A partir da análise de cada verbo presente no corpus de estudo, pudemos elaborar tabelas com as frequências de ocorrências de cada um dos verbos que funcionam como processos verbais (anexo 1), mostrando sua distribuição em números absolutos e em porcentagem comparativamente entre os artigos das áreas de Administração de Empresas e Engenharia.
De acordo com o descrito no capítulo Metodologia, na análise iniciamos dividindo os processos verbais na Administração e Engenharia (Anexo 1) começando pelo Processo Verbal mais frequente, em grupos de 8, até o número 32. Essa delimitação corresponde a cerca de 90% dos processos verbais em cada área (8498 ocorrências do total de 9536 na Administração e 6926 do total de 7411 na Engenharia).
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A seguir, temos os 4 grupos, resultantes da divisão dos 32 processos verbais. Vale a pena ressaltar que o critério de frequência de ocorrência adotado, como já descrito na Metodologia, ordena os grupos pela sequência de ocorrência na Administração.
Grupo 1 – Processos Verbais apresentar, observar, identificar, definir, estabelecer, propor, verificar e mostrar.
Grupo 2 – Processos Verbais apontar, destacar, sugerir, citar, afirmar, demonstrar, ressaltar e dizer.
Grupo 3 - Processos Verbais tratar, revelar, explicar, discutir, referir, evidenciar, abordar e confirmar.
Grupo 4 - Processos Verbais constatar, mencionar, descrever, concluir, expressar, argumentar, falar e relatar.
3.1.1 Grupo 1 – Processos Verbais apresentar, observar, identificar, definir, estabelecer, propor, verificar e mostrar.
O primeiro grupo de processos analisados está na Tabela 4 abaixo:
PROCESSO Posição Número de ADMINISTRAÇÃO ENGENHARIA
Ocorrências % de Ocorrências em relação ao Corpus Total Posição Número de Ocorrências % de Ocorrências Apresentar 1 778 8.16 2 1007 13.59 Observar 2 594 6.23 1 1197 16.15 Identificar 3 560 5.87 8 203 2.74 Definir 4 463 4.86 6 413 5.57 Estabelecer 5 427 4.48 7 207 2.79 Propor 6 395 4.14 5 415 5.60 Verificar 7 383 4.02 4 497 6.71 Mostrar 8 370 3.88 3 992 13.39 TOTAL 3970 41.64 4931 66.54
TOTAL geral do Corpus 9536 100 7411 100
Tabela 2: Posição, frequência e porcentagem de ocorrência dos Processos do Grupo 1.
O primeiro aspecto observado nesse agrupamento, o fato de os oito primeiros processos verbais mais frequentes serem comuns às duas áreas,
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embora ocorrendo com frequências diferentes, permite-nos perguntar se seriam mais frequentes em qualquer área, podendo ser caracterizados como verbos gerais do corpus.4
Esses verbos gerais são aqueles que podem assumir significados diferentes quando associados aos contextos e co-textos em que se inserem e são encontrados nas primeiras posições de frequência de ocorrência, não sendo característicos de especificidades de uma área de estudo ou outra. Vejamos exemplos abaixo com o processo verbal apresentar, primeiro mais frequente na Administração e segundo na Engenharia:
Ex.13 (Adm): A Tabela 10 apresenta um resumo importante desses dados. Ela contém a média geral de cada fator proposto como crítico para o sucesso na implantação do processo e seu intervalo estatístico para o nível de 95% de confiança.
O padrão de uso de apresentar do exemplo acima poderia estar em qualquer uma das duas áreas dessa pesquisa, e possivelmente, em muitas outras áreas. Neste exemplo, apresentar está funcionando como um processo verbal, com o objeto de estudo personificado na posição de dizente (“A Tabela 10”), seguido de uma verbiagem – o nome do que é dito (“um resumo importante desses dados”).
Vejamos o exemplo 14 abaixo:
Ex.14 (Eng): Este trabalho também apresentou modelos de programação inteira para um problema que ele definiu como projeto de sistemas de montagem flexíveis.
