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Grigor Mamikonian ve Diğer Prensler’in, Ashot Bagratuni’yi Araplara Karşı İsyana

O processo de desenvolvimento capitalista da Região Sul da Bahia começou com o modo de apropriação primitiva de capital, no século XVI, desde a colonização portuguesa. A apropriação da terra teve início com as sesmarias, em 1534, se transformando, mais tarde, em grandes latifúndios, contribuindo para o desenvolvimento da desigualdade social que é uma característica da região até a presente data.

O recorte territorial que forma a região Sul da Bahia teve como precursora a capitania hereditária São Jorge dos Ilhéus, iniciando-se na foz do rio Jaguaribe, na Baía de Todos os

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Santos, logo abaixo da ponta sul da ilha de Itaparica (a lto rio Jequitinhonha), entrando pelo sertão de terra firme, e ao mar, penetrando 10 léguas (FREITAS, 2009, p. 134).

No século XVI, com a introdução do cultivo da cana-de-açúcar, o capitalismo determinou a exploração de mão de obra indígena e dos negros africanos, e houve tensões e conflitos, principalmente pelos indígenas Aimorés e Tupinambás, sendo que esses últimos existem na região até os dias atuais. No século XVIII, com a crise canavieira, foi introduzida a cultura do café e a do cacau, o que fez acelerar o crescimento demográfico e econômico da região. O café, porém, entrou em crise no século XIX, e o cacauicultores encontraram condições favoráveis para continuar na produção, acelerando o desenvolvimento do capitalismo concorrencial na região, tendo sido o cacau consolidado como monocultura de exportação no século XX.

De acordo com Santos (1998, p. 21),

O homem e a terra puderam harmonizar-se numa formação regional bem diferenciada, sendo o cacau como produção agrícola, o responsável pelos traços socioeconômicos e psicossociais. Assim, a natureza forneceu o quadro e o homem fez o resto.

A luta pela posse da terra foi intensa por parte dos coronéis do cacau, índios e sem- terras. A repercussão da internacionalização do cacau trouxe reflexos nas relações sociais de produção, causando a expropriação de muitos trabalhadores rurais do campo, reduzindo a agricultura familiar e aumentando a concentração de terras para os capitalistas. A correlação de forças entre as classes sociais se intensificou, mas o poder exercido hierarquicamente pelo capital mantinha a sua hegemonia política nas esferas estatais, condenando muitos trabalhadores expropriados à exclusão social. Foram vítimas da expropriação capitalista, também, os possuidores de pequenas quantidades de terras, que tem como fonte de subsistência a agricultura familiar, os quais sofreram e ainda sofrem constantemente pressões por parte da oligarquia rural para que suas terras sejam abandonadas ou vendidas, cedendo o espaço à produção do cacau. Porém, com a crise do cacau na década de 1980, ocorreu um alto índice de desemprego na região, repercutindo diretamente na demografia, o que representou uma mobilidade dos trabalhadores, principalmente para o sul do país (FREITAS, 2009, p. 118). Os trabalhadores que permaneceram no campo tiveram redução de salários. Observa-se que o aumento da oferta de mão de obra, ou aumento do exército de reserva contribuiu para essas condições objetivas de exploração do capital.

A partir de 2003, o território da região Sul entrou para o agronegócio por meio de uma parceria do governo estadual com o Banco do Nordeste, conforme Tabela 9.

Tabela 9 – Programa de Desenvolvimento para o Litoral Sul da Bahia – 2003 – 2007.

Observa-se um investimento de 333.000,00 (87,81%) por parte do Banco do Nordeste, enquanto o Estado investiu apenas 46.240,00 (12,19%), dos quais 60% foram destinados à cacauicultura, sendo esta, considerada ainda, como instrumento de desenvolvimento econômico nessa região.

A partir de 2008, foi criado o PAC do cacau voltado para renegociação de dívidas de produtores, bem como a aquisição de novos créditos destinados à produção de biocombustíveis. Nesse projeto o governo federal investiu a quantia de R$ 472.000.000,00 (quatrocentos e setenta e dois milhões de reais), de acordo com o Diário Oficial do Estado da Bahia (11/04/2008).

Nessa região é possível verificar a presença massiva do agronegócio com grande concentração de terra o que faz com que haja um crescimento da desigualdade social, conforme se verifica abaixo:

Tabela 10 – Agricultura Familiar no Litoral Sul da Bahia – 2006

Fonte: FREITAS (2009).

