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4. BULGULAR VE YORUM

4.11 Onuncu Soruya Yönelik Öğrenci Cevaplarının Analiz

Feitas essas considerações preliminares, empreende-se a tarefa de analisar algumas definições do termo “teoria”, a fim de se poder compreender seu verdadeiro conceito, bem como poder verificar como tal termo se enquadra nos propósitos desta tese. As várias definições são apresentadas individualmente e, ao final do tópico, traz-se um quadro-resumo contendo as principais idéias de cada autor. Estas foram organizadas para se compreender e organizar o conceito em três pilares: o que é teoria, como se constitui (ou se constrói) e para que serve.

Inicialmente, ressalta-se que, conforme se encontrou na literatura, o emprego da expressão teoria é confuso. Martins (2004, p. 1), por exemplo, assevera que “[...] o termo teoria tem sido empregado de diferentes maneiras para indicar distintas questões.” Rudner (1976, p. 26), por sua vez, diz que o termo “[...] teoria é empregado de várias maneiras – muitas delas fúteis.” Já para Bunge (1980, p. 160), “Nas ciências sociais há uma tendência de dignificar com o nome de teoria qualquer amontoado de opiniões, por desconexas e infundadas que sejam. Quase sempre trata-se meramente de quadros teóricos ou de doutrinas.” Espera-se, com este tópico, oferecer um pouco de luz a essa confusão.

Rudner (1976, p. 27) começa sua explanação sobre o conceito de teoria com uma definição ampla em que “Uma teoria é um conjunto sistematicamente relacionado de declarações,

incluindo algumas generalizações em forma de lei, que é empiricamente comprovável.” Esse relacionamento sistemático, segundo o autor (1976, p. 36), dá-se de forma dedutiva, ou seja, uma teoria científica constitui um sistema dedutivo. Mais adiante (1976, p. 37), sintetiza, caracterizando uma teoria científica “[...] como um conjunto dedutivamente relacionado de declarações.”

Quanto à idéia de as declarações estarem sistematicamente relacionadas, Rudner (1976, p. 27) esclarece: “[...] não compete à ciência, meramente, coligir fragmentos desconexos, fortuitos, isolados, de informação.” Ainda para esse autor (1976, p. 27), “[...] é um ideal da ciência dar uma explicação organizada do universo – conjugar, interligar, ajustar, em relação de mútua subordinação, as declarações que consubstanciam o conhecimento adquirido.”

Bunge (1980, p. 41) trilha o mesmo caminho de Rudner (1976), porém substituindo a expressão “sistematicamente” ou “dedutivamente” por “logicamente”. Segundo o autor, “Uma teoria é um contexto fechado com respeito às operações lógicas. Em outras palavras, uma teoria é um conjunto de proposições ligadas logicamente entre si e que possuem referentes em comum.”

Destaque-se que Bunge (1980, p. 161) recorre às definições de dicionário para explicar que “[...] uma doutrina é um corpo de idéias suscetível de ser transmitido ou ensinado. Ao contrário, uma teoria é uma doutrina muito especial: é um sistema hipotético-dedutivo, ou seja, um corpo de idéias organizado logicamente.” Mais à frente (1980, p. 161), o autor especifica: “Mais precisamente, uma teoria é um conjunto de proposições, todas elas referentes a um dado assunto [...], e tais que cada uma delas é ou uma premissa [...] ou uma conseqüência lógica de outras proposições da teoria.”

Ao final, assim como encontrado em Rudner (1976, p. 27), Bunge (1980, p. 161) também acrescenta à sua definição o aspecto da necessidade de comprovação empírica para que seja uma teoria, afirmando: “Finalmente, uma teoria científica é uma teoria comprovável empiricamente, ou pelo menos convertível (por especificação ou agregado de premissas) numa teoria verificável mediante dados observacionais ou experimentais.”

Como se verifica, tanto Rudner (1976) quanto Bunge (1980) destacam a questão da comprovação empírica em suas definições de teoria. Além disso, Bunge (1980) sintetiza a

teoria como um sistema hipotético-dedutivo enquanto Rudner (1976) fala somente em sistema dedutivo. Ora, essas duas idéias remetem a Richardson (1999) e Martins (2004).

Na visão de Richardson (1999, p. 29), a última etapa do método científico consiste na aceitação ou rejeição da hipótese. O autor esclarece que, “Por meio desse processo, utilizamos os resultados para construir, reforçar ou questionar determinada teoria.” Chama atenção, no entanto, para o fato de que “[...] uma teoria não é mais que uma hipótese confirmada por diversos pesquisadores em várias oportunidades.” Semelhantemente, Martins (2004, p. 2) afirma que, “À medida que a investigação avança, as hipóteses podem ganhar status de pretensa teoria, a ser reconhecida após confirmações advindas de novas evidências e investigações conduzidas por outros cientistas.”