Da mesma maneira, temos outro exemplo no qual o verbo apresentar é um processo verbal, com o objeto do estudo personificado na posição de dizente (“Este trabalho”), seguido de uma verbiagem – o nome do que é dito (“modelos de modelos de programação inteira para um problema que ele definiu como projeto de sistemas de montagem flexíveis.”).
Os usos acima são equivalentes, mudando-se somente o assunto de que tratam, ou a área em que se inserem, podendo classificar apresentar como um
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verbo de uso geral, o qual pode ser utilizado em várias áreas diferentes, realizados de maneira semelhante.5
Apresentar aparece em primeiro lugar na Administração, com 778
ocorrências (8,16%) e em segundo lugar na Engenharia, com 1007 ocorrências (13,59%). A diferença em valores percentuais entre os dois processos é alta.
Apresentar aparece na Engenharia com 30% mais ocorrências do que na
Administração. Na Administração, apresentar aparece em estrutura predominantemente na forma “dizente + processo + verbiagem”. Na posição de dizente encontramos um objeto de estudo personificado, como, o quadro, a tabela, o resultado, a pesquisa. Na Engenharia, apresentar aparece na mesma estrutura “dizente + processo + verbiagem” e também encontramos na posição de dizente um objeto de estudo personificado, tais como, o resultado, a tabela, o quadro, o procedimento. No corpus desta pesquisa, nos artigos de Engenharia encontramos muitos mais quadros, tabelas, resultados e procedimentos do que na área de Administração, que precisam ser explicados durante o desenrolar do texto, o que pode explicar a ocorrência de apresentar com frequência mais alta do que na Administração, por conta tanto das características dedutivas da Engenharia, que “expõe, demonstra, cita como justificativa, divulga, expressa, manifesta (falando de pessoa ou coisa)” (Houaiss 2012) resultados de observações do que a Administração, quanto por conta do significado cristalizado desse verbo6, denominado geral nessas duas áreas de estudo.
Observar está em posições opostas nas duas áreas, aparecendo em
segundo lugar na Administração, com 594 ocorrências (6,23%) e em primeiro lugar na Engenharia, com 1197 ocorrências (16,15%).
Observar, sinônimo de “fazer uma observação científica de (algo); olhar, fitar com atenção e minúcia, buscando chegar a um julgamento, a uma conclusão; constatar, perceber, notar, considerar, verificar” (Houaiss, 2012) aparece duas vezes mais na Engenharia do que na Administração. Esse fato
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O primeiro exemplo com apresentar foi retirado do corpus de Administração (arquivo nomeado como sigmafatores.txt) e o segundo exemplo com o processo apresentar foi retirado da Engenharia (arquivo nomeado como (reconfdinam.txt)
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pode ser explicado também pela natureza das áreas estudadas. A Engenharia, ciência de dedução (conforme exposto no capítulo Metodologia), tem como uma de suas características principais, a observação de condições, experimentos ou operações para mostrar ou demonstrar ou validar, ou não, resultado de uma experiência ou um processo. Vejamos exemplos de observar:
Ex.15 (Adm): Lima (1999) observa que a proposta trazida pelo projeto EdC não encontra suporte naquela teoria que pressupõe, entre outras coisas, a atuação de indivíduos e empresas na busca de minimização dos custos relacionais a partir da regulação por contratos. (adap15.txt). Ex.16 (Eng): Os autores observam que o limite inferior difere não mais que uma unidade de F(G) em todas as instâncias para as quais F(G) é conhecido, a menos de uma dessas instâncias (myciel7), onde a diferença é de duas unidades. (algoriteng.txt).
Tanto na Administração quanto na Engenharia, observar aparece em estruturas predominantemente na forma dizente + processo + oração projetada por hipotaxe. Nos exemplos acima, encontramos na posição de dizentes Lima e os autores, como vozes externas para apoiar o que é dito, trazendo mais argumentos de validade ao texto. Os autores dos textos trazem para suas proposições outras vozes que embasam o que está sendo discutido no texto e orientam o texto no sentido de, por meio das observações de outros autores e estudiosos, validarem seu posicionamento e a importância dos assuntos tratados nos textos. Além disso, quando há a presença de um dizente que seja o próprio autor ou que seja uma ou mais vozes externas, notamos que a importância dada a quem diz parece ser maior do que a importância do resultado do trabalho. Quando usamos a tabela, o gráfico, o resultado na posição de dizente, maior importância é dada ao resultado do estudo, que assume o papel de um falante, do que a qualquer dizente consciente propriamente dito. Com observar, portanto, em ambas as áreas, é mais importante quem realizou a observação, já conhecida por estar relacionada com o tema ou trabalho da área.
