• Sonuç bulunamadı

5. SONUÇ VE ÖNERİLER

5.2. Öneriler

5.2.9. On birinci Alt Probleme İlişkin Öneriler

Ao tomarmos os sites das escolas da cidade de Mariana-MG como objeto de estudo, com o objetivo de problematizar suas lógicas de funcionamento e compreender de que maneira eles atingem o público escolar, procuramos analisar o contexto de sua produção levando em consideração a cultura digital construída nesse ambiente. Para tanto, lançamos mão de um conjunto de metodologias e instrumentos para cumprimento dos objetivos geral e específicos desse trabalho. Percebemos que ter realizado todas essas combinações metodológicas nos permitiu capturar um conjunto relevante de dados para culminância deste trabalho. Lembramos que nos inspiramos nos Estudos Culturais para desenvolver esse estudo. Isso porque escolhemos e estudamos, primeiramente, o objeto da pesquisa (potencialização do objeto) para, posteriormente, adotar os métodos. Sendo assim, nos guiamos por essa linha para dar centralidade aos sujeitos, às suas práticas culturais e subjetivações.

Nessa linha de pensamento, buscamos um suporte teórico que pudesse se alinhavar ao nosso tema de pesquisa. Nos capítulos subsequentes ao metodológico, destacamos os modos de subjetivação e as práticas culturais, bem como a hibridização do ser humano. Nosso principal aporte teórico para esse tema foi Sibilia (2002; 2012), Deleuze (2005), Kunzru (2009), Haraway (2009), Silva (2009) e Doel (2001). Também trouxemos, em nossas análises, alguns conceitos dos Estudos Culturais e da Cibercultura. Dessa maneira, podemos dizer que não se trata de uma pesquisa dentro do referencial teórico inteiramente do campo dos Estudos Culturais, mas de inspiração em suas estratégias de abordagem, como já mencionado anteriormente.

Verificamos por intermédio de nossas análises, que, das 52 escolas do município de Mariana-MG, apenas cinco possuem site. Os conteúdos desses sites foram analisados e, para complementar os dados obtidos, fizemos um trabalho de campo em duas dessas escolas com os métodos já reportados. Sendo assim, pudemos identificar, com relação ao contexto de produção dos sites, que eles foram criados essencialmente para realizar a comunicação sobre os fatos ocorridos na escola. De acordo com os entrevistados (produtores dos sites), formalizar um site facilita o contato entre a comunidade extraescolar e intraescolar, além de ser um local no qual as redes sociais também podem ser divulgadas. Por isso, ter essa ferramenta em mãos é o mesmo que abrir um leque de informações sobre um determinado local.

Notamos, pela análise dos questionários, que a comunidade escolar conhece os sites, porém não participou ou participa de sua produção e alimentação, e que o acesso ocorre razoavelmente, apenas se for necessário. Além disso, quando há esse acesso ao site, realizam em casa, raramente na escola (pelos alunos) ou no trabalho (pelos pais). Ademais, o smartphone é o aparelho digital usado com maior frequência pelo público pesquisado para acessar o site. Vale ressaltar que, quando o acesso ao site é feito, os sujeitos buscam, com maior regularidade, por galeria de fotos, boletins, informações gerais, notícias, planos de atividades e atividades pedagógicas. Percebemos que a maior incidência de busca está relacionada a atividades que requerem atualização constante do site. Em nossas análises, vemos que essas atualizações nos sites não eram constantes. Consequentemente, esse é um fator relatado por algumas das mães, que faz diminuir a incidência do acesso.

Com relação às sugestões dos sujeitos para os sites, várias são as opções dadas por eles, como uma página dedicada à cada matéria para interação on-line, tarefa on-line e não escrita, manter as informações atualizadas, jornal on-line, uma página reservada à edição dos alunos, vídeos sobre questões resolvidas, resumo da matéria feita pelo professor com os pontos mais relevantes, divulgação das matérias e das datas de provas, jogos educativos, calendário escolar, horários das aulas, cardápio dos lanches, reformulação do site, configurá-lo novamente para deixá-lo de “cara nova”, com informações atualizadas diariamente. Deduzimos, então, que os sites atendem parcialmente o desejo dos pais, alunos, professores e até mesmo da direção/coordenação escolar, visto que ainda falta comunicação entre as partes para criar um produto que atenda a todos.

E é pensando em todas essas sugestões e no contexto de criação dos sites que trouxemos as discussões com relação às práticas culturais e aos modos de subjetivação. Nesse sentido, percebemos que as tecnologias permitem ao homem, por meio de experimentações, criar novas formas de vida que suscitam resultados em seus corpos e suas subjetividades. Dessa maneira, as diversas ferramentas tecnológicas que utilizamos cotidianamente representam um formato social. É, então, por meio desses aparelhos tecnológicos que realizamos ações diárias, como fazer compras, estudar, pagar contas, transferências bancárias, entre tantas atividades. Em consequência dessas ações, fizemos várias reflexões sobre o que estamos nos tornando a partir do momento em que novas práticas acontecem e também que novas subjetividades surgem. E chegamos à conclusão de que o homem não é apenas homem e muito menos homem-máquina, é um ser hibridizado, indissociável da tecnologia que vem cada vez mais o constituindo.

