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1.2. Temsil Kavramı ve Siyasal Temsil

2.1.1. Eski Türklerde Kadın

O conjunto de paramentos que compõe o acervo têxtil da Arquidiocese do Maranhão encontra-se sob regime de comodato na guarda do Museu de Arte Sacra – MAS. Fisicamente, este acervo se concentra na sede do MAS e na sede do Museu de Artes Visuais – MAV, ambos diretamente ligados ao Museu Histórico e Artístico do Maranhão - MHAM, cuja direção está a cargo de Maria Luiza Lima Raposo.197 (FIG.22)

O MHAM198 está instalado no centro de São Luis, tendo sido fundado em 1973. Sua coleção abrange diferentes tipologias artísticas, tais como pinturas, esculturas, mobiliário, objetos utilitários e de decoração, entre outros, constituídos de diferentes tipos de materiais, do período compreendido entre o século XIX e XX. Locado no solar Gomes de Sousa, referido acervo se apresenta exposto num circuito que integra a arquitetura colonial do edifício aos objetos de época, que segundo Maria Luiza Lima Raposo, chefe do MHAM, “fundamentada na nova concepção museológica de que o homem produz os bens culturais e dele se apropria”199 (...) onde as peças são apresentadas ao público de forma didática, contextualizada nos seus usos e costumes da época200.

O acervo dos paramentos da Arquidiocese, sob a guarda do MAS/MA201(situado no solar do Barão de Grajaú), encontra-se, em sua maioria, acondicionados na sede do Museu de

197 Referidos museus serão a partir de então designados por suas siglas, MAS, MAV e MHAM. 198

MHAM – Rua do Sol, nº 302. Centro.

199 RAPOSO, 2009.

200 Segundo Maria da Conceição Monteiro Ribeiro, encarregada dos serviços de Museologia, que me

acompanhou durante os quatro dias em que estive analisando o acervo dos paramentos sagrados da Arquidiocese do Maranhão.

Artes Visuais - MAV202, Maranhão, em um sobrado museu, são de origem portu

FI F

O Arquivo Público proximidades da Catedral d sob sua guarda o acervo do 1914 e suas sucessoras, de

202

MAV – Rua Portugal, n°237.

203 Criado em 1932 pelo Decreto

de 1938, com a intenção do então e em 1957, à Secretaria de Interio do Estado do Maranhão foi recria Nazaré, n°218. Centro.

, próximo à Catedral da Sé da Arquidioc do de fachada revestida por azulejos, que se rtuguesa.

FIGURA 22: Sede do MHAM, do MAS e do MAV FONTE: Arquivo pessoal Soraya Coppola, 2009

FIGURA 23: Sede do APEM FONTE: Foto: arquivo Soraya Coppola, 2009

ico do Estado do Maranhão203 (FIG.23), loc l da Sé da Arquidiocese de São Luis do Mara documental do Estado, oriundo da Secretaria d de 1914 a 1975, bem como o acervo do Arq

7. Praia Grande.

to n°.339 foi anexado à Biblioteca Pública através do De tão Governo do Estado, vinculou seu acervo até 1946 à S rior, Justiça e Segurança. Em 1974, por decreto n°.5266 riado, sendo, em 1978, inaugurada a sede definitiva situa

iocese de São Luis do segundo informação do

localizado também nas ranhão e do MAV, tem a de Governo, de 1750 a rquivo da Secretaria de

Decreto n°462/33. A partir à Secretaria Geral do Estado

66, o órgão Arquivo Público ituada desde então à Rua de

Polícia, de 1842 a 1962, sendo constituído por manuscritos, documentos textuais datilografados e impressos, mapas, plantas, discos e jornais, entrando em reforma a partir de 2009. Desde então, seu acervo vem sendo acondicionado adequadamente, passando por processos de informatização e aclimatização ideais e idôneos, no intuito de manter conservado o conteúdo histórico em seu conjunto encontrado, de grande importância não somente para a História do Brasil como de outras regiões do mundo.

O acervo histórico documental da Arquidiocese de São Luís se encontra sob a guarda do Arquivo Público do Maranhão, sendo que, de modo geral, seu atual estado de conservação é consequência direta do percurso histórico de sua formação, cujas mudanças para diferentes sedes governamentais deixaram suas marcas. Em alguns exemplares estas marcas são irreversíveis, devido à perda parcial de material, principalmente os mais sensíveis, como alguns manuscritos do século XVIII. Mas, o acervo, através de projeto especifico204, vem sendo restaurado em laboratório próprio montado em 1987 e revitalizado em 2010, contando com profissionais e material adequado às intervenções necessárias.

