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4.3.1. Organik GÕda SatÕn Alma DavranÕú Süreci Modeli
Este estudo tem como corpus de análise a 5ª Parada da Diversidade de Bauru, realizada no dia 26 de agosto de 2012. O evento encerrou a programação de diversas atividades que compuseram a “2ª Semana de Combate ao Preconceito e à Discriminação”, iniciada no dia 19 de agosto, no parque Vitória Régia, a partir do meio dia, com a realização do “Piquenique da Diversidade”. Dezenas de pessoas, entre militantes e simpatizantes ao movimento, estenderam toalhas e compartilharam alimentos e, ao som de música eletrônica e pelo visual que compunha as cores da diversidade, o parque foi palco de um ato que teve como objetivo clamar pelo fim da discriminação e preconceito à comunidade LGBT, ou seja, pela igualdade de direitos da cidadania.
O tema da edição de 2012 “A empregabilidade gera cidadania”, contempla diretamente os objetivos do movimento, uma vez que ressalta a importância da inclusão do público LGBT ao mercado de trabalho. A partir de noções de cidadania já discutidas anteriormente, como “posse de direitos”, o evento chama a atenção para a necessidade de empregabilidade para esse público, muitas vezes excluído do trabalho, em virtude da orientação homossexual, como é o caso de muitos travestis. Essas pessoas, muitas vezes, recorrem à informalidade e à prostituição para sobreviver, o que as transforma em vítimas potenciais de crimes de homofobia.
O evento, previsto em lei municipal, encerra o calendário de eventos do mês de agosto em Bauru, quando se comemora o aniversário da cidade. A organização conta com o apoio do poder público, no entanto, a ABD, por meio de seus associados, voluntariamente operacionaliza a logística do evento. São realizadas reuniões periódicas da Associação com seus membros e o grupo se mobiliza também através de redes sociais, pelo telefone celular, por meio de mensagens trocadas entre o grupo. A divulgação das atividades é realizada, além dessas redes sociais, por meio do site da ABD.
Nesse sentido, é possível classificar, com base nos estudos de Henriques, Braga e Mafra (2007) os atores sociais envolvidos com o processo de mobilização. Esses autores suprimem a tradicional segmentação de públicos, divididos em interno, misto e externo e os definem a partir do relacionamento e comprometimento com o movimento social. Retomando ainda aos trabalhos de Toro e Werneck (2007), os participantes da mobilização também podem ser classificados de acordo com os papéis desempenhados.
No que tange à Parada da Diversidade, o grupo “beneficiado” seria o público LGBT. O vínculo desse grupo com a mobilização não requer, necessariamente, a participação efetiva com os objetivos do movimento, mas condiz com os benefícios advindos de suas lutas. Sendo o propósito do movimento, lutar pelos direitos dos homossexuais, todos que formam o grupo LGBT na cidade compõem os beneficiados. Os legitimadores, por sua vez, são formados pelo público que já tem algum juízo de valor sobre o movimento e pode se tornar colaborador a qualquer momento, como pessoas que se identificam como LGBTs e instituições que conhecem o trabalho realizado e, eventualmente apoiam o movimento. Os geradores são formados pela própria ABD e as entidades que contribuem para legitimar o movimento homossexual na cidade, como os ganhadores do troféu “Eu faço a diferença”.
O movimento da diversidade pode ser classificado dentro da corrente culturalista- identitária. Nessa corrente, segundo Gohn (1997, 2008, 2009), a cultura é a base dos movimentos sociais e a identidade é o elemento que os constrói, numa abordagem da
coletividade. É em nome dessa identidade que suas lutas são direcionadas. O movimento é formado pelas identidades LGBTs, no entanto, não se restringe a esses grupos, pois todos são convidados a participar.
A abertura oficial da 2ª Semana de Combate ao Preconceito e à Discriminação foi no dia 20 de agosto, às 19 horas, no espaço de uma nova casa noturna LGBT na rua Virgílio Malta, com a tradicional entrega do troféu “Eu faço a diferença” (ANEXO E). O prêmio é uma forma de reconhecimento a pessoas físicas e entidades que, direta ou indiretamente participam do combate ao preconceito e discriminação ao público LGBT na cidade de Bauru. Dentre as entidades e pessoas físicas, foram contempladas 15 categorias.
