IV. GÜNÜMÜZDE YAPILAN ÇALIŞMALAR
2.7. NAMAZIN BOZULMASI
A crise pela qual passou a agricultura, principalmente as commodities, devido entre outras causas ao fator cambial, teve influência negativa sobre a indústria de MIA. A crise mostra outra característica que ficou evidente, a predominância na comercialização interna e o baixo número de exportações. Porém, é possível perceber que mesmo diante desse cenário desfavorável, a indústria tem apresentado avanços tecnológicos, que podem representar um novo caminho para o mercado interno e externo.
Em 2008, verificou-se uma total concentração das empresas fabricantes de MIA nas regiões Sudeste e Sul (Tabela 4.1).
Tabela 4.1. Produção de máquinas agrícolas por Estado.
Estado Produção (Unidades) %
Rio Grande do Sul 40032 47,1
São Paulo 22437 26,4
Paraná 19458 23,0
Minas Gerais 2975 3,5
Total 84992 100
Fonte: ANFAVEA (2009).
As possíveis explicações para essa distribuição são a proximidade dos mercados consumidores, disponibilidade de mão-de-obra especializada, localização dos fornecedores e logistica de transporte.
A análise da distribuição geográfica internacional da maioria das empresas, permite constatar que se trata de uma estruturação industrial estabelecida pelas multinacionais atuantes neste setor, situadas principalmente nos países onde se localizam as fábricas de produção de componentes e fábricas de montagem. O Brasil pode ser caracterizado por montadoras de produtos finais e pode-se pressupor que a grande quantidade de importação
deste setor se dá pela utilização do drawnback (importação de matéria-prima e a exportação de produto acabado) entre a empresa no Brasil e a matriz ou alguma filial no exterior.
ANFAVEA (2009) ressaltou que a produção e a venda de máquinas agrícolas no Brasil têm comportamentos similares e, em termos de cultivadores motorizados, os estados do Espírito Santo e Santa Catarina apresentam os maiores percentuais de venda devido, principalmente, ao relevo característico e a estrutura fundiária.
De acordo com Krahe (2006), parte das importações, como de mancais, engrenagens, polias e rolamentos, originam-se de países asiáticos como China, Hong Kong e Taiwan, pelo fato de que esses são itens de baixo valor agregado e isto contribui com a estratégia das empresas para a redução de custos de fabricação. Pode-se agregar os produtos potenciais para substituição em dois grupos: produtos de alta tecnologia e produtos de baixo custo. O grupo de produtos de alta tecnologia refere-se a motores, caixas de transmissão, bombas hidráulicas e componentes eletrônicos.
A implantação de indústrias para a substituição de produtos deste grupo apresenta cinco restrições:
- estrutura industrial multinacional geograficamente segmentada entre países com fábricas de produção de componentes e montadoras;
- o volume a ser fabricado no país não possui economia de escala que justifique a instalação de indústrias para tal fim, dada a exclusividade tecnológica de cada uma das indústrias;
- as empresas multinacionais mantêm equipes de P&D em seus países sede, das quais provêm a disponibilidade de tecnologia e apresentam uma alta velocidade de transferência tecnológica de caráter mundial, além de assegurar o sigilo industrial;
- fragilidade do setor de P&D na área de metal mecânica;
- falta de agilidade nos mecanismos para efetivação de parcerias entre o setor público e privado.
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O grupo de produtos de baixo custo refere-se a mancais, polias, engrenagens, correntes e rolamentos. O diferencial entre os preços nacionais e internacionais destes produtos foi apontado pelas indústrias como principal fator de escolha pela importação.
Neste sentido, são necessários estudos detalhados de especificação técnicas dos produtos, lotes econômicos, restrições sobre propriedade industrial, investimentos necessários para implantação de indústria, localização de empresas privilegiando a logística, linhas de financiamento ou incubação, buscando subsidiar a implantação de ações de estímulo a produção dos mesmos.
Uma tendência a ser considerada é que a produção de máquinas agrícolas automotrizes aumente nos próximos anos. Comparando dados da ANFAVEA de 2000 com os de 2008, verifica-se um incremento da produção, que de 35 mil máquinas, passou para 85 mil, ressaltando-se que em 2005 houve uma queda, devido à crise da agricultura, o que acarretou em reduções nas vendas no mercado interno, e conseqüentemente, em menores produções.
Observando o comportamento da balança comercial para essas indústrias, verifica- se que em relação ao produto final, de alto valor agregado, as exportações superam as importações. Podem ser destacadas as linhas de preparo de solo e de plantio, que possuem expressivo volume de exportação (KRAHE, 2006).
Tradicionalmente, as exportações dos equipamentos voltados ao preparo do solo representavam aproximadamente 10% de sua produção e eram direcionadas principalmente aos países subdesenvolvidos, caracterizado por ser um mercado menos exigente em tecnologia.
Atualmente, percebe-se um aumento na imersão dos produtos brasileiros em países que tem uma agricultura mais desenvolvida. Por essa razão, a busca por avanços tecnológicos tornou-se um aliado importante no aperfeiçoamento do processo produtivo.
Em termos de importação, observa-se dependência total de colhedoras de algodão e, expressivas importações em termos de peças e componentes tais como motores, caixas de transmissão, bombas hidráulicas, componentes eletrônicos, eixos, polias, engrenagens, mancais e rolamentos. Os itens de maior participação nas importações das indústrias de MIA individualmente foram outras máquinas e aparelhos mecânicos (61,6%); peças e componentes para tratores (15,6%); partes de outras máquinas e aparelhos para colheita
(6,9%); mancais, engrenagens e polias (3,4%); outras colhedoras de algodão (3,3%); e rolamentos (2,6%).
As MIA devem considerar as características do local para o qual está sendo desenvolvida, pois máquinas baseadas em projetos estrangeiros podem não se adaptar às condições brasileiros, resultando em equipamentos de baixa qualidade e desempenho deficiente.
Os produtos desta indústria são geralmente fabricados em pequenos lotes quando comparados à indústria automotiva, sendo comum a fabricação de produtos customizados. Geralmente, empresas menores produzem implementos agrícolas, enquanto as de grande porte usualmente produzem tratores e colhedoras (ROMANO, 2003).
De modo geral, existe uma grande variedade de empresas deste segmento, que se ocupam da fabricação de equipamentos de uso manual e outras que utilizam tecnologia de ponta para a mecanização mais moderna, por exemplo, laser, mecanização integrada de processos, automação e robótica (MÁRQUEZ, 2001).
O fato é que as indústrias de MIA são marcadas por grande heterogeneidade de agentes. De um lado as empresas estrangeiras que se instalaram no país trazendo sua base tecnológica e produtiva bastante desenvolvida, e por outro, a indústria nacional procurando suprir as lacunas existentes entre ela e as estrangeiras.