12. TOPLUMSAL DEĞİŞME VE EĞİTİM
12.1. Gelişme ve sosyal değişme
O relatório fotográfico referente à expedição de exploração da Gleba Monte Alegre e aos primeiros trabalhos de constituição do que seria posteriormente o núcleo urbano de Mariápolis (SP), realizado em 1942 pela Cia. CIMA, expressa de maneira clara as condições sob as quais se deu o que até este momento foi denominado frente pioneira.
Desde a queimada da mata, a extração da madeira – recurso econômico importante como mercadoria e matéria- prima – a retirada das raízes, a transposição de obstáculos naturais como cursos d |gua e, sobretudo, o estabelecimento de vias acessíveis à região, até se chegar à construção dos primeiros estabelecimentos de apoio para a fixação de uma população - todo o processo se configura no
verdadeiro esforço de colonizaç~o interior de Pierre Monbeig (1984: 237).
Figura 166-169 Primeiros desbravamentos e fixação na região de Mariápolis, [194-?]. Arquivo Bata Oliveira.
Oliveira, em pesquisa realizada no início de 2006, relata a vividez das imagens que permearam as recordações da população habitante das margens do Rio Paraná:
Figura 165 Capa do Relatório Fotográfico Exploração Gleba Monte Alegre (Mariápolis), c. 1940. Centro de Memória Jindrich
O roteiro de entrevista previa um conjunto de questões relativas a este tópico [relação da colonização com o ambiente natural]. As descrições obtidas ressaltaram não apenas a presença de mata densa, mas detalhes do desmatamento e uso do solo. Muitos entrevistados detalhavam os tipos de árvores encontradas na região, seja para aprofundar os comentários sobre o comércio de madeira (valor comercial, atividades de corte e transporte), mas também na construção das casas (nas paredes divisórias, colunas de sustentação ou em telhados de tábuas de cedro), mobili|rio: O que nós tinha...
de cama, tinha um guarda-ropa feito em oficina tamém... tudo feito de madera de cedro naquele tempo. Tinha cedro dessa grossura. A casa era tudo coberta com cedro, tabuinha. Podia vir a tempestade que fosse que num arracava um, que era tudo pregado . (OLIVEIRA, 2008: 203).
Ainda neste caso, a localização do futuro empreendimento guardava certa distância com as estradas de ferro, tanto a Sorocabana quanto a Paulista, o que demandava ainda maior cuidado no planejamento dos trabalhos de colonização. Assim como na colonização, os empreendimentos rodoviários particulares seriam mais eficazes na resolução destas questões, de acordo com Monbeig,
As estradas novas procuravam especialmente as pequenas lavouras que se ensaiavam nas florestas afastadas da estrada de ferro. As administrações municipais, sustentadas pelas companhias de estrada de ferro e pelas empresas de colonização, esforçavam-se em desenvolver uma política rodoviária, procurando incorporar às suas circunscrições, através das estradas, as zonas capazes de progredir (1984: 199).
Assim é que, por exemplo, logo no início dos trabalhos, é construída uma primeira ponte sobre o Rio do Peixe (1940), considerada pela Cia. C)MA uma obra prima da engenharia nacional , para que a madeira extraída pudesse ser escoada para a serraria da Cia. em )ndiana (SILVA: 2003); a mesma ponte seria substituída na década de 1950 por outra mais resistente às inundações. O engenheiro civil Gothard Kunzli teria projetado uma ponte pênsil e realizado outros trabalhos para a CVSP-MT, dentre eles levantamentos topográficos de glebas (núcleo de colonização Presidente Kennedy, Gleba Recanto e Gleba Caiuás, todos no atual Mato Grosso do Sul) e outros projetos.
A CVSP-MT era desde 1911 proprietária das terras onde se situa Mariápolis. Os planos para colonizá-la puderam ser efetivados apenas quando dos avanços das linhas férreas da Companhia Paulista e da Sorocabana em direção à margem esquerda do Paraná.
