• Sonuç bulunamadı

Adım 4: Seçim işlemini gerçekleştir ve izleyen nesle kopyala

4.3. Parçacık Sürüsü Optimizasyonu

É longínqua a notícia da organização social em sua forma mais rudimentar, mas a verificação da evolução histórica do Estado significa apontar as formas fundamentais que o Estado tem adotado através dos séculos.

No entanto, adverte Aderson de Menezes que,

[...] os tipos estatais têm os seus cursos em certas ocasiões renovados, repercutindo e refletindo-se os seus característicos em diferentes épocas e em diferentes locais. Não há, por esse motivo, uma regra de sucessão cronológica quanto aos tipos de Estado já aparecidos e existentes na superfície do nosso planeta.205

203BERCOVICI, Gilberto. Soberania e Constituição: para uma crítica do constitucionalismo. São Paulo: Quartier

Latin, 2008. p. 19.

204HINTZE apud BERCOVICI, Gilberto. Soberania e Constituição: para uma crítica do constitucionalismo. São

Paulo: Quartier Latin, 2008.p. 19.

Charles Tilly descreve a trajetória da consolidação dos Estados nacionais ao longo de mil anos de história e identifica que diversas formas de organização política, desde vastos impérios até cidades-estados, passando por federações urbanas, feudos e Estados nacionais, coexistiram e se mostraram eficazes.

Com esta análise, o autor visa enfatizar que não há uma lógica necessária que implique no surgimento de Estados em sua forma contemporânea, e que eles são produto contingente e não planejado dos esforços dos dirigentes políticos para lidar com seus problemas mais imediatos, relativos à escassez e, principalmente, à segurança, e não uma inevitabilidade histórica ou resultado da ação consciente de governantes.

Para Charles Tilly, as formas de governança encontradas entre os séculos XV e XVI podem ser ilustradas a partir das diversas combinações de capital e coerção encontradas em cada sociedade. Os processos de acumulação e concentração de capital determinam o aparecimento de cidades. Os processos de acumulação e concentração de meios de coerção produzem Estados.

A história diz respeito ao capital e à coerção. Narra os recursos que os aplicadores de coerção, que desempenharam um papel importante na criação dos Estados nacionais, extraíram, para os seus propósitos, dos manipuladores de capital, cujas atividades geraram as cidades. […] combinações diferentes de capital e coerção produziram tipos muito distintos de estado.206

Nesse processo, cada Estado se viu diante de desafios específicos e os enfrentou segundo os meios disponíveis. A combinação dessas circunstâncias contingentes define diferentes trajetórias de construção estatal.

Para Gilberto Bercovici,

A própria noção de Estado não é universal e a história, pelo contrário, serve para designar a forma política específica que surge na Europa no decorrer do final da Idade Média e que, sob determinadas condições, se espalha para outras regiões do mundo posteriormente. [...] No entanto, a pesquisa histórica sobre o Estado dá muitas vezes, mais preferência à história das idéias do que ao questionamento do Estado como objeto de estudo em sua dimensão propriamente histórica.207

Neste contexto, ao se questionar o momento em o Estado passa a ter o sentido compatível com a noção moderna, Raquel Kritsch explica que,

206TILLY, Charles. Coerção, capital e Estados europeus: 1990-1992. Tradução de Geraldo Gerson de Souza.

São Paulo: Universidade de São Paulo, 1996. p. 63.

Trata-se de saber não a data de nascimento do Estado moderno, seja qual for a sua descrição tipológica, mas de identificar um movimento histórico bem determinado. Esse movimento ocorre segundo ritmos diferentes em diferentes locais (na Inglaterra e no continente, para tomar uma distinção bem visível) e os arranjos de poder não se dão da mesma forma em toda parte. No entanto, é possível mostrar, em todos os casos, características comuns de um processo de reordenação política. Essa reordenação é constitutiva do que hoje chamamos “Estado”. A ordem gestada por esse processo é o que aqui se designa como “compatível com a noção moderna” (grifo da autora).208

O Estado oriental, correspondente à Idade Média, tem como característica a teocracia, ou seja, o poder político é a expressão do poder religioso, e a forma monárquica absoluta com a redução dos direitos e garantias individuais. Os grandes confrontos políticos entre papas, imperadores e reis diziam respeito não só à definição de áreas de influência e à divisão de funções, como também ao poder de legislar.