Afirmamos essa questão com os dados que colhemos. Obtivemos 97 questionários respondidos entre pais, alunos, professores, diretor e coordenação pedagógica em que 42,5% dos sujeitos ficavam mais de 12 horas conectados. Isso significa que esses corpos já não são os mesmos de décadas atrás e que vão em busca de uma virtualidade que potencialize cada vez mais suas ações no dia a dia. Além disso, 49,6% das pessoas sentem-se muito irritadas quando ficam sem internet. Embora saibamos que essa conexão dos sujeitos é constante, ainda há inibição dos aparelhos tecnológicos e da internet no ambiente escolar. Nossa pesquisa de campo nos indicou isso quando os alunos relataram a pequena incidência de uso das tecnologias digitais e da internet na sala de aula. Por isso, compreendemos que esse modelo escolar não atende ao alunado emergente, pois os métodos escolares e centenários não condizem com as subjetividades e práticas culturais vivenciadas pela sociedade nos dias atuais.

Nessa linha pensamento, vale ressaltar que todas as relações externas, práticas sociais e culturais interferem diretamente na constituição e na formação de si. Consequentemente, a subjetividade advém do poder e do saber, no entanto, não depende desses fatores. Portanto, a subjetividade é composta por dobras. Essas dobras exprimem um conjunto de significados do que há fora e do que há dentro para formar uma subjetividade, criação de relações consigo mesmo. Isso porque essas dobras ocorrem em circunstâncias diferentes em arranjos submersíveis, induzindo à formação de subjetivações irredutíveis. Logo, entendemos que não há sobras, não há restos para o indivíduo, pois ele se ressignifica cada vez mais, com mais frequência. As forças se conflitam e ressoam no interior do sujeito, produzindo relações externas diferentes das anteriores. Assim, lutar por uma subjetividade significa ter o direito de ser diferente, o direito de se metamorfosear sempre que desejar. A ideia de dobra, então, é primordial para a compreensão do que é um processo de subjetivação. Portanto, é por intermédio da dobra que pensamos as produções ao longo do tempo e nas relações estabelecidas consigo e com os outros no mundo.

Alunos e professores vivem uma realidade fora da escola e outra na escola. Pelos dados que coletamos, ilustrativamente, observamos que 74,5% dos sujeitos utilizam o smartphone com muita frequência. Porém, na escola, esse uso, na maioria das vezes, é proibido. Com base nos questionários respondidos e na entrevista netnográfica que realizamos, percebemos que os alunos sentem grande necessidade de utilizarem as tecnologias no espaço escolar e extraescolar. Dessa forma, os alunos, principalmente os jovens, utilizam muito a tecnologia para estudar. No tempo em que eu estive no grupo de WhatsApp deles, não houve um dia em que não conversassem sobre alguma questão, mandassem fotos de atividades, vídeos

e resolução de exercícios. Por isso, proibir o uso das tecnologias digitais é uma medida radical. Seria quase o mesmo que confinar o aluno, levá-lo a um modelo analógico de sociedade. Em vista disso, entendemos que insistir em formas tradicionais de ensino afasta os alunos do desejo de aprender, aproximando-os da vontade de apenas serem aprovados ao final de um ano. Isso também acontece com os professores que se sentem “de mãos atadas”, levando a situação da maneira que podem.

Então, se somos seres hibridizados, quer dizer que alcançamos um novo patamar de subjetividades. Pertencemos a um outro mundo, com novos elementos, estamos em processo, somos o processo, um ser renovado, uma nova carne. E esse lugar em que os ciborgues vivem não é algo do futuro. A “era do ciborgue” se faz agora! Estamos vivendo-a constantemente, todos os dias, basta termos os artefatos tecnológicos ao nosso alcance. Isso posto, ser um ciborgue não significa o quanto de tecnologia carregamos em nosso corpo. Tem a ver com a incorporação dos aparelhos tecnológicos nas nossas práticas diárias. O mundo do ciborgue é um mundo repleto de redes, de conexões, de entrelaçamentos. Logo, somos humanos e máquinas, carne, porém também metal, somos seres complexos e hibridizados.

De acordo com nossa pesquisa, percebemos que os sujeitos se consideram muito hábeis para utilizar a internet. Os professores preparam suas aulas com grande frequência também com seu auxílio, no entanto, não a utilizam na escola onde trabalham. Há todo um processo estrutural e tecnológico na sociedade que não para de avançar e a escola permanece confinada, distante das redes e suas várias conexões. O problema é que o aluno, o professor e, de certa forma, todos os agentes escolares não migram suas subjetivações quando estão no ambiente escolar. Acreditamos que aí há um choque de subjetividades, visto que as atividades escolares ainda não se adaptaram às novas práticas tecnológicas do contexto extraescolar.

Ainda cabem aqui outros questionamentos que merecem nossa atenção: por que as escolas públicas não têm site? Além disso, por que não são todas as escolas particulares que têm site? Quais as funções pedagógicas de um site para escola? Em função dos limites da pesquisa, essas e outras questões ainda estão em aberto. Esperamos, entretanto, ter contribuído com os estudos sobre tecnologia na educação, a fim de suscitar novas pesquisas sobre o tema.

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