A partir dos dados acima – Agricultura Familiar - Litoral Sul da Bahia - é possível verificar a apropriação capitalista da terra, pois 65,86% dos estabelecimentos da agricultura familiar possuem apenas 17, 33% da área, enquanto o Capital possui 34,14% dos estabelecimentos, com 82,67% da área total. Assim, nota-se que ainda continua a grande concentração de terra na região, fato iniciado no século XVI e que continua até os dias atuais, expropriando trabalhadores e aumentando os lucros do capital.

Utilizando o referencial marxista de que todo fenômeno social é construído historicamente, chega-se às conclusões do resultado apresentado como materialidade das contradições estruturais da luta pela terra nessa região entre trabalhadores e capitalistas.

Devido ao conflito de classes instaurado pelas condições desiguais e exploração da força de trabalho, bem como acumulação de capital, estabeleceram-se as condições objetivas para organização política dos camponeses e trabalhadores rurais em uma variedade de movimentos sociais que lutam pela terra63 como bem de produção.

Desde a sua formação, o espaço regional vem sendo marcado pela elevada tensão social e conflituosidade territorial pela posse e uso da terra. A esta realidade, atribuem-se dois fatores estruturais: o processo de apropriação privada da terra (caracterizado pela ocupação primária e domínio ilegal de terras devoluta s) e o modelo monocultor agroexportador do cacau (estabelecido a partir da concentração fundiária e exploração da força de trabalho).

O marco inicial da luta dos trabalhadores nessa região foi a criação do sindicato dos Trabalhadores Rurais do Brasil, em 1934, em Pirangi, distrito de Ilhéus, onde atualmente é a cidade de Itajuípe (FETAG, 2008). As ligas camponesas que foram criadas na região não tiveram muito sucesso porque os trabalhadores organizados ficaram limitados às reivindicações trabalhistas dos sindicatos. Outro movimento de luta pela terra foi o Movimento da Renovação Trabalhista (MRT), constituído pelos sindicatos, pelo PC do B e outros setores conservadores da igreja católica, que atuaram na luta pela reforma agrária.

Esse sindicalismo conservador da década de 1960 reivindicava uma reforma agrária dentro da doutrina cristã e democrática: respeitando os direitos dentro dos princípios sagrados da Constituição. E atacava as Ligas

Camponesas e os sindicatos rurais dirigidos pelo PCB como “extremistas antidemocráticos” que se aproveitavam da “dócil, pacífica e laboriosa classe trabalhadora rural”. (NAVARRO, 1983, p. 22).

Observa-se nesse contexto a presença da igreja aliada ao Estado para desarticular a luta de classe, utilizando recursos ideológico s para manutenção da propriedade privada da terra pelo capital.

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a) Organizações relig iosas: CEB, CPT, PJR (Pastoral da Juventude Rural), Centro de Estudos e Ações Regionais (CEA R).

b) Sindicatos: Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETA G), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Fa miliar (FETRAF), Pólo de Unidade Ca mponesa (PUC), Central Ún ica dos Trabalhadores (CUT). c)Movimentos Sociais Rura is: Movimento de Luta pela Terra (M LT), Rede de Associações Comunitárias de Assentados e Acampados do Sul da Bahia (RA CCA -SUL/CETA), Movimento Social Jupará (MSJ), Movimento Terra e Liberdade (MTL), Movimento Vantuí Agroecológico do Brasil, Movimento dos Trab alhadores Rurais (MTR), Movimento dos Desempregados Rurais (M DR), Movimento Liberdade, União, Trabalho e Educação (LUTE), Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR).

d) Entidades e Organizações Não-Governa mentais: Federação de Órgãos para Assistência Socia l e Educação (FASE), Instituto de Estudos Sócio-Econô micos e Ambientais (ISEB), Cooperative for Assistance and relief Everywhe re (CA RE), Se rviço de Assessoria às Organizações Populares Rurais (SASOP), Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Sul da Bahia (CEPEDS).

Como estratégia para conter os conflitos sociais no campo, no período ditatorial, o governo implantou o Estatuto da Terra, sendo esta a primeira política de reforma agrária. Foi um período de modernização conservadora na agricultura, caracterizada pela expansão capitalista no campo brasileiro. Na Região Sul, essa política prejudicou os trabalhadores do campo uma vez que houve uma ocupação de terras devolutas e expropriação fundiária de posses dos camponeses. Nesse momento a expansão da lavoura cacaueira cresceu muito devido ao aumento das divisas.

Segundo Garcez (1997, p. 73), as tensões e conflitos pela posse e uso da terra foram intensificados, uma vez que se estabeleceu um processo em que med iante o expediente de requerer do Estado a posse legal de grandes áreas, o cacauicultor engoliu o pequeno posseiro, cujas roças estivessem situadas na área por ele requerida.