É grande a divergência de pensamento sobre a existência de uma unidade política durante o período medieval.209 No entanto, Joseph Strayer propõe três condições essenciais à constituição do Estado a partir das formações medievais:

1) o aparecimento de unidades políticas persistentes no tempo e geograficamente estáveis; 2) o desenvolvimento de instituições duradouras e impessoais; 3) o surgimento de um consenso quanto à necessidade de uma autoridade suprema e a aceitação dessa autoridade como objeto da lealdade básica dos súditos.210

O Estado grego era representado pela polis ou cidade, o território era diminuto, originária do culto dos antepassados e fundada sobre uma religião.

A democracia grega baseava-se numa concepção de liberdade distinta da liberdade do pensamento constitucional do século XVIII. A liberdade para os gregos era a prerrogativa conferida aos cidadãos de participar das decisões políticas. Não significava liberdade-autonomia, entendida como independência individual em face do Estado. O absolutismo da polis absorvia a liberdade individual. A cidade-estado era uma parte essencial da vida humana. O cidadão deliberava em praça pública sobre as questões políticas, tratados ou alianças com estrangeiros; votava as leis, examinava contas, enfim, participava do processo político.211

O Estado romano assemelha-se ao grego, constituído com base no agrupamento da família e no culto dos antepassados. Com o surgimento do Império, o Poder Público é visto

208KRITSCH, Raquel. Rumo ao Estado moderno: as raízes medievais de alguns de seus elementos formadores. Revista de Sociologia e Política, n. 23, p. 103-114, 2004. p. 104.

209“Falar hoje em „Estado‟ para transportar o conceito às sociedades que não o conheceram, na Antiguidade,

Idade Média ou fora da Europa, não é possível” (BÖCKENFÖRDE apud BERCOVICI, Gilberto. As

possibilidades de uma teoria do Estado. Coimbra: Revista de História das Idéias, 2005. v. 26, p. 7.).

210STRAYER apud KRITSCH, Raquel. Rumo ao Estado moderno: as raízes medievais de alguns de seus

elementos formadores. Revista de Sociologia e Política, n. 23, p. 103-114, 2004. p. 104.

como supremo, compreendendo o poder de mandar (imperium), o poder modelador e organizador (potestas), e a grandeza e a dignidade do poder (majestas).

Embora os limites cronológicos da História sejam questionáveis tem-se que o período

medieval“vai desde a queda do Império Romano do Ocidente (395), ou a queda do Império Romano do Oriente (476), até a tomada de Constantinopla pelos turcos (1453), ou o descobrimento da América (1492)”.212

Prevalece, neste período, uma concepção patrimonial e fragmentária do poder. A polis dá lugar ao regnum, caracterizado pelo domínio de um príncipe. A cristandade se afirma, mas a recusa de submissão do Papa às ordens do Imperador enseja inúmeros conflitos.

No Estado moderno, o poder político passa a ser uno, concentrado na pessoa do rei. O Estado passa a corresponder à nação. No plano religioso, a autoridade do Papa é contestada pela Reforma e no plano econômico, verifica-se a ascensão da burguesia, com desenvolvimento do capitalismo.

Com o advento do liberalismo econômico e político, nasce no século XVIII o Estado Constitucional na França, denominado Estado de Direito na Alemanha, dando ensejo ao aparecimento das Constituições escritas e a separação dos poderes, limitadores da ação do poder.

A partir do final do século XI, porém, novas condições começaram a marcar a vida política e social, caracterizada pela difusão do cristianismo, na qual a Igreja tinha alguns dos atributos do Estado, além de influenciar diretamente a política secular, pelo envolvimento do clero nos negócios públicos e pela atribuição, aos governantes, da obrigação de garantir a paz e a justiça entre os súditos. Tais exigências implicavam no desenvolvimento de instituições judiciais e administrativas.

