1.1.1. Toplumsallaşma Nedir?
1.1.1.2. Nesnel Toplumsallaşma ve Öznel Toplumsallaşma
De partido opositor, nas eleições de 2000, o Partido Acción Nacional, em 2006, disputou o pleito presidencial, pela primeira vez, como situação. Vicente Fox havia prometido modificar o país, idéia expressa em seu slogan de campanha: “el cambio que a ti te conviene” (“a mudança que convém a você”). Vitorioso nas urnas, o panísta teve que enfrentar a crise econômica e a crescente violência do crime organizado em vários estados do país.
O saldo do seu governo, segundo pesquisa Mitofsky (2006), foi marcado pela contradição: o bom nível de popularidade de Fox (59%) contrastou com o baixo reconhecimento das melhorias efetuadas por seu governo – 65% dos entrevistados consideraram que o presidente cumpriu pouco ou nada do que prometeu durante sua campanha. Conforme o diagnóstico da pesquisa, a proximidade do presidente com a população contribuiu para sua popularidade, uma vez que “permitiu que o cidadão o visse como alguém simples com quem inclusive se identificava, desculpando-o por seus erros”. Em outras palavras, a população valorizava positivamente a figura de Fox e não a sua gestão (ou suas políticas).
O desafio panísta não se concentrou apenas em enfrentar os conflitos e crises do país; esteve também ligado à própria condução do partido, uma vez que passar de oposição a situação significou mudanças na organização. Durante os 71 anos de hegemonia priísta, o PAN assumiu uma postura de denúncia às ações autoritárias do governo, ainda que em certos momentos o tenha apoiado. Uma vez na presidência, era necessário redimensionar e estabelecer novos princípios de atuação. Tal tarefa provocou divergências internas.
Para começar, o governo foxista adotou um distanciamento em relação ao próprio partido. Era comum Fox enviar propostas ao Congresso sem antes negociar com os parlamentares panístas (REVELES VÁZQUEZ, 2005a, p.204). Essa postura, ainda que tenha sido alterada no decorrer do mandato com a incorporação de membros do partido ao governo, resultou em custos políticos, com impacto no próprio processo de escolha do candidato presidencial para as eleições de 2006.
Longe de sua postulação ser consenso dentro das filas do PAN, Felipe Calderón Hinojosa, na época Secretário de Energia, iniciou seu caminho rumo à presidência com o anúncio da sua pré-candidatura, em maio de 2004, durante um almoço oferecido pelo governador de Jalisco, Francisco Ramírez Acuña. O episódio fez com que Vicente Fox qualificasse o ato como “imprudente”, mostrando seu desagrado, uma vez que apoiava como postulante seu secretário de governo, Santiago Creel. Em resposta ao comentário público do Presidente da República, no dia seguinte, Calderón apresentou sua demissão, dando início ao debate em torno da candidatura presidencial no interior do partido (FERNANDEZ DEL CASTILLO, 2008, p.67).
Fox aceitou a demissão e aproveitou para advertir os membros de seu governo que não aceitaria atividades eleitorais ou proselitistas de nenhuma natureza. A resposta do partido à colocação presidencial veio em junho de 2004, durante a reunião do Comitê Executivo Nacional do PAN, quando determinou-se que qualquer aspirante a candidato presidencial do partido ou simpatizante poderia promover atos proselitistas (FERNANDEZ DEL CASTILLO, 2008, p.68). Estava “autorizada”, assim, a disputa interna entre os principais concorrentes, Calderón e Creel.
Na reunião também foram definidas as normas para as primárias, que ocorreriam em etapas regionais (o país seria dividido em três regiões), com pré-campanhas independentes em cada uma das regiões, durante as quais seriam efetuados debates, sendo que as votações se dariam em três momentos distintos. Outra novidade implementada nas primárias, com a reforma do estatuto do partido, foi a ampliação do direito de voto a todos os militantes e simpatizantes registrados no partido – antes a votação se limitava a membros ativos (NÚÑEZ; GARCÍA, 2005).
A campanha de Santiago Creel investiu pesadamente nos meios de comunicação de massas, principalmente na televisão. Não surpreende que seu nome fosse o mais conhecido da população entre os três aspirantes panístas – a disputa interna contava ainda com o postulante Alberto Cárdenas. Por sua vez, Calderón, com recursos financeiros mais escassos, construiu uma campanha dirigida aos militantes, utilizando todo o seu capital político para
apelar para os membros que ele conhecia dentro do próprio partido (TREJO DELARBRE, 2006, p.09).
A estratégia de Calderón, ao final, mostrou-se mais eficaz, visto que saiu vitorioso nas três etapas do processo interno para a eleição do candidato presidencial do PAN, conquistando um total de 51,5% dos votos. A porcentagem obtida descartou a necessidade de um segundo turno, previsto caso nenhum dos postulantes atingisse mais de 50% da votação.
A vitória nas primárias possivelmente foi o resultado da estratégia de Calderón voltada para a mobilização dos integrantes do próprio partido. Em sentido contrário, Creel construiu uma estratégia voltado para o público externo ao PAN, descuidando das articulações com os integrantes do partido. Outro elemento importante foi o desentendimento entre Fox e seu partido durante o governo, o que pode haver contribuído para a perda de alguns apoios.
Finalizada a votação, ao menos publicamente, as divergências entre Vicente Fox e o candidato presidencial panísta se desmancharam no ar. O apoio do chefe de governo a Felipe Calderón se tornou tão intenso e explícito que organizações internas e externas chegaram a afirmar que o presidente estava colocando em risco o próprio processo eleitoral71.
A própria distância estabelecida durante as primárias entre Calderón e Fox havia, ainda que divulgada pela imprensa, se restringido ao partido, uma vez que a disputa esteve dirigida aos militantes e simpatizantes do PAN. As eleições presidenciais, entretanto, eram abertas a toda a sociedade que não necessariamente saberia diferenciar, em todos os detalhes, os dois panístas. Isso implica que, ao menos inicialmente, a figura de Calderón estaria associada a um governo ao qual, como apontado, a população atribuia fracos resultados em termos de gestão. Frente à realidade, o candidato presidencial panísta tinha diante de si estratégias opostas a seguir: manter-se fiel a um governo que havia integrado, mas com o qual cortou laços, ou distanciar sua imagem do mesmo, evitando os ataques dos adversários por meio de críticas à administração foxista. Em sua campanha,Calderón optou por não fazer referências ao governo anterior.
71
Uma missão das Nações Unidas no México apresentou um informe no qual adverte como problemática a participação do presidente Vicente Fox nas eleições a favor do candidato panísta. (RESÉNDIZ, 2006).