Também é comum às duas áreas, em predominância, a presença de oração projetada por hipotaxe em posição posposta ao processo, reportando o
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que foi observado pelos dizentes. Na reportagem, o conteúdo do que é dito é reportado ao leitor usando-se as palavras do dizente, apresentando, como nos exemplos acima, o resultado do que foi observado.
Identificar, terceiro colocado na Administração, com 560 ocorrências
(5,87%) aparece na oitava posição na engenharia, com 203 ocorrências (2,74%), apesar de estar no grupo dos processos verbais gerais do corpus, apresenta grande diferença em frequência de ocorrências entre as duas áreas. Identificar, sinônimo de “fazer-se reconhecer; distinguir os traços característicos de; reconhecer” (Houaiss, 2012) aparece na Administração em estruturas predominantemente na forma de dizente + processo + verbiagem, conforme exemplo abaixo:
Ex.17 (Adm): Por fim, Walle (2002) identifica duas macro-orientações: mental e social e fora pequenas redundâncias, percebe-se que, ao invés de se excluírem, tais classificações se complementam. (adap09.txt)
Como uma ciência indutiva, a identificação de modelos, fenômenos, posicionamentos, percepções e outros argumentos que corroborem ou não resultados alcançados, são muito mais presentes e recorrentes na Administração do que numa área dedutiva, como a Engenharia. Como no exemplo acima, Walle identifica duas macro regiões de estudo para posteriormente chegar a algum resultado sobre as investigações.
Na Engenharia, identificar aparece em estruturas predominantemente na forma objeto personificado na posição de dizente + processo + verbiagem, conforme exemplo a seguir:
Ex.18 (Eng): O trabalho realizado permitiu identificar o comportamento mecânico do compósito constituído de cimento Portland branco e uma fase polimérica termorrígida. (propsmecs.txt).
Identificar aparece como resultado do processo de dedução na
Engenharia enquanto na Administração aparece durante o processo de indução para se chegar à conclusão.
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O quarto colocado na Administração, o processo verbal definir, com 463 ocorrências (4,86%), está na 6ª posição na Engenharia, com 413 ocorrências (5,57%), com menos de 1 ponto percentual de diferença de frequência de ocorrência entre as duas áreas.
Tanto na Administração como na Engenharia, definir aparece em estruturas predominantemente na forma de dizente consciente + processo + verbiagem, conforme exemplos abaixo:
Ex.19 (Adm): Cooper-Hakim e Viswesvaran (2005) definem o comprometimento com a carreira como dedicação ou compromisso de uma pessoa com sua profissão, ocupação ou carreira. (carreiraadm.txt).
Ex.20 (Eng): Becker & Scholl (2006) definem o GALBP como um problema em que um ou mais dos pressupostos básicos do SALBP não estão presentes. (reconfdinam.txt).
Definir pode ser considerado um verbo geral, não apresentando
diferenças significativas de frequência de uso e de realização nas duas áreas de estudo.
Na quinta colocação em Administração temos o processo estabelecer (427 ocorrências), classificado em 7º lugar na Engenharia (207 ocorrências).
Sinônimo de “por em vigor; criar, instituir; começar; instaurar; indicar, determinar” (Houaiss, 2012), na Administração estabelecer aparece relacionado a padrões, diretrizes, estruturas, objetivos, paradigmas, sistemas, como no exemplo abaixo:
Ex.21 (Adm): Em si, a ISO 16.001 não estabelece nenhum padrão de apresentação de demonstrações e sim, como todas as outras, o desenvolvimento de um Sistema de Gestão Socioambiental e a implementação de uma filosofia de melhoria contínua. (certifiadm.txt).
Na Engenharia, estabelece aparece relacionado predominantemente a regulamentações, parâmetros, limites e condições, como no exemplo abaixo.
