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1.3. Okul Öncesi Eğitim

1.3.2. Okul Öncesi Dönemde Görsel Sanatlar Eğitimi

1.3.2.1. Okul Öncesi Çocuğun Çizgisel GeliĢim Basamakları

Dadas tais análises, podemos retomar outro pano de fundo necessário para as considerações que se seguirão: em primeiro lugar parece-nos, conforme já mencionamos, que um tema crucial para a compreensão adequada das dificuldades em torno do debate entre realismo e idealismo, é saber distinguir os aspectos ontológicos e epistemológicos da questão, assim como a relação entre ontologia e epistemologia71. Como vimos, sem analisar esses elementos e definir corretamente os conceitos, corremos o risco de nos afastarmos do ponto central de nosso estudo. Assim, no que diz respeito a tais aspectos, temos, de um lado, a visão de como as coisas são, o modo como

existem, e, de outro, a visão da maneira como elas são conhecidas. Podemos, desse

modo, encontrar diferentes combinações para posições realistas e idealistas, o que torna clara a complexidade do tema e a necessidade de cuidar para não simplificar, sob um rótulo conceitual obscuro, diversas posições filosóficas que possuem diferenças sutis mas fundamentais entre si.

Nesse sentido, é possível sustentar coerentemente diversas posições e combinações entre ontologia e epistemologia72. São algumas posições bastante

71 Gostaria de ressaltar que a compreensão da importância da relação entre epistemologia e ontologia se deve em grande parte às aulas do professor Eduardo Luft.

72 No entanto, também não pretendemos analisar essa questão em filósofos específicos, pois isso

implicaria em entrar na discussão particular do pensamento de cada um deles, o que transcenderia nossa proposta, que é avaliar a dificuldade na filosofia de Husserl. Portanto, optamos por apresentar, em linhas gerais, a relação entre idealismo e realismo na história da filosofia, focando sobretudo na filosofia moderna, uma vez que Husserl é comumente lido como um representante do tipo de idealismo desenvolvido nesse período. Embora não tratemos de nenhum filósofo em particular, procuramos ter o cuidado, no entanto, de apresentar posições coerentes e defensáveis, que possam entrar em diálogo genuíno com a posição de Husserl.

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conhecidas na ontologia: 1) ontologia idealista: grosso modo, a ontologia idealista sustenta que a realidade é dependente da mente de alguma maneira: a realidade é ou se nos mostra deste ou daquele modo porque nossa mente está constituída deste ou daquele modo, isto é, o modo de ser da realidade está conectado em função de dependência com o modo de ser da mente. Há ontologias idealistas mais ou menos radicais, desde aquelas

– mais extremas – que postulam que a realidade é totalmente formada pela própria

mente (em tudo que há, em última instância, se deve reconhecer em sua raiz uma natureza mental ou espiritual), até aquelas – mais comedidas – que sustentam que o mundo é dependente da mente na medida em que são estruturas mentais que condicionam e delimitam nossa experiência possível de mundo ou realidade, sem com isso implicar necessariamente que o “em si” da realidade seja mental ou espiritual, mas apenas que um elemento mental está presente enquanto condicionante de toda experiência possível. 2) ontologia realista: postula que a realidade é, em algum sentido, independente da mente ou consciência, ou que não possui, como seu ser, uma natureza mental ou espiritual. Há também diferentes nuances de realismo, podemos encontrar o

chamado realismo “radical”, que vê os objetos como entidades totalmente

independentes da nossa mente, que simplesmente apreendemos passivamente pelos sentidos – isto é, não se problematiza o papel da consciência na formação do que entendemos por objetos e realidade. Um realismo menos radical leva em consideração o papel da consciência na constituição do mundo, mas crê que a existência dos objetos é independente da mente73.

Na epistemologia também encontramos diferentes posições: 1) epistemologia

cética: sustenta que não temos conhecimento ou no máximo temos um conhecimento

problemático dos objetos em si mesmos ou da realidade tal como é. Uma de suas modalidades, bastante conhecida, afirma que todo conhecimento possível é o

73 Ao longo das análises aqui feitas, utilizamos diversos termos – como “mente”, “consciência”, “mental”,

“espiritual”, “realidade”, “real”, “subjetividade”, “objetividade”, etc –, que são, de fato, tão conhecidos

quanto problemáticos em filosofia. Não nos preocupamos, nesse momento, de conceituá-los de uma maneira precisa, por duas razões: primeiramente, devido ao seu uso corrente na filosofia moderna e contemporânea, que, embora, mas também justamente por variar de um autor para outro, é compreendido, quando usado sem maiores restrições, de maneira ampla o bastante para remeter a discussões conhecidas em filosofia, mas restrita o suficiente para não se perder na indeterminação de uma total equivocidade. A segunda razão é que, se tivéssemos por propósito já nesse momento definir de maneira unívoca os termos utilizados, principalmente se tratando de termos amplamente utilizados na história da filosofia, teríamos necessariamente que restringir nosso debate, o filiando a um autor ou corrente em particular, o que foge ao propósito de apresentar um esquema geral de posições tradicionais em filosofia para a questão do realismo e idealismo.

