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3.4. AraĢtırmanın Yöntemi

3.4.2. Nitel AraĢtırma AĢaması

Estas são informações resumidas da biografia do autor, coletadas nos estudos de Elizabeth Azevedo e Catarina Sant‘Anna (SANT‘ANNA, 1997; AZEVEDO, 2001b), e também em entrevistas e reportagens de jornal.

Aluísio Jorge Andrade Franco nasceu em Barretos, em 1922, e faleceu em São Paulo, em 1984.

Teve muitos conflitos pessoais na juventude. Tentou trabalhar como bancário e também como fiscal na fazenda de seu pai. Finalmente, num impulso de autorrealização e afastamento dos conflitos familiares, Jorge resolveu dedicar-se ao teatro (STEEN, 2008, p. 125; ANDRADE, 1986, p. 12-15). Estudou na Escola de Arte Dramática (EAD), formando-se em 1954.

Em 1951, escreveu O Telescópio, recuperando temas de sua vivência: conflitos geracionais entre os velhos donos de uma fazenda, e os filhos adultos (dirigida por Paulo Francis, no Rio de Janeiro, com o elenco da Companhia Dramática Nacional, CDN, em 1957).

A Moratória foi encenada em 1955, por Gianni Ratto, para a companhia de

Maria Della Costa. Essa peça teve grande repercussão entre os críticos da época, por seu tema (uma família tradicional de fazendeiros que perde as terras durante a crise cafeeira de 1929) e sua construção dramática (o palco é dividido em dois planos, mostrando paralelamente o momento da falência, em 1929, e as expectativas frustradas de recuperar a fazenda, alguns anos depois). A moratória surgiu num momento em que outras obras lidavam com o mesmo tema: Gilda de Mello e Souza menciona o filme

Terra é sempre terra (Tom Payne, em 1951, para a Vera Cruz), adaptação da peça Paiol velho, de Abílio Pereira de Almeida, escrita no mesmo ano, e a peça Santa Maria Fabril

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S/A, de 1955 e deste mesmo teatrólogo (AZEVEDO, 2001b, p. 99). Jorge Andrade teria

maior ambição como artista, desejando ―rever suas raízes e compreender o processo histórico que determinou a desintegração da realidade que conhecera‖ (AZEVEDO, 2001b, p. 100).

Nesse período, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) abria espaço a autores brasileiros. Entre 1958 e 1964, Jorge Andrade teve quatro peças encenadas pelo grupo. Dessas, A escada (1961) e Os ossos do barão (1962) tiveram grande sucesso de público. As duas peças retratavam herdeiros falidos de famílias paulistas tradicionais, frente a um novo mundo, movido por novas forças econômicas.

As outras duas peças foram Pedreira das almas (1958) e Vereda da salvação (1964). Nas duas, Jorge Andrade abordou temas diferentes de seus trabalhos de sucesso.

Pedreira das almas é ambientada no período de esgotamento da exploração de ouro em

Minas Gerais, durante a Revolução de 1842. Vereda da salvação trata de trabalhadores rurais, envolvidos num culto religioso; teve recepção problemática, com pouco público e críticas negativas às questões artísticas. O trabalho ―feriu sensibilidades no público do TBC e na opinião pública em geral‖. Por seu retrato de camponeses miseráveis, num movimento autodestrutivo de fanatismo religioso, foi acusado de comunista pela direita, e de reacionário pela esquerda. (STEEN, p. 134-135). O texto ―foi, praticamente, o réquiem com o qual se fechou para sempre o pano daquele teatro paulistano‖ (AZEVEDO, 2001b, p. 123-124). Os problemas com Veredas marcaram profundamente o autor.

Até meados da década de 1960, Jorge Andrade continuou escrevendo peças que obtiveram razoável reconhecimento — sem ser grandes sucessos de público ou crítica, também não foram fracassos. Em 1963, a peça Senhora da Boca do Lixo, sobre uma madame falida que vive de contrabando, foi proibida pela Censura. Estreou em

89 Portugal, em 1966.43 Em 1966 foi encenada Rasto atrás, texto marcadamente

autobiográfico em que, pela primeira vez em sua obra, o protagonista é um escritor. A peça retrata um autor reconhecido, voltando à cidade natal para enfrentar conflitos antigos com a família e principalmente o pai. A montagem foi dirigida por Gianni Ratto, o mesmo diretor de A moratória, que tinha grande afinidade com o trabalho de Jorge Andrade. O trabalho foi elogiado e bem recebido pelos críticos.

Na segunda metade da década de 1960, o teatro brasileiro passou por grandes dificuldades, em confronto com o governo militar. A censura teve efeito também econômico, e houve reavaliação das posturas artísticas e políticas dos anos anteriores. Surgiram novas propostas, com experiências formais de liberação do corpo e dos costumes, e alegorias históricas com sentido político, com uso intensivo de música para comunicação com o público. Jorge Andrade teve dificuldades de diálogo com seus pares nesse novo cenário. Em 1969, escreveu As Confrarias e O Sumidouro, que nunca foram encenadas profissionalmente. Desse ano em diante, Jorge escreveu outras peças, mas sentia-se frustrado e falava em abandonar o teatro (AMÂNCIO; PUCCI, 1978).

Em crise com o teatro, nesse período, Jorge Andrade concentrou-se no texto, entre o trabalho com revistas e editoras.

Escreveu para a revista Realidade entre 1969 e 1973, fazendo perfis de artistas e intelectuais, e também de figuras anônimas, pobres e trabalhadores (TAGÉ, 1989). Mais tarde, usaria esse material como base de um romance parcialmente autobiográfico, em que o protagonista procura o sentido de sua existência a partir do encontro significativo com outras pessoas. Os perfis escritos para Realidade foram retrabalhados, destacando- se o sentido de cada encontro no amadurecimento pessoal do narrador. O romance

Labirinto foi publicado em 1978.

90 Em 1970, o autor organizou dez peças para publicação pela editora Perspectiva, retrabalhando parcialmente os textos para formar um ciclo. O livro Marta, a árvore e o

relógio trouxe também uma fortuna crítica de sua obra.

Na década de 1970, Jorge Andrade começou a trabalhar na televisão. Escreveu duas telenovelas para a TV Globo. A primeira foi bem recebida, a segunda não: Os

Ossos do Barão (Globo, 1973/74) e O Grito (Globo, 1975/1976). Afastando-se da

Globo, ele trabalhou alguns anos como consultor cultural da prefeitura de São Bernardo do Campo (SANT‘ANNA, 1997, p. 88). Depois voltou a escrever para a TV. Entre outros trabalhos nesse período, os principais títulos são as telenovelas Gaivotas (Tupi, 1979) e Ninho da Serpente (Bandeirantes, 1982).

A tensão profissional marcou seu último ano de vida, em conflito com a TV Bandeirantes durante a produção da telenovela Sabor de mel (MORRE JORGE ANDRADE..., 1984).44 Foi mais uma crise, numa carreira marcada por muita dedicação

pessoal, e variações entre satisfação e ressentimento conforme o reconhecimento do seu trabalho era bom ou mau. Jacó Guinsburg relata: ―O seu pecado como dramaturgo foi, segundo certa óptica, o de ser um bom escritor, ou melhor, um grande escritor [...] [As] suas peças passaram por um longo período de rejeição a título de literatura. Este fato foi sua grande frustração‖ (GUINSBURG, 2002, p. 122).