelo computador impõe barreiras tecnológicas para a interação que a comunicação face a face não possui. Assim, sugere que sejam compreendidas as definições de conversação síncrona e assíncrona. A conversação síncrona “se estabelece, normalmente, em um único espaço, onde as interações podem ocorrer em uma identidade temporal próxima, de forma semelhante à conversação face a face” (RECUERO, 2009, p. 120). Permite uma expectativa de resposta imediata ou em uma mesma identidade temporal, como numa sala de chat. A conversação assíncrona, “é aquela que acontece em um (ou mais) espaços, onde as interações ocorrem em uma identidade temporal alargada, mas que se assemelham às conversações na estrutura de trocas entre dois ou mais interagentes” (RECUERO, 2009, p. 120).

elementos característicos, que servem de base para que a rede seja percebida e as informações sejam apreendidas. Estes elementos são os atores (pessoas, instituições ou grupos) e suas conexões (interações ou laços sociais).

Essas redes, que ocupam o chamado ciberespaço, utilizam as mais variadas ferramentas de comunicação. Conforme Recuero (2009), o ciberespaço e as ferramentas de comunicação possuem peculiaridades a respeito dos processos de interação, havendo uma série de fatores diferenciais. Um deles é que os atores não se conhecem imediatamente; não há pistas da linguagem não verbal e da interpretação do contexto da interação.

Outro fator relevante é a influência nas possibilidades de comunicação, pois existe uma multiplicidade de ferramentas que podem ser utilizadas pelos atores, dando suporte a essa interação, assim como fazendo que a interação permaneça, mesmo depois de o ator ter se desconectado do ciberespaço (RECUERO, 2009).

Tendo sido abordados brevemente alguns conceitos que auxiliam na compreensão da comunicação mediada por computadores, aproximamo-nos do tema ‘comunicação organizacional mediada por computadores’. Neste sentido, destacamos que, conforme Barichello (2009), as transformações socioculturais, introduzidas pelas tecnologias da informação e pela comunicação, são utilizadas como suporte para pensar as estratégias interativas mediadas por computador nas organizações contemporâneas.

Para a autora, os meios de comunicação, principalmente aqueles mediados por computador, têm redefinido as bases tecnoculturais, redimensionando as noções de espaço e tempo, permitindo pensar em territórios flexíveis e em novas formas de pertencer ou relacionar-se com uma organização. Esse pressuposto envolve a utilização de novos ângulos de análise, com implicações de ordem teórica e metodológica para a comunicação organizacional.