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Okulun ekonomik görevi

Belgede EĞİTİM SOSYOLOJİSİ (sayfa 78-83)

6. OKULUN TOPLUMSAL GÖREVLERİ

6.2. Okulun ekonomik görevi

Para as mulheres participantes deste estudo, aceitar a menopausa, compreender as mudanças corporais, sem questionamentos, é resignar-se aos desejos de Deus, conforme depoimentos a seguir:

“... Deus manda para o corpo o sinal de ser mulher e de deixar de ser mulher...” (VIOLETA)

“Deus mostra a hora de começar e mostra a hora de terminar. Quando a

menstruação vai embora, a gente tem que aceitar as coisas como elas são, porque Deus mesmo disse que tudo tem tempo para acontecer. Apois então, pronto, umas vão virando mulher e outras vão deixando de ser mulher (MARGARIDA)

Podemos perceber a existência de um ser superior que tem influência ou poder de determinação no destino humano. Nesse contexto, a Fé foi um tema que acompanhou os diversos discursos da vida, seja para explicar momentos vividos, seja para apaziguar eventos sofríveis. Esta Fé, declarada pelas mulheres, foi descrita como elemento de ajuda na compreensão e na aceitação da vivência da menopausa, a qual pode ser reconhecida na fala abaixo.

“ aprendi que com a idade a mulher ia mudar para poder dar descanso ao corpo...a sra já pensou se a mulher pudesse ter menino até morrer. Do jeito que tem gente sem juízo no mundo e não teme os castigo de Deus, era capaz de ter um monte de velha de cabelo branco com barriga pela boca. Aí Deus disse: deixe eu mesmo resolver isso e fazer a menstruação parar por ela mesma. E o bom é que é com todas, todas as mulher. Se fosse pra durar a vida toda, Deus não tinha feito a menstruação acabar em uma certa idade. Esse é o sinal que já está na hora de parar. Nem mais vou ao médico para cuidar de coisa alguma da vagina ou do útero porque está tudo parado. Deus sabe o que faz com a vida de cada cristão. Se a gente passa por essas coisas é porque tinha que passar mesmo.” (JASMIM)

“Eu penso: DEUS é tão perfeito. Deus mesmo é quem encaminha, e a gente

deve de aceitar o caminho do corpo sem se maldizer ou perguntar. Ele sabe como deve ser a mulher e por isso já manda” (HORTÊNCIA).

“...DEUS sabe de tudo, manda virar moça para casar, cuidar de casa e ter filho e, com os tempo tira isso que para a mulher viver a velhice assossegada.” (TULIPA)

Devemos, desde já, considerar que todas as religiões estabeleceram, ao longo de suas histórias, normas sobre a sexualidade e sobre o exercício da sexualidade pelos seres humanos. Assim é que encontraremos normas para a conduta sexual do ser humano nas religiões cristãs, no islamismo, no judaísmo, no budismo, enfim, em qualquer lugar onde o ser humano tenha ou pretenda

ter um contato com o sagrado, encontraremos leis que regulam e disciplinam a sexualidade humana.

De acordo com o conceito judaico, do primeiro dia do ciclo menstrual até o dia do banho ritual de purificação, a mulher judia permanece no período de niddah que em hebraico significa “separado” (Kaplan, 1992). Neste período o casal se “afasta sexualmente”. Segundo a Torá, enquanto houver o fluxo sangüíneo vindo do útero, a mulher não poderá ter relação sexual, já que enquanto ato sagrado objetiva trazer uma alma para este mundo.

Podemos entender as relações entre a sexualidade humana e a religião ocorrendo principalmente através de duas vias, uma que fala dos mistérios associados à sexualidade e à religião e outra que trata da função socializadora da religião. A primeira via, aproxima-se mais da questão do sentido da vida e da existência humana; a outra via, fica mais perto da questão da explicação do mundo, isto é, como deve ser exercida a graça da vida, neste caso, como deve ser exercida a sexualidade humana.