Ex.22 (Eng): A Deliberação Normativa 10/86 do COPAM-MG
59 5 mg/L de zinco para o lançamento de efluentes nas coleções de águas de classes 1 a 4. (enmabr.txt).
Tanto na Administração quanto na Engenharia, estabelecer aparece com estrutura dominante na forma personificação do objeto de estudo na posição de dizente + processo + verbiagem. A grande diferença entre as áreas é que a Administração estabelece duas vezes mais que a Engenharia. Isto pode ser explicado levando-se em conta em quais seções dos artigos científicos esse processo aparece. Na Administração, estabelecer aparece muito frequentemente nas seções Fundamentação Teórica e Metodologia. Na Engenharia, estabelecer aparece predominantemente na seção Metodologia.
Sendo uma ciência predominantemente de indução, é necessário para a Administração fundamentar, instaurar, determinar e estabelecer objetivos, parâmetros e procedimentos com os pressupostos teóricos que embasarão o que se quer estudar.
Numa ciência predominantemente de dedução, como a Engenharia, os resultados são alcançados pela repetição e observação de fatores, limites, critérios, evidências e parâmetros que já estão, de certa maneira, estabelecidos, criados, instituídos, estabelecidos na Fundamentação Teórica que se utiliza como base para a pesquisa. Daí então estabelecer aparecer duas vezes mais na Administração do que na Engenharia.
Na sexta posição em Administração temos o processo propor (395 ocorrências), classificado em 5º lugar na Engenharia (415 ocorrências).
Propor aparece como mais frequente em Engenharia. Sinônimo de
“apresentar; submeter (algo) à apreciação (de alguém); sugerir (algo a alguém)”, propor aparece com estruturas predominantemente na forma “dizente + processo + verbiagem” tanto em Administração quanto em Engenharia, como exemplos abaixo:
Ex.23 (Adm): Nesta mesma linha, Gordon (1991) propõe um diagrama em que 'imperativos industriais' impõem condições limitantes da sobrevivência e prosperidade. (adac21.txt)
60 Ex.24 (Eng): “Já que se sabe que G é euleriano, pode-se ter o problema de determinação de um circuito euleriano em “G”. Isto pode ser atingido em três fases: 1. Atribuir sentido a alguns elos de forma que “G” seja simétrico; 2. Atribuir sentido aos elos restantes; 3. Determinar a travessia atual de “G”. Ford e Fulkerson propuseram o seguinte procedimento para transformar um grafo misto em grafo orientado (Ford & Fulkerson, 1962).” (algoriteng.txt).
Por ser uma ciência dedutiva, propor um determinado caminho partindo da observação de experimentos anteriores é mais comum na Engenharia, do que na Administração, uma ciência indutiva.
Partindo de princípios reconhecidos como verdadeiros (Já que se sabe que G é euleriano), o dizente (Ford e Fulkerson) estabelece relações com uma proposição particular (propuseram o seguinte procedimento para transformar um grafo misto em grafo orientado) para, a partir do raciocínio lógico, chegar à verdade, ou resultado que se deseja a conclusão (o segundo método atende à orientação completa desde que G seja euleriano, conforme Teorema 1).
Verificar está na sétima posição na Administração (383 ocorrências)
contra a quarta posição na Engenharia (497 ocorrências). Sinônimo de indagar, examinar a veracidade, averiguar, investigar; fazer a prova ou confirmação de (algo), este processo aparece com uma frequência muito maior na Engenharia do que na Administração, fato este podendo ser explicado também pela natureza predominante das áreas estudadas.
Na Engenharia, como uma ciência de dedução, a verificação de resultados obtidos em experimentos anteriores é uma das premissas para se chegar a novos resultados em condições diferentes observadas. Daí, para validar ou não um novo resultado, uma experiência ou um processo, é necessário verificar que condições pré-estabelecidas atendem aos critérios necessários para tornar uma conclusão verdadeira ou não é dizer que tais e tais condições atendem aos critérios para tornar a conclusão verdadeira ou não.
