• Sonuç bulunamadı

1.2. Temsil Kavramı ve Siyasal Temsil

2.1.2. Osmanlı Devletinde Kadın

No final do reinado de D.João V, Dom frei Manuel da Cruz toma posse na Diocese de Mariana no ano de 1748.

Em 28 de novembro (...) tem-se a entrada solene de Dom Manuel, e em 05 de dezembro faz a profissão de fé e o juramento de estilo perante o presidente do Cabido Dr. Geraldo José de Abranches, arcipreste da Sé de São Paulo e arcediago na Catedral de Mariana (TRINDADE, 1955, p. 73- 100, passim, vol.2.).

Durante o reinado de D. José I (1750-1777) foi transferido da Diocese do Maranhão para a Diocese de Mariana, onde estabeleceu residência até seu falecimento em 1764, apresentando-se como ponto de interlocução possível entre os dois acervos em estudo.

Após Dom frei Manuel da Cruz (1748-1764), o período de Formação da Diocese vai passar por períodos de vacância e de governos por procuração até 1777, onde se inicia a segunda fase histórica da Arquidiocese, o Período Colonial, no qual temos dois importantes bispos presenciais à frente de seu governo: Dom frei Domingos da Encarnação Pontevél (1779-1793) e Dom frei Cipriano de São José (1798-1817), inseridos no recorte temporal aqui definido.

A criação da diocese de Mariana estava dentro do projeto da Igreja da Contra- Reforma, através da Bula de 15 de dezembro de 1745, Segundo nos coloca Trindade, 1953, visto que o Papa Bento XIV, ao se dirigir a Dom Frei Manuel da Cruz, afirmava: “Queremos, finalmente, que ponhas particular empenho em dotar a tua diocese de um seminário, como exige o sagrado concílio de Trento.” (TRINDADE, 1953, p. 65, vol.1)

E esta será uma ação do recém chegado bispo, que fundará o Seminário de Nossa Senhora da Boa Morte, hoje sede do ICHS/UFOP208, para a formação e aprimoramento da instrução necessária aos clérigos, mas também, aos filhos dos moradores da Capitania que não teriam que se deslocar para o Rio de Janeiro, sendo esta a alegação feita por Dom frei Manuel da Cruz em 1747, reiterada pelo prelado em 1757, justificando sua fundação devido à preocupação com a cultura a ser transmitida a sua população.209

Uma testemunha documental nos apresenta a história da transferência de Dom feri Manuel da Cruz do Maranhão para Minas Gerais, bem como a magnitude e a pompa de sua

208 Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto, sendo a UFOP aprovada

pelo Decreto-Lei no 778/69.

209 Maiores informações podem ser vistas no AEAM - CRUZ, Dom Frei Manuel da. Relatório do Episcopado de

Mariana à Sagrada Congregação do Concílio de Trento, 1757, 1, 1a, 17; e AEAM - Documentos de e sobre Dom Frei Manuel da Cruz (1746 - 1751), Livro.

entrada solene em Mariana. Trata-se do Aureo Throno Episcopal, texto publicado em Lisboa, na oficina do impressor do Santo Ofício, Miguel Manescal da Costa, em 1749.

Segundo Campos, 1996, assim como o relato do Triunfo Eucharistico (1734) ocorrido em Ouro Preto em 1733, estas

narrativas a propósito de duas cerimônias singularmente pomposas no âmbito da Capitania das Minas, constituem documentos privilegiados no sentido de revelar a pompa como ordem e magnificência, além de exibir citações literais a respeito da crença na visão providencialista. (CAMPOS, 1996, pp. 111-121).

O texto narra a viagem do bispo desde o Maranhão até as Minas Gerais. Este percurso será realizado em dois anos e dois meses, de 03/08/1746 a 15/10/1748, atravessando a diocese do Maranhão (que incluía a região do Piauí), passando pela diocese de Pernambuco e da Bahia, entrando na região das Minas Gerais e descendo pelo caminho dos sertões até Mariana. A indicação de Dom frei Manuel da Cruz para o governo da nova diocese criada nas Minas Gerais segue o espírito do regime do Padroado210, onde os bispos exerciam atividades espirituais, mas também administrativas e políticas, através das cartas pastorais e das visitas pastorais, relatando ao reino periodicamente.