A importância do conteúdo histórico deste Arquivo Público pode ser verificada através das pesquisas realizadas por muitos historiadores brasileiros e estrangeiros de grande peso e, fundamentalmente, pelas pesquisas históricas desenvolvidas na Universidade Federal do Maranhão, cujas publicações foram de singular importância nesta pesquisa.

Contando com recursos próprios e com limitado tempo para o desenvolvimento da pesquisa local, foi graças à colaboração e ajuda de todos os funcionários de referidas instituições que a abordagem do acervo foi possível, realizada com cuidado, qualidade e conteúdo no intuito de alcançar o objetivo preterido. A realidade da situação do acervo têxtil local nos foi apresentada205 em 2009, estando o MHAM solícito em tomar as medidas necessárias, dentro da possibilidade e recursos disponíveis. Materiais de proteção de uso comum foram disponibilizados, tais como, máscaras de pó, luvas sintéticas e guardapós, além

204

A ação é resultado da aprovação do Projeto de Revitalização do Laboratório de Conservação e Restauração de Papéis Lacrepe, cujo objetivo é fazer a restauração de códices e documentos avulsos referentes aos séculos XVIII e XIX. Disponível em: Noticias, APEM,

http://www2.cultura.ma.gov.br/portal/apem/index.php?page=noticia_extend&id=9), 17/06/2010.

205

Diversos cuidados foram necessariamente aplicados, visto que o acervo têxtil de paramentos da Arquidiocese de São Luis que se encontrava na sede do MAV, era considerado, por uma história oral da instituição (sem ter qualquer registro documental que a comprove), como acervo que nos anos 60/70 recebeu desinfestação com o pentaclorofenol (C6HCl5O), conhecido como pó-da-China, que é um composto orgânico, antes utilizado como

desinfetante, fungicida, inseticida, bactericida e moluscocida sintético. No final da década de 80 ele foi banido nos Estados Unido, sendo seu uso proibido em vários países e classificado como muito perigoso pela

Organização Mundial de Saúde. No Brasil, é proibido pela Portaria nº 329/85, autorizado seu uso limitado a certas situações, sendo referida proibição alargada pela Lei 7802/99 que proíbe o uso de substâncias que representem riscos à saúde humana e ao meio ambiente, tendo recebida atenção exclusiva, após o Caso Rhodia, por volta de 1994, pelo projeto de Lei 4762/05, aprovado em 2007.

dos materiais solicitados para a higienização e retorno dos paramentos para seu local de acondicionamento anterior.

Quando do processo de levantamento do acervo do MAS de São Luis, nossa surpresa foi encontrar um conjunto ainda maior que aquele de Mariana, incluindo, além dos paramentos litúrgicos externos, uma enorme quantidade de vestes internas e batinas, bem como vestes de altar, tipologias raramente encontradas nos acervos. Digo surpresa, pois pouca informação tinha-se sobre este acervo, até mesmo se duvidava de sua existência. O museu também não tinha qualquer previsão quanto a sua qualidade e quantidade real, a não ser aquela arrolada no Livro de Tombo, mas que na realidade não representa o conjunto de paramentos da Arquidiocese de São Luis.

Sessenta e seis (66) peças são arroladas no Livro de Tombo do MHAM, pertencente à Secretaria de Cultura do Maranhão, tendo sido adquiridas da Prelazia de Grajaú, através de compra, em 1973, seguindo o n° geral de ordem no Livro, de 1087 a 1152, dos quais duas peças são Missais (1146 de 1902 e 1147 de 1834 ou 1934206). Estas peças pertencem ao MHAN e não à Arquidiocese de São Luis do Maranhão, portanto, não foram fotografadas nem fichadas. No item “Objetos Adquiridos” as peças são descritas de modo geral, informando sua função litúrgica, pela sua denominação, além das informações gerais quanto a seus materiais e algumas medidas, ficando difícil qualquer observação sobre esta coleção, sem ver as peças pessoalmente.

Os materiais têxteis são assim descritos no Livro de Tombo: “moiré branco”, “brocado dourado”, “seda verde”, “seda branca”, “seda vermelha”, “seda roxa”, “seda e brocado dourado”, “Vermelho e branco com bordados em cruz dourada”, “tecidos dourados”, “cetim vermelho”, “gorgurão de seda branca”, “veludo vermelho”, “vermelho com dourado”, “com bordado a cores”, com bordado dourado”, “com pedras coloridas”.