Ressalte-se o cuidado sugerido pelos autores citados no sentido de que a hipótese, enquanto teoria, necessita não só de sua confirmação repetidas vezes, mas também por diferentes pesquisadores.

Ainda sobre isso, Richardson (1999, p. 36) lembra Popper, para o qual “[...] a única maneira de testar um argumento científico é comprovar sua refutabilidade empírica.” Nesse sentido, “Uma teoria pode ser reconhecida como científica à medida que for possível deduzir dela proposições observacionais singulares, cuja falsidade seria prova conclusiva da falsidade da teoria. Portanto, para testar uma teoria, devemos utilizar o método dedutivo.” Esses aspectos de verificação empírica e refutabilidade estão detalhados no tópico seguinte deste capítulo.

Entrando por uma perspectiva um pouco diferente daquelas anteriormente apresentadas, Matallo Jr. (in CARVALHO, 1994, p. 27) acrescenta, ao conceito de teoria, a idéia de provimento de explicações, a saber:

[...] as teorias científicas são conjecturas que se apresentam como estruturas, que fornecem explicações tanto para as regularidades como para as irregularidades da natureza. Estas estruturas engendram programas de pesquisa, onde novos fatos são incorporados ao campo de explicação, e este tende a ser sempre ampliado, até que esbarra em ocorrências que não podem ser explicadas pela teoria. O acúmulo destas ocorrências pode provocar crises na teoria e, então, surgem novas conjecturas que tentam dar conta das discrepâncias. É esta a imagem kuhniana da ciência.

Um questionamento torna-se imprescindível nesse momento: Cabe a uma teoria apenas explicar os fenômenos? Deveria ela [a teoria] também descrevê-los, dizendo o que eles são?

Considera-se a seguinte posição de Martins (2004, p. 1) mais abrangente que a de Matallo Jr. (1994), no tocante a esse aspecto: “A teoria, entendida como um conjunto de conhecimentos com graus diversos de sistematização e credibilidade, se propõe a explicar, elucidar, interpretar e unificar um dado domínio de fenômenos sociais.”

Kerlinger (1980, p. 75) traz alguns ingredientes diferentes a essa discussão, quais sejam, a relação entre variáveis e a idéia de constructo. Conforme as idéias do autor, uma teoria é um conjunto de constructos (conceitos), definições e proposições relacionadas entre si, que apresentam uma visão sistemática de fenômenos especificando relações entre variáveis, com a finalidade de explicar fenômenos da realidade. Note-se que, enquanto Kerlinger (1980) fala, somente, em explicar, Martins (2004) considera explicar, elucidar, interpretar e unificar.

Asti Vera (1980, p. 146), por sua vez, prefere tratar o conjunto de constructos, definições e proposições de Kerlinger (1980) por leis científicas. Segundo aquele autor, “Uma teoria é um sistema de leis científicas, um complexo lógico de relações invariantes que, ao mesmo tempo, generaliza e explica sistematicamente as formulações legais.” Veja-se que o autor traz a conotação de sistematização e complexo lógico, já discutidos pela maioria dos autores anteriormente apresentados, bem como a função da explicação. Porém, acrescenta a idéia de generalização e, para tanto, considera que as relações precisam ser inalteradas para que se considere uma teoria, ou seja, tem de estar presente a figura das relações permanentes.

A definição cunhada por Belkaoui (apud IUDÍCIBUS, 1996, p. 22) contempla um novo aspecto: “[...] teoria pode ser definida como um conjunto de conceitos que permite apresentar uma visão sistemática dos fenômenos analisados, através da especificação das relações entre as variáveis, com o propósito de explicar e predizer o comportamento do fenômeno [...]” Observe-se que este complementa as visões anteriores, acrescentando a idéia de predição.

Para Koontz e O’Donnell (1981, p. 12), “Teoria é um agrupamento sistemático de princípios inter-relacionados.” Os autores entendem que “Princípios são verdades fundamentais – ou o que se acredita ser verdade num determinado momento – que explicam as relações entre dois ou mais conjuntos de variáveis.” Veja-se que os autores trabalham na mesma linha dos anteriores, porém focando na idéia de princípios e somente na função de explicação.

