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1.2. Temsil Kavramı ve Siyasal Temsil

2.1.3. Cumhuriyet Döneminde Kadın

5.1.1.1.1. A FORMAÇÃO DOS DESENHOS E CORES NOS TECIDOS DOS ACERVOS DO MAS DE SÃO LUIS E DO MAAS DE MARIANA

É neste universo histórico-artístico, técnico e científico entre o século XVII e XIX que podemos incluir os acervos do MAS/MA e do MAAS/MG, comparando-os, através de sua ornamentação, com acervos internacionais. Neste percurso estaremos aplicando à prática a teoria de Riegl, demonstrando que o teórico do século XIX apresentava uma visão avançada em relação à observação do objeto artístico-histórico, abordando sua catalogação como u todo, constituído de matéria, técnica, engenho, arte e criação.

Observando o processo de criação da ornamentação têxtil apresentado por DOLZ (1937), no início do século XX, vemos que a abordagem de Alois Riegl quanto aos ornamentos segue o processo de criação, sendo a “Gramática histórica das artes figurativas”, (1899) sua metodologia apresentada não ao artista, mas àquele que deseja catalogar os objetos artísticos.

A Gramática de Riegl surge como uma preocupação de ”promover a autonomia da história da arte e de demonstrar a importância científica da análise da linguagem figurativa, ornamental, arquitetônica para a historiografia e em geral para a história da cultura” (SCCAROCCHIA, 2006, p.65).

Na sua preocupação de um referimento de desenvolvimento da história da arte, enquanto professor, sua prática como conservador o levará a aproximação material dos objetos de arte o que inverterá sua descrição histórica, não do desenvolvimento histórico, mas dos procedimentos e materiais produzidos. Se colocando as cinco (5) questões fundamentais, que se tronarão sua metodologia, o motivo/o que (Was); o fim/para que (Wie); o material/o que é (Woraus); a técnica/como se faz (Wodurch); e a relação entre a forma e a superfície/como se apresenta (Wie), cria uma relação de análise com o produto artístico.

A forma da arte passa do naturalismo subjetivo ao idealismo objetivo, onde a intencionalidade constitutiva da forma da arte é objetiva. RIEGL (1983) coloca a historicidade e a relatividade do valor artístico em evidência, contextualizando o juízo de valor através do questionamento do ornamento por sua escrita ornamental, seja arquitetônica como figurativa. Neste sentido, “não é central o Was, o conteúdo gráfico iconográfico da obra, mas o Wie, ou seja, a relação entre a forma e a superfície, estrutura da visão e da composição. O fim se constitui em uma determinada relação formal na obra e remete ao Weltanschauung”225. (RIEGL, 1983, p. 266)

A SEMPER (2004) se atribui a contribuição para a explicação técnico-material do estilo, mas referida teoria não é suficiente, bem como, as interpretações do “conhecedor”, que se apresentam para Riegl como um estágio pré-científico, “em que a História da Arte dependia ainda de questões externas como a estética, a técnica, a psicologia, sem ser capaz de apresentar uma visão crítica científica baseada em seus próprios estatutos epistemológicos.” (SCCAROCCHIA, 2006, p. 67).

Se Riegl intencionava desenvolver uma teoria funcional na História da Arte, sua obra “Gramática histórica das artes figurativas”, (1899) é esta teoria, que “não serve ao artista, mas a quem quer compreender a obra de arte, ou seja, o fenômeno, cientificamente. E com isto, não pretende colocar uma introdução à história da arte, mas uma doutrina elementar das artes figurativas.” (SCCAROCCHIA, 2006. Op. Cit., p. 68). Os elementos são retirados do processo de catalogação das obras, do lugar da cientificidade e verdade do conhecimento histórico artístico.

Mas não basta esta ação e posicionamento. A catalogação das obras artísticas deve ser constantemente sujeita a uma critica historiográfica, conscientizando-se de seu limite de conhecimento, que estará sempre ultrapassado, visto ser este definido através da necessidade

225 Weltanschauung, no sentido alemão, significa literalmente visão de mundo ou cosmovisão, sendo adotada em

diversas linguas no seu original para expressar esses sentidos. Suas origens etimológicas remetem ao século XVIII, sendo um conceito fundamental na filosofia e epistemologia alemã, se referindo à uma percepção de

de uma revisão do juízo de valor da obra de arte para uma fruição, não colecionista, mas no intuito da divulgação dos conhecimentos orientados na direção do público de massa. A crítica de Riegl às correntes historiográficas coetâneas não visa somente à imanente História da Arte, mas a uma historia das expressões, na qual os gêneros artísticos manifestam modos muito mais complexos de “ser”, de “existir”.

Segundo Riegl,

A arte figurativa é um fenômeno cultural como qualquer outro e no seu desenvolvimento, dependente dos mesmos fatores que influenciaram o desenvolvimento cultural humano: das visões do mundo como expressão da necessidade de santidade do homem. (RIEGL, 1983, p. 278)

Entre a visão ampla e os elementos que registram gramaticalmente esta visão existe um grande conflito, afirmado por diferentes autores. A Gramática de Riegl é parte essencial da crise da razão clássica, de uma visão fundamentada na crença da sua época de um desenvolvimento cultural humano, representando uma tentativa teórica, segundo SCCAROCCHIA (2006), pós-hegeliana. Como grande conhecedor do pensamento riegliano, referido autor coloca que

A visão ampla não preexiste aos resultados do Kunstwollen. Este “não é um conceito a priori em relação à análise dos materiais ornamentais, arquitetônicos e figurativos e não anula a diferença própria destas estruturas, nem ultrapassa o caráter mediador desde, mas vale como principio hermenêutico, como pesquisa de um sentido em contínuo desenvolvimento e relação com os materiais aos quais se aplica.” (SCCAROCCHIA, 2006, p. 70)

Riegl abre uma análise critica no campo histórico-artístico das relações que acontecem entre “arte e cultura” e, no sentido alemão do termo, “uma Kulturgeschichte (História cultural) que compreende os valores artísticos como parte da síntese social geral; uma Kuntwissenschaft (Arte e Ciência/Visão alemã da Estética) que rediscute continuamente as modalidades de seu fazer e sobre este funda a relatividade dos valores.” (SCCAROCCHIA, 2006, p. 75).

Assim, seguiremos sua metodologia na análise aqui proposta, dos resultados obtidos pelo triplo olhar dirigido aos objetos têxteis, buscando sua iconografia e seu tema (o motivo), sua função e significância (o fim), seu material constitutivo (o material), sua técnica constitutiva (a técnica) e a sua constituição têxtil em seu processo de produção e tridimensionalização como paramento (a relação entre a forma e a superfície).