2.3. Nadolny’nin, Türkiye’nin Dünü ve Bugünü Hakkındaki Görüşleri
2.3.1. Nadolny’nin Ankara’ya ve Anadolu’ya Bakış Açısı
No estudo das emoções, objeto de interesse psicológico, a elaboração do conhecimento não ocorreu de maneira diferente; surgiu de forma mutilada e alternou-se entre enfoques que vão do biológico ao social. As tentativas de teorizar sobre as emoções ocorreram ao longo dos séculos. Apareceram diversos escritos, cada um deles tentando compreender os mecanismos subjacentes ao fenômeno, levando-se em conta os conhecimentos já estabelecidos em seus momentos históricos.
Nesta perspectiva, Neubern (s/d) nos apresenta, uma afirmação ilustrativa de como a Psicologia desconsidera o caráter irregular, processual e contraditório presente nas emoções, pois não se levava em conta a emoção como um processo que não se esgota em
outros processos, reduzido a unidades básicas isoladas entre si ou às suas bases fisiológicas, mas ligado à consciência.
A importância de se estudar as emoções decorre do fato de consistir em um dos processos subjetivos mais importantes a ser compreendido no interior dos processos humanos e sociais. Seu estudo apresenta não só os múltiplos níveis de articulação promovidos pelo diálogo entre pensamentos diversos, mas promove, em conjunto com outros movimentos científicos, uma nova forma de reinserção e reconhecimento da condição humana na feitura do conhecimento (Neubern, s/d/).
Nesta perspectiva, consideramos a auto-estima38 como um dos estados afetivos mais importantes na vida do sujeito, por possibilitar recursos para este atuar em sua vida.
A teoria sócio-histórica oferece pressupostos teóricos e metodológicos para o entendimento da emoção como um processo histórico e multideterminado. Vygotsky, um dos representantes desta abordagem, destaca a existência de um sistema dinâmico de significado em que integra o afetivo e intelectual (Oliveira, 1992).
Para Oliveira, (1992, citado em Rego, 1997, pg. 123), Vygotsky formula uma abordagem que unifica as dimensões afetiva e cognitiva do funcionamento psicológico, assim como Wallon. Ambos enfatizam os aspectos sociais e emocionais no desenvolvimento cognitivo da criança e a consideram sujeito e construtora da própria subjetividade, em situações de intersubjetividade (Vasconcelos &Valsiner, 1995).
Segundo Galvão (2001), Wallon busca compreender as emoções a partir de sua função, defendendo a idéia de que “as emoções são reações organizadas e que se exercem
sob o comando do sistema nervoso central” (p.59). Para Wallon, as emoções são expressões da vida afetiva, possuem características próprias que as diferem de outras manifestações da afetividade; ele destaca o componente corporal das emoções, vinculando-as às variações do tônus e da postura.
Nessa perspectiva,
as emoções podem ser consideradas, sem dúvida, como a origem da consciência, visto que exprimem e fixam para o próprio sujeito, através do jogo de atitudes determinadas, certas disposições específicas de sua sensibilidade. Porém, elas só serão o ponto de partida da consciência pessoal do sujeito por intermédio do grupo, no qual elas começam por fundi-lo e do qual receberá as fórmulas diferenciadas de ação e os instrumentos intelectuais, sem os quais lhes seria impossível efetuar as distinções e as classificações necessárias ao conhecimento das coisas e de si mesmo (Wallon, 1986, p.64,citado por Galvão, 2001, p. 63).
Vygotsky, em seus escritos sobre a emoção, tenta superar as cisões da Psicologia tradicional de sua época e, embora os temas afetividade/emoção estejam de alguma forma espalhados em sua obra, muitas vezes em forma de capítulos, nem por isso deixam de ser assuntos potencialmente úteis para essa ciência.
Em seus postulados, Vygotsky, à maneira de outros autores (Rey, 2003, Maturana, 1997), sugere vínculo entre emoção e ação. O autor bielo-russo demonstra claramente em seus escritos que as emoções são percebidas nos sentimentos mais primitivos, expressas sob a forma de reações adaptativas de caráter puramente biológico, como é o caso da emoção elementar, o medo. No aspecto do comportamento, as emoções desempenharam um papel importante no processo de evolução do animal ao homem. Eram elementos organizadores nos momentos difíceis e fatais da vida (Vygotsky, 2001).
