ekil 2.3: Tutumun Ulaşılabilirliği Modeli
III. BÖLÜM; ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ Giriş
3.3. PARADİGMADAKİ DEĞİŞİM ve NİTEL VERİ
3.3.3. Odak Gurup Görüşmeleri
Um dos principais alicerces da contabilidade é o regime de competência. Este é um dos fundamentos teóricos, em conjunto com o princípio da continuidade e o conservadorismo (prudência), que é amplamente difundido entre os diversos regimes contábeis ao redor do mundo e tem presença marcante nas normas emitidas pelo Financial Accounting Standards Board
(FASB) e pelo International Accounting Standards Board (IASB). O regime de competência agrega valor à informação do fluxo de caixa. Penman (2007, p.133) comenta23:
Cash flow from operation adds value and is incorporated in the revenue and expenses. But to effect the matching of revenues and expenses, the accountant modifies cash flows from operations with the accruals. Accruals are measures of noncash value flows.
Os accruals ajustam o reconhecimento dos fluxos de caixa no tempo para que o lucro contábil reflita melhor o desempenho da empresa do que o fluxo de caixa (DECHOW e DICHEV, 2002). Martins (1999, p.14) destaca que “[...] a grande diferença entre o regime de competência da contabilidade e o regime de caixa dos fluxos financeiros puros reside na mais correta alocação, naquele, dos mesmos fluxos de entrada e saída destes”. Isto significa que, ceteris paribus, no longo prazo o fluxo de caixa e o lucro convergem.
Os ajustes advindos do regime de competência impactam tanto as receitas quanto os custos/despesas e podem ser classificados como accruals de receitas e accruals de despesas. Dechow e Dichev (2002) fazem o detalhamento analítico da composição dos accruals demonstrando a sua relação com os fluxos de caixa presentes, passados e futuros. Penman (2007, p. 134) apresenta as seguintes decomposições para as receitas e despesas de um período:
Receitas = Recebimentos em caixa das vendas (receitas) no período + Novas vendas (receitas) a prazo – Recebimentos em caixa das vendas (receitas) de períodos anteriores – Estimativa de vendas (receitas) do período que não serão recebidas – Receitas diferidas de caixa recebido antecipadamente à venda + Receita previamente diferida para o período atual
Despesas = Despesas em caixa no período + Despesas incorridas na geração de receitas do período que ainda não foram pagas – Pagamentos em caixa para a geração de receitas futuras + Pagamentos que foram realizados no passado para gerar receitas no período atual
23 Tradução Livre: O fluxo de caixa das operações adiciona valor e é incorporado nas receitas e despesas. Entretanto,
para reconhecer as receitas e despesas de acordo com o regime de competência, o contador modifica os fluxos de caixa das operações com os ajustes decorrentes do regime de competência (accruals). Estes ajustes são medidas não- monetárias de fluxos de valor.
A definição de acrruals pode ser entendida como a diferença entre o lucro líquido do período e o fluxo de caixa operacional do período. Os accruals alteram o período de reconhecimento do valor nas demonstrações contábeis. No caso de uma venda (ou outra receita) que é reconhecida no período, mas que só será recebida no futuro, há uma diferença positiva do lucro em relação ao fluxo de caixa do período. Já no caso de aquisição de ativo imobilizado, o reconhecimento no resultado, através da depreciação, será posterior ao impacto no fluxo de caixa, gerando um
accrual negativo. As diferenças entre os valores que impactam o lucro e o fluxo de caixa podem
ser bastante significativas na prática e a Tabela 1 apresenta os ajustes ao regime de competência para as empresas mais representativas da Bovespa24 para as demonstrações contábeis referentes ao ano de 2006.