Durante toda a semana do evento, houve atividades. Na terça-feira, 21, a comissão organizadora do evento se dividiu em pontos estratégicos da cidade, principalmente em semáforos, para divulgar a Semana e convidar as pessoas para participar da Parada. Nessa ação, denominada “Pit Stop”, foram distribuídos volantes para a divulgação do evento, preservativos, folhetos com orientações para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e sacolinhas de lixo personalizadas para carro.
A quarta-feira foi composta pela mesa-redonda “As implicações dos diversos tipos de violência com a empregabilidade”, tendo como finalidade “promover reflexões sobre as causas e consequências dos diversos tipos de violência, relacionando-as com a empregabilidade” (ABD, 2012, s.p.). O evento contou com a participação de representantes de diversas entidades que lidam diretamente com o público que representa a diversidade como Movimento da Condição Feminina de Bauru, representante da Defensoria Pública de Bauru, delegada de Polícia de Defesa da Mulher, representante da ABD e outros.
No dia seguinte, foi realizada uma atividade denominada “ações de cidadania”. A atividade aconteceu na praça Rui Barbosa, no centro de Bauru, com apoio de algumas instituições e voluntários, incluindo membros da ABD. Foram prestados diversos serviços gratuitos ao público como corte de cabelo, beleza e estética, foto 3x4, maquiagem, preparação de currículos, carteira de trabalho, divulgação de cursos profissionalizantes, zoonose e outras. No sábado, membros da ABD se revezaram para uma ação no centro da cidade. Foi montado um espaço para a divulgação da Parada, comercialização de camisetas do evento e distribuição de preservativos acompanhados de folhetos com orientações sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
O encerramento da Semana foi realizado, de acordo com a lei 5.972 de 27 de setembro de 2010, no último domingo do mês de agosto, com a quinta edição da Parada da Diversidade de Bauru. O evento, como nas edições anteriores, recebeu público diverso, vindo
de diversas localidades, autoridades, vendedores ambulantes e curiosos. O tom político também foi observado no evento; alguns candidatos para o cargo de vereador fizeram uso do espaço para campanhas eleitorais.
A concentração estava prevista para as 13 horas, em frente à praça da Paz, local em que se inicia a parada. Segundo Rick Ferreira15, o objetivo da concentração é reforçar o objetivo da parada, não apenas enquanto diversão, mas como um ato cívico, como expressão de luta contra o preconceito e à discriminação contra as comunidades vulneráveis, incluindo- se homossexuais (LGBT), mulheres, negros, deficientes físicos e mentais, crianças, idosos e outras categorias conhecidas como “minorias”. Apesar da inclusão dessas categorias, o evento foi majoritariamente composto pela comunidade LGBT, assim como toda a comunicação visual do evento foi direcionada a esse público.
O início oficial da Parada, como tem acontecido nos anos anteriores, ocorreu às 16 horas com o discurso de abertura pelos representantes da ABD e do poder público, seguindo-se a execução do hino nacional. Esses discursos são importantes para resgatar os objetivos do evento, os quais não se restringem à realização de uma festa regada a muita diversão; trata-se de enfatizar a luta do público LGBT por dignidade e pelo respeito a todos enquanto cidadãos. Embora integrem as dimensões de um evento, o espetáculo e a festa, é por meio da argumentação que o evento legitima seus objetivos, reivindicações e a própria existência do movimento na cidade.
Em seguida, os trios elétricos desceram, acompanhados pela multidão de participantes, pela avenida Nações Unidas, uma das principais da cidade, por cerca de dois quilômetros, até o parque Vitória Régia, local em que foi realizado o show de encerramento da Semana. O percurso, que leva aproximadamente duas horas, foi realizado ao som de música eletrônica sob o comando de DJs nos trios elétricos que, juntamente com dançarinos que apresentaram performances coreografadas, animaram o público presente, que promoveu uma diversidade de cores com adereços alusivos ao arco-íris, símbolo do movimento. Em 2012, o evento foi encerrado com a apresentação do grupo musical Teatro Mágico.