Mostrar é o oitavo colocado na Administração (370 ocorrências) e
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ocorrências). A diferença de ocorrências de mostrar na Administração e na Engenharia é de aproximadamente 3,5 vezes, apontando que esse processo desempenha papel mais importante na Engenharia do que na Administração.
Nas duas áreas mostrar aparece predominantemente em estruturas do tipo objeto do estudo personificado na posição de dizente + processo + oração projetada por hipotaxe. Em ambas as áreas, mostrar também aparece predominantemente nas seções Resultados e Conclusões dos artigos científicos.
Mas, por conta da natureza predominante das áreas estudadas, mostrar ocorre com maior frequência na Engenharia, ciência dedutiva. Numa ciência dedutiva, que pretende criar modelos de estruturas para submetê-las a provas para testar a reação da estrutura teórica, mostrar tem papel fundamental nesse processo de construção.
Mostrando o que acontece é que se pode chegar à conclusão sobre
como os resultados acontecem, e como esse é um dos papéis da uma ciência indutiva, é que encontramos mais mostrar na Engenharia do que na Administração.
Vejamos exemplo da Engenharia:
Ex.25 (Eng): No caso de poços com extração ativa, o oxigênio existente pode vir de três formas: (a) da atmosfera através da sucção por trincas e fissuras existentes em volta do poço; (b) por rompimento da tubulação ou flanges mal apertados; e (c) poços localizados ao lado de drenagens de águas pluviais. O estudo mostrou que não há, para o caso do aterro em questão, com alturas de resíduos sólidos urbanos que ultrapassam os 100 metros, uma relação direta de poços mais profundos com a qualidade e produção de biogás. (gasdeaterro.txt).
Foi “mostrando” modelos de “atmosfera”, “rompimento da tubulação” e “localização dos poços” que o dizente (o estudo) pôde provar a conclusão do que foi estudado (que não há relação direta de poços com a qualidade do produto obtido).
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Na tabela abaixo, mostramos os padrões de realização desses oito primeiros processos verbais estudados.
PROCESSO Hipotaxe (%) Parataxe (%) Infinitivo (%) Nominali- zação (%) Circuns- tância Assunto/ Ângulo (%) Total (%)
ADM ENG ADM ENG ADM ENG ADM ENG ADM ENG ADM ENG
Apresentar 1,3 1,2 0 0 0 0 16,4 2,3 82,3 96,5 100 100 Observar 57,2 46,5 0,02 0 0 0,03 19,4 28,6 23,3 24,6 100 100 Identificar 16,6 24,2 0 0 0 0 26,8 34,5 56,6 41,3 100 100 Definir 5,5 2,1 2,0 0 0 0 37,2 39,4 55,3 58,5 100 100 Estabelecer 8,1 16,5 2,2 0 0 0 36,8 19,6 52,9 63,9 100 100 Propor 11,7 0,4 0 1,3 11,7 2 20,4 24,2 56,2 72,1 100 100 Verificar 49,7 72,1 0,7 0 0,7 0 38,7 15,1 10,2 9,8 100 100 Mostrar 56,2 58 0,01 0 0,01 0,01 27,7 29,7 16 12,3 100 100
Tabela 3: Padrões de realização de mensagem dos processos verbais do Grupo 1
O gráfico 2 abaixo, resultante dos dados da Tabela 3 acima mostra que cinco entre os oito processos do primeiro grupo (apresentar, identificar, definir, estabelecer e propor) apresentam padrão de realização de mensagem predominante como circunstância de ângulo/assunto em ambas as áreas. Observar, verificar e mostrar têm padrão predominante nas duas áreas como oração projetada por hipotaxe. Entre as áreas, não há diferenças de padrão de realização. Todos os oito processos se comportam da mesma maneira na Administração e na Engenharia. Quando um processo tem padrão de realização predominante como hipotaxe, por exemplo, na Administração, o mesmo ocorre na Engenharia. Isso significa dizer que os processos são empregados de maneira semelhante nas duas áreas. O que muda é somente a frequência de ocorrência de cada processo em cada área, como já discutido em cada processo individualmente, o que pode ser explicado por meio da natureza predominante de cada área.