Tabela 1. Accruals das principais empresas componentes do IBOVESPA Exercício findo em 31/12/2006 PETROBRAS R$ Milhões CVRD R$ Milhões USIMINAS R$ Milhões TELEMAR R$ Milhões Lucro Líquido 25.919 13.431 2.515 1.310
- Fluxo de Caixa das Operações (FCO) 44.125 13.929 3.822 5.591
= Accruals (18.206) (498) (1.307) (4.281)
em % do FCO 41% 4% 34% 77%
Fonte: Economatica
Apesar da Tabela 1 demonstrar o percentual dos accruals em relação ao fluxo de caixa das operações, é importante ressaltar que esta medida deve ser interpretada cuidadosamente ao se avaliar o montante relativo dos ajustes. Isto porque devido à característica dual dos lançamentos contábeis, os ajustes positivos podem eliminar os ajustes negativos. Assim, uma análise mais detalhada se faz necessária para identificar qual empresa apresentaria maiores ajustes relativos ao regime de competência.
A importância dos accruals reside na sua relevância adicional à medida do fluxo de caixa. Muitos estudos documentam os benefícios do regime de competência, demonstrando que o lucro é uma métrica mais adequada de performance do que os fluxos de caixa (DECHOW, 1994; DECHOW
et al, 1998; LIU et al, 2002). Apesar disto, deve-se lembrar que os accruals podem ser
manipulados com o intuito dos gestores anteciparem/postergarem resultados positivos (ou mesmo negativos) em benefício próprio. Este processo ficou conhecido na literatura contábil como gerenciamento de resultados (earnings management). Martinez (2001, p.43) destaca três
24 Bolsa de Valores de São Paulo. As empresas apresentadas são as quatro mais representativas (não-finanaceiras) do
modalidades de gerenciamento de resultados: i) para aumentar ou diminuir os lucros, ii) para reduzir a variabilidade do lucro e, iii) para reduzir lucros correntes em prol de lucros futuros. Em um trabalho relevante Sloan (1996) demonstrou que os investidores não avaliam corretamente os componentes dos accruals no preço das ações e apresentou uma estratégia de investimentos para o mercado norte americano que gera retornos anormais e que se baseia em uma posição comprada em ações de empresas posicionadas no menor decil dos accruals e vendida em ações de empresas posicionadas no maior decil dos accruals. Esse fenômeno ficou conhecido na literatura contábil como “anomalia dos accruals”, onde os investidores superestimam os accruals e subestimam os fluxos de caixa ao formar suas expectativas sobre os lucros futuros. Bradshaw et al (2001), Xie (2001) e Barth e Hutton (2004) reforçaram as evidências dessa anomalia ao demonstrar que mesmo investidores sofisticados não consideram as informações contidas nos accruals sobre os lucros futuros e que a anomalia é robusta em um conjunto diferente de amostras de empresas no mercado norte americano. Pincus et al (2007) realizaram extensa análise internacional sobre a “anomalia dos accruals” e encontraram evidências de que ela está presente em países de direito consuetudinário (common law), notadamente na Austrália, Canadá, no Reino Unido, nos Estados Unidos e também em uma amostra de empresas com ADRs domiciliadas em países onde genericamente não foi detectado a presença da anomalia. Essa evidência reforça a necessidade de se analisar especificamente as características ao nível de cada empresa em cada país (within country firm-level analysis) no sentido de que generalizações muito amplas podem levar a conclusões inconsistentes.
Interessante notar que a análise de demonstrações contábeis leva implicitamente em conta os
accruals. Nesse sentido seu correto entendimento é relevante para o sucesso de uma estratégia
baseada em números contábeis. Entre os indicadores utilizados na estratégia empregada neste trabalho encontra-se a idéia da anomalia dos accruals. Assim avalia-se o nível de accruals de uma empresa em determinado período, em relação à sua geração líquida de caixa.
O caso brasileiro é um exemplo de empresas imersas em um mesmo ambiente institucional representado pelo direito codificado (code law), por insider system corporate governance
model25, pela emissão de toda a normatização contábil pelo governo ou órgãos ligados ao
Adicionalmente, deve-se ressaltar o baixo nível de enforcement (DURNEV e KIM, 2005) do mercado brasileiro. Esse ambiente faz com que a análise da utilidade demonstrações contábeis de empresas atuantes no mercado brasileiro seja um exercício interessante no sentido de investigar os resultados obtidos em relação aos previamente encontrados em outros países.