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Okul yönetimine katılımın fazla olduğu okullar ile az olduğu okullardaki öğrenci

BÖLÜM 4: BULGULAR

SONUÇ VE ÖNERĠLER

3 Okul yönetimine katılımın fazla olduğu okullar ile az olduğu okullardaki öğrenci

No poema, conforme notamos, há dois segmentos temporais, um ligado ao passado remoto, no qual entrevemos a disputa cotidiana entre os protagonistas (expresso pelas orações subordinadas), e outro relacionado ao passado recente (referido pelas orações principais), no qual se desenrola o solilóquio amistoso.

Esses dois segmentos temporais equivalem a duas maneiras diferentes de vivenciar a espacialidade, formando, assim, uma antítese: o espaço da discórdia e o da comunhão.

Assim, no passado mais longínquo, apesar de não termos nenhuma qualificação ou descrição objetiva do ambiente, sabemos que ele é margeado pela luta frequente dos protagonistas.

Podemos inferir que esse espaço da discórdia liga-se, simbolicamente, à postura ereta. Deduzimos isso com o apoio de um dado textual: o adjunto adverbial do terceiro verso do poema (“nesse dia”) permite-nos inferir que o anjo se senta apenas nesse dado momento e não nos outros. Isso nos autoriza a seguinte leitura: em tal dia o anjo sentou-se, mas nos demais não.

Outrossim, podemos reforçar essa tese devido à anterioridade de tal situação corpórea. Antes de se sentar, estar em pé é uma ação premente e certa. Também temos a possibilidade de sublinhar, a partir do verbo “passar” (“O anjo que em meu redor passa...”), a postura ereta do anjo. Se o anjo passa ao redor do eu lírico, isso se dá pelo movimento, pelo caminhar, atitude essa que acontece necessariamente pela postura ereta.

Por outro lado, a luta que aqui se configura, pela total falta de especificação, pode ser um luta meramente moral, fato que não exige a postura ereta dos dois participantes. Nesse sentido, não temos, textualmente, nenhum indício de que o eu lírico esteve em pé nesse tempo mais remoto, no qual a luta se configura.

Entretanto, a despeito dessa falta de detalhe, a postura ereta de pelo menos um dos personagens já denota uma relação de tensão, de conflito com o espaço e com o outro protagonista.

Tal condição postural, assim, implica uma relação específica com o espaço. Estar em pé é desafiar a gravidade e, nesse sentido, é uma empreitada do universo da ação, do movimento, do estar desperto para a vida:

Nessa postura [a ereta] o homem se liberta da direta ligação com o entorno, e a direção para cima inclui, ao mesmo tempo, o significado metafórico do conceito. “A postura ereta”, enfatiza Straus, “aponta para cima, deixando o solo. Ela é a direção oposta contra as forças de ligação, aprisionadas, da gravidade. Ao levantarmo-nos nós começamos a nos libertar da dominação imediata das forças físicas”. Pois, na postura ereta, o homem se realiza em sua liberdade e se coloca livremente contra o meio ambiente. O homem ganha nela uma postura clara em relação às coisas do mundo. O espaço ao redor se torna campo do olhar livre. [...] E, por causa dessa distância, então o mundo se torna para ele objeto, ao qual ele pode se relacionar em liberdade. “No levantar-se”, reforça Straus, “o homem ganha um status no mundo; diante dele, ganha a possibilidade de se comportar com autonomia, de conformar o mundo e a si próprio”. A relação de tensão entre homem e mundo caracteriza, assim, o homem em sua postura ereta. (BOLLNOW, 2008, p.182)

A postura ereta demarca para os protagonistas do poema um espaço de ação e liberdade. Nesse campo minado, estar em pé significa subjugar o ambiente pela força. O

quarto torna-se mais que mero ambiente vivencial, ele transforma-se em lugar onde o ser é em preponderância, em contagiante estado de alerta. Dessa forma, diferentemente do gesto de embalar no qual os olhares estão em ângulos distintos, as personagens fitam-se olho a olho, cara a cara, em uma afronta repleta de sinceridade.

Prosseguindo pelas orientações de Bollnow, podemos perceber nessa região do passado uma disputa não apenas existencial, mas também a luta para demarcar um determinado lugar. À disputa pela vida, segue-se a batalha para garantir a existência em um determinado ponto do cosmos. Conforme iremos detalhar mais a frente, o anjo, metáfora da morte, representa a possibilidade de aniquilamento da voz poética e, por conseguinte, a dissolução do espaço, do estar no mundo desse eu lírico. Afirma o filósofo alemão:

[...] porque as pessoas devem se dividir na estreiteza do convívio no espaço vital disponível, surge entre elas a relação de rivalidade. Se um se expande desrespeitosamente, isso se dá às custas do outro. Um somente pode ganhar espaço ao tomá-lo do outro. No contexto da luta geral pela existência, surge a luta pelo espaço vital, na qual um somente ganha às custas do outro. (2008, 274)

Essa briga pela vida, portanto, é acompanhada pela rivalidade na busca da delimitação de um espaço. Nas entrelinhas do texto, podemos vislumbrar ecos dessa disputa, em que a luta contra o anjo se configura como tentativa de ganhar espaço, de se manter fixo em uma região do universo.

