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2.1 Orta Çağ Hıristiyan Dünyasında Loncalar

2.1.3 Orta Çağ Avrupa Loncaları

Todo par conversacional do tipo P/R, assim como a própria designação prevê, é composto de duas importantes partes: as perguntas e as respostas. Já foi citado, anteriormente, que há certa relevância da primeira parte em relação à segunda, visto serem as perguntas responsáveis pela determinação e delimitação do segundo elemento.

Como se sabe, na escrita, é comum que as partes de um par conversacional apresentem-se isoladamente: em uma determinada carta, pode-se observar a presença de um questionamento e, em outra, a réplica correspondente. Apesar de as cartas de Ofélia Queiroz a Fernando Pessoa não fazerem parte do objeto de análise desta dissertação, percebe-se que algumas correspondências escritas pelo poeta configuram-se respostas às indagações da namorada. Fica perceptível que, na visão dos interlocutores destacados, o processo de envio e

recebimento de cartas é semelhante às trocas de turno realizadas em conversações espontâneas. Percebe-se, também, que os temas desenvolvidos pelos interactantes são, devidamente, retomados e respondidos por ambos os envolvidos, com o intuito de assegurar o prosseguimento da interação.

A primeira carta do corpus, escrita em primeiro de março de 1920, constitui-se, de modo integral, a segunda parte de um par conversacional. Após o roubo de um beijo, seguido de repentina demonstração de desprezo por parte de Fernando, Ofélia resolve escrever para pedir explicações e questioná-lo a respeito de comportamentos tão incongruentes:

Lembro-me que estava em pé, a vestir o casaco, quando ele entrou no meu gabinete. Sentou- se na minha cadeira, pousou o candeeiro que trazia na mão e, virado para mim, começou de repente a declarar-se, como Hamlet se declarou a sua Ofélia. (...) sem eu esperar, agarrou-me pela cintura, abraçou-me e, sem dizer uma palavra, beijou-me, apaixonadamente como louco. (...) Passaram-se dias e como o Fernando parecia ignorar o que se havia passado entre nós, resolvi eu escrever-lhe uma carta, pedindo-lhe uma explicação (grifo nosso). É o que dá origem à sua primeira carta-resposta... (Ofélia Queiroz, in: Pessoa, 1978, p.24-26)

Por meio do relato de Ofélia, conclui-se que a primeira correspondência amorosa originou-se da necessidade de fornecer uma resposta aos questionamentos da futura namorada; sendo assim, compreende-se que a carta remetida em 1º de março de 1920 é a segunda parte do par conversacional P/R, diretamente determinada e delimitada pelo segmento inicial realizado por Ofélia. Assim como na fala, o escritor produz seu discurso levando em consideração o último turno de sua interlocutora; para que a interação iniciada se estabeleça realmente, ele precisou mostrar atenção ao que foi dito pela moça e fornecer-lhe as respostas devidas, caso contrário, poderia ser considerado descortês e a interlocução ter sido rompida.

Não se sabe, ao certo, qual o teor das questões inseridas na carta remetida por Ofélia, mas, por meio da leitura das respostas dadas pelo poeta, em sua primeira correspondência, compreende-se que foram relativamente incisivas: “Para me mostrar o seu desprezo, ou pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido (...) Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado” (Carta nº1 – 1.3.1920).

Em outras cartas, o escritor também evidencia que suas afirmações relacionam-se, diretamente, a indagações anteriores da namorada, dando continuidade a uma conversação em andamento.

