2.2. KITA AVRUPASI CEZA HUKUKUNDA UZLAŞTIRMA
2.2.8. Norveç Ceza Hukukunda Uzlaştırma
Violão, guitarra e flauta transversa são os instrumentos que Adam, 16 anos, aprendeu a tocar. Os dois primeiros como autodidata e o último na igreja Congregação Cristã do Brasil que frequenta. Além da música, Adam ocupa seu tempo livre lendo artigos na internet sobre temas de Física e Química. Diz que gosta de conhecer as curiosidades do mundo da ciência e tecnologia. Na escola, Química é sua matéria preferida e também mantém simpatia por Física e Matemática.
Adam sempre estudou em instituições da rede pública de ensino. Ingressou na escola PB para cursar o Ensino Médio em 2013 e está no 2° ano16. Para ele, o ritmo deste nível de ensino é mais acelerado e a quantidade de atividades para serem realizadas em domicílio é elevada. Nas aulas, só a “teoria”,
em casa é que o trabalho e a aprendizagem acontecem. Esta postura institucional demanda mais responsabilidade, mas, se colocada em prática, os estudantes aprenderão mais, ele avalia. É desta forma que tenta manter sua rotina de estudos: de manhã na escola e em casa até o entardecer. Se faz pesquisas, divide o trabalho ao longo dos dias; se faz listas de exercícios, tenta resolvê-los em uma só tarde.
No seu entender, aprender Física e Matemática é fazer exercícios. Aliás, seu lugar principal de aprendizagem da Física parece ser sua casa. Além de resolver os exercícios lá, busca também videoaulas sobre os assuntos que estão sendo trabalhados em sala, já que se incomoda com as constantes digressões na explicação dos conteúdos na aula. Em suma, Adam é um adolescente mobilizado para o estudo e no estudo.
Como mencionamos acima, Química é sua matéria predileta, embora não consiga encontrar um motivo para sua preferência. Gosta de balancear equações químicas e do estudo da química presente nos alimentos: entender o que é um conservante, a função do acido e sua importância. No tocante à Física, Adam diz que sua relação começou estranha porque não sabia muito bem do que se tratava, mas, finalmente, acabou se interessando por ela ainda no 1° ano. Define a Física por sua função instrumental/analítica. Em sua opinião, ela é uma ferramenta para analisar fenômenos como o movimento e o som, por exemplo. Com esta análise, é possível dar explicações aos fenômenos. Este é o aspecto que o interessa na disciplina:
É você saber o que está acontecendo. Tipo, quando dois corpos se colidem, você saber o que está acontecendo ali, a troca de energia, essas coisas assim.
Ao avaliar seu próprio desempenho diz não ter dificuldades, mas também não tem facilidade. O “não ter dificuldades” se refere à compreensão dos assuntos estudados e o “não ter facilidade” se refere ao fato de se atrapalhar na interpretação e resolução dos exercícios. Mesmo assim, se vê como alguém que “se dá bem” com a matéria. De um modo geral, Adam não considera a Física difícil, mas exigente. Tal exigência recai na necessidade da resolução de exercícios, o que o faz caracterizá-la como uma disciplina “prática” e não “teórica”. Aprender Física é agradável e sente-se satisfeito consigo mesmo quando aprende algo novo por aumentar seu repertório de conhecimento.
Quando o assunto é seu futuro profissional, Adam sabe bem que carreira aspira seguir: engenharia. Por ser “muito pirado em som”, já pensou em cursar engenharia acústica. Assistiu vídeos na internet sobre poluição sonora na escola e planejamento acústico de salas para conhecer um pouco mais sobre o ramo e gostou do que viu. Contudo, ao pesquisar sobre a profissão, as possibilidades que o mercado de trabalho oferecia e a forte presença da Física na grade curricular do curso não o agradaram. Hesitou ao supor que seu desempenho em Física no Ensino Superior não seria melhor do que seu desempenho na Educação Básica. Tal fato demonstra uma insegurança de Adam consigo mesmo no que se refere às suas capacidades com a Física. Acabou abandonando a ideia.
Mas a engenharia acústica não era a sua única opção. Desde o início do 1° ano ele tem pesquisado os ramos que o interessavam e decidiu por três: a engenharia acústica, a engenharia de materiais e a engenharia química. Eliminada a primeira opção, foi a Engenharia Química a escolhida pelas diferentes possibilidades de trabalho que ela oferece em diferentes indústrias. Este aspecto o faz sentir-se menos pressionado.
Eu acabo me sentindo mais livre pra fazer esse curso porque eu sei que não vai ter tanta pressão.
Pressão também sentida em sua casa. Empresária, a mãe de Adam vê a educação do filho como um investimento e exige seu ingresso no Ensino Superior.
Ela [a mãe] me cobra muito. Pra ela é investimento. Então, é muita pressão de fazer uma faculdade.
A escolha da carreira profissional não é um caminho que Adam percorra sozinho. Seus irmãos mais velhos, um mestrando em Matemática e outro formado em Administração e funcionário da Natura, o ajudam na tarefa. Em especial o administrador. Ele escuta os seus conselhos, uma vez que entendem do assunto por já terem passado por isso. Nas férias no meio do ano letivo, Adam se hospeda na casa do irmão funcionário da Natura que reside em outra cidade. Durante sua estadia, interage bastante tanto com seu irmão quanto com os amigos de trabalho dele, que, em grande parte, são engenheiros. Nas conversas, escuta as recomendações dos mais velhos e parece, pelo que descrevemos nas linhas acima, seguir as orientações a risca: estudar o máximo possível, estudar em casa, escolher o curso superior pensando no mercado de trabalho e na carga horário destinada ao
estágio. Tanto é que pretende prestar vestibular para engenharia Química na USP na cidade de São Paulo, devido ao tempo de estágio proposto pelo curso (2 anos), o que oferece mais oportunidade de contato com as empresas.
Para Adam, o valor de aprender Física é utilitário e não o faz por prazer. O prazer ele tem em atividades de lazer como tocar um instrumento ou assistir um seriado. A importância da Física escolar é a sua necessidade para a formação e prática profissional de um engenheiro. É isto que dá sentido a sua atividade, ou seja, esta é a “boa razão” para fazê-la. Também é importante aprender Física para não ser um profissional incompetente, pois
[...] deve ser horrível alguém pedir pra você fazer um projeto ou alguma coisa e você não ter essa capacidade.
Vemos que é o futuro profissional de Adam a mola de sua mobilização para a aprendizagem da Física na escola. Ao ponderar sobre que quer ser em sua vida adulta, ele concluiu que a Física joga um papel importante por ser um conhecimento essencial tanto na formação quanto na prática competente da profissão almejada. Isto não acontece por acaso, a convivência com seus irmãos mais velhos, principalmente o administrador e os amigos deste, exerce grande influência na postura que Adam assume em relação ao seu futuro. Além do mais, a pressão por parte de sua mãe impõe um caminho único a ser percorrido após a escola: o Ensino Superior. Por tudo isso, entendemos que o elemento que favorece sua mobilização na aprendizagem da Física escolar é a relação consigo mesmo em seu aspecto temporal (quem eu serei no futuro?), reforçada pela relação com os outros (irmãos, mãe e amigos dos irmãos).