212

Destaca-se, ainda, a estabilização da Europa, depois de longo período de migrações, invasões e conquistas,

Essa crescente estabilidade política veio dar lugar ao aparecimento de uma das condições essenciais para a constituição do Estado, a continuidade no tempo e no espaço. Pelo simples fato de manterem-se de pé, alguns reinos e principados começaram a adquirir solidez. Certos povos, ocupando determinadas áreas, permaneceram, durante séculos, integrados em um mesmo conjunto político. [...] E os governantes de reinos e principados que se mantinham no espaço e no tempo tinham oportunidades e incentivos para desenvolver instituições permanentes.213 A estabilização, acompanhadas e reforçadas pelo aumento da produção agrícola, do comércio e das atividades urbanas, gerou condições para a implantação de padrões mais sólidos de segurança interna e externa, fundados em instituições judiciais e financeiras mais eficazes, mais complexas e crescentemente centralizadas.

Na Inglaterra do final do século XIII, priorizou-se, os sentimentos de lealdade em relação à Igreja, à comunidade e à família, em relação ao sentimento de lealdade ao Estado.

A administração da justiça e a das finanças surge como fatores essenciais à formação do Estado e a burocratização cresce em decorrência da necessidade de controle das províncias anexadas. A mudança foi mais significativa na Inglaterra do que na França, primeiro Estado continental a constituir-se a partir de províncias independentes e com instituições muito diferenciadas.

Ainda no século XIII, o poder efetivo do imperador pouco significava nos principais reinos em formação e a Igreja encarregava-se de pôr em xeque esse poder sempre que podia.

Historicamente, no entanto, imperadores e papas disputaram, às vezes com muito sangue vertido, o poder em todas as suas formas, temporais e espirituais. Também essa disputa serviu para fecundar o pensamento político e jurídico, especialmente entre os séculos XII e XIV, mas dela não resultou, senão de maneira indireta, a destruição da idéia de uma comunidade universal dos cristãos.214

Além dos elementos institucionais, a definição de fronteiras geográficas estáveis e o surgimento de instituições impessoais e burocratizadas (Fisco, Tribunais, etc.) seriam de grande relevância para a formação do Estado moderno. Seu processo de constituição incluiu também elementos de tipo ideológico, como, por exemplo, a concentração no Estado do sentimento de lealdade básica dos súditos.

213STRAYER apud KRITSCH, Raquel. Rumo ao Estado moderno: as raízes medievais de alguns de seus

elementos formadores. Revista de Sociologia e Política, n. 23, p. 103-114, 2004. p. 105.

214KRITSCH, Raquel. Rumo ao Estado moderno: as raízes medievais de alguns de seus elementos formadores. Revista de Sociologia e Política, n. 23, p. 103-114, 2004. p. 106.

Outro desses elementos ideológicos constitutivos do Estado moderno é a consolidação da noção de “soberania”, que começou a desenvolver-se a partir dos intermináveis conflitos de jurisdição entre papas, reis e imperadores, que dominaram os séculos finais do medievo.

Essa noção nascente de soberania tornar-se-ia em muito pouco tempo o atributo definidor do Estado moderno – mais tarde intercambiavelmente denominado Estado territorial soberano, ou simplesmente Estado soberano. Isto é, a idéia de soberania passaria a estar indissoluvelmente vinculada àquele Estado cuja característica é ser o detentor da jurisdição exclusiva sobre um determinado território, como formulariam os pensadores políticos modernos.215

Em suas considerações, Gilberto Bercovici lembra que Maurizio Fioravanti216 considera a soberania como a “origem da constituição moderna, com a sua pretensão de destacar um núcleo rígido e inalterável do poder político, contrapondo-se à noção tradicional de constituição mista predominante a Idade Média”.217

A ascensão do “Estado moderno”, como um Poder Público que constitui a suprema autoridade política dentro de um território na Europa Ocidental está relacionado ao desenvolvimento institucional que toma forma no final do século XV, culminando com a ascensão do absolutismo e do capitalismo.

Os séculos seguintes, XVI e XVII, são marcados por uma sucessão de grandes guerras e conciliações que redimensionam as instituições com inovações trazidas pela Itália renascentista e consolidam o paradigma político da modernidade. Neste processo, as cidades medievais e os feudos são incorporados em estruturas políticas maiores, ao tempo em que as potenciais universalidades do Papado e do Império são definitivamente rompidas. O resultado será o sistema europeu de Estados soberanos.