O livro de Inventário da fábrica da Cathedral de Mariana 1749-1904 inicia-se apresentando o primeiro inventário realizado em 1749211, ainda no reinado de D. João V (1689-1750), um ano após a chegada de Dom frei Manuel da Cruz. Nele observa-se que os paramentos listados são declarados como oriundos de Lisboa, sendo definidos como “ornamentos e outros bens”,

“Ornamentos Pontificais Brancos”(f.1),“Ornamentos Pontificais Encarnados” (f.1), “Ornamentos Pontificais de Melania Verdes”(f. 1v.),“Ornamentos Pontificais de Melania Roxa e Guarnição de Ouro” (f.1v.- 2), “Ornamentos Pontificais de Damasco Preto e Guarnição de Ouro” (f.2), “Ornamentos para o Illmo. Rvmo Cabido”“Brancos” (f.2), “Ornamentos Encarnados de Damasco e Melania com Guarnição de Ouro e Retroz” (f.2- v.), “Ornamentos Verde de Damasco e Melania com Guarnição de Retroz Amarelo” (f.2v.), “Ornamentos Roxos de Damasco e Guarnição de Retroz”(f.2 v-3), “Ornamentos Pretos de Damasco” (f.3), “Pavilhões grandes e pequenos pertencentes ao Sacrario” (f.3-v.), “Roupas Brancas” (f.3 v.-4). (Mariana. AEAM. Inventário da fábrica da Cathedral de Mariana; 1749- 1904. Livro P-16)

210 O Padroado português é definido “como uma combinação de direitos, privilégios e deveres concedidos pelo

papado à Coroa de Portugal como patrona das missões e instituições eclesiásticas católicas romanas em vastas regiões da África, da Ásia e do Brasil. Esses direitos e deveres advinham de uma série de bulas e breves pontificais, tendo começado com a Inter Caetera de Calisto III em 1456 e culminado com a Praecelsae devotionis de 1514”. (BOXER, 2002, p.243)

211

Em 12 de janeiro, pelo tesoureiro mor da catedral, João de Campos Lopes Torres e o provisor do bispado, o arcipreste Dr. José de Andrade Moraes, perante várias testemunhas.

Neste inventário, e em todos os seguintes até 1803, a relação dos bens inventariados se faz iniciando-se com os paramentos têxteis, sendo seguido pelos ornamentos de altar e da igreja, bem como os livros sagrados. No século XIX, a sequência se faz de modo invertido, seguindo a ordem: objetos de prata, estanho, cobre, ferro, madeira, os livros e, finalmente, os ornamentos têxteis. O numero de peças arroladas em 1749 é em grande número, registradas segundo sua função, cor e material. O rol divide-se em ornamentos pontificais, específicos ao uso do Cabido, as vestes internas e, finalmente, os ornamentos de altar e da igreja. Sua quantidade era elevada, devendo atender ao bispo, ao cabido, ao vigário geral e até as cúrias coadjutoras, bem como aos altares-mores e colaterais.

Em prestação de contas da administração e para ouvir conselhos do Sumo Pontífice deveria o bispo se apresentar através da visita ad limina (por procurador ou por escrito). Dom Manuel, prestando contas por escrito ao Papa, recebe resposta em 05 de maio de 1758: “Viemos assim a conhecer uma cátedra episcopal em tão remota região, provida já de Dignidades e Cônegos, rica de preciosas alfaias de todo o gênero (...)”212.

O envio de paramentos pela Rainha, D. Maria I (1777-1792) é indicado, por Trindade, 1955, “a Rainha mandou para a Sé as alfaias e paramentos necessários, e para o Palácio as baixelas, as louças, os damascos, os móveis e até carruagens, como descreve Diogo de Vasconcelos.” (TRINDADE, 1955, pp.163 e 173). Mas, ao tempo de seu reinado, nada é indicado nos inventários da época de governo do bispo Dom frei Domingos da Encarnação Pontevél (1779-1793), vindo a fazer referência a doações somente no inventário de seu sucessor, Dom frei Cipriano de São José (1798-1817), que governou durante o período de regência (1792-1816) do príncipe D. João VI (rei entre 1816-1826), sem, no entanto, indicar procedência. No livro de inventário da Sé consta o seguinte: “Ornamentos que acresceram no tempo do Exmo. e Rvmo. Sr. Bispo Dom frei Cipriano de São José, alguns dados pelo mesmo Exmo. senhor”. Após estas duas doações registradas, veremos uma terceira entrada somente quando da visita do Imperador do Brasil em 1881, D.Pedro II, presente em Mariana para acompanhar a Semana Santa.