O plano de Mariápolis contaria com um ramal de estrada de ferro que integraria a cidade e sua área rural à cidade de Adamantina e à estrada de ferro da Companhia Paulista por um lado, e à Indiana e à Estrada de Ferro Sorocabana por outro. Ghirardello comenta que, no caso dos povoados erigidos sob influência da Noroeste do Brasil, a ferrovia, além de agir na vida econômica do povoado, permitindo a sua integração viária determinava também o traçado deste, que se articulava a partir das estações ferroviárias, além do que,
Outra condição favorável para a formação do núcleo foi a proximidade da água, que corria junto às instalações da ferrovia e acabaram por servir a futura povoação. Como vimos, a C.E.F.N.O.B. através das bombas a vapor, os chamados
burrinhos 87
, elevavam |gua dos córregos para caixas d |gua, dispostas próximos às chaves e estações (GUIRARDELLO, 1999: 171).
A exemplo disto, no caso da implantação de Mariápolis pela CVSP-MT (Cia. CIMA), a implantação do núcleo se realiza próxima ao Rio do Peixe, em meio à mata, como escreve Bata em seu di|rio: Temos que derrubar o mato para formar caminhos de rodagem, ligando o futuro
patrimônio com a civilização do norte e sul, leste e oeste BATA apud SILVA, 2003: 54).
Sendo originalmente parte da Gleba Fazenda Monte Alegre, no vale do rio do Peixe, entre as E. F. Paulista e E. F. Sorocabana, Mariápolis começaria a tomar forma com o início da venda dos lotes pela Cia. CIMA em 1943, sendo o primeiro lote comprado pelo colono Antonio Jacomeli. Mariápolis é um dos objetos dos muitos relatos e escritos produzidos por Jan Bata durante a sua vida no Brasil, e recebeu este nome em homenagem à esposa do empresário, Marie. Um trecho de seu diário apresentado por Silva permite vislumbrar os primeiros momentos do desbravamento do local:
[...] Temos que construir uma ponte sobre o rio do Peixe para facilitar a ligação entre as zonas da Paulista e da Sorocabana.
[...] Temos que construir uma serraria para facilitar as construções não de ranchos e sim de casas permanentes dos agricultores, que comprariam a terra. Temos que construir uma olaria lá, para facilitar a construção ainda mais definitiva e evitar cobertura de palha, perigosa e pouco saudável.
[...] Temos que fazer um plano geral da cidade, lotear a terra, para que seja assegurada a vida dos agricultores assim como a existência da cidade, que deve lhes proporcionar amparo, higiene, saúde, escolas, centro de comércio e divertimento. Temos que planejar todas as necessidades de antemão, sem deixar nada ao hazarde [deixar à sorte]. Uma vez a cidade começou a ser construída, custa muito mais tentar completar o que foi esquecido no início (SILVA, 2003: 54).
Se Mariápolis começou a ser desbravada por Jan Bata em 1942, pouco depois de instalar- se com suas companhias agroindustriais em Indiana (como a Cia. CIMA), o caráter tomado pelo planejamento daquele núcleo urbano parece diferenciar-se aos poucos dos projetos idealizados de Batatuba e da Vila CIMA. A implantação de Mariápolis parece assemelhar-se mais ao avanço das frentes pioneiras , com a superaç~o de obst|culos naturais, a construç~o de infra-estrutura primária, a relação da chegada dos trilhos da linha férrea com a expectativa de sucesso do núcleo urbano projetado, o caráter quase que estritamente rural das atividades iniciais. Devido ao histórico de Jan Bata, as atividades industriais - e agroindustriais - seriam previstas. Mas, dada a natureza do espaço geográfico e social em que Jan Bata passaria a atuar, a ênfase, agora, parece ter sido a de, primeiramente, colonizar.
87 Segundo Silva (2003: 50), cabia ao núcleo de colonização da CVSP-MT em Indiana o abastecimento de água para os
trens da E. F. Sorocabana através do burrinho a vapor, na estaç~o Laranja Doce, localizada na gleba de mesmo nome, também propriedade da CVSP-MT.