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Gráfico 2: Padrões de realização de mensagem dos processos verbais do Grupo 1
Nesse primeiro grupo de processos verbais, descobrimos que, apesar de ocorrerem em posições diferentes quanto à frequência de ocorrência, todos compartilham de características gerais que podem ser atribuídas a uma ou outra área. São palavras gerais de uso, comuns, que não são específicas de uma ou outra determinada área, ocorrendo com maior ou menor frequência dentro de cada área por conta da natureza predominante da Administração e da Engenharia. É muito provável que, quando estivermos ensinando a escrita de artigos científicos, esses oito verbos devam ser ensinados aos alunos, para que os mesmos possam ser utilizados em qualquer área da ciência no momento de se tratar de assuntos em cada área levando-se em conta se a área tem apresenta características predominantemente indutivas ou dedutivas.
3.1.2 Grupo 2 – Processos Verbais apontar, destacar, sugerir, citar, afirmar, demonstrar, ressaltar e dizer.
O segundo grupo de processos analisados está na Tabela 5 abaixo. Vale a pena lembrar que usamos a base de ordem dos processos pela
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Hipotaxe ADM Hipotaxe ENG Parataxe ADM Parataxe ENG Infinitivo ADM Infinitivo ENG Nominalização ADM Nominalização ENG Circunstância ADM Circunstância ENG
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Administração, e por isso, podemos notar que os oito processos estão em ordem crescente na Administração, mas não na Engenharia.
PROCESSO Posição Número de ADMINISTRAÇÃO ENGENHARIA
Ocorrências % de Ocorrências Posição Número de Ocorrências % de Ocorrências
Apontar 9 369 3.87 31 45 0.61 Destacar 10 355 3.72 11 157 2.12 Sugerir 11 288 3.02 10 165 2.23 Citar 12 281 2.95 22 85 1.15 Afirmar 13 281 2.95 34 38 0.51 Demonstrar 14 256 2.68 9 169 2.28 Ressaltar 15 230 2.41 13 114 1.54 Dizer 16 215 2.25 32 40 0.54 TOTAL 2275 23.85 813 11.98
TOTAL geral do Corpus 9536 100 7411 100
Tabela 4:Posição, frequência e porcentagem de ocorrência dos Processos Verbais do Grupo 2.
O primeiro dado que observamos nesse agrupamento é que os processos que ocorrem entre as posições 9 e 16 na Administração não estão todos também classificados nessas mesmas posições na Engenharia. Notamos que os processos desse grupo são mais característicos da Administração, da ciência com predominância de características indutivas. Outro dado interessante é que na Administração aparecem 2 vezes mais ocorrências de processos localizados entre a 9ª e 16ª posição do que na Engenharia.
Apontar, citar, afirmar e dizer não estariam nesse grupo se a ordem de
análise fosse a da Engenharia, pois encontraríamos processos mais específicos de área dedutiva, uma vez que a frequência estaria ordenada por Engenharia. Isto ainda aponta para o fato que esses quatro processos não são característicos da Engenharia. Destacar e sugerir aparecem em posições exatamente opostas e ressaltar em posições próximas. Somente demonstrar é mais frequente na Engenharia do que na Administração.
Apontar, nono colocado na Administração (369 ocorrências) somente
aparece em 31ª na Engenharia (45 ocorrências). Apontar, sinônimo de “mostrar, indicar, fazer referência de (algo) a (alguém); mencionar, citar” (Houaiss, 2012) aparece na Administração predominantemente na forma de dizente + processo + verbiagem, conforme exemplo abaixo:
65 Ex.26 (Adm): Os autores apontaram um distanciamento entre os segmentos meio e fim das organizações e, consequentemente, a necessidade de se comparar os antecedentes de comprometimento nesses segmentos em instituições públicas como a Embrapa. (adap36.txt)
Predominantemente na Administração, os dizentes de apontar são conscientes, (os autores, Engle e Granger, os gerentes, Pinheiro, etc.) enquanto que na Engenharia, os dizentes são predominantemente personificações dos objetos de estudo, como no exemplo abaixo:
Ex.27 (Eng): Os ensaios apontaram uma tendência de aumento da remoção no decorrer das carreiras, nesses pré-filtros, os quais