Assim, as emoções são formas biologicamente ativas, utilizadas para adaptações do homem ao meio, Porém, diante das condições modificadas, as formas exteriores dos movimentos que acompanhavam a emoção debilitaram-se e vão-se atrofiando em função da sua inutilidade, mas o papel interno de organizadores de todo comportamento, que era seu papel primário, continua com elas até hoje (Vygotsky, 2001, pg.138).
Desta maneira, para Vygotsky, há um processo de transição das emoções primitivas, ou elementares, de caráter biológico, que são a raiva, o medo, a alegria, para as emoções superiores, por exemplo, a melancolia. Assim, ao longo do desenvolvimento, as emoções se modificam, vão se distanciando da origem biológica e se constituem como um fenômeno sóciocultural.
Na verdade, as emoções, enquanto fenômenos sociais, diversificam e tornam complexo o comportamento, esse considerado como interação do organismo com o meio, no qual há três formas de correlação que se alternam e que são a base para o desenvolvimento do comportamento emocional.
A primeira é aquela qual o organismo resolve as exigências e tarefas do meio, sem dificuldades ou tensão, conseguindo uma adaptação excelente com o mínimo dispêndio de energia. Neste caso, o organismo sente a sua superioridade perante o meio. A segunda ocorre quando o organismo se adapta ao meio com dificuldade, grande tensão e perdas de forças, havendo uma supremacia do meio. Na terceira forma acontece um equilíbrio entre organismo e meio não existindo supremacia de nenhuma das partes (Vygotsky, 2001).
Vimos então que as emoções introduzem um novo sentido ao comportamento, regulando-o e orientando-o em função do estado geral do organismo, apresentando-se nas formas instintivas do comportamento, como “uma espécie de resultado da avaliação que o
próprio organismo faz da sua correlação com o meio” (Vygotsky, 2001, p. 136). As emoções constam de reações prévias, que sinalizam ao organismo qual o futuro e as formas desse comportamento. Segundo o autor, devemos entender a emoção como uma reação “nos momentos críticos e catastróficos do comportamento, tanto como os de desequilíbrio, como súmula e resultado do comportamento que dita a cada instante e de forma imediata as formas de comportamento subseqüente” (Vygotsky, 2001, p. 136).
Para Vygotsky, assim como a memória e a percepção, as emoções apresentam uma dimensão social. São funções mediadas pela consciência social, provida pela cultura e fornece as diretrizes para o sentimento, no que se refere a quando, onde e o que sentir. Sua existência, qualidade e intensidade são diversas, dependendo dos diversos conceitos e práticas sociais.
As emoções estabelecem os códigos legais, morais e sociais que as sustentam e devem ser compreendidas como construtos que possuem propósitos humanos e que dependem da cognição, da interpretação e da percepção, dentre outros. Por serem mediadas socialmente, as emoções servem a propósitos comunicativos, morais e culturais complexos. “O significado complexo de cada emoção é resultado do papel que as emoções desempenham em toda a gama de valores culturais, relações sociais e circunstâncias econômicas dos povos” (Ratner, citado por Sousa& Costa, s/d).
O “emocionar” humano é uma condição de sua atividade, ou seja, as emoções estão relacionadas às ações do sujeito em sua situação cultural. Para Rey, (2003),
As emoções são registros complexos que com o desenvolvimento da condição cultural do homem passam a ser uma forma de expressão humana ante situações de natureza cultural que surgem como sistemas de relações e práticas sociais; no entanto, essa nova condição do registro
emocional não elimina sua capacidade de registros somáticos e fisiológicos que, em sua complexa relação com os anteriores, definem o sentido subjetivo da emoção, que representa um momento essencial de sua definição subjetiva (Rey, 2003, p.243).
Segundo o autor, o sentido subjetivo da emoção surge da relação de várias emoções em espaços simbolicamente organizados, onde as emoções transitam. A emoção é que vai definir a disponibilidade de recursos subjetivos do sujeito para atuar. É o sentido subjetivo que representa a forma essencial dos processos de subjetivação. Nas palavras do autor:
O sentido exprime as diferentes formas da realidade em que complexas unidades simbólico-emocionais, nas quais a história do sujeito e dos contextos sociais produtores de sentido é um momento essencial de sua constituição, o que separa esta categoria de toda forma de apreensão racional de uma realidade externa (prefácio, p. IX).
