BÖLÜM 3: HAK DİNİ KUR’ÂN DİLİ’NDE KUR’ÂN İLİMLERİ
3.2. Ulûmu’l-Kur’ân’ın Temel Konuları
3.2.3. Muhkem ve Müteşâbih
Na primeira etapa da pesquisa realizamos um levantamento bibliográfico sendo pesquisadas teses, dissertações, livros, documentos e artigos, nas plataformas LILACS e SciELO, no campo da psicologia e na área da saúde que tratam da temática da saúde em comunidades quilombolas. Documentos de referência presentes na comunidade também foram fontes base para a produção deste levantamento bibliográfico, como o trabalho de conclusão de curso de dois moradores que tratam da história da comunidade por meio da narrativa dos idoso ali residentes. Para melhor caracterizar a realidade da assistência à saúde da comunidade Pau D'arco, buscamos por meio de requerimento à Secretaria de Saúde do Município de Arapiraca, os dados presentes no Sistema de
1A história dos quilombos em Alagoas e a descrição detalhada da Comunidade Quilombola estudada, fazem parte do resultado da pesquisa e são apresentadas na seção correspondente.
Informação da Atenção Básica (SIAB) referente a Unidade de Saúde da Família (USF) instalada no território entre o período do mês 01 ao 06 de 2015. A fase do levantamento bibliográfico resultou na produção de resenhas, leituras críticas, produção de textos acadêmicos que auxiliaram na compreensão do campo investigado.
A segunda etapa consistiu na inserção no campo de pesquisa e foi desenvolvida através da utilização de diário de campo e por meio da iniciativa do trabalho com o agente local. O agente local é definido como uma pessoa chave da comunidade responsável para realizar mediações entre o pesquisador e a comunidade. Mediar neste caso está para além da criação de contatos, mas é a produção de laços capazes de vincular universos distintos, cada qual com seus valores, objetivos, discursos e práticas (Martins et al., 2009).
Cabe ressaltar que o agente local participante da pesquisa frequentava os dois universos que se encontraram no campo da investigação, no pertencimento a universidade como discente do curso de psicologia e ao mesmo tempo morador da comunidade. O percurso de sua vida sobre estes dois universos facilitou os processos de mediação entre pesquisador e membros da comunidade, possibilitando a emergência de lugares comuns compartilhados entre o tema da pesquisa e as necessidades da comunidade.
O trabalho com o agente local não ficou restrito a esta etapa da pesquisa, tal estratégia de ação investigativa foi fio condutor da investigação, como elemento chave para que o estudo seguisse seu curso. As ações encampadas pelo agente local no processo de pesquisa será relatado como parte dos resultados do estudo.
Assim, com o auxilio do agente local foram realizados encontros com lideranças, profissionais da comunidade e gestora da Unidade Básica de Saúde, com intuito de apresentar a proposta da pesquisa a ser desenvolvida na comunidade. Tal etapa caracterizou-se pelo reconhecimento inicial dos atores que seriam envolvidos no processo de pesquisa, com: reuniões com lideranças e agentes envolvidos; e visitas pelo território, no contato com seu cotidiano, as histórias e as problemáticas referentes aos processos de saúde/doença vivenciados pela comunidade. Estes encontros e vivências foram registrados no diário de campo e fazem parte dos resultados da pesquisa.
A terceira etapa objetivou a coleta e produção de informação junto aos informantes-chave da pesquisa, que consistiu na identificação dos itinerários terapêuticos dos moradores da comunidade em relação aos agravos de saúde vividos. Os itinerários foram mapeados por meio das narrativas dos itinerários realizados pelos moradores na busca de cuidado. Para isso, os moradores foram entrevistados por meio de entrevista semi-estruturada(Anexo I). Todos que passaram pela entrevista assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (anexo II). Os moradores
narraram os locais, equipamentos sociais e conhecimentos procurados no momento em que estavam com algum agravo e/ou doença, apresentando as relações estabelecidas, as dificuldades encontradas e os processos de cuidado ofertados em seu itinerário terapêutico. Participaram desta etapa 05 moradores, os quais em suas narrativas possibilitaram a saturação de informações em relação ao tema pesquisado.
