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Demokratik okul

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7. OKULUN TOPLUMU BÜTÜNLEŞTİRME VE MEŞRULAŞTIRMA

7.3. Demokratik okul

Apesar disto, tais motivos não seriam os únicos, pois a ausência de Bata na historiografia arquitetônica e urbanística já seria sentida em obras acadêmicas fundamentais produzidas durante o entreguerras, época florescente para os arquitetos da Cia. Bata. Tal fato caracteriza-se como uma terceira particularidade da pesquisa, qual seja, as alternadas condições de ausências e

presenças da produção Bata nos livros especializados.

Por outro lado, uma ausência quase total da produção de Bata foi revelada numa pesquisa bibliográfica preliminar em obras fundamentais e paradigmáticas para se entender o significado cultural da arquitetura e urbanismo modernos, e que forneceram referências duradouras de arquitetos e obras, como Pioneers of the Modern Movement: from Willians Morris

to Walter Gropius (1936) e Los Origenes de La Arquitectura Moderna y El diseño (1969) de

Nikolaus Pevsner, e Espacio, Tiempo e Arquitectura: El futuro de una nueva tradición (1941) de Siegfried Giedion.

Outras obras paradigmáticas também revelam esta ausência, como Modern Architecture:

romantism and reintegration (Henry Russel Hitchcock, 1929) e The International Style: Architecture sine 1922 (Henry Russel Hitchcock e Philip Johnson, 1932), embora esta última faça

referência a dois arquitetos que trabalharam na Companhia Bata, Ludvik Kysela e Bohuslav Fuchs. Fuchs também é citado na antologia de 1940 de Alfred Roth, The New Architecture citada por Kenneth Frampton. O autor Frampton recupera, em 1980, as referências aos arquitetos e às obras de Roth e de Hitchcock e Johnson, na obra Modern Architecture - A critical view. No capítulo Avaliação Crítica e Extensão até o presente, tendo em mente as referências a Kysela (no caso, uma fachada da loja Bata de Praga) e Fuchs, Frampton observa que

O único país que sempre foi inadequadamente representado em qualquer exposição do Estilo Internacional é a Tchecoslováquia, e uma história apropriada do movimento funcionalista tcheco ainda está por ser escrita. E referindo-se especificamente ao The International Style, o autor é mais severo:

Talvez o mais grave fosse não mencionarem o papel catalisador desempenhado pelo crítico Karel Teige, cujo grupo Devenstil era a força motriz por trás da ala esquerdista do movimento funcionalista tcheco (FRAMPTON, 2003: 307). Importa aqui observar que a abordagem da arquitetura e do urbanismo em Teige foi de grande influência em círculos intelectuais mesmo fora de seu país natal. Sua crítica tinha um aspecto social evidente em escritos com os quais colaborava em diversas publicações em seu país, tendo desenvolvido estudos sobre o problema habitacional, a exemplo da obra The

Minimum Dwelling (A Habitação Mínima), originalmente publicada em 1932 e onde faz

No livro de Frampton há outra referência indireta à arquitetura da companhia Bata, desta vez em capítulo sobre Le Corbusier, que projetou um plano urbano para Zlin em 1935. Zlin é exemplificada como modelo de cidade-linear industrial na qual Corbusier baseou-se para desenvolver um dos três tipos de unidades produtivas humanas em Les Trois Établissements

humains, de 1944 (FRAMTON, 2003:220).

Outro exemplo de ausência de citações à arquitetura tcheca na bibliografia já clássica da arquitetura e urbanismo modernos é no livro Arte Moderna, de Giulio Carlo Argan, cujos itens elencados para definir a matriz moderna articulam-se de forma estreita com os pressupostos projetuais da Cia. Bata:

A luta pela arquitetura moderna foi [...] uma luta política, mais ou menos inserida no conflito ideológico entre forças progressistas e reacionárias; prova- o o fato de que, lá onde as forças reacionárias tomaram o poder e sufocaram as forças progressistas (com o fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o predomínio da burocracia de Estado [...] na URSS) a arquitetura moderna foi reprimida e perseguida. A arquitetura moderna se desenvolveu, em todo o mundo, segundo alguns princípios gerais: 1) a prioridade do planejamento urbano sobre o projeto arquitetônico; 2) o máximo de economia na utilização do solo e da construção [...] 3) a rigorosa racionalidade das formas arquitetônicas [...]; 4) o recurso sistemático à tecnologia industrial, à padronização, à pré-fabricação em série [...]; 5) a concepção da arquitetura e da produção industrial qualificada como fatores condicionantes do progresso social e da educação democrática da comunidade (ARGAN, 1992: 264).

