2.3. Kişiler Dünyası
2.3.1. Kadın Karakterler
2.3.1.2. Sultanlar
2.3.1.2.1. Padişahın Kızı/Kardeşi Olan Sultanlar
Após a coleta dos dados, foi realizada uma análise dos dados encontrados nas entrevistas, no questionário, no material produzido durante os encontros, no diário de campo e no relato escrito dos professores, buscando articular os ditos anteriores e posteriores às intervenções pedagógicas, com o intuito de verificar as convergências e divergências dos modos identificados de ver a geometria e seu ensino para melhor compreender as concepções dos professores sobre a geometria. No esforço para se obter uma maior compreensão do fenômeno em estudo, foi utilizada a análise textual discursiva que, segundo Moraes e Galiazzi (2011, p. 11), visa “aprofundar a compreensão dos fenômenos que investiga a partir de uma análise rigorosa e criteriosa (MORAES; GALIAZZI, 2011, p. 14)”. O processo de análise textual discursiva descrito a seguir foi fundamentado de acordo com os autores Moraes e Galiazzi (2011), que defendem este tipo de análise como um processo de compreensão, em que novos entendimentos emergem a partir de uma sequência de três componentes:
3.5.1 Desmontagem dos textos
Antes de iniciar a desmontagem dos textos, foi necessário conhecer o “corpus”, ou seja, o conjunto de documentos da pesquisa. Portanto, realizei uma leitura de todo o material coletado, que de um modo geral foram produções escritas (as entrevistas foram transcritas), mas que devem ser entendidas num sentido mais amplo, abrangendo imagens, expressões. Houve um sétimo professor, com quem realizei a pré-entrevista, contudo ela não participou dos outros momentos, portanto essa entrevista não foi considerada na análise.
Foi ainda necessário assumir que “toda leitura já é uma interpretação e que não existe uma leitura única e objetiva” (MORAES; GALIAZZI, 2011, p. 14) , pois a partir de um texto, é possível construir múltiplos significados e isso depende da perspectiva teórica do pesquisador, que atribui significados ao texto de acordo com seus conhecimentos, intenções e teorias.
“Assumindo, contudo, que todo dado torna-se informação a partir de uma teoria, podemos afirmar que “nada é realmente dado”, mas tudo é construído” (MORAES; GALIAZZI, 2011, p. 17).
A partir do reconhecimento do “corpus” e da tomada de consciência de que a teoria teve influência na interpretação dada por mim, realizei a desconstrução e unitarização dos textos, que foi um momento de impregnação aprofundado e de intenso contato com o material de análise, um envolvimento essencial para a emergência de novas compreensões. Este processo consistiu em decompor o texto em partes, produzindo uma desordem e destacando os elementos que o constituíam, dando ênfase aos detalhes, buscando perceber os sentidos dos textos, possibilitando a construção de uma nova ordem.
A partir desse processo, surgiram as unidades de significado que foram marcadas com um código para que não se perdesse a sua origem e organizadas em categorias. As unidades de significado foram reescritas para que mantivesse seu sentido fora do contexto e explicitassem claramente a ideia dos sujeitos de pesquisa, dentro do seu contexto de produção, mas não significa que somente foram consideradas as ideias explícitas no texto, pois foi possível realizar interpretações buscando sentidos implícitos nos textos.
Este processo de análise foi exigente e trabalhoso e somente se assim fosse considerado seria possível atingir o rigor e a qualidade que se espera desta pesquisa qualitativa.
3.5.2 Estabelecimento de relações
A partir de uma análise e comparação das unidades de significado, realizei uma categorização, agrupando-as de acordo com a semelhança de seus elementos, nomeando-as. Por meio das categorias, foi possível produzir descrições e interpretações para as novas compreensões do fenômeno investigado. Neste momento, produzi uma síntese do que foi analisado, construindo uma nova ordem.
Algumas categorias foram produzidas “a priori” de acordo com a teoria que fundamenta essa investigação com vistas a responder as questões investigadas. Esse método é chamado dedutivo. De qualquer forma, surgiram outras categorias ou subcategorias que não as estabelecidas por mim e que foram levadas em conta, pois considerei que eram relevantes no resultado da pesquisa. Esse é o método indutivo. Moraes e Galiazzi (2011) afirmam que a indução auxilia a aperfeiçoar um conjunto prévio de categorias produzidas por dedução.
Assim que as categorias estavam definidas, iniciei o processo de explicitação das relações, construindo um argumento aglutinador do todo.
O propósito da análise textual discursiva foi focalizar o todo por meio das partes, portanto implicou em um exercício de superação do reducionismo, levando em conta os limites impostos pela linguagem, exercitando um diálogo entre o todo e as partes. Além disso, fazer uma investigação utilizando este tipo de análise significa assumir uma atitude fenomenológica, permitindo a manifestação dos fenômenos, sem direcionar-lhes.
3.5.3 Captando o novo emergente
Partindo da análise das categorias e estabelecendo relações entre elas, elaborei um metatexto, que é um texto constituído de descrição e interpretação, dando significado, ou seja, teorizando as ideias a respeito dos fenômenos investigados, estabelecendo uma relação entre os dados encontrados e a teoria que fundamenta esse estudo.
Cada etapa da análise foi cumprida rigorosamente com base na realidade empírica, procurei assumir-me como pesquisadora, posicionando-me diante das interpretações realizadas, sendo autora de argumentos e manifestando-me dentro dos referenciais teóricos, procurando assim, garantir a qualidade desta produção.
Explicitado como foi desenvolvida essa pesquisa, no capítulo seguinte apresentarei os resultados encontrados após todo o processo de análise dos dados coletados.
4 A ANÁLISE DOS DADOS
Os dados são resultantes das entrevistas, do questionário, do material produzido durante os encontros, das reflexões escritas, do diário de bordo do pesquisador, com vistas a encontrar respostas para a pergunta que deu origem à pesquisa. A questão que a análise dos dados pretende responder é: “quais são as concepções que professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental possuem sobre a geometria e como isso influencia sua prática pedagógica”?
Analisar os dados que emergiram do levantamento de campo é uma tarefa que exige do pesquisador “tempo de reflexão e dedicação para se tirar o máximo de ideias de cada resposta obtida” (GOLDENBERG, 2009, p. 92). Portanto, procurou-se a fidelidade às informações obtidas dos sujeitos da pesquisa. Ao mesmo tempo, tentou-se articular essas informações com o referencial teórico.
Para expressar por meio da escrita os conhecimentos construídos, “[...] uma vez que o escrever é um modo de construção de maior compreensão sobre os fenômenos investigados” (MORAES, GALIAZZI, 2011, p. 94), esse capítulo está organizado em três categorias que foram estabelecidas a priori: aproximações com o pós-construtivismo, conhecimento geométrico dos professores e concepções pré e pós as intervenções pedagógicas; a partir dessas emergiram subcategorias e novos saberes.