4. BULGULAR VE YORUM
4.12. On Birinci Alt Probleme İlişkin Bulgular ve Yorumlar
Pierry Lévy (1999) inicia o capítulo O digital ou a virtualização da informação, do livro Cibercultura, falando do Bezerro de Ouro. Mas o que seria esse Bezerro de Ouro? Em Saint Denis, na França, acontece, a cada dois anos, uma exposição de arte, denominada Artífices. No ano de 1996, o principal artista da exposição foi Jaffrey Shaw, um criador de artes virtuais muito reconhecido na área. No ano mencionado, levou para expor uma arte intitulada “Bezerro de Ouro”. Lévy (1999) descreve que, ao invés de ver uma grande estátua, enxerga o nada, apenas uma tela plana, digital, que indica os caminhos para se chegar até a arte. Depois de percorrer todas as indicações digitais, ele se depara com uma estátua, linda, brilhante, um Bezerro de Ouro, mas que só existe na forma digital. É uma obra com existência externa, não havendo nada interior, apenas a imaginação de quem a aprecia. O autor diz que o Bezerro de Ouro, ao assumir a forma virtual, indica o tempo em que estamos vivendo, a era digital, ícone idolatrado pelos sujeitos contemporâneos. É por meio desse exemplo que o autor inicia sua conversa sobre a digitalização, que é o elemento principal da virtualidade.
Lévy aplica três sentidos à palavra virtual. O primeiro seria o “técnico, ligado à informática, um segundo, corrente e um terceiro filosófico. O fascínio suscitado pela ‘realidade virtual’ decorre em boa parte da confusão entre esses três sentidos” (LÉVY, 1999, p. 47). Filosoficamente, a virtualidade provém da potência e não do ato. Em outras palavras, o virtual ocorre antes de sua formação, sendo então uma dimensão da realidade. Porém, na maioria das vezes, o termo virtual é usado para designar substâncias não reais. Nesse sentido, parece que algo não pode ser real e virtual. No entanto, na Filosofia, o virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual, pois virtual/atual são dois modos diferentes de realidade. O virtual é a potência que tem várias possibilidades de criação. Na verdade, é o campo da criação, o atual é o virtual acontecendo.
A virtualidade implica a ubiquidade, não tem território fixo, demarcado, ela está em toda parte, por todo lugar. E, mesmo que a virtualidade não tenha lugar específico, não podemos dizer que ela não seja real. De acordo com Lévy (1999, p. 48),
o virtual existe sem estar presente. Acrescentamos que as atualizações de uma mesma entidade virtual podem ser bastante diferentes umas das outras, e que o atual nunca é completamente predeterminado pelo virtual. Assim, de um ponto de vista acústico e também semântico, nenhuma atualização da palavra se parece exatamente com nenhuma outra, e há pronúncias (nascimentos de novas vozes) ou sentidos (invenções de novas frases) imprevisíveis que, no entanto, podem sempre aparecer. O virtual é uma fonte indefinida de atualizações.
Diante disso, Lévy (1999) nos diz que a cibercultura se conecta ao virtual de modo direto e indireto. Pensando no modo direto, os arquivos que estão na parte interna do computador podem ser transferidos para outra máquina facilmente. Esses, então, são quase virtuais, uma vez que são facilmente transferíveis de um local ao outro. A informação precisa de um espaço físico, porém não deixa de fazer parte do sistema virtual, pois se faz presente em cada local da rede onde é pedido. Já o modo indireto favorece outros meios de virtualização da informação, como as técnicas mais antigas: a escrita, a gravação de som, o rádio, a televisão e o telefone. Esse é um movimento virtual que começou há algum tempo. Então, “o ciberespaço encoraja um estilo de relacionamento quase independente dos lugares geográficos (telecomunicação, telepresença) e da coincidência dos tempos (comunicação assíncrona)” (LÉVY, 1999, p. 49). Em suma, podemos dizer que o avanço tecnológico e o crescente poder de virtualização aquecem o mercado, do mesmo modo que transformam a sociedade, por intermédio de novas práticas e subjetivações.
Nessa linha de pensamento, Lévy (1999) nos diz que a relação com o saber muda à medida que ocorrem mudanças tecnológicas. Isso nos leva a pensar que uma pessoa com várias habilidades adquiridas durante sua carreira pode ver tudo se transformar quando já estiver se aposentando. Além disso, ele nos diz que o trabalho tem uma nova natureza, pois exige criatividade, produção de saber, cooperatividade. Ademais, o ciberespaço sustenta tecnologias que concedem aos seres humanos funções cognitivas como:
Memória (banco de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos os tipos), imaginação (simulações), percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos). Essas tecnologias intelectuais favorecem:
- Novas formas de acesso à informação: navegação por hiperdocumentos, caça à informação através de mecanismos de pesquisa, knowbots ou agentes de software, exploração contextual através de mapas dinâmicos de dados;
- Novos estilos de raciocínio e de conhecimento, tais como a simulação, verdadeira industrialização da experiência do pensamento, que não advêm nem da educação lógica nem da indução a partir da experiência. (LÉVY, 1999, p. 157).