Finalmente, Kaplan (1975, p. 302) inaugura outra perspectiva dessa discussão sobre teoria: “Uma teoria é forma de atribuir sentido a uma situação que nos perturba, de maneira a permitir-nos utilizar mais eficazmente nosso repertório de hábitos e, o que é mais importante, modificá-los ou afastá-los inteiramente, substituindo pelos novos que a situação imponha.” E continua:

Sob essa perspectiva, na lógica reconstruída, a teoria surgirá como um meio para interpretar, criticar e unificar leis estabelecidas, modificando-as para se adequarem a dados não previstos quando de sua formulação e para orientar a tarefa de descobrir generalizações novas e mais amplas.

O autor ainda sintetiza (1975, p. 304) que “[...] uma teoria é um sistema de leis.”

Portanto, perante as diversas definições encontradas na literatura sobre o termo teoria, é possível construir um quadro-resumo que contemple os pontos que compreendem o conceito desse termo. Vale dizer que foram encontrados, em praticamente todos os autores analisados, os três pilares que formam o conceito de teoria, conforme espelha o Quadro 3, a saber: o que é teoria, como se constrói ou se constitui a teoria, ou seja, como se materializa, e para que ela serve.

Quadro 3 – Concepções das definições do termo teoria, segundo a literatura

Concepções Autor (es)

PILAR 1 O que é Teoria? Conjunto de enunciados sistematizados

1 Conjunto de declarações sistematicamente/dedutivamente relacionadas Rudner (1976)

2 Conjunto de proposições logicamente relacionadas Corpo de idéias logicamente organizado Bunge (1980)

3 Conjunto de conhecimentos sistematizados Martins (2004)

4 Conjecturas na forma de estruturas Matallo Jr. (1994)

5 Generalizações em forma de lei Rudner (1976)

Asti Vera (1980)

6 Sistema de leis científicas Kaplan (1975)

7 Proposições observacionais singulares Richardson (1999)

8 Conjunto de constructos, proposições e definições relacionados Kerlinger (1980)

9 Agrupamento sistemático de princípios (verdades fundamentais) inter-relacionados Koontz e O’Donnell (1981) Kerlinger (1980)

10 Visão sistemática de fenômenos Belkaoui

(apud IUDÍCIBUS,1996)

11 Conjunto de conceitos Belkaoui (apud IUDÍCIBUS,1996)

PILAR 2 Como se materializa a Teoria? Sistemas de hipóteses que denotam relação entre variáveis

1 Sistema hipotético-dedutivo Bunge (1980)

Rudner (1976)

2 Sistema dedutivo Richardson (1999)

Martins (2004)

3 Hipóteses confirmadas diversas vezes por diversos pesquisadores Richardson (1999)

4 Complexo lógico de relações invariantes (permanentes) Asti Vera (1980) Kerlinger (1980)

Koontz e O’Donnell (1981)

5 Relações entre variáveis

Belkaoui

(apud IUDÍCIBUS,1996)

PILAR 3 Para que serve a Teoria? Funções e Aplicações

Rudner (1976) Kerlinger (1980)

1 Explicar fenômenos da realidade

Matallo Jr. (1994)

2 Explicar as relações entre variáveis Koontz e O’Donnell (1981)

3 Explicar, elucidar, interpretar e unificar fenômenos sociais Martins (2004)

4 Explicar e predizer o comportamento do fenômeno Belkaoui (apud IUDÍCIBUS,1996)

5 Interpretar, criticar e unificar leis estabelecidas Kaplan (1975)

6 Generalizar e explicar sistematicamente as formulações legais Asti Vera (1980)

Portanto, com base no Quadro 3, consegue-se reunir as idéias gerais a respeito do que compreende uma teoria, as quais formam parte da plataforma teórica desta tese:

− Aspectos conceituais (Pilar 1): uma teoria é um conjunto de enunciados, declarações, proposições, conjecturas, idéias, conhecimentos, generalizações, leis científicas,

princípios, constructos, definições e/ou conceitos relacionados e organizados sistematicamente, estruturalmente, dedutivamente e logicamente.

− Aspectos operacionais (Pilar 2): uma teoria se materializa através de um sistema hipotético-dedutivo de análise de relações entre variáveis, ou seja, de confirmação de hipóteses.

− Aspectos utilitaristas (Pilar 3): uma teoria destina-se a interpretar, elucidar, explicar, prever, predizer, unificar e generalizar os fenômenos.

Ressalte-se ainda que, conforme Rudner (1976) e Bunge (1980), uma teoria tem que oferecer a possibilidade de ser comprovada empiricamente, sendo que, para Richardson (1999), com base nas idéias de Popper, o que vale é a refutabilidade empírica, ou seja, colocar a refutabilidade à prova.