Tanto o Arte Moderna (1992), quanto as obras Projeto e Destino (1965) e Clássico e Anti-

Clássico (1984) não fazem referência à arquitetura tcheca ou de Bata. Para citar brevemente

outras obras fundamentais onde Bata está ausente: De Ledoux a Le Corbusier: origen y desarrollo

de la arquitectura autónoma (Emil Kauffman, 1933); História da Arquitetura Moderna, As Origens da Urbanística Moderna, História da Cidade e Projectar a Cidade Moderna (todas de Leonardo

Benevolo). Em outras, por vezes, aparecem referências à arquitetura tcheca e a Karel Teige:

Architectura Contemporanea (Manfredo Tafuri e Francesco Dal Co); La Esfera y el Labirinto

(Manfredo Tafuri).

No livro Teorias e História da Arquitectura de Manfredo Tafuri (1979: 125) há um croquis de Le Corbusier para o pavilhão Bata da Exposição Internacional de Paris de 1937, onde pode ser observado um avião no primeiro plano e ao fundo os planos para a cidade da Cia. na França, com os escritos indicando Bata Hellocourt , nome da cidade. Apesar disto, infere-se do texto que Tafuri usa a imagem mais para corroborar uma digressão sobre Le Corbusier do que propriamente para fazer referência a Bata.

Retomando os aspectos da pesquisa bibliográfica realizada pela pesquisadora, observou- se que, por conta do panorama histórico anteriormente citado, o material levantado sobre a produção arquitetônica e urbanistica internacional da Cia. Bata apresenta uma característica interessante: ou são textos produzidos antes de 1948 (DUBREUIL, 1936; PODESTA, 1936; SERT,

1942; HANN, 1944; POKORNY, 1947), ano da consolidação do governo comunista na Tchecoslováquia, ou são textos mais recentes, produzidos a partir dos anos 1990, quando a chamada Revoluç~o de Veludo levou à derrubada do governo comunista e à realização de eleições livres, tendo como conseqüência o desmembramento da Tchecoslováquia em República Tcheca e Eslováquia (SLAPETA, 1991, 2009; NOVAK, 1993; LESNIKOWSKI, 1996; SMITH, 2005; TOPOLCANSKA, 2005a e 2005b; GATTI, 2003; MORAVCIKOVA, 2004; e outros). A exceção fica com o livro de GOLDZAMT (1980) chamado, não por acaso, de O urbanismo na Europa socialista.

O conhecimento e a divulgação da produção arquitetônica e urbanística da Cia. Bata durante a segunda metade do século XX, principalmente a produção externa à Zlin, são esclarecidos no comentário de Maria Topolcanska:

[…] Even Bat a contemporaries had an ambivalent relationship to his architecture and town planning. This explains why the rationalist conceptions of town planning, typification an unification of Bat a architecture appeared in the professional press only occasionally. It was in the 1990s only that several studies and exhibitions emerged that reflected and evaluated from a distance the architectural and social work concern in Czechoslovaquia. Most of the attention is paid to Zlín, the company s headquarters and to the most important personalities from the Bat a Company are rarely mentioned and evaluated as marginal. The first comprehensive studies on Batovany-Partizanske [uma das cidades-em-série da Companhia]architecture and society originated in the year 2003 on the basis of the complex research led whitin the framework of the Modern Movement Neighborhood Cooperation project (TOPOLCANSKA, 2005a: 57).

Este fragmento é revelador do fato de Bata ser desconhecido também fora do Brasil. É notório o seu desconhecimento aqui, mas a ambivalência com que era visto (assim como sua arquitetura e seu urbanismo), retirou-o da história da arquitetura e do urbanismo em geral, tendo esta história vindo à tona em publicações, na grande maioria, muito recentes.

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