Os participantes da pesquisa apresentam em comum histórico de agravo e/ou doença, sendo eles distribuídos em diversas faixas etárias, como modo de abranger as diversidades possíveis de cuidados presentes na comunidade, sendo: 03 idosos, 01 adulta e 01 jovem do sexo feminino acima de 18 anos.
As 05 entrevistas realizadas foram transcritas. A análise seguiu as orientações da análise de conteúdo. Os nomes dos entrevistados não serão identificados nas análises e nem serão substituídos por outros nomes fictícios, para que não haja problema de substituição por nomes que coincidam com algum membro da comunidade. Assim, optou-se por nomenclaturas que os identificam por meio de sua categoria etária, como segue: J (uma jovem da comunidade); A (adulta da comunidade); I (idosa(o) da comunidade).
Bardin (2011) sistematiza três etapas no processo de análise de conteúdo: pré-análise; exploração do material; e análise do conteúdo. A pré-análise é o momento em que o pesquisador entra em contato com o material, por meio de leitura flutuante e exaustiva dos textos ou narrativas. Nesta etapa já inicia o processo de identificação das unidades de significado presentes no material, as quais posteriormente são submetidas a uma leitura sistemática na construção de categorias, no caso da presente pesquisa a escolha se deu por categorias temáticas elaboradas a partir das narrativas colhidas.
De acordo com Bardin (2011, p.145): “A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com critérios previamente definidos”. Na presente análise, as unidades de significado foram codificadas por meio de conteúdos que emergiram nas narrativas dos participantes e que se relacionam com os objetivos da pesquisa. Esta etapa de codificação das unidades de significado e categorização em temas é definida como a etapa de exploração do material.
Realizada a pré-análise e a exploração do material de forma contundente com as categorias temáticas sistematizadas, inicia-se o processo de análise no qual o pesquisador, com suas referências teóricas, vai interpretar as informações organizadas. De acordo com Bardin (2011), a análise por categoria temática apresenta-se como a técnica mais usada nas pesquisas qualitativas, pela sua eficácia na codificação das unidades de significado presentes no material a ser analisado.
Assim, após a transcrição direta das entrevistas com os moradores da comunidade quilombola, para tomar contato inicial com as informações coletadas, desenvolvemos a leitura flutuante das mesmas, como etapa de pré-análise que auxiliou na codificação das unidades de significação temática presentes nas narrativas. Concomitante às leituras flutuantes realizamos a escuta das entrevistas, como forma de resgatar o máximo de expressões produzidas no campo de pesquisa. Realizada a leitura exaustiva do material, iniciamos a etapa de leitura sistemática do texto transcrito que culminou na elaboração de quatro categorias temáticas: 1. Itinerários Terapêuticos: caminhos para o cuidado à saúde; 2. A vida na comunidade quilombola e as suas concepções de saúde/doença; 3. Narrativas de atendimento e contato com os profissionais de saúde; 4. Ser quilombola: a construção de um duplo vínculo com o território e a identidade quilombola.
Optou-se, para melhor visualização dos itinerários terapêuticos narrados, a produção de mapas analíticos (diagramas) na identificação dos itinerários, dos recursos e das táticas utilizadas pelos moradores da comunidade quilombola em suas formas de cuidado à saúde.
As dimensões de vulnerabilidade individual, social e programática citadas por Ayres, Paiva e França Jr. (2012); e Gruskin e Tarantola (2012), foram utilizadas como norteadores analíticos das informações coletadas como elementos capazes de analisar a implantação e desenvolvimento de um determinado programa, projeto e serviço de saúde.
A quarta e última etapa da pesquisa consistiu na devolutiva dos resultados aos moradores da comunidade Pau D’Arco, que teve por objetivo desenvolver uma avaliação sobre o processo da pesquisa e as contribuições da mesma no desenvolvimento de ações voltadas à saúde da população quilombola. Junto com a devolutiva da pesquisa foi apresentado um projeto de intervenção possível de ser desenvolvido na comunidade, elaborado com base nos resultados alcançados na investigação, como material técnico e produto final da presente pesquisa, o qual será apresentado no fim das lições aprendidas. Esta quarta etapa, apesar de ser entendida como o fechamento do estudo, apresentou-se como campo desencadeador de demandas e necessidades possíveis a serem exploradas para o desenvolvimento de novas ações, pesquisas e projetos de intervenção.