Assim, o sentido subjetivo surge mediante as emoções e essas expressam a síntese complexa de um conjunto de estados afetivos dos quais o sujeito pode ou não ter consciência. Historicamente, esses estados afetivos se definem por categorias como auto-
estima, segurança, interesse etc. Enfim, são estados que vão definir o tipo de emoção que
dará suporte ao sujeito para desenvolver uma atividade.
A esse respeito, vemos a contribuição de Davidov (1999, p.46, citada por Rey, 2003, pg. 245) que nos esclarece sobre o papel da emoção na organização da atividade do sujeito. A função geral das emoções é que elas capacitam as pessoas à atividade mas, para a autora, isto é a metade do trabalho, pois o mais importante é que as emoções capacitam a pessoa para decidir quais os meios necessita para realizar a tarefa, se físicos, morais e
espirituais. “Se as emoções ‘dizem não’, os meios não estão disponíveis, a pessoa se nega a realizar a tarefa” (p. 245).
A autora estabelece uma relação entre ação e emoção, assim como o faz Maturana (1997), e reconhece que as ações humanas se fundam no emocional e ocorrem em um espaço de ações especificadas pelas emoções, essas sendo “disposições corporais que especificam a cada instante o domínio de ações em que se encontra um animal (humano ou não), e que o emocionar, como o fluir de uma emoção a outra, é o fluir de um domínio de ações a outro” (Maturana, 1997, p. 170).
Então, convidando-nos a pensar as emoções com a definição ora transcrita, Maturana reconhece não só a presença destas em todas as ações humanas, mas que essas se fundam no emocional, subjacente inclusive ao processo de raciocinar. Com isso, Maturana propõe a articulação entre objetividade e subjetividade, demonstra a imbricação entre os aspectos racionais e emocionais, que, na verdade, nunca tiveram separados, mas que durante muito tempo foram desprezados pela ciência positivista-reducionista, em que havia uma valorização exacerbada da objetividade.
Se, porém, por um lado houve uma exclusão por parte da ciência dos processos emocionais e subjetivos, hoje vemos a relevância desses, como no cenário da Ciência Psicológica (Rey, 2003, Sawia, s/d). É preciso chamar atenção, no entanto, para o fato de que a referência aos processos emocionais e subjetivos tornou-se um modismo, quando, por exemplo, o uso das expressões emoção e dos respectivos como afetividade, inteligência emocional etc., é realizado de forma indiscriminada e manipulada (esta última observada, por exemplo, quando vemos livros de auto-ajuda, muitas vezes
incluídos em prateleiras de Psicologia, prometendo, por meio de receitas e tecnologias de aplicação rápida, o controle das emoções e dos sentimentos).
Neste contexto, o construto auto-estima, primordial em nosso trabalho, não fica de fora. Vários são os livros e outros suportes bibliográficos sobre o tema que, em pequenas lições ou parágrafos, prometem aos leitores ensinar a conseguir manter uma auto-estima elevada, como num passe de mágica. É vista como uma panacéia, remédio para todos os males. O modismo do conceito auto-estima parece abarcar todas as áreas, que vão desde terapias alternativas à gestão de empresas.
O conceito de auto-estima ocupa um lugar em nosso cotidiano, no imaginário, ou em nossos discursos, de tal forma que a ele habitualmente nos pegamos, utilizando a palavra nos mais diversos contextos, em relação a nós, aos outros, ao nosso país, a uma categoria de trabalho ou a uma família. Por exemplo, ao abordarmos o assunto da auto- estima em qualquer pequeno grupo, a reação é quase imediata; as pessoas demonstram interesse sobre o tema como algo que lhes diz respeito.
Cada vez mais presente nas discussões de problemas sociais e pessoais, a auto- estima é considerada um aspecto importante nas relações do sujeito com ele mesmo e com os outros, envolvendo a capacidade humana de percepção, sentimento e julgamento em relação a si e aos outros.
O que significa auto-estima? Por que estudá-la? Como esta se forma? Qual o sentido do termo na vida das pessoas?
Mruk (1995, citado por Assis & Avanci, 2004) ressalta que estudar e pesquisar cientificamente a auto-estima justifica-se por várias razões:
b) por vincular-se ao cotidiano, sendo o principal indicador de saúde mental para o National Advisory Helth Council (1996);
c) por se tratar de uma valorização de si mesmo relacionada com fenômenos preocupantes, como depressão, suicídio e ansiedade;
d) por ser um tema importante para as Ciências Sociais, já que a percepção que as pessoas têm de si está ligada às suas vivências e condições sociais básicas; e) pelo significado social do conceito na atualidade.