2.3. İSLAM CEZA HUKUKUNDA UZLAŞTIRMA
2.3.2. Uzlaştırmanın İslam’da İlk Ortaya Çıkışı: Sulh
2.3.2.3. Sulhun Haddlerde Uygulanması
2.3.2.3.7. Bağy (Devlet Başkanına Sebepsizce Karşı Gelme) Haddinde Sulh 78
Para Antonia, frequentadora do PV, a beleza arquitetônica de sua escola contrasta com a feiura do preconceito arraigado nas ações e pensamentos de
seus colegas. O sentimento é de frustração diante da instituição e se diz aliviada por já estar terminando o Ensino Médio. Por sua escola ter notoriedade na cidade, ela esperava encontrar lá um espaço educacional diferente. No seu ponto de vista, na sua antiga escola, também da rede pública de ensino, havia um cuidado por parte da direção tanto com a parte física da escola quanto com os estudantes. Ao comparar as duas instituições, a antiga e a atual21, conta que na primeira a educação era “mais puxada”, pois se um estudante repetisse o ano seria de fato reprovado. Não é o que acontece na segunda por conta da progressão continuada, na sua avaliação, recurso utilizado para manter a popularidade da atual escola. Ademais, a abordagem de ensino é idêntica. Admite, no entanto, que sua frustração pode estar impedindo-a de “olhar as coisas boas que a escola talvez tenha”.
Antonia tem 17 anos e pertence a uma família de classe popular. Em sua casa não há pessoas que sigam carreira científico-tecnológica, mas fala que seu pai e o irmão mais novo gostam das Ciências Exatas. Não é seu caso: as tentativas em aprender Física tem sido decepcionante por não ter conseguido. Seu contato com a Física escolar começou no 1° ano do Ensino Médio e desde aquela época tem aulas com o mesmo professor que, em sua opinião, “não sabe dar aula” e a quem responsabiliza pelo fato dela não saber Física.
Meu professor, eu não sei o que é que ele tem na cabeça. Eu acho que ele não é pra ser professor de física, sabe, por que ele tem uma ONG que tem 20 cachorros e acho que ele devia fazer isso. Só! Não dar aula, porque as aulas dele são exercícios. Ele não explica matéria. E não sei p**** nenhuma porque ele dá o exercício, dá dois minutos e já vai fazendo, sabe.
O que está em jogo não é a pessoa do professor em sim, mas o modo como conduz suas aulas. A exclusividade da resolução de exercícios como situação de ensino, justificada pela aprovação no vestibular, e a pressa em resolvê-los são os aspectos que mais a incomodam. Conta ainda que, por vezes, os exercícios nem chegam a ser resolvidos em sala e que ele não explica os conteúdos. Sua descrição nos induz a imaginar um cenário de prática pedagógica em que o professor apresenta o conteúdo sem aparentemente demonstrar interesse sobre o que se passa com seus estudantes. Assevera que só entende os conteúdos quando os professores os explicam de forma “mastigadinha” e cita a professora de Química como exemplo.
Minha professora de Química na escola, eu não gosto de Química, mas eu consigo entender um pouquinho, sabe.
Como não é esta a situação com a Física, ela se depara constantemente com a incompreensão dos assuntos apresentados. Concebe-se “muito lerda” para entender determinados assuntos e por isso a necessidade de um professor que explique os conteúdos e exercícios de forma que ela compreenda.
No decorrer da entrevista, no entanto, Antonia oscila entre colocar responsabilidade de seu envolvimento e aprendizagem no outro (professores) e em si mesma. Algumas vezes admite que poderia ter buscado formas de suprir carência de entendimento encontrada em sala de aula, que tudo depende dela, em outras diz ter necessidade de ser incentivada por outras pessoas. Mas, por fim, assume que qualquer “empurrãozinho”, incentivo dado a ela para se engajar na aprendizagem da Física teria sido em vão, que ela mesma poderia ter tomado uma atitude, mas que não o fez por falta de vontade.
A Física escolar é um componente curricular que não a apetece e não consegue identificar os motivos que a fazem pensar dessa forma. Não a considera muito difícil22. Supunha que teria dificuldades com os cálculos, mas notou que não se encontravam ali suas dificuldades. O que a incomoda é não conseguir lembrar-se dos termos empregados e a memorização das fórmulas. Confunde-se com os espelhos côncavo e convexo, por exemplo, pois são semelhantes e começam com a mesma letra. Ao ver uma representação gráfica de um dos espelhos, diz que consegue identificar seu funcionamento, mas não consegue dizer se é côncavo ou convexo. Quanto às fórmulas, se vale por vezes de mnemônicas – músicas – para lembrá-las.