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conhecimento de ideias ou estruturas mentais. 2) epistemologia dogmática: defende a possibilidade de conhecer os objetos tais como são ou, em linhas gerais, ter um conhecimento verdadeiro ou não problemático da realidade 74.

Assim, podemos encontrar posições coerentes que sustentam o equivalente à combinação das crenças que expomos: a) ontologia realista e epistemologia cética: nesse ponto de vista, os entes são independentes da consciência ou mente em sua existência, mas todo acesso possível às coisas ocorre de maneira problemática e, portanto, estamos impossibilitados de conhecer as coisas nelas mesmas, como seriam para além das representações mentais (na sua existência independente da consciência). b) ontologia realista e epistemologia dogmática: nesse caso, as coisas existem independentemente da consciência, mas isso não nos impede de ter acesso à realidade como é em si mesma, pois ela é tal que permite ser verdadeiramente conhecida. O

mundo está “lá fora”, é exterior à mente, mas, ao mesmo tempo, está aberto para a nossa

compreensão dele. A diferença entre essas duas posições parece clara: ainda que ambas sustentem que a realidade é independente da consciência – ou, em geral, que não possui uma natureza mental ou espiritual –, no primeiro caso não é possível conhecê-la totalmente (ou tal como é de fato) e, no segundo caso, sim.

Seguindo com as combinações, temos: c) ontologia idealista e epistemologia

dogmática: de acordo com essa posição, nosso conhecimento de ideias é a própria

realidade, pois ao conhecer as ideias estamos conhecendo as coisas como de fato são. Uma das modalidades desse tipo de ontologia idealista sustenta que o que chamamos de mente e de natureza possuem a mesma essência, portanto conhecer a mente é conhecer a própria natureza e vice-versa. Assim, não há nada além de conteúdos mentais, toda a realidade é fenômeno mental ou espiritual. É claro que isso implica uma modificação no conceito mais tradicional de epistemologia dogmática (especialmente na filosofia contemporânea), mas o que marca o dogmatismo nesse caso é a crença de que aquilo que está sendo conhecido é a própria realidade, que temos acesso à realidade como tal,

74 Apresentamos aqui definições bastante simples para as epistemologias cética e dogmática – grosso

modo, enquanto conhecimento problemático e não problemático da realidade, respectivamente. Poderia

ser objetado que com isso nos afastamos das definições mais usadas para tais termos, ou os simplificamos excessivamente. Nossa posição justifica-se, em primeiro lugar, devido às combinações que faremos a seguir, envolvendo as ontologias: para dar conta, ainda que em linhas gerais, da pluralidade de posições da tradição filosófica, nos parece necessário manter as definições de ceticismo e dogmatismo bastante abertas. Como ficará claro a partir das combinações, é somente na fusão com o aspecto ontológico que tais definições ganham um sentido mais completo.

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embora aqui, em combinação com a ontologia idealista, tal realidade assuma a característica de ser de natureza mental ou espiritual. d) ontologia idealista e

epistemologia cética: sustenta, como no caso anterior, que a realidade é fenômeno

mental/espiritual ou, grosso modo, que a subjetividade e a objetividade têm a mesma natureza. Porém, nesse caso, o conhecimento da realidade é problemático, pois não temos acesso a essa realidade de natureza mental como ela de fato é. Ainda que tal conhecimento possa ser possível em alguma medida e em determinadas circunstâncias, nossa condição epistêmica atual impossibilita alcançar um conhecimento verdadeiro e seguro. A diferença da segunda posição idealista em relação à primeira é que no primeiro caso temos conhecimento seguro sobre a realidade e no segundo caso temos um conhecimento problemático ou limitado.

Assim, diante de todas essas especificações, fica evidente que falar de realismo ou idealismo sem maiores cuidados não ajuda a ter de fato clareza sobre o problema filosófico em que estamos envolvidos. Parece-nos, portanto, que a melhor maneira de tratar do problema do idealismo em Husserl, e do debate em torno da oposição entre realismo e idealismo de modo geral, é saber distinguir cuidadosamente os aspectos ontológicos e epistemológicos que surgem por vezes nas entrelinhas do debate filosófico e tornar explícito todos esses elementos e suas combinações.

Conforme já mencionamos, vários importantes intérpretes de Husserl trataram do problema de como entender seu idealismo. Dentre eles, John Drummond deu especial atenção à dificuldade mais ampla de determinar com clareza o contexto em que a oposição entre realismo e idealismo surge na história da filosofia, também levando em conta as diferentes combinações de conceitos que estão em questão, em seus aspectos ontológicos e epistemológicos, ainda que em termos ligeiramente diferentes dos que aqui apresentamos75. Essa análise nos será bastante útil, sobretudo devido às constantes críticas de que Husserl seria um representante do idealismo da filosofia moderna, tendo permanecido preso aos paradigmas da subjetividade tal como desenvolvido nesse período.