A Paz de Vestfália, o grande acordo de paz que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos, é doutrinariamente apontada como o marco da diplomacia moderna, pois deu início ao sistema moderno do Estado-nação, reconhecendo, de forma inédita, a soberania dos Estados envolvidos. Instituiu uma nova estrutura política, substituindo o projeto de um império continental dinástico por uma sociedade de Estados soberanos.

215KRITSCH, Raquel. Rumo ao Estado moderno: as raízes medievais de alguns de seus elementos formadores. Revista de Sociologia e Política, n. 23, p. 103-114, 2004. p. 106.

216Em sentido contrário, Martin Kriele difundiu a ideia de não há poder que possa criar e violar o Direito dentro

do Estado constitucional, mas sim de que há poderes com competências limitadas pelo Direito Constitucional pré-existente. Vide KRIELE apud BERCOVICI, Gilberto. Soberania e Constituição: para uma crítica do constitucionalismo. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 19.

É após o advento da Revolução Americana, de 1776, da Declaração da Constituição dos Estados Unidos da América do Norte, em 1787, e da Revolução Francesa, em 1789, com sua Constituição de 1793, que o pensamento jurídico-político ocidental amadureceu a ideia de organização política, tendo por base uma constituição formal que estabelecesse os princípios reguladores de uma determinada formação social.

Segundo Gilberto Bercovici,

Em 1789, constituição e revolução coincidem. A concretização da revolução é a constituição. Com a perpetuação do estado revolucionário, tornam-se incompatíveis. [...] Na passagem do estado revolucionário para o estado ordinário, se fez necessária a função ordenadora e estabilizadora da constituição.218

Na modernidade, a Constituição assume também um caráter formal como determinação jurídica de limitação do poder real; as Constituições surgem com o objetivo de se estabelecer leis em que todos se obriguem ao cumprimento do firmado mediante uma legislação exterior, isto é, de leis do rei para leis do reino.

A Constituição deixa de representar forma de governo para firmar-se como um conjunto de princípios a constituir um Estado, dentro dos limites de sua ação, assumindo, por fim, o sentido de um grande contrato social, em que a soberania passa a ser exercida pelo poder estatal, sem implicações pessoais.

Para Valéria Ribas do Nascimento,

Com a formação do Estado Moderno rompeu-se a dominação medieval e a fragmentação do poder foi, gradativamente, substituída pela institucionalização do poder, o que implicou o abandono das doutrinas filosóficas vigentes até o momento. [...] Nessa sequência, o Estado assume uma roupagem absolutista, posteriormente liberal, até chegar ao Estado contemporâneo e suas diversas faces (Estado Social e Estado Democrático de Direito).219

Segundo Jean Bodin, o conceito de Estado e, também, o de soberania só se afirmaram no século XVI, com o triunfo do absolutismo. A opinião é bastante antiga, mas encontrou defensores em autores contemporâneos como Hermann Heller.220

218BERCOVICI, Gilberto. Soberania e Constituição: para uma crítica do constitucionalismo. São Paulo: Quartier

Latin, 2008. p. 158.

219NASCIMENTO, Valéria Ribas do. A filosofia hermenêutica para uma jurisdição constitucional

democrática: fundamentação/aplicação da norma jurídica na contemporaneidade. Revista de Direito GV, v. 5, n. 1, p. 147-168, 2009. p. 149.

220Vide HELLER, Hermann. Teoria do Estado. Tradução de Lycurgo Gomes da Motta. São Paulo: Mestre Jou,

Para Heller o surgimento do poder estatal monista não ocorreu de forma igualitária em todas as nações, quer seja em relação às formas, quer seja em relação às etapas de sua criação. Como ressalta o autor, “as origens propriamente ditas do Estado moderno e das idéias que a ele correspondem devem procurar-se, não obstante, nas cidades-repúblicas da Itália setentrional na época da Renascença”.221

Dessa forma, e como consequência da concentração dos instrumentos econômicos, burocráticos, militares, em uma unidade de ação política, tem-se um monismo de poder que até então não existia. O Estado, assim, “não é mera soma de setores ou órgãos, estes devem ser compreendidos em sua totalidade, e especificidade estatais”.222

