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Okul-aile birliğinin personel iĢleri ve okul iĢletmesinin yönetimine katkısına yönelik yönetici görüĢleri nasıldır?

BÖLÜM 4: BULGULAR

4.2. Okul-aile birliğinin personel iĢleri ve okul iĢletmesinin yönetimine katkısına yönelik yönetici görüĢleri nasıldır?

Em um primeiro momento, ao lermos o poema “O anjo”, podemos notar uma escassez de referenciais em relação ao espaço. É como se todo o desenrolar da refrega entre os personagens se desse no vácuo, no vazio. Há uma quase invisibilidade dos aspectos físicos do lugar. Não temos explicitamente enunciados os dêiticos espaciais: ali, acima, do lado, em baixo (com exceção de “meu redor” que, como veremos, não torna preciso nenhum detalhe do espaço em si). Também não encontramos nenhuma descrição dos detalhes físicos do lugar. Há, portanto, uma espécie de lisura, de achatamento dos aspectos dimensionais do espaço.

Todavia, se fizermos uma leitura mais atenta, poderemos verificar que tal efeito é apenas aparente. Essa invisibilidade poderia ser total, caso não houvesse alguns detalhes

capazes de mudar completamente essa perspectiva vazia. Assim, o espaço concretiza-se através de alguns poucos elementos. Por eles podemos nos nortear pela geografia do texto, redimensionando todo o ambiente do poema. Referimo-nos a um objeto de imensa importância e, consequentemente, às ações por ele determinadas: o leito do eu lírico e os movimentos físicos das personagens orientados por essa mobília.

Por outro lado, tal achatamento, tal escassez de descrição, é de suma importância para a intensificação de alguns sentidos no texto. Esse espaço aparentemente translúcido, quase invisível, faz com que as personagens fiquem em um primeiro plano, em uma perspectiva a frente da própria espacialidade. É como se elas estivessem recortadas, em destaque, sublinhadas, distantes de tudo o que possa contaminar o contato humano, ou, pelo menos, desviar o foco da leitura para algo que não seja relacionado ao drama dos protagonistas. Isso intensifica a relação deles em uma espécie de atrito, de convívio demasiadamente íntimo. Nada se imiscui entre eles, nada está aquém ou além, apenas o leito. Com efeito, esse recurso intensifica o clima de disputa e afabilidade entre o anjo e a voz poética, em um intricado jogo corporal em que os vultos dos integrantes são exaltados de maneira hiperbólica.

Se não temos uma caracterização detalhada do espaço, em que os elementos físicos são realçados, o leito orienta a narratividade do texto, a ordem dos movimentos. Dessa maneira, os atos de sentar e embalar, altamente concretos, delineiam sentidos, segmentos do espaço pelos quais podemos nos orientar. Assim, tomamos conhecimento da postura do anjo, expressa pelo verbo sentar.

Por essa ação, podemos saber de um estado anterior, em que o anjo se encontrava em pé. Isso nos desvela uma antítese de posturas, de maneiras físicas de portar-se no espaço. Tal oposição de atitudes delineia-nos sentidos importantes. Estar em pé liga-se à ação do combate, da luta, ao passo que o ato de sentar abre-nos a perspectiva da afabilidade, da suposta benevolência do anjo.

Os demais gestos estão ligados ao passado, ao cotidiano da luta entre as personagens, expressos pelas orações subordinadas. Assim, sabemos, pelo único dêitico, “ao redor”, que o anjo perambulava na proximidade do eu lírico e com ele lutava. Tais ações não nos dão uma referencialidade espacial exata, uma definição ou descrição do lugar. São gestos esparsos a indicarem apenas o clima de embate entre os protagonistas.

Por outro lado, na última estrofe, não temos nenhuma indicação espacial, apenas verbos relacionados à transmutação espiritual do eu lírico.

Assim, o leito nos autoriza fazer a analise do espaço a partir de inferências que, longe de serem imprecisas, levam-nos à única concretização possível da espacialidade, da geografia do texto.