75 Uma diferença crucial é que Drummond define o dogmatismo epistemológico como necessariamente

comprometido com ao menos uma forma fraca de ontologia realista: a crença de que alguma coisa existe independente da mente ou consciência (DRUMMOND, John J. Husserlian Intentionality and Non-

Foundational Realism: Noema and Object, p. 253). Nos parece que essa definição, ainda que apropriada,

não abre espaço para algumas nuances de significados, os quais conseguimos abarcar através de uma definição que não fosse comprometida já em princípio com alguma ontologia.

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De um ponto de vista geral, no período moderno encontramos muitas amostras

de um realismo “ingênuo”, onde o papel da subjetividade na apreensão dos objetos não

é problematizado. Drummond resume o realismo moderno como tendo dois componentes inseparáveis: a) a afirmação ontológica de que existe uma realidade independente da mente e b) a afirmação epistemológica de que podemos, em alguma medida, alcançar um conhecimento confiável sobre essa realidade. A noção de verdade, nesse caso, envolve uma adequação ou correspondência entre nossas crenças e a realidade76.

O idealismo moderno, por outro lado, sustenta que o que de fato conhecemos são as ideias ou categorias pertencentes à nossa mente; os objetos que experienciamos são reduzíveis a tais ideias e aos processos psicológicos ou transcendentais pelos quais os organizamos. Desse ponto de vista, verdade seria uma função da coerência material ou formal de nossas ideias. Mas é preciso notar que diante da distinção e análise da relação entre as esferas da ontologia e da epistemologia, no período moderno poderíamos postular diferentes combinações que tornam problemática a mera classificação em realismo ou idealismo: uma ontologia realista, por exemplo, que postule a existência de algo como independente da mente, pode fugir de uma epistemologia dogmática que defende a possibilidade de conhecer tais objetos, podendo, como sabemos, afirmar um mundo de coisas-em-si incognoscíveis (epistemologia cética, portanto). Nesse caso, haveria objetos de existência independente da mente, mas eles não seriam cognoscíveis em sentido último77.

A partir desse pano de fundo conceitual, pretendemos mostrar como Husserl não se encaixa em nenhuma das posições anteriormente mencionadas. Nossa proposta é que o filósofo supera a tradicional oposição entre realismo e idealismo, na medida em que defende uma espécie de idealismo alterado, que não corresponde ao idealismo tradicional – o que também o afasta da filosofia moderna. Embora nossa interpretação dependa da análise de uma série de elementos e, portanto, só possa ficar plenamente clara ao longo desse estudo, podemos adiantar que um ponto central da diferença entre a posição da fenomenologia husserliana e os idealismos tradicionais é que Husserl realiza

um “recorte”, por assim dizer, na epistemologia: ainda que, ao nosso ver, o filósofo

76 DRUMMOND, John J. Realism versus Anti-realism: A Husserlian Contribution, p. 88.

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parta de uma ontologia em certo sentido realista (pois defende, como vimos, que “a

coisa [física] percebida pode existir sem que seja percebida (...)”78), ele, ao mesmo

tempo, reconhece que não faz sequer sentido falar no que seria essa coisa para além do que ela é para nós, já que tudo ao que temos acesso é o mundo a partir do modo pelo qual ele nos é dado.

Isso explicaria, portanto, algumas das afirmações aparentemente contraditórias de Husserl, como quando ele afirma que “a realidade do mundo inteiro é por essência

(...) desprovida de independência”79. O que precisa ser compreendido, portanto, é que os

fenômenos não são meras imagens ou signos de um suposto mundo de coisas em si. O mundo fenomênico é a própria realidade: é, aliás, tudo que a realidade poderia ser. Tentar fazer tal separação entre coisas em si e coisas para nós é um contrassenso, pois coisas são sempre coisas para alguém.

O que o fenomenólogo aponta, portanto, é para a mútua relação de sujeito e objeto. Nesse sentido, a fenomenologia reconhece que não é necessário buscar uma ponte entre a esfera subjetiva e a objetiva, pois tudo o que podemos chamar de

objetividade é justamente aquilo que é instaurado pela subjetividade – não em sentido

ontológico, como se os objetos fossem uma criação “mental” ou possuíssem uma natureza “espiritual”, mas apenas no sentido de que, em última instância, realidade é

sempre realidade para nós, realidade que possamos conhecer. Nesse sentido é que podemos afirmar que mundo é desprovido de independência em relação à consciência: mundo é sempre relativo a algum sujeito, mundo é sempre mundo de alguém.

A partir dessas considerações iniciais, podemos passar à investigação de elementos pontuais da filosofia husserliana, os quais são essenciais para a compreensão da interpretação que aqui defendemos. Um primeiro aspecto nessa investigação envolve a análise de alguns conceitos centrais, que estão na base mesma de todo o pensamento fenomenológico, e que servem, em certo sentido, como uma introdução geral do projeto desenvolvido por Husserl: as reduções, que são o ponto de partida da chamada fase

“idealista” da filosofia husserliana, e o conceito de “verdade”, que configura um ponto

fundamental e complexo da fenomenologia.

78 Ibidem, §41, p. 74, p. 98.

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