Iniciando os trabalhos de levantamento do acervo numa sexta-feira à tarde, foi possível contar com a quase ausência de visitantes no museu, ficando disponível o pessoal técnico para nos ajudar. O acervo encontrava-se em várias mapotecas de metal cinza, localizadas em um cômodo pequeno do terceiro andar do sobrado do MAV, no qual eram mantidos diferentes tipos de objetos artísticos e materiais que não estavam sendo utilizados. No final de semana o andar foi completamente interditado e demos início à separação do acervo e seu estudo, sendo a equipe do museu formada pela museóloga Maria da Conceição Monteiro Ribeiro e pelo restaurador Sr. Raimundo Firmino Carvalho. (FIG. 24 e 25)

Após a retirada de to removido de cada gaveta organizado por ordem de su arejado naturalmente atravé acesso interditado a qualqu 27)

FIGURA 24: Conceição (Mu Luiza (Diretora do MHAM) e MHAM FONTE: Soraya Copp

FIGURA 26: Cômodo e ma FONTE: Arquivo pessoal Sor

No dia seguinte inic paramentos foram separado iniciado o preenchimento da mais antigas.

e todos os materiais encontrados no interior do eta, das mapotecas, tendo sido previamente sua remoção. O acervo foi locado na galeria ao avés de varandas, bem como por auxilio de um

quer pessoa que não fosse parte da equipe em

Museóloga), Maria ) e funcionárias do ppola, 2009 FIGURA 25: Equipe do M (Restaurador) e Conceiç FONTE: Soraya Co mapotecas do MAV Soraya Coppola, 2009 FIGURA 27: Remoção e FONTE: Arquivo pessoal

iniciou-se a separação das peças para a forma dos, a grosso modo, de acordo com sua prová das fichas previamente produzidas e fotocopia

do cômodo, o acervo foi nte mapeado, para ser ao lado, espaço amplo e um ventilador, sendo o m atividade. (FIG. 26 e o MAV, Sr. Firmino eição (Museóloga) Coppola, 2009 e organização do acervo al Soraya Coppola, 2009 mação de conjuntos. Os vável época, tendo sido piadas, a partir das peças

O objetivo maior era encontrar no acervo de São Luis, peças semelhantes, quanto à forma, aos tecidos e adornos, àquelas encontradas em Mariana. No entanto, diante da quantidade e qualidade do acervo, tendo sido possível, foi feito através destas mesmas fichas, o levantamento de todas as peças, excetuando aquelas do século XX, que foram listadas e fotografadas em conjunto, por cor.

Foram excluídos de referida seleção, vestuários modernos, provavelmente processionais ou de uso teatral, que devem ter sido utilizados àquela época, feitos de tecido sintético e sem estilo ou qualidade que justificasse a realização de fichas. No entanto, estas peças foram fotografadas em conjunto e separadas do acervo, para serem acondicionadas fora da mapoteca, em contentor diverso. Se fossem identificadas, pertencentes ao uso de irmandades ou da própria arquidiocese, sua responsável seria notificada a recolhê-la, visto não ser peça do acervo em comodato.

Referido acervo tem um grande valor de conjunto, visto que além das vestes externas, inúmeras vestes internas de qualidade e específica apresentação de técnicas de tradições antigas se apresentam com singular potencialidade de apresentar as diferentes tipologias do vestuário sagrado, associada ao conhecimento histórico e evolutivo de suas modificações e significados rituais.

Foram criadas fichas simplificadas, especificas para os acervos têxteis, baseadas no cruzamento de dois modelos de referência: as fichas de inventário do Instituto do patrimônio histórico e artístico nacional - IPHAN e as fichas de catalogação têxtil do Centre International d’etude des Textiles Anciens - CIETA. Foram fichadas um número de 282 peças, das quais 216 pertencem, a maioria, ao século XVIII, podendo algumas serem classificadas entre os séculos XVIII-XIX, sendo incluídas na seleção por sua qualidade e quantidade (TAB. 01). No entanto, o levantamento, contando com os paramentos do século XX, perfaz, aproximadamente, uma média em torno de 400 peças. As peças do século XX são características do início do século até os anos 50/60.

As fichas preenchidas foram organizadas em um banco de dados digital foi criado pela aluna Gerusa de Alkmim Radicchi207, do Curso de Graduação em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da EBA/UFMG, selecionada para estágio voluntário. Referido banco será finalizado para ser entregue uma cópia ao MHAM, para consulta interna dos funcionários.

207

Matrícula: 2008046995. Aluna do 8° período do curso de graduação em conservação e restauração de bens culturais móveis.

TABELA 01

Levantamento do acervo arquidiocesano do MAS de São Luis do Maranhão do século XVIII e XIX

OBJETO