No poema, a cama nos insere na parte mais intimista de uma casa: o quarto. A casa, conforme sabemos, é um lugar de aconchego, de intimidade. Nesse aspecto, ela difere-se de outras localidades, em que tal intimismo não é possível. A esse respeito, Schimid lega-nos importantes apontamentos:

A casa acolhe. Atende a um conjunto de necessidades básicas de segurança, envolvimento, orientação no tempo e, principalmente, no espaço. É como se oferecesse consolo interminável ao ser humano, lançado no mundo. E na casa, a qualidade mais importante parece ser o conforto.

Já o mundo, este excita. Desde a infância, atrai em movimento centrífugo. Contamina de paixão os adolescentes e os incita a saírem de casa. Não se mudam para outro lar mas, de maneira simbólica ou por vezes literal, para a rua. [...] Ao mesmo tempo, o mundo se revela desconfortável, o antônimo de casa. (SCHIMID, 2005, p.13)

Se a casa é o lugar do sossego, do repouso, a rua, em oposição, é a região dos perigos, das atitudes frente ao mundo. Em casa, o homem recolhe-se, resguarda-se no silêncio de sua paz. Na rua, pelo contrário, ele desafia as vicissitudes, a imprecisão do acaso, os jogos quase infinitos das possibilidades. Por ser altamente sugestivo, o espaço da rua excita o homem, abre-lhe para desafios muitas vezes fatídicos. No mundo além do lar, os desastres podem vir ao encontro do homem com uma probabilidade avassaladora, infinitamente maior que o risco dos acidentes domésticos. Nesse sentido, faz efeito pensarmos o espaço fora do lar como ambiente muitas vezes inóspito.

Claro está que não podemos ser fatídicos nessa perspectiva. O espaço além da casa é também o lugar da aventura, dos encontros fortuitos e iluminados, da boemia festeira e alegre. O filósofo alemão Otto Friedrich Bollnow afirma-nos que somente em casa habitamos. Dessa forma, temos de pensar a casa como um lugar habitável, mesmo que fora dos padrões. Assim, uma caverna que se torna moradia é uma casa. O verbo habitar, portanto, ganha conotações de suma importância: ele nos enraíza, leva-nos à plena confiança de estarmos no mundo: “Habitar [...] significa sentir-se em casa num determinado local, com enraizamento” (BOLLNOW, 2008, p. 135).

Bollnow, ao continuar suas reflexões sobre os significados de tal verbo, cita o francês Saint-Exupéry, para quem o ato de habitar serve como gesto ordenador do caos:

Saint-Exupéry, em sua “Citadelle”, a “Cidade do deserto”, foi provavelmente o primeiro a destacar o significado do habitar. “Descobri uma grande verdade”, diz ele, “a de saber que os seres humanos habitam, e que o sentido das coisas para eles muda de acordo com o sentido de sua casa”. Aqui o habitar não é mais uma atividade arbitrária ao lado de algumas outras, mas é logo a característica essencial do homem, definidora de sua relação com o mundo. (2008, p. 136)

Nesse aspecto, seguindo uma perspectiva heideggeriana, Bollnow dá-nos o valor antropológico de viver: “ser um homem significa estar na terra como mortal, significa habitar” (2009, p.136). A nossa essência, portanto, é determinada pelo habitar. No afã de determinar o existir do homem, o autor de O homem e o espaço vai além: “nós habitamos também o espaço e o tempo e até mesmo o ser” (BOLLNOW, 2008, p. 136). Assim, o tempo e o nosso ser são moradas, tal como nossa própria casa. A essência de sentir-se morando em si mesmo, morando no instante, faz com que o homem anseie, em muitos momentos, pela morada permanente, pela fixação em um solo. Afirma Bollnow: “O homem deve se fixar no solo nesse ponto e, de certo modo, ali se agarrar, para que resista ao assalto do mundo” (BOLLNOW, 2008, p. 137).

A partir de tais diretrizes, podemos concluir que, para habitar, o homem necessita sentir-se seguro ante as adversidades do mundo: “A casa é, portanto, o que confere ao homem o abrigo”, é a sua enseada, o seu ponto de referência no mundo. Daí decorre que a tarefa superior de tal espaço é “dar ao homem essa paz” (BOLLNOW, 2008, p.138-139).