Essa época foi marcada pela ocupação das fazendas Puxim, Sarampo, Francônia e Serra da Onça. Houve muita violência e mortes, marcadas pela impunidade do Estado. Porém, como esses conflitos aconteciam ao mesmo tempo e em muitos lugares do território nacional, a CPT e a CEB deixaram de se envolver apenas com os trabalhos de base, voltand o-se para a organização política e social na luta pela terra. Isso, fez com que os conflitos no campo tivessem repercussão, e o Estado se inseriu nessa correlação de forças fazendo o seu papel de mediador dos conflitos, e criou a política agrária de Projetos de Assentamentos de Reforma Agrária (PRAs).

Tabela 11 – Projetos de Assentamentos de Reforma Agrária – Litoral Sul da Bahia – 1986 – 1987

Embora façam parte do I Plano Nacional de Reforma Agrária (1985), esses projetos se enquadram na política de regularização fundiária dos posseiros que moravam em terras devolutas, tendo direito do uso da terra para viver e trabalhar.

O acirramento das contradições no campo, na década de 1990, nessa região ocasionou outras formas de organização dos trabalhadores pelos seus direitos em busca da condição de sujeito livre. É nesse contexto que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra começa a se organizar na região, em meio à repressão política de negação dos direitos dos trabalhadores.

Em contraposição a essa organização camponesa, os empregadores tentaram desarticular a luta por meio do convencimento dos trabalhadores rurais e pequenos agricultores de que eles poderiam ser classificados como pequenos fazendeiros, podendo se inscrever no sindicato patronal. Tal ação tinha também como objetivo dificultar a identidade de classe.

Quando o MST começou a se organizar nessa região em 1993, já existiam também outros movimentos. Porém, este trouxe outros objetivos que reconfiguraram a luta na região, como marchas e ocupações que ajudaram os trabalhadores no enfrentamento político ao capital, contribuindo para aumentar a força social dos no processo de luta pela terra.

As mobilizações dos trabalhadores, sequencialmente, foram acompanhando os momentos da conjuntura política nacional dos sucessivos governos, no sentido de fazer o enfrentamento ao capitalismo no campo, ou até mesmo se tornarem apenas meros implantadores das políticas públicas dentro das áreas de assentamentos e acampamentos, abandonando a luta de classes e adotando o viés parlamentar.

O modelo político adotado na região pelos movimentos foi o de fortalecer a agricultura familiar por meio da concessão de crédito para produção e infraestrutura das áreas, aderindo ao governo vigente, negando, assim, a construção do sujeito histórico, no sentido de construir uma consciência de classe, ficando cada movimento, separadamente, tentando alcançar a concessão de recursos para pequenos projetos no território, ao invés de lutar por melhorias para toda a classe trabalhadora. No caso do MST, houve o apoio a candidatos por meio de campanhas políticas em todas as regiões baianas.

Embora a reforma agrária tenha estado muito presente no discurso governamental atual, ela não tem se efetuado na prática, como disse um parlamentar, que é deputado federal e militante desse movimento em um encontro estadual em Vitória da Conquista - BA:

Quando a gente olha pra reforma agrária, ainda vamos deparar com muita dificuldade. E eu acho que na tática que vai ser definida, nós temos que saber disso. Porque os movimentos sociais hoje não conseguem aglutinar a luta do dia-a-dia. Porque não conseguimos trazer a CUT, os sindicatos pra poder estar conosco na caminhada pela reforma agrária (Pesquisa de campo, 10/12/2011).

Assim, percebemos que a opção pela política partidária ao invés da luta de classes não contribui para avançar nas conquistas coletivas, tendo os movimentos sociais ficado à mercê de pequenas conquistas oferecidas pelo capital, apenas para garantir a atenuação dos conflitos de classe, manter a desigualdade social e garantir a reprodução de classes sociais de acordo com o receituário do sistema capitalista.

Na tabela abaixo verifica-se um panorama geral atual dos assentamentos de reforma agrária da região Sul, bem co mo os respectivos movimentos sociais responsáveis por cada área.

Tabela 12 – Projetos de Assentamentos de Reforma Agrária –Litoral Sul da Bahia – 1986 –

O setor de educação do MST está estruturado nessa regional com direções e coordenações do próprio Movimento em apenas duas brigadas, que são: Carlos Marighela e Chico Mendes, sendo que ao todo são 10 assentamentos com uma escola em cada um deles, apenas com o Ensino Fundamental I. Porém, burocraticamente, em alguns munic ípios não são essas mesmas pessoas do Movimento que assumem as funções pedagógicas e administrativas, pois o Movimento ainda não conseguiu alcançar autonomia para indicar sua equipe de gestão em todas as secretarias municipais de educação da Regional.