Não, não me tenho esquecido do retrato, mas tive sempre uma certa embirração por tirar

retratos... (Carta nº 17 – 29.4.1920)

Gostei muito da sua cartinha, mas gostei ainda mais do que veio antes da carta, que foi sua própria pessoa (...) Se tivesse sido, em vez de transatlantica, transvidiana (curiosa e inexplicável expressão!) teria sido preferível até ao preferível a tudo que foi. É exactamente

isto que me pergunta, e a que respondo. (Carta nº 38 – 14.9.1929)

A pergunta realizada por Ofélia e respondida por Fernando, no primeiro fragmento, é facilmente perceptível: certamente, a moça questionou se poderia enviar-lhe uma fotografia. Tal requisição é bastante costumeira entre casais de namorados, pois, em geral, os amantes desejam ser portadores da imagem da pessoa amada. Embora seja considerada uma pergunta frequente, é interessante citar que também pode ser avaliada como trivial; no entanto, o remetente faz questão de respondê-la, manifestando, assim, preocupação em dar prosseguimento à interação e extrema polidez, estando sempre atento ao que foi escrito pela namorada e pronto para responder-lhe. Apesar de revelar não gostar de retratos, Pessoa concorda com o pedido da moça e, promete enviá-lo: “Em todo o caso, tirá-lo-ei” (Carta nº 17 – 29.4.1920).

É importante ressaltar que, em atividades de fala, uma pergunta pode ser entendida como um lugar relevante de transição de turno (LRT). Do mesmo modo, nas cartas destacadas, as perguntas são vistas como indicadores de passagem de palavra, repassando ao interlocutor a responsabilidade de réplica e de continuação dos tópicos discursivos.

A resposta contida no segundo fragmento exige maior atenção por ser um pouco mais complexa ao entendimento. Perante a leitura integral da carta escrita em 14 de maio de 1929, segunda fase do namoro, constata-se que, neste dia, Fernando e Ofélia encontraram-se no comboio que ia do Rossio à Estrela; em toda a extensão da carta, ele demonstra grande felicidade por este encontro. Passa-se a impressão de que, em carta anterior, a amada tenha perguntado se ele apreciou vê-la, e o poeta responde: “teria sido preferível ao preferível a tudo que foi”. É possível acreditar que o tempo que ambos dispunham para estarem juntos fosse bem pouco e, por esse motivo, esta carta parece exercer a função de continuadora do encontro realizado em presença, sendo nela contidos assuntos que se iniciaram face a face.

Em 29 de novembro de 1920, ele escreve:

Não sei o que quer que lhe devolva – cartas ou que mais. Eu preferia não lhe devolver nada, e conservar as suas cartinhas como memória viva de um passado morto... (Carta nº 36 – 29.11.1920)

As cartas que compõem o corpus constituíram-se um instrumento de interação essencial para o relacionamento amoroso de Fernando e Ofélia. Na ocasião em que o trecho acima se insere, a carta é utilizada para romper o namoro com Ofélia; justifica que a decisão

decorre do fato de o amor, anteriormente sentido, não mais existir: “O amor passou” (Carta nº 36 – 29.11.1920). Antes do desfecho do texto, o remetente parece responder a uma

suposta pergunta de Ofélia que concerne ao pedido de devolução das cartas a ele enviadas.

Na época em que as correspondências foram escritas, era comum que namorados, em ocasião de término do namoro, devolvessem tudo o que foi presenteado pelo outro, assim como: cartas, bilhetes, fotografias etc. Provavelmente, no momento de redação desse texto, Ofélia ainda não tivesse realizado tal requisição, mas, mesmo assim, o escritor parece prever a questão e antecipar sua negativa: “eu preferia não lhe devolver nada...”, solicitando ainda à moça que “não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor” (Carta nº 36 – 29.11.1920), neste trecho é possível dizer que a solicitação de Pessoa configura a primeira parte de um par conversacional do tipo Ordem/execução.

Observa-se que, para o remetente, a correspondência é compreendida como um conjunto de turnos realizados por um único interlocutor, no decorrer de uma determinada interação. No início do texto, Pessoa relata os motivos que desencadearam o rompimento do namoro; prossegue, agindo como se Ofélia interagisse com ele, semelhantemente, a uma conversação face a face. Por ter uma relação de intimidade com a jovem, parece supor o que ela poderá pensar ou dizer no momento de leitura do texto; continua o discurso, levando sempre em consideração as possíveis contribuições da moça.

De resto, já não respondi às suas últimas cartas porque achei que já não eram para responder. Não valia a pena. Sentia que já não tinham resposta. (Ofélia, in: Pessoa, 1978, p. 43)