No poema de Sophia, o eu lírico, “demasiadamente humano”, subverte essa lógica natural do habitar. Nesse sentido, o espaço da casa não é mais um abrigo, mas a região do desamparo. Digamos que ocorre uma inversão: os perigos do mundo passam a ser da natureza do lar. Podemos concluir isso a partir da permanente luta da pessoa poética contra o anjo. Apesar do momento sublime de harmonia, em que esse ser alado toma as mãos do eu lírico, embalando-o, o clima entre eles, pelo menos até então, era de tensão e disputa. Ademais, como não podemos medir o significado dessa súbita comunhão entre as personagens, também não conseguimos vislumbrar as intenções do anjo. Talvez esse habitante do eterno esteja tramando o golpe fatal, ou pelo contrário, realmente esteja entregando-se ao arrebatamento amoroso. O fato é que a casa, a despeito dessa ambiguidade, é o local da luta, da crueldade do anjo.

A casa, assim, torna-se uma região de aspereza, um lugar do desabrigo. Nesse aspecto, no poema de Sophia, temos aquele estranhamento do homem perante a realidade, tão típico no pensamento existencialista. De acordo com essa linha da filosofia ocidental, o homem é

simplesmente jogado em um mundo áspero, no desabrigo de uma condição mísera e finita. Bollnow mais uma vez nos esclarece sobre tal situação vivencial do existencialista:

[...] habitar é mais que o simples estar ou encontrar-se; pois ambos estão para o espaço numa relação apenas externa. Podemos elucidar uma possibilidade extrema da existência humana no existencialista, que desconhece o habitar. “Lançado” no mundo, como diz o conceito fundamental, característico, ele se encontra num lugar basicamente arbitrário, que ele não procurou e que lhe permanece estranho na essência. Ele conhece o mundo apenas como circunstância opressora. Assim, segue sendo na Terra um eterno estranho, sem ligação especial com lugar algum, sempre a caminho, mas nunca no rumo. (BOLLNOW, 2008, p.135)

No texto de Sophia, a casa representa, paradoxalmente, esse lugar existencial em que o homem é o estranho no mundo. É como se o habitante da casa fosse um estrangeiro, um pária, um eterno peregrino dentro do próprio lar. Tal espaço não garante segurança, não constitui um pouso, uma tranquilidade, porque o homem está permanentemente inserido em uma luta agônica com seu próprio destino. Para esse eu lírico imbuído desse desassossego existencial, o lar não é região para o sono, para a calmaria dos sonhos. A casa torna-se, para usar uma metáfora de efeito, um tatame, uma região de tormentos (apaziguados apenas na última estrofe, quando o êxtase místico é vivenciado).

Novamente Bollnow traz-nos importantes informações a respeito da fragilidade do lar, de sua impermanente segurança e tranquilidade:

Não obstante, seria equivocado admitir que cada casa pudesse oferecer segurança definitiva ao homem. “Cada casa está ameaçada”, enfatiza Saint- Exupéry. E Kafka descreve em seu conto “A construção” a tentativa frustrada de construir um sistema de segurança inviolável. Cada esforço por mais segurança requer instalações complicadas e cria com isso, ao mesmo tempo, uma maior vulnerabilidade. Tão logo homem se esquece disso e toma a proteção de sua casa como algo definitivo, ele se torna de fato um desprezível burguês acomodado, e em algum momento, mais tardar em sua morte, essa ilusão deverá romper-se. Por esse motivo, em cada casa o homem deve preservar a liberdade interior, mantendo-se capaz de deixar essa casa. Deve saber que há nele algo de último, que não pode ser abalado pela perda da casa. Chamamos isso, hoje, sua existência no sentido conciso da filosofia existencialista. Por outro lado, contudo, o conhecimento da vulnerabilidade da habitação humana e dos perigos do aprisionamento no seu próprio invólucro não dispensa o homem da tarefa de construir sua casa com todos os meios da razão planejadora, nela criar a ordem de sua vida e defendê-la sempre na luta inevitável contra o avanço dos poderes caóticos. Só em uma tal luta constante pode ser preservada a ilha do abrigo. (BOLLNOW, 2008, p. 147)

No texto da poeta portuguesa, a ação do eu lírico pode ser definida como a luta de um ser humano infinitamente frágil para manter seu abrigo no mundo. O anjo, metáfora das forças caóticas do cosmos, representaria todas as adversidades a ameaçar essa segurança. Nesse aspecto, a peleja da pessoa lírica é insana, é a batalha essencial para se manter vivo em um espaço, para permanecer como vivente em um determinado ponto do universo.