Ao ser questionada sobre a importância da Física escolar23, Antonia assume uma posição de distanciamento, falando que a Física é importante para aquelas pessoas que irão cursar graduações científico-tecnológicas. Ao mesmo tempo, afirma que a Física escolar é importante para o vestibular, mas pensa o mesmo para todas as disciplinas. Como este não é seu caso, a disciplina se torna menos importante para ela. Em seu ponto de vista, a Física escolar é importante
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A partir deste momento, percebemos que sua fala se refere as aulas de Física do curso pré- vestibular que ela frequenta e não as aulas da escola.
para aqueles que se interessam por esse campo do conhecimento. Afirma ainda que a Física é importante para entender o que se passa no cotidiano, mas pensa que nem tudo precisa ser entendido ou deve-se conhecer nos mínimos detalhes. No caso dos espelhos, por exemplo, é suficiente para ela saber que ele reflete a imagem do objeto que está a sua frente, conhecimento que pode ser adquirido pelas experiências cotidianas.
De um modo geral, ela não se agrada com a abordagem de ensino de sua escola em todas as disciplinas. Sente-se incomodada com o caráter memorístico da aprendizagem e sua pouca utilidade para além do vestibular.
Você precisa decorar tudo, saber tudo, mas você não vai usar pra p**** nenhuma. Dependendo… algumas matérias você não vai usar para nada. Isso me incomoda demais. Esse sistema de tortura psicológica em dois dias é f*** e me irrita demais. Acho que por isso que eu ainda não fiz o Enem.
Disso não escapa a Sociologia, componente curricular preferido de Antonia. Mas, se a aula de Sociologia é tão desagradável quanto a dos outros componentes curriculares, o que a torna atrativa? Seus conteúdos, tanto pela nova visão de sociedade que eles proporcionam, quanto pelas possibilidades de ação que embasam. A Sociologia oferece a Antonia um conjunto de informações que a permitem construir um novo entendimento da sociedade que difere do senso comum. A sociologia permite a ela ser no mundo da maneira que deseja e o seu “ser no mundo” é agir, é se tornar ativa socialmente, é apresentar as outras pessoas uma forma distinta de conceber a vida em sociedade. Curiosamente, Antonia se diz preguiçosa, o que aparentemente parece ser uma contradição frente ao que acabamos de relatar nas linhas acima. Mas, ao ler em que ela investe sua energia, superemos as aparências.
Eu acho que aquela atividade social, eu acho que é mais ser ativa do que ler as coisas que supostamente me torne [sic] ativa.
Fica claro que a atitude de “preguiça” recai sobre atividades ligadas ao estudo (leitura), o que concorda com a sua necessidade de uma explicação “mastigadinha” por parte do professor. Uma vez que Antonia não se engaja em atividades de leitura dos conteúdos escolares, mesmo daqueles conhecimentos que ela aprecia, é fundamental que alguém (o professor) lhe apresente os assuntos de forma que ela os compreenda, pois está na escola e precisa concluir seus estudos.
De todos os conhecimentos disponibilizados pela escolar, apenas um é de grande valia nas atividades que ela se engaja: a “atividade social”. O conhecimento da Física, da maneira que foi abordado em sua trajetória escolar, não lhe ajuda a agir na sociedade do jeito que ela gostaria.
Não é surpresa que para Antonia aprender Física não vale a pena, pois não vai usá-la para nada. Julga que não tem um desempenho satisfatório e lamenta não tê-la aprendido na escola. Se soubesse mais Física do que o pouco que conhece, presume Antonia, talvez assim se interessasse muito mais.
Pelo que descrevemos acima, estamos diante de uma relação com a Física escolar marcada pela relação com o mundo, com o outro e consigo mesmo imbricadas entre si. O mundo se mostra como espaço de atividades: a prática pedagógica e atividade social – à primeira é atribuído um valor negativo e à segunda um valor positivo –; e também como mundo simbólico: concepções sobre a sociedade e conhecimentos que nos permitem ou não transformá-la. O outro aparece na figura do professor – o agente das práticas pedagógicas incômodas com vocação ou não para o ensino – e nas pessoas para as quais Antonia fala/falará sobre outra maneira de entender a sociedade. A relação consigo é a forma como ela deseja ser no mundo: ativa socialmente. Assim, notamos que os elementos que não favorecem a mobilização de Antonia na aprendizagem da Física escolar estão associados ao fato da Física escolar não contribuir para ela agir no mundo da maneira que deseja, da abordagem de ensino ser insuficiente (explicações incompreensíveis ou ausência delas), de ter tido aulas com um professor sem vocação para a docência e de sua preferência em se engajar em atividades sociais em detrimento das atividades ligadas ao estudo.