Com o auxílio desses aparatos tecnológicos, é possível desenvolver habilidades, aumentando o potencial individual e coletivo de inteligência dos seres humanos. Todavia, os olhares têm que se voltar para o processo de formação da educação. Nada pode ser previsto com muita antecedência, visto que as transformações tecnológicas acontecem a todo momento. Sendo assim, é necessário arquitetar novas estratégias para ensinar e produzir conhecimento. O conhecimento, agora, deve ser visto como algo não linear, posto que precisa ser ressignificado com frequência para acompanhar a evolução humana e tecnológica.
Lévy (1999) discute igualmente sua experiência como professor ao trabalhar com manuscritos e, em curto espaço de tempo, quando foi apresentado ao computador e às demais tecnologias. A World Wide Web atingiu rapidamente grande parte da população e se tornou, em poucos anos, fator-chave do ciberespaço. Para o autor, World Wide Web é como se fosse um grande corpo que carrega dentro de si vários órgãos essenciais. Nessa rede há um vasto cruzamento de ideias e hiperligações que podem ser feitas pelo próprio usuário: “Na Web, tudo se encontra no mesmo plano. E, no entanto, tudo é diferenciado. Não há hierarquia absoluta, mas cada site é um agente de seleção, de bifurcação ou de hierarquização parcial” (LÉVY, 1999, p. 160). A Web, então, é uma grande rede que articula vários pensamentos que permitem ao sujeito filtrar as informações para encontrar o que deseja.
A Web não é algo fixo, estacionário, ela está em constantes transformações o tempo todo. Há uma “chuva” de informações na World Wide Web e qualquer sujeito pode contribuir para isso. Lévy (1999) cita Roy Ascott para afirmar que esse enorme acúmulo de informação pode ser um segundo dilúvio, o dilúvio de informações. Partindo do princípio que esse dilúvio não tem volta, propõe que devemos nos acostumar e nos organizar para passarmos por ele, pois não voltaremos à estabilidade experimentada anteriormente.
O relacionamento com o saber mudou a partir da Revolução Industrial, no século XVIII, dando ao que se chamava de tecnologia outra conotação na sociedade. Antes disso, apenas uma pequena parcela da sociedade dominava os saberes e era capaz de propô-los aos outros. Já no século XX, com a expansão populacional e tecnológica, as formas de conhecimento também se expandiram a tal ponto que as informações foram divididas em vários conjuntos que Lévy (1999) chama de pequenas totalidades. No entanto, essas pequenas totalidades são efêmeras, constroem e se reconstroem a todo tempo em meio ao dilúvio. Portanto, as páginas da Web nos permitem refletir sobre ideias, navegar em meio a conteúdos que nos inspiram desejos, comprar coisas das quais nos identificamos.
Antes, o principal meio de saber era transmitido pelos livros. Contemporaneamente, o saber é transmitido principalmente no ciberespaço, onde “o portador direto do saber não seria mais a comunidade física e sua memória carnal, mas o ciberespaço, a região dos mundos virtuais, por meio do qual as comunidades descobrem e constroem seus objetos e conhecem a si mesmas como coletivos inteligentes” (LÉVY, 1999, p. 164). Hoje, todo o mundo precisa da tecnologia para realizar suas tarefas diárias, das mais simples às mais complexas. Portanto, o ciberespaço é um grande centro econômico, com um grande potencial de armazenamento de memória. Então, para o autor, em pouco tempo, o ciberespaço será mediador da inteligência coletiva humana, se já não o é.
Para salientar as questões que envolvem as mudanças educacionais e suas relações com o saber, Lévy (1999) alude à forma como o sistema educativo se encontra. Nessa lógica, parte significativa da população está nas escolas, nas universidades e nos centros de formação profissional. Isso quer dizer que o número de alunos subiu, porém não houve aumento de professores.
Lévy (1999, p. 172) lança a seguinte pergunta: “Como manter as práticas pedagógicas atualizadas com esses novos processos de transação de conhecimento?” Ele responde que não quer dizer que a tecnologia deva ser inserida na sala de aula de qualquer maneira. Porém, é preciso começar a perceber que a sociedade vive uma nova era e que essas
mudanças também devem afetar as práticas educativas. Por isso, é necessário questionar e refletir sobre os modos de inserir a tecnologia, mas aliando-a de maneira a construir conhecimento, beneficiando alunos e professores. Essa discussão também é salientada por Paula Sibilia (2012, p. 208), quando lança as perguntas: “Para que necessitamos de escolas, hoje em dia? O que queremos que esses estabelecimentos façam com as crianças e os jovens contemporâneos, ou com aqueles que ainda virão adiante?”. Essas, entre outras questões, serão dialogadas no próximo capítulo.
Neste capítulo discutimos alguns cenários que envolvem os sujeitos e suas constituições, conexões e relações tecnoculturais e culturais. Tentamos, assim, apresentar mecanismos, procedimentos e formas que estão envolvidos, de uma maneira ou de outra, com a educação e a tecnologia. Nosso intuito foi apresentar toda uma discussão que igualmente envolve o tema de pesquisa deste trabalho (a produção dos sites das escolas de Mariana-MG). Daqui em diante, trazemos uma discussão que alude à sociedade conectada, uma “hiperconexão”, e como são os efeitos dessa nova era digital nas escolas.
Além disso, trazemos Deleuze (1992) para refletir sobre os processos de subjetivação como dobras, bem como Bauman (2001) e Paula Sibilia (2012), para discutirmos sobre a luta contra o confinamento das tecnologias digitais na educação. Além disso, voltamos a analisar a questão do hibridismo do ser para colocar em voga as questões da constituição do sujeito.