Sabe-se que o ser demasiadamente lúcido, o ser a esmerilar-se em um incansável jogo de reflexão, tende à insônia, à recusa dos estágios de inconsciência da vida. Nesse sentido, o existencialismo é a corrente do pensamento que exalta o permanente embate do eu contra seus limites, contra as pulsões inconscientes da vida. Tanto é assim que, para os existencialistas, a consciência é o aguilhão do ser, a fagulha que o deixa desperto ante sua condição mortal. Bollnow (2008, p.198) descreve-nos, com precisão, esse verdadeiro paroxismo da lucidez:

[...] para o existencialista o mundo se tornou o espaço do sinistro, ele não pode adormecer, pelo menos não em boa consciência, mas somente contra a vontade, por puro esgotamento. Pois o existencialista deve sempre se manter alerta contra a ameaça, que a cada instante pode irromper contra ele. Isso é enfatizado de uma outra perspectiva, também, por Linschoten: “Azar de quem presume que só pode viver na atividade! Ele deve chegar ao ponto de temer o adormecer. [...] ele teme perder a paragem segura do estar desperto.

No poema de Sophia, o eu lírico, portanto, metaforicamente é um insone, um ser demasiadamente lúcido, desperto. Ele vive em permanente luta contra o destino, luta essa metaforizada pela disputa com o anjo. O quarto serve-lhe como um verdadeiro campo de batalha. Nesse recanto, a angústia existencial acirra-se, completa-se. Tanto a lucidez é plena que, no momento do desabrochar do êxtase, temos a consciência ampliada, prodigalizada.

Seguindo as orientações de Bollnow, podemos vislumbrar na casa de Sophia a seguinte situação:

[...] na própria casa podem penetrar pessoas e poderes estranhos, e até a vida pode se tornar estranha. Em Herman Hesse, há repetidas vezes (como por exemplo, em “Damian”) uma comovente descrição do poder sombrio dessa estranheza, como algo demoníaco que abala as pessoas e invade o território habitual de abrigo de uma criança. Esta é tomada pelo medo e se sente só. (BOLLNOW, 2008, p.99)

Essa mesma força demoníaca transpassa o quarto do poema, tornando-o um pequeno subsolo, um lugar de horror e êxtase. Podemos recordar, aqui, a cama da moribunda de Gritos

e sussurros de Ingmar Bergman, o quarto exíguo do Lobo da estepe de Herman Hesse ou

Nesse sentido, o quarto de Sophia, lugar de permanente desassossego, lembra os porões descritos por Bachelard no seu clássico A poética do espaço. Seguindo a orientação de Jung, tal espaço é, para o filósofo francês, “o ser obscuro da casa, o ser que participa das potências subterrâneas. Sonhando com ele, concordamos com a irracionalidade das profundezas” (BACHELARD, 1993, p36-37).

A partir dessa diretriz, podemos afirmar que o quarto de “O anjo” é o lugar onde o eu lírico trava um contato íntimo com seus medos, com suas angústias e também com o êxtase e as alegrias profundas. Apesar da incansável lucidez do eu lírico, tal personagem está constantemente ameaçada pelo mistério, pelas forças francamente irracionais da existência. No fundo, o poema de Sophia nos desvela a fragilidade imensa da consciência humana, faculdade psíquica fadada ao fracasso quando colocada diante dos fenômenos incontroláveis, inexplicáveis da existência. Conforme podemos notar, tais forças dionisíacas, noturnas, estão metaforizadas pelo anjo, ser incognoscível, inescrutável em sua natureza metafísica.

Com efeito, o momento do êxtase vivido pelo eu lírico, a despeito de ser um momento de alta lucidez, é, paradoxalmente, um aflorar da parte fatal da alma, do ser mais íntimo, mais obscuro do eu. É o momentos de insight, de iluminação, em que o inconsciente, com seus apelos inegáveis, desabrocha à luz da consciência, em uma verdadeira epifania de uma vida aguda, autêntica e totalizante. Afirma ainda Bachelard: “O porão é então a loucura enterrada, dramas murados” (p. 38). Também no poema de Sophia, podemos vislumbrar na batalha contra o anjo um “drama murado”.