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KELLER’İN TÜRKİYE’YE GELİŞİ ve BÜYÜKELÇİLİĞİ

A pesquisa foi realizada com crianças de três (3) escolas públicas, porém, a seleção não foi aleatória, já que eram escolas onde as crianças das famílias notificadas pelo S.O.S. estudavam. Nessas escolas, tínhamos a indicação de um sujeito em cada uma. Ao chegarmos a elas, entretanto, e solicitarmos o sujeito já identificado por nós anteriormente

e mais alguns de seu grupo de pares, nos deparamos com uma realidade em que constatamos que um número significativo de crianças também sofrem/sofriam violência física por parte de suas famílias, sem que estivessem registradas no S. O S.

Assim, o grupo de sujeitos foi composto por crianças identificadas por nós previamente no S. O. S – Criança – e por crianças da mesma sala. Ao todo foram sete (7) sujeitos, sendo duas do S. O. S - Criança - e as outras cinco (5) incluídas quando das visitas às escolas. Após algumas conversas iniciais com os responsáveis pela escola (diretores, coordenadores ou supervisores) para apresentar nosso projeto, bem como solicitar a permissão para desenvolver a pesquisa, solicitamos a lista de freqüência para que localizássemos a criança identificada por nós no S. O. S.- Criança e, ao mesmo tempo, de forma aleatória, tomávamos mais três crianças da mesma sala para que não configurasse uma atitude discriminatória para com a criança que tínhamos interesse em investigar.

Os nomes dos sujeitos pesquisados são todos fictícios, preservando-se por conseguinte, a identidade das pessoas e o sigilo das informações concedidas.

Em seguida, apresentamos, de forma sucinta, a caracterização de cada criança.

ESCOLA A – U.G.

Criança – Marcos - manhã Caracterização geral da criança

Marcos tem 9 anos, mora com a mãe, que trabalha em casa de família, e quatro tias, sendo que três trabalham fora e há uma que apresenta deficiência mental. Seu pai é separado de sua mãe e vive com outra mulher.Também moram com ele dois primos: um com 25 anos e o outro com 19 anos. Ele mora perto da escola, vai com a mãe quando ela

vai trabalhar e volta sozinho. Diz que ajuda o padrinho (que é vizinho) a consertar caixa de som, mas que não ganha por isso. Diz que gosta de brincar de videogame e com os passarinhos que tem em sua casa.

ESCOLA B - L. M.

Criança - Rosa - intermediário45 Caracterização geral da criança

Rosa tem 10 anos. Mora com a avó materna, a mãe e uma irmã de 6 anos. Tinha um irmão que morreu aos 12 anos. Gosta de brincar, de pular corda, queimada e academia (amarelinha). Diz que brinca com os primos e com os amigos perto de casa. Gosta da escola. Nos fins de semana vai à missa, ao parque e brinca de bicicleta. Em sua casa quem trabalha é a avó, na feira às sextas - feira e domingo, vendendo frutas; e sua mãe; que trabalha o dia inteiro como doméstica. Fala que gosta do bairro e mora pertinho da escola, o que lhe permite ir e voltar sozinha. Gosta de arrumar a casa, de ajudar a mãe, mas não gosta de lavar a louça.

ESCOLA B- L. M

Criança - Paula- intermediário Caracterização geral da criança

Paula tem 11 anos, mora com a mãe, o pai e três irmãos mais novos. O pai trabalha e a mãe fica em casa. Diz que gosta da escola. Vai e vem sozinha da escola porque fica perto de usa casa.Gosta de brincar com amigas e primos, de ir à praia e a casa da avó. Gosta de brincar de tica (brincadeira de correr)

45

O turno intermediário é o turno existente entre o horário da manhã (7h:00 – 10h.30min) e o da tarde (14h.40min.- 18h:00). Seu início corresponde às 10h.40min e termina às 14h.30min.

ESCOLA C- E. U.

Criança- Vicente- vespertino Caracterização geral da criança

Vicente tem 6 anos, diz que gosta da escola porque vai aprender a ler. Mora com a mãe, irmã de um ano, um tio (padrasto) e uma tia. Gosta de brincar de tica, de pula-corda e de soltar pipas com os primos e amigos. Mora longe da escola, vai e volta a pé, sozinho. Diz que ninguém o ensinou a andar sozinho até a escola. .Diz que em sua casa quem trabalha fora são os tios, que fazem pintura. Diz que já sabe ler e que aprendeu a ler na aula de reforço. Apresentava marcas no rosto, resultantes de “agressão” (não investigada) recente.

ESCOLA C- E.U.

