• Sonuç bulunamadı

Muhammed İbn Mervan’ın, Halife Tarafından Ermenistan’a Sert İntikam Alması Amacıyla

A educação vem sendo utilizada desde os primórdios da civilização humana como uma forma de socialização dos conhecimentos produzidos, de maneira sistemática ou assistemática. Nas comunidades primitivas, o ensino não acontecia na escola, era para a vida e por meio da vida. Segundo Ponce (2005, p. 19),

Estamos tão acostumados a identificar a escola com a educação, e esta com a noção individualista de um educador e um educando, que nos custa um pouco reconhecer que a educação na comunidade primitiva era uma função espontânea da sociedade em conjunto, da mesma forma que a linguagem e a moral.

Nesse caso, os fins da educação se identificam com os interesses comuns de todo o grupo, sem interesse de dominação de classes. Quando surge a necessidade de pessoas mais qualificadas para dirigir as tribos, a direção do trabalho se separa do próprio trabalho, ao mesmo tempo em que as forças mentais se separam das físicas (idem). Posteriormente, surge

a educação sistemática no momento que a educação perde o seu caráter homogêneo e integral, passando a ser direito, apenas, dos nobres, para reforçar privilégios de uma sociedade já dividida em classes. Assim, ela tem servido para socializar os conhecimentos e, também para que a classe dominante dissemine os seus valores e condições fundamentais de sua própria existência político- ideológica.

O setor de Educação do MST surgiu em 1987. Ele tem como base, por meio da pedagogia emancipatória, ajudar na construção de uma sociedade igualitária, entendendo a educação como um elemento fundamental nos processos de transformação social, cujo objetivo é contribuir para a construção de um novo homem e uma nova mulher, libertos de todas as formas de opressão e de exploração (CALDART, 1997, p. 11). Os dados atuais da educação no MST estão explicitados na figura 2:

Figura 2 – Dados da educação no MST

Retirado do site www.mst.org.br/node/8302

O termo “setor de educação” tem um cunho político/ideológico, por ser dado pelos sem-terra ao grupo que procura implementar a proposta de educação do MST nos assentamentos e acampamentos. Faz parte dele os militantes do MST, que em alguns casos são as pessoas que cuidam dos aspectos burocráticos da educação junto às administrações municipal, estadual e federal (PEREIRA, 2008, p. 218). Foi o setor de Educação do MST, junto com outros movimentos sociais que começou a discussão em âmbito nacional por uma educação diferenciada para os alunos do campo que tivessem como elemento fundamental a cultura e os valores dos campesinos, que ficou conhecida como Educação do Campo.

De acordo com Caldart (2006, p. 161), o setor de Educação do MST tem a função de articular e potencializar as lutas e experiências educacionais já existentes, e, ao mesmo tempo, desencadear a organização do trabalho onde ele não havia surgido de forma espontânea. Nesse sentido, observa-se o seu crescimento se expandindo para os diversos níveis e modalidades de ensino31, sempre voltado para a educação do campo e, em busca da formação de militantes, com o intuito de formar quadros dirigentes e/ou profissionais para atuar nas diversas áreas do conhecimento dentro dos assentamentos e acampamentos. Essa formação acontece, geralmente, por meio de parcerias com o próprio Estado através das secretarias e universidades federais, estaduais e municipais, ou com outros organismos internacionais. A sua organização estadual se dá em forma de coletivos estaduais, regionais e brigadas conforme a estruturação do próprio Movimento.

As escolas são públicas na sua totalidade, e para os dirigentes, ela tem a função de “trabalhar com a educação na perspectiva da emancipação, por meio da formação de militantes e crianças que fazem a luta acontecer de fato, com o papel de ser mais que escola porque ela deve contribuir com a formação política” (DIRIGENTE DA REGIONAL SUDOESTE, 10/09/2011). A emancipação é compreendida na perspectiva da luta para além da escolarização, incluindo aspectos da proposta freiriana de educação, no que se refere à formação para a criticidade. Apesar de ter vínculo com a burocracia estatal para manter uma educação pública, o MST busca dar um sentido diferente a esse aspecto “público” da educação nas suas áreas, como relata o coordenador:

São escolas públicas nos territórios do MST. O que diferencia ela é justamente sua proposta de trabalho, sua proposta pedagógica32. E aí não é uma coisa que surge do nada. Tem toda uma construção teórica por trás disso, apesar de enfrentar muitas dificuldades para sua implementação. (COORDENADOR ESTADUAL DO SETOR DE EDUCAÇÃO DO MST, 10/09/2011).

Outra novidade que aparece na forma de organização da educação no MST, na atualidade, é que cada brigada se organiza em coletivos, também denominados de “Frentes” de atuação, as quais, ao que parece, funcio nam como sinônimo de níveis de ensino para o sistema escolar regular da burocracia estatal, como se observa no trecho da entrevista abaixo:

31

A história do Setor de Educação do MST pode ser encontrada em CA LDA RT (2000).

32

Para me lhor co mpreensão dessa forma de educação imp le mentada pelo MST, sugere-se leitura da Tese de Doutorado de Maria Nalva Rodrigues de Araújo (2007), defendida na FACED/UFBA, cujo título é : As contradições e as possibilidades de uma educação emancipatória no conte xto da luta pela terra.

A educação do MST está organizada por Frentes. É claro que nem sempre foi assim. Hoje temos a Frente da Educação Infantil, a Frente da EJA, a Frente do Ensino Fundamental, nos acampamentos e assentamentos. As Frentes acontecem porque tem uma grande demanda da educação básica. A primeira coisa é que as pessoas responsáveis pelas Frentes têm que ter capacidade para poder pensar aquela modalidade. As Frentes são criadas para ter mais elementos teóricos, mais consistentes. Não é só dividir para ficar mais administrável. É para dar uma certa implementação no papel que essas Frentes exercem. As pessoas responsáveis organizam material pedagógico, fazem eventos e encontros em todos os níveis: regional, estadual e nacional. (COORDENADOR ESTADUAL DO SETOR DE EDUCAÇÃO, 10/09/2011.).

Como o MST tem uma organicidade descentralizada em todas as instâncias (nacional, estadual e regional), observa-se então que o setor de educação encontrou uma forma coletiva de gerir internamente o seu sistema educativo, pois os responsáveis pelas Frentes de educação, geralmente, não são pessoas que assumem funções da educação para a burocracia estatal, mas apenas para o Movimento, como estratégia de materializar o processo educacional a partir de uma racionalidade própria na escola pública que o diferencia da burocracia estatal. Assim, todas as pessoas do Estado, de cada Frente, se reúnem para discutir as prioridades do próprio Movimento, no que se refere a cada nível e modalidade de ensino, planejando em todas as instâncias. Ou seja, estas pessoas são responsáveis por fazerem estudos e traçarem estratégias das Frentes, desde a esfera nacional até a regional.

1.5 A busca pela hegemonia entre projetos educacionais: da educação rural à