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2.2 Orta Çağ İslam Dünyasında Loncalar

2.2.3 Osmanlı Devletinde Loncalar

Assim como a própria designação prevê, os marcadores oracionais referem-se a expressões em que se constatam características próprias das orações. O principal aspecto que difere os marcadores oracionais das orações comuns é o caráter sequencial ou interacional que os primeiros possuem. Risso, Silva e Urbano (2006, p. 423) ressaltam que 32,5% dos marcadores encontrados são provenientes de formações mistas, isto é, marcadores que reúnem várias classes gramaticais diferentes, assim como: como vocês todos sabem, como eu dizia há

pouco, o que eu acho é o seguinte, entre muitos outros exemplos.

Em 19.3.1920, o poeta escreve: “Diz-me uma coisa, amorzinho: por que é que te mostras tão abatida e tão profundamente triste na tua segunda carta?” (Carta nº 3 – 19.3.1920 ás [sic] 4 da manhã). Na expressão sublinhada, nota-se uma marca de envolvimento entre os interactantes, uma tentativa de aproximação do remetente em relação à destinatária; diz-me

uma coisa é compreendido como um marcador oracional, proveniente fonte gramatical,

essencialmente, verbal.

A expressão “diz-me uma coisa” parece relacionar-se com outras expressões bastante utilizadas na língua portuguesa coloquial falada no Brasil: me fala uma coisa, me conta uma

explicação quanto a uma dúvida do enunciador, tais frases atuam, principalmente, como um marcador conversacional, estabelecendo elos interpessoais entre os atores da interação.

Como já se mencionou, no português brasileiro, atualmente, é muito comum a utilização da expressão “Me conta uma coisa”, sendo geralmente utilizada em situações de fala informal, em que um dos interlocutores deseja aproximar-se mais de um interactante, participante da atividade interacional, para discorrer sobre assuntos mais íntimos, relacionados ao saber ou à vida do interlocutor. Em pesquisa ao site Google30 sobre a expressão: me conta uma coisa, notou-se que, na maioria das vezes em que é utilizada, tem-se o objetivo de introduzir um novo tópico ou, às vezes, um tópico mais delicado ou que apresente maior grau de intimidade. Do mesmo modo, o poeta, ao escrever: Diz-me uma

coisa, amorzinho, quer entrar em um campo do saber íntimo de Ofélia e conhecer os motivos

que a deixaram abatida e triste; a busca por uma interação mais íntima aproxima a carta das atividades orais em que se constata a imediatez comunicativa.

Em razão de o corpus ter sido produzido, no início do século XX, em português europeu, nota-se que alguns marcadores conversacionais, presentes neste texto, diferem das formas encontradas, atualmente, no português brasileiro; contudo, é possível notar que alguns termos parecem equivaler-se: assim como o exemplo da expressão não é verdade, utilizada no português europeu da década de 20 e né?, bastante comum no português coloquial do Brasil, nos dias atuais.

Em conversações espontâneas, nota-se que é grande a utilização dos marcadores conversacionais não é verdade?/né?, enunciados aparentemente interrogativos e dotados de entonação ascendente; no entanto, quando um dos interlocutores diz: não é verdade?/né?, nem sempre o outro interactante responderá é verdade/ não é verdade/ é/ não é. Isso ocorre porque as formas destacadas não se configuram apenas como simples meios de checagem da opinião do interlocutor, mas, como marcadores conversacionais do tipo oracional, podendo ser consideradas por estudiosos como: formas de requisitar a participação do ouvinte na atividade comunicativa, estratégias de auto-sustentação da fala ou meio de preenchimento de pausas.

Urbano (2006, p. 518), ao analisar os marcadores discursivos basicamente interacionais, agrupa as formas não é verdade?/ não é?/ num é?/ né? para uma análise conjunta, em razão de todas as formas apresentarem pontos comuns bastante significativos: 94,8% desempenham a função fática, têm a mesma estrutura de origem, apresentam oração

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com verbo ser, possuem o termo negativo “não”, são comparáveis às tag questions, da língua inglesa.

Na carta que fecha a primeira fase do namoro entre Fernando e Ofélia, o poeta escreve:

(...) a única solução é essa – o não prolongarmos mais uma situação que não tem já a justificação do amor, nem de uma parte nem de outra. Da minha, ao menos, fica uma estima profunda, nem de uma parte nem de outra. Da minha, ao menos, fica uma estima profunda, uma amizade inalterável. Não me nega a Ophelinha outro tanto, não é verdade? (Carta nº 36

– 29.11.1920)

O tema da correspondência destacada centra-se no rompimento da relação amorosa, por parte do enunciador, oferecendo por justificativa a ausência de amor tanto de sua parte quando da de Ofélia. Em razão do delicado assunto, o texto apresenta maior seriedade e menor espontaneidade em relação aos outros fragmentos analisados, no entanto, a formalidade é quebrada no fim do trecho, por meio do emprego do diminutivo Ophelinha e do marcador conversacional não é verdade.

Pessoa, após expor seu ponto de vista a respeito dos motivos que rompem os laços afetivos entre ele e Ofélia, e dos sentimentos de admiração e estima que continuaria a ter pela moça, emprega a forma não é verdade?. Mediante todas as colocações postas acima, é possível chegar a algumas conclusões quanto ao emprego do marcador oracional destacado: em razão de o tema ser bastante complexo, não é verdade preenche um espaço de pausa, momento em que o locutor planeja e escolhe as palavras para prosseguir seu delicado texto. De acordo com as considerações teóricas feitas, pode-se também dizer que, assim como em conversações naturais, falante e ouvinte alternam seus papéis e trabalham conjuntamente para a realização texto, sendo ambos responsáveis pela produção dos turnos, acredita-se que o momento em que o poeta emprega o marcador oracional, seja o momento em que ele gostaria de passar o turno para sua interlocutora e “ouvir” o que ela tem a dizer sobre o assunto.

Observa-se que, no português, assim como na língua inglesa, aquele que emprega uma

tag question negativa espera, certamente, uma resposta afirmativa. Do mesmo modo, acredita-

se que Pessoa, ao empregar a forma não é verdade? busca, com sua pergunta, uma resposta ou gesto afirmativo de Ofélia para que, assim, possa manter seu turno e dar continuidade ao tópico em desenvolvimento com mais tranquilidade.