Criança – Daniela – intermediário Caracterização geral da criança

Daniela tem 6 anos, faz a 1ª. série. Mora com a mãe, pai, uma irmã de nove anos, e um irmão de 1 mês. Gosta de brincar de casinha, escolinha e boneca. Somente o pai trabalha como eletricista. Gosta da escola e vai e volta com a mãe no fim de semana, vai para piscina, praia de Ponta Negra e brinca com a mãe.

ESCOLA C- E. U.

Criança - Keila- intermediário Caracterização da criança

Keila tem 6 anos, gosta de estudar na escola. Mora com o pai, a mãe, e 2 irmãos (9 anos e 3 anos). O pai trabalha ajudando o tio a fazer entregas no frigorífico; a mãe trabalha em casa . Ela diz que às vezes arruma a casa toda, gosta de lavar louça e forrar a

cama. O irmão mais velho vende galinhas. Gosta de brincar de bonecas, esconde-esconde, bicicleta com a prima e duas amigas, o pai e a mãe. Vai para a escola com três colegas de 8, 7 e 9 anos. Tem amigos na escola e perto de casa.

ESCOLA C- E.U.

Criança - Luciano- intermediário Caracterização geral da criança

Luciano tem 6 anos, diz que gosta de estudar na escola. Mora com avó, a mãe, o tio a tia e um primo. A mãe costura, o tio trabalha num hotel, a tia trabalha em um hospital e a avó cuida dele quando os outros estão trabalhando. Gosta de andar de bicicleta, jogar bola, e videogame com o tio e primos. Tem amigos na escola e perto de casa. O tio o leva para a escola e, às vezes, a prima de 13 anos.

4.4. As escolas

Como foi expresso anteriormente, trabalhamos com três escolas: a escola A, localizada no bairro de Nova Descoberta, na zona leste de Natal; a escola B, com sede no bairro de Cidade Nova, na zona leste de Natal; a escola C situada no bairro de Felipe Camarão, na zona Oeste.

As três (3) escolas ora especificadas atendem preferencialmente crianças do bairro onde estão inseridas. A população abrangente não é muito diversificada, englobando, principalmente, a classe economicamente desfavorecida.

São bairros cercados de residências simples e alguns comércios, algumas creches, sendo que, próximo à escola C, há posto de saúde e uma delegacia. Nos arredores dessas escolas, encontramos outras escolas públicas, morros, muito lixo, falta de saneamento.

Não deparamos, nas proximidades dessas escolas, praças nem locais de lazer para adolescentes e crianças. Percebemos que nesses bairros muitas crianças fazem dos morros o principal ponto de encontro para brincar.

As moradias encontradas ao redor das escolas são de casas simples, embora tenhamos encontrado alguns agrupados de casas que poderíamos considerar como favelas.

As três escolas funcionam em quatro turnos: manhã, intermediário, tarde e noite; neste último funcionam as turmas de EJA - Educação de Jovens e Adultos.

Em relação à estrutura física dessas três (3) escolas, não podemos dizer que sejam acolhedoras. Encontram-se em razoáveis condições de funcionamento. As salas de aula contam basicamente com lousa, giz e apagador, tendo, eventualmente, alguns adereços decorativos, tais como alfabetos maiúsculos e minúsculos, desenhos infantis e outros, confeccionados pelas próprias professoras. Possuem um tamanho razoável para a quantidade de alunos que as escolas oferecem por sala, na maioria, com 25 alunos. As carteiras usadas têm mesinhas e se dispõem normalmente enfileiradas.

As três escolas possuem espaço físico insuficiente, principalmente para o desenvolvimento de atividades esportivas e recreativas. Assim, verificamos que a hora do recreio costuma ser um momento conturbado e de muito tumulto, produzido, principalmente, pela falta de espaço para as crianças brincarem. Verificamos que a interação dos alunos, nos momentos lúdicos, é permeada de violência física.

Nas entrevistas com os responsáveis pela escola, a maioria relacionou os principais problemas que se identificam na instituição. Dentre eles, destacamos: dificuldades de aprendizagem dos alunos, violência intrafamiliar, drogas, falta de professores; e, quanto

ao turno intermediário, com carga horária reduzida, as crianças têm que fazer uma refeição principal na escola – almoço; dificuldade de professor para ministrar aulas, tempo reduzidíssimo, entre os turnos, para limpeza das salas para receber as crianças. Um dos diretores nos fala que há uma troca constante de turno, da manhã e tarde para noite, para que os alunos possam trabalhar de dia e estudar à noite.

A seguir, apresentaremos as condições de realização das atividades propostas por nós.