• Sonuç bulunamadı

Material and Location Specific Rail Demand Sector in Turkey

5.3 Overall Charachteristics of Rail Freight during Before Periods

5.3.4 Material and Location Specific Rail Demand Sector in Turkey

A introdução referencial ocorre quando um objeto de discurso é introduzido pela primeira vez no texto por meio de uma expressão referencial não mencionada anteriormente. No desenvolvimento do texto, tudo o que se relacionar a esse objeto de discurso está associado a ele, gerando diferentes processos de retomada anafórica. Para Cavalcante, Custódio Filho e Brito (2014), a introdução referencial em textos multimodais pode se realizar por imagens, sons, gestos, ou seja, por qualquer pista contextual, procedimento válido tanto para a introdução referencial quanto para as anáforas.

Devemos ter claro que, ao introduzirmos um objeto de discurso no texto, o interlocutor representa essa entidade em sua mente por meio de muitos indícios (alguns nem cogitados pelo produtor do texto). Esse fato ratifica a influência da interação locutor/texto/interlocutor para a elaboração da referenciação, confirmando tratar-se de um processo que não se restringe a aspectos linguísticos.

Cavalcante, Custódio Filho e Brito (2014) esclarecem que a designação de introdução referencial cabe apenas ao objeto de discurso considerado novo no cotexto, que não tenha sido engatilhado por nenhuma entidade, atributo ou evento expresso no texto. Reconhecemos, pois, a introdução referencial por confirmar um objeto de discurso construído pela primeira vez na mente do interlocutor e que pode ser retomado ou não, anaforicamente, ao longo do texto.

Alguns autores não restringem esse processo apenas a um mecanismo que promove o aparecimento de outros objetos de discurso, perspectiva com a qual concordamos. Cavalcante, Custódio Filho e Brito (2014) defendem, por exemplo, que a introdução referencial pode ter como função construir processos intertextuais ou mesmo orientar argumentativamente a cadeia referencial que será construída, o que exige do interlocutor relações inferenciais de maior ou menor grau.

Dependendo do gênero, asseveram os autores, essas funções podem ocorrer já no título do texto, como em gêneros opinativos, em que a expressão de introdução referencial consiste em uma síntese da tese que será defendida ao longo do texto (CAVALCANTE; CUSTÓDIO FILHO; BRITO, 2014).

No mesmo sentido do redimensionamento do conceito de introdução referencial, Cavalcante (2011) observa que os processos referenciais não precisam estar, necessariamente, associados à menção de expressões referenciais para serem introduzidos, ou seja, pode haver introdução referencial sem que haja uma primeira menção do objeto de discurso em questão por um sintagma nominal, por exemplo.

A autora justifica que objetos de discurso que não foram designados no cotexto já podem estar acessíveis aos interlocutores no mundo do discurso. Nesse caso, a própria situação comunicativa e a interação entre os interlocutores vão ajustar as ações necessárias para que colaborativamente, em um jogo de coconstrução, se chegue a um consenso para a identificação do que se quer referir. Nesse sentido, a introdução de um objeto de discurso pode ocorrer por meio de anáfora indireta.

Essas abordagens, que ampliam a concepção de introdução referencial, não negam a existência de mecanismos de estabilização da referência ‒ a materialidade do texto ao gerar implicações de ordem cognitiva é um deles ‒ nem subvalorizam a primeira menção do objeto por uma expressão referencial.

A nosso ver, ao denominarmos um objeto de discurso por uma expressão referencial, a escolha do léxico já mostra uma categoria em que ele foi enquadrado pelo locutor do texto. Esse processo de nomeação não só constitui um recurso valioso para orientar o interlocutor quanto à expectativa do produtor sobre a recepção do texto como também contribui para a produção de sentidos em um modelo consensual de representação de mundo (CAVALCANTE, 2011).

A expressão referencial é um dado que consideramos em nossa análise, pois lidamos com as escolhas que o produtor de texto faz para viabilizar o seu posicionamento frente ao tema proposto na redação, e, para isso, seguimos as marcas linguísticas que ele imprime no texto. Dependendo da sua escolha para introduzir um objeto de discurso, podemos inferir, por exemplo, sua orientação argumentativa, a relação que pretende estabelecer com seu interlocutor, seus conhecimentos prévios e o que considera partilhável com seu interlocutor, entre outros aspectos.

A introdução referencial diz respeito à possibilidade de se introduzir uma entidade pela primeira vez no texto, construindo-a como objeto de discurso, mas que existe como possibilidade, e não como um único caminho. Não obstante, se esse

objeto já tiver sido evocado e estiver sendo retomado no texto, estamos na presença de continuidades referenciais a que denominamos anáforas.

Designamos anáfora direta o processo referencial que retoma o objeto de discurso de maneira correferencial, ou seja, trata-se de referir-se a uma mesma entidade, a um mesmo objeto já introduzido no texto.

Atribuímos às anáforas diretas tanto a função de manter o objeto de discurso no texto, garantindo-lhe a continuidade, quanto a função de confirmar a sua recategorização, transformando-o, ao remeter a aspectos do cotexto e dos contextos, mais imediato ou mais amplo − crenças, julgamentos, conhecimentos prévios, posicionamentos valorativos, modelos textuais etc. −, realizando processos de ancoragem.

Ainda que o objeto de discurso nas anáforas diretas possa ser retomado pela mesma expressão referencial, provocando repetições no decorrer do texto, ele pode sofrer modificações, ou seja, pode ser recategorizado. Nesse caso, as transformações do objeto de discurso ocorrem, muitas vezes, por meio das predicações atribuídas à expressão referencial.

Assim, para a recategorização do objeto de discurso concorrem tanto as determinações do próprio cotexto – que criam um entorno discursivo em volta do objeto de discurso – quanto as interferências realizadas pela interação do interlocutor – que opera com seus conhecimentos e vivências, construídos sociocognitivamente. As anáforas diretas produzem, pois, um contínuo processo de recategorização, o que é esperado para a progressão de ideias no texto, para a configuração da cadeia referencial.

Essas formulações enfatizam a atividade sociocognitiva imbricada na produção de sentido do texto por meio do processo anafórico, pois “não se trata apenas de localizar um segmento linguístico no texto, mas, sobretudo, de identificar pistas linguístico-textuais que se encontram na memória discursiva46 de uma comunidade” (LEITE, 2007 apud CAVALCANTE, 2011, p. 128). Desse modo, reforça-se a ideia de que todas as anáforas são inferenciais em algum nível.

______________________

46 Referimo-nos à memória discursiva como um conjunto de representações que os interlocutores

constroem de si mesmos, dos temas, de conhecimentos socioculturais compartilhados e de suas finalidades argumentativas quando interagem por meio de um texto.

Diante disso, ratificamos que tomar as anáforas apenas em seu viés morfossintático e semântico pode ser uma maneira restritiva de lidar com os processos referenciais. Para Cavalcante (2011, p. 127),

[...] os significados das formas da língua constituem apenas um dos componentes dos sentidos que os participantes constroem em cooperação. Eles servem de pistas, de indícios, de cadeias de trilhas não somente para a constante reelaboração dos sentidos, mas também para a progressão das referências de um texto.

Assim, concebemos, neste estudo, o processo referencial anafórico em sua complexidade, mesmo quando ele se realiza de forma direta e correferencial, destacando a sua dependência das determinações do cotexto, da interação e dos contextos.