Para a Antropologia, a religião é parte de todas as culturas sendo um importante quadro de referência pessoal, que carreia crenças / valores e aponta o significado não só para as situações imediatas vivenciadas, mas, para as razões do homem no mundo. Assim é que a religião por muito tempo, em diversos locais, estabeleceu o discurso castrador e repressor diante dos corpos e de diversos eventos da vida, principalmente, naquelas questões vinculadas ao prazer.

Partindo do conceito de que a religião é a crença na existência de forças divinas, sagradas e imutáveis, constatamos que as mulheres recorrem às explicações sobrenaturais para os fenômenos da vida. Destarte, deixam

para traz o mundo profano e se aproximam do sagrado, e isso, inclui resignação ou como parte da natureza feminina na terra ou como ato de purificação. Além do mais, para estas mulheres o imutável está dado e pronto, só lhes resta aceitá-lo (ou não).

De acordo com Filoramo e Prandi (1999), a maioria dos teóricos afirma que a religião surgiu, entre os seres humanos, com duas finalidades: explicar o mundo e dar um sentido à vida das pessoas. Para qualquer uma dessas finalidades, a religião vai lidar com os mistérios da vida. Toda religião pretende responder, para alguns, a partir do discurso sagrado questões incompreensíveis. Para eles, uma das principais funções da religião é dar aos seres humanos normas sobre a vida, regras, leis sobre como deve ser o comportamento das pessoas.

Se nos recordarmos dos mandamentos divinos, iremos constatar que nada mais são do que leis que disciplinam o comportamento humano em sociedade. Embora hoje a sociedade disponha de outras instâncias (principalmente a ética, a moral, a Economia e a Medicina, além, é claro, da própria religião) que regulamentam o comportamento das pessoas, a princípio, esse papel era essencialmente da religião.

A grande maioria das mulheres tem suas idéias, crenças e costumes relacionados ao corpo e ao uso dele, originários no conhecimento religioso partilhado na família / comunidade ou no código moral estabelecido, em algum momento da história de suas vidas.

A igreja, através dos manuais de confissão, controlou, puniu e normalizou os corpos femininos à luz dos princípios religiosos, dentro dos

moldes da obediência e do recato e elaborou um saber sobre a sexualidade feminina (Del Priore, 2000a). Podemos constatar esta evidência nas falas:

“Eu já sofri por demais, eu vivo porque Deus consente. Sou muito desgostosa dessas coisas que aconteceram na minha vida. Elas mudaram meu coração, eu sonhava, sonho de pobre mais sonhava, agora morri. E digo todo dia se ele (se referindo ao marido) for embora vai ser a benção de Deus na minha vida. Porque pelo gosto de Deus mulher não se larga do marido, mas se for ele que saia aí vou poder dizer a Deus: ai Jesus, o que é que posso fazer?” (ROSA) “... O fim da menstruação me fez pensar por um momento que Deus não quis que eu tivesse filho e constituísse minha família. E eu dizia, mas Deus eu queria tanto e o Sr. não mandou. Mas aí depois desse balançado na minha cabeça fui pensando e me lembrando de que a gente tem o livre arbítro e que as escolhas são nossas, que Deus disse faz por ti que eu te ajudarei e, talvez eu tenha procurado alguém que não existiria nunca porque o homem a minha altura não existe. Existe muitos homens e a gente vai precisar se esticar e se abaixar para conseguir os sonhos” (ÍRIS)

“Meu pai morava no sítio e me prometeu a um cumpade dele e quando eu fui crescendo e o filho dele era mais velho e se interessou mesmo por mim e eu também, mas ainda era criança e meu pai disse que era para esperar eu virar moça que era o sinal de DEUS que podia casar e ter filho” (GÉRBERA).

Todas as religiões são constituídas por um sistema de crenças (a maneira da fé se expressar), sistemas de ética (as leis que regulam e orientam o comportamento humano) e sistemas de organização (a maneira como a instituição religiosa vai se hierarquizar) (Delumeau, 1997). Grosso modo, cabe ao sistema de organização interpretar e fazer cumprir o sistema de Ética. De certo modo, há de se considerar, também, que se não fosse o controle e a regulamentação que as religiões fizeram sobre os instintos humanos, a vida em sociedade seria inviável, ao menos, da forma como a conhecemos hoje.

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