Nesse sentido, tal espaço difere-se do outro, aquele do afago, do abraço entre os protagonistas dessa pequena saga lírica. Aqui podemos notar a transição do estar em pé para a postura em que o eu lírico encontra-se deitado na cama (ou recostado no colo do anjo, postura próxima ao estar deitado). Nesse sentido, vislumbramos uma mudança também no nível ontológico. Bollnow, citando Vetter, afirma: “a transição da postura em pé para a horizontalidade do solo é mesmo uma desistência do enfrentamento que o homem” assume para com o espaço (2008, p.184). O mundo torna-se distante, longínquo. Os apelos, as exigências do cotidiano, não surtem efeito para aquele que está deitado. Assim, para o eu lírico, o estar deitado é o ato da espera, da longa espera pelo mistério da morte simbólica e da comunhão mística, ponto nevrálgico da vida em que os aspectos mundanos perdem importância.

Dessa forma, se o gesto de embalar representa uma reconciliação sincera, tal ação, portanto, reside no campo semântico dos corpos transidos pela energia da comunhão. Essa possibilidade de leitura insere o espaço do quarto no âmbito das localidades transfiguradas

pela reciprocidade do afeto. Bollnow descreve esse espaço, em que a anuência entre os viventes se dá pelo convívio harmonioso. Dessa forma, não há necessidade da força para se ganhar terreno. Consegue-se tal feito pela delicadeza do afeto: “no âmbito mental há uma força da evolução pessoal pacífica, que é retirada da luta pelo espaço vital da seguinte maneira: desde o início, ela não faz questão de impor-se mediante força externa. Abdicando do uso da força, age por meio de um poder de convencimento irresistível” (2008, p.278-279). Tal poder é o da pulsão do afeto. Nessa nova espacialidade, “uma evolução se processa, sem que com isso algo seja subtraído do espaço do outro” (BOLLNOW, 2008, p.279). Esse “é o espaço da pura ausência do recurso à força, no qual se desdobra a existência puramente espiritual. Ela cria seu próprio espaço, sem torná-lo objeto de litígio com mais ninguém” (BOLLNOW, 2008, 279).

Entretanto, mesmo havendo perfídia da parte do anjo, tal leitura sustém-se, pois tal personagem pode justamente estar usando o efeito dessa conquista, para seduzir o adversário e subjugá-lo pelo fascínio, pela terrível arma de uma delicada sedução.

Podemos perceber, portanto, que ocorre no poema não somente uma drástica mudança de atitudes (do ódio ao amor), mas também de formas completamente opostas de lidar com o espaço. Essa transição verifica-se sem nenhuma explicação, sem nenhuma justificativa.

Conforme notamos, a relação do anjo com a pessoa lírica é irredutível à compreensão objetiva. Sabemos que ambos vivem uma espécie de pacto, em que ódio e amor, graça e violência, alimentam esse encontro, dando-lhe vida. Tal relação, assim, possui como vício um jogo de ternura e desprezo e é tal jogo que delineia essa duas formas de espaço, configuradas, cada qual, em um determinado tempo.

Se pensarmos que o anjo é realmente sincero em sua atitude de amparo, temos então a caracterização desse espaço transido pela comunhão, pela reciprocidade de almas em atração. Se assim for, esse espaço deixa de ser um campo minado, para se tornar o local angelical, tal como Bollnow mais uma vez nos salienta:

É no espaço angelical que se processa esse encontro. O caráter angelical iria, nesse contexto, caracterizar um ser que, sem a exigência egoísta do poder, realiza uma existência puramente espiritual. Pelo fato de uma tal existência criar espaço para além de si mesma, ganha sentido muito profundo o paradoxo uma vez formulado por Swendenborg: [...] quanto mais anjos, mais espaço livre. (2008, p.280)

Essa existência puramente espiritual dar-se-ia, no texto, pela conformação do momento de êxtase, em que a comunhão das personagens atinge o ápice, semelhante ao momento culminante do gozo erótico.

Para além da ambiguidade que marca a relação dos heróis do poema, um fato é inegável: com a mudança da qualidade da relação de ambos (da luta para a súbita comunhão), o espaço também sofre uma metamorfose: deixa de ser uma trincheira, um campo de guerra, para se tornar o lugar onde reside o afeto, a comunhão erótica, coroada pelo estertor místico.