Heller, citando Max Weber, assinala que,

A evolução levada a efeito, no aspecto organizador, para o Estado moderno, consistiu em que os meios reais de autoridade e administração, que eram domínio privado, se transformassem em propriedade pública e em que o poder de mando que se vinha exercendo como um direito do indivíduo se expropriasse em benefício do príncipe absoluto primeiro e depois do Estado.223

Por conseguinte, no início da Idade Moderna, à nova instituição monista surgida na figura do Estado, coube organizar diversas atividades que, até aquele momento, cabiam exclusivamente à família, à Igreja ou às instituições locais, “tanto na sua generalidade como no seu aspecto econômico-técnico, com a administração de justiça e com o cultural, sobretudo de caráter pedagógico”.224

Assim, se faz necessário organizar um sistema impositivo de normas, com o objetivo de obter recursos para a sustentação do aparato burocrático e do exército, essencial à manutenção da ordem. Nesta organização moderna, que passou-se a chamar de Estado, não há espaço para o enriquecimento privado por meio de recursos públicos.

Na visão helleriana, “[...] No Estado moderno, os governantes e os membros da Administração não têm propriedade dos meios administrativos e estão completamente excluídos de todo aproveitamento privado das fontes de impostos e das regalias”.225

221HELLER, Hermann. Teoria do Estado. Tradução de Lycurgo Gomes da Motta. São Paulo: Mestre Jou, 1968.

p. 161.

222BERCOVICI, Gilberto. As possibilidades de uma teoria do Estado. Coimbra: Revista de História das Idéias,

2005. v. 26, p. 8.

223WEBER apud HELLER, Hermann. Teoria do Estado. Tradução de Lycurgo Gomes da Motta. São Paulo:

Mestre Jou, 1968. p. 163.

224HELLER, Hermann. Teoria do Estado. Tradução de Lycurgo Gomes da Motta. São Paulo: Mestre Jou, 1968.

p. 164.

Para Hermann Heller, desde o nascimento do Estado nacional liberal no século XIX, a teoria geral do Estado considerou como essencial para a organização dos Estados os seguintes elementos: a condição geográfica, a relacionada com o povo, a divisão econômica em classes, a opinião pública e o Direito.

É necessário que tais condições sejam analisadas de maneira conjunta, sempre de forma harmoniosa. A inter-relação entre todas essas condições é essencial para a concepção de uma unidade estatal.

Heller cita a necessidade do elemento espiritual animador, “dentre as inumeráveis conexões cósmicas aparecem em um primeiro plano, para a teoria e a prática da política atual, duas condições naturais: as condições geográficas e antropológicas do dever de agir”.226

No tocante aos aspectos geográficos, tem-se que não podem ser considerados um fator político, mas sim uma condição natural, com a sua devida importância, “da atividade política da população, que segue as suas próprias leis e pode influir sobre o seu território, assim como de acordo com os seus fins políticos, transformá-lo em grande medida”.227

Nesse contexto, é claro o fato de que, nem sempre as fronteiras políticas de um Estado são assinaladas de maneira exclusiva pela natureza, uma vez que a atuação do Estado é decisiva para a definição desses limites geográficos.228“A fronteira, como linha de separação, corresponde ao ideal jurídico de evidência e precisão que reclamam uma população mais densa e o Estado monocrático da Idade Moderna”.229

Em síntese, sobre o aspecto geográfico como condição para a unidade estatal,

Evidentemente, as relações do estado como espaço são muito importantes; além disso, porém, nos tem feito ver com plena clareza que as circunstâncias geográficas do espaço não podem explicar, por si sós, nem a unidade nem a peculiaridade de um Estado. Nenhum fato geográfico tem importância política com independência do labor humano. Não se pode conceber a unidade e a individualidade do Estado partindo unicamente das características do seu território, mas tão-somente, da cooperação da população sob as condições dadas de espaço, isto é, apenas

226HELLER, Hermann. Teoria do Estado. Tradução de Lycurgo Gomes da Motta. São Paulo: Mestre Jou, 1968.

p. 175.

227Ibid., p. 177-178.

228Vale citar Pasquale Stanislao Mancini (1874), tratar das condições naturais e históricas como elementos para

caracterização da nacionalidade. “Condições naturais e históricas, o próprio território comum, a

Benzer Belgeler