Nos inventários seguintes, a partir do final do século XIX não se verifica registro de especificação da entrada de novos paramentos. Não há seque a colocação de qualquer informação quanto a algum nome, data ou procedência, observando-se, no entanto, que o número dos paramentos permanece elevado e os conjuntos variados segundo as cores.

212

TRINDADE, 1953, p.118 APUD Livro de visitas ad limina vol dos anos 1752-1758, p. 475, arquivo do Vaticano.

A qualidade e quantidade verificada na relação não é característica conferida somente pela exigência da pompa adequada à cerimônia da posse de Dom frei Manuel da Cruz e marco da formação da Diocese de Mariana, mas sua observância se dará até o início do século XX. Verificando os inventários em sequência e comparando-os, podemos observar que até 1904, seu acervo sempre primorou pela qualidade e quantidade, não sendo, no entanto, possível verificar se ao registro era acrescida uma ou outra peça, a não ser que fosse por doação. A descrição e a formalidade na realização dos inventários demonstram grande cuidado e valorização das peças da Catedral de Mariana, observando-se, ainda, que era registrado seu estado de conservação, indicando sua conformidade com as exigências de sua função sagrada, ou seja, que não serviam mais ou que foram reformadas.

Assim, tendo analisado o acervo e os documentos, após colocar alguns questionamentos, observamos que os paramentos poderiam chegar às dioceses por meios diversos. Comparando à prática na Europa, os ornamentos são pessoais, podendo ter sido encomendados ou presenteados pela Coroa ou pelos nobres da Corte, grandes mecenas, apreciadores das artes e tementes a Deus. Atualmente, o enxoval é adquirido pessoalmente, de acordo com as posses de cada um e seu gosto pessoal, mas devendo seguir as regras gerais da Igreja.

O acervo do MAAS de Mariana nos apresenta um conjunto de peças de diferentes constituições materiais e estilísticas, com exemplares compostos de ricos tecidos e ornamentos e outros confeccionados de forma menos ostentatória, mostrando a correspondência entre o sagrado e o estético, entre o ritual e o cotidiano, entre a hierarquia e a função. O sagrado se apresenta nos mínimos detalhes, na tipologia de tecido, nas cores litúrgicas, nos ornamentos e iconografias que definem distinções e funções específicas, confirmando o que foi determinado pelo Concílio de Trento e reafirmado no Concílio Vaticano II, nenhum estilo específico pertence à Igreja, sendo que desde que seja digno e decoroso poderá compor e direcionar sua produção artística. Sendo composto por grande número de peças, estas se apresentam como vestes litúrgicas, ornamentos de altar e igreja, vestes de esculturas de santos de vestir e Nossas Senhoras, além de objetos têxteis de cunho civil, não existindo, no entanto, exemplares de vestes internas.

Encontram localizados em exposição na sede do Museu (Casa Capitular), FIG.28, acondicionados na reserva técnica; na sacristia da Catedral da Sé e na Casa do Barão de Pontal, FIG.29, sob a responsabilidade atual do diretor Pe. Nédson Pereira de Assis e da museóloga Maria da Conceição Fernandes de Brito.

Seu conjunto pode ter sido preservado até nossos tempos, por sua importância, singularidade, permanecendo como registros da riqueza ornamental de uma época de grande pompa, que perdendo seu uso, conhecimento e valor estavam, segundo o relato de funcionários e clérigos, sendo queimadas ou vendidas pelos padres. Reunidas no Museu poderiam ter a chance de preservar-se no tempo para contar parte da história desta Arquidiocese e, ainda, nos apresentar inúmeras indagações.

Após o estudo de seu conjunto, o acervo foi classificado segundo sua função, seu tipo, sua quantidade, seu material, sua decoração e sua cor, recebendo, então uma numeração sequencial, perfazendo um total de 186 peças. Com o Inventário do oficial junto ao IPHAN em 2005, seu total foi de 272 objetos têxteis (TAB.02).

Desta quantidade, tendo sido indicada por tipo, foi verificado, através de um quadro, que a maioria do acervo era composta por seda, que seu estado de conservação geral era bom e que sua decoração se apresentava nos desenhos têxteis de qualidade e nos apliques de adornos preciosos, com fios metálicos dourados e algumas pedrarias, sendo suas cores aquelas indicadas para os rituais, segundo as regras tridentinas.

FIGURA 28: Fachada do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana.

FIGURA 29: Fachada da Casa do Barão de Pontal de Mariana.

FONTE: Soraya Coppola, 2002

TABELA 02

Levantamento do acervo arquidiocesano do MAAS de Mariana/MG do século XVIII e XIX

OBJETO LITURGICO