2.2. KITA AVRUPASI CEZA HUKUKUNDA UZLAŞTIRMA
2.2.10. Finlandiya Ceza Hukukunda Uzlaştırma
No momento da entrevista17, Lisa tinha 16 anos e cursava o 2º do Ensino Médio. Ingressou na escola CC no 1º ano, em meados de 2013. Antes, no Ensino Fundamental, também estudou em uma instituição privada da rede de ensino. A mudança de escola não foi problemática, ela conta, pois conseguiu se adaptar bem e manter suas boas notas. Desagradava-lhe, durante o Ensino Fundamental, a desvalorização das ideias dos estudantes por parte daqueles que geriam a escola. Ela e alguns colegas formaram um grupo para ajudar aqueles que
tinham dificuldades com as matérias, contudo não tiveram o apoio necessário, segundo sua avaliação. Considera espetacular a escola CC em razão da liberdade dada aos estudantes, que podem sair da aula caso não tenham interesse em assistir a aula, assumindo o ônus e o bônus de suas escolhas e ações, e a ótima qualidade dos professores. Tal liberdade a faz sentir autônoma, adulta, dona de suas vontades e isso a motiva.
Seu primeiro contato com a Física escola ocorreu ainda no 9º do Ensino Fundamental. Diz que começou a gostar da matéria graças a seu professor na época, que “explicava muito bem” e a quem direcionava muitas perguntas. Considera-se como alguém com “um pouco de facilidade” na matéria. O caráter abstrato da Física lhe causa certa estranheza, visto que se estuda algo invisível, mas que existe. E se admira: “[...] como você está estudando alguma coisa que você não vê?” Este é, em sua opinião, um fator causador de confusão. E explica:
É muito fácil você estudar uma coisa que é palpável, que você vê, que te mostrem. É muito mais fácil. Agora, uma coisa que você tem que imaginar, projetar, montar em desenho pra fazer, já se torna um pouco mais complicado porque vai além de só fórmulas ou contas. Você tem que interpretar, tem que fazer alguma coisa nesse sentido. Então, pessoas que têm dificuldade ou que não conseguem interpretar direito, quebra.
Notamos que a percepção dos conteúdos através da visão ou a menção a objetos do cotidiano é elemento facilitador do processo de aprendizagem, dá concretude ao que é explanado. Por outro lado, o processo mental (imaginação), abstrato (quando não há referências a objetos no mundo concreto), é mais exigente, impõe ao sujeito a necessidade de dar significado ao que é ouvido somente por meio de suas capacidades cognitivas ou tentando reproduzir através de esquemas.
O costume de tornar os conteúdos físicos mais palpáveis, visualizáveis, com o uso de objetos ou desenhos é algo que Lisa admira em sua professora de Física. “Ela faz de tudo pra mostrar pra você que pode sim conseguir enxergar isso”, comenta. Numa aula sobre torque, conta que, no início, momento em que o assunto era explanado na lousa, não compreendeu o que estava sendo dito. Somente quando a professora usou a chave inglesa como exemplo foi que conseguiu “enxergar melhor” e estabelecer as relações entre as grandezas apresentadas na equação, isto é, quanto maior a força aplicada ou o braço de alavanca, maior o
momento da força (e vice-versa). Isto lhe permitiu estender o conceito para outras situações.
Aí você pensa: "putz! Não é só na chave de boca que acontece. Acontece na porta, por exemplo, por causa da maçaneta". Sei lá, acontece em várias outras coisas. E aí, vai abrindo a cabeça.
Além disso, admira a atenção personalizada que a professora dispensa a seus estudantes. Por conhecê-los, ela tenta adequar o modo de apresentar o conteúdo às habilidades e limitações de cada um, no caso de dúvidas. Estima ainda a preocupação que demonstra em saber se todos estão entendendo o que está sendo explicado.
Um incômodo que encontra na Física escolar são os cálculos. No momento da entrevista, se atrapalhava com os sinais negativo e positivo. Como lidava com grandezas vetoriais, inevitavelmente teria que operar com os sinais. Comenta que a troca de professores de Matemática durante o ano letivo, vivida por ela em sua trajetória escolar, fez com que alguns conteúdos da disciplina não fossem ensinados. Carência que a atrapalha no presente e atrapalhará no futuro, comenta. Além disso, diz não gostar de Matemática e isto atenua seu engajamento na disciplina. Contudo, ela não se imobiliza diante da situação. Ao perceber algum entrave, em Física ou em outro componente curricular, busca alternativas para superá-lo, seja coletivamente ou individualmente. Ao encontrar dificuldades com as noções de seno e cosseno estudando Física, por exemplo, ela e alguns colegas conversaram com a professora de Física sobre o problema e pediram uma aula sobre o assunto com a professora de Matemática. O pedido foi aceito. Sozinha, comparece nas monitorias, pesquisa na internet ou pergunta sobre suas dúvidas a outra pessoa. Em relação à Biologia, por não compreender muito bem o que o professor fala, assiste videoaulas em casa para aprender a matéria. Argumenta que tem que “dar seus pulos”, caso contrário não terá boas notas nas avaliações.
Para Lisa, estudar Física é “puxado e satisfatório”. “Puxado” porque a disciplina exige atenção durante as aulas e implicação na resolução dos exercícios. É satisfatório porque o sucesso no estudo produz uma sensação de bem-estar consigo. Ter sucesso no estudo da Física, isto é, conseguir entender seus conteúdos e resolver os exercícios, é se diferenciar no meio de uma multidão que a considera como um “monstro”, é pertencer ao reduzido grupo daqueles que
conseguem dominá-la. Estudar em casa é um ato volitivo. Conta que sua mãe nunca precisou cobrá-la. Estuda até o seu limite, até se sentir cansada. Costuma fazer o mesmo com todos os componentes curriculares.
Em sua opinião, aprender Física vale a pena por duas razões. Uma é a continuidade de seus estudos. Lisa pretende cursar medicina e na segunda fase do vestibular que pretende prestar, os conhecimentos avaliados são Química, Física e Biologia. A outra é a transformação que a aprendizagem provoca nela como sujeito. Saber Física a torna culta, “é uma sabedoria” que ela levará para vida. Acrescenta em sua cultura geral. Transforma-a em alguém mais segura de si, uma vez que se sente mais inteligente por ser capaz de realizar coisas que nem todos conseguem. Além do mais, a transformação de si através do saber não é prerrogativa somente da Física escolar. Lisa conta que disciplinas como a Sociologia e Diversidade18 possibilitam aprendizagens que a transformam como ser humano, mudam conceitos, fortalece-os, modificam opiniões. Coisas que levará para sua vida.
Pelo que descrevemos acima, notamos que os elementos que nutrem a mobilização de Lisa diante da aprendizagem da Física escolar são reflexo da sua relação com os saberes escolares. Lisa é uma adolescente mobilizada para a escola e na escola. A escola CC é um espaço onde Lisa pode exercer sua autonomia, assumir as responsabilidades por suas ações, ser tratada como adulta. E isto a instiga a estar lá. Na escola, é comprometida com a finalidade da instituição: aprender. Concentra-se nas explanações durante as aulas, busca superar dúvidas e realiza em casa as atividades escolares. Saber é transformação de si mesma que levará para sua vida e a Física contribui para esta mudança. Aprendê-la a faz sentir- se segura de si, pertencente ao grupo daqueles poucos que a dominam. Aprendê-la é adquirir sabedoria. Aqui, o valor do que é aprendido está indissociavelmente ligado ao valor que o sujeito atribui a si mesmo enquanto aprende e ao valor de pertencer a um grupo seleto daqueles que sabem Física.