• Sonuç bulunamadı

Ermeni İsyanı’nın Felaketle Sonuçlanması (774-775)

A região do Baixo Sul da Bahia é contemporânea do período colonial do Brasil. Começou a ser ocupada no século XVI, servindo de produtora de alimentos para a então capital da Bahia naquele período, Salvador. Com praias extensas, possui ilhas, baías e enseadas, além de rios, manguezais e uma densa vegetação da Mata Atlântica. A região compreende onze municípios: Valença, Presidente Tancredo Neves, Cairu, Taperoá, Nilo Peçanha, Piraí do Norte, Ibirapitanga, Ituberá, Igrapiúna, Camamu e Maraú, os quais, na sua maioria, têm na agricultura sua grande força econômica. As condições climáticas regionais permitem grande diversificação da produção agrícola, como cacau, palmito, seringueira (látex), guaraná, cravo-da- índia, piaçava, dendê, mandioca e pimenta-do-reino, entre outros produtos.

O MST começou a organizar os trabalhadores nessa região em 1997. As primeiras ocupações de latifúndio ocorreram nos municípios de Camamu e de Itagibá, porém, foram acompanhadas de grande ofensiva por parte dos latifundiários e pressões do judiciário, não se consolidando naquele momento nenhum assentamento. O primeiro acampamento da região recebeu o nome de Carlos Marighela, no município de Ipiaú, com uma área de 734. 6649 há (setecentos e trinta e quatro hectares e sessenta e seis ares e quarenta e nove centiares).

O processo de desapropriação dos acampamentos na região passou por muitas dificuldades devido à coincidência de ter acontecido, à época, a alteração da lei 8.629/93, art. 2º, § 6º, sobre produtividade e improdutividade, pela Medida Provisória nº 2.183, de 20/08/2001, a qual passou a proibir a desapropriação e o procedimento de vistoria pelo INCRA em terras ocupadas, o que não acontecia até tal medida entrar em vigor, conforme pode-se verificar abaixo:

§ 2o Para os fins deste artigo, fica a União, através do órgão federal competente, autorizada a ingressar no imóvel de propriedade particular para levantamento de dados e informações, mediante prévia comunicação escrita ao proprietário, preposto ou seu representante. (ART. 2º DA LEI 8.629/1993.

§ 6o O imóvel rural de domínio público ou particular objeto de esbulho possessório ou invasão motivada por conflito agrário ou fundiário de caráter coletivo não será vistoriado, avaliado ou desapropriado nos dois anos seguintes à sua desocupação, ou no dobro desse prazo, em caso de reincidência; e deverá ser apurada a responsabilidade civil e administrativa de quem concorra com qualquer ato omissivo ou comissivo que propicie o descumprimento dessas vedações. (§ 6º MEDIDA PROVISÓRIA 2.183/2001).

Nesse caso, observa-se que o capital beneficia os latifundiários por meio de tais leis que têm como criadores a bancada ruralista do congresso nacional. O estado representa os interesses do capital, porém, as conquistas do s trabalhadores só acontecem sob muitas pressões. Assim, é necessário que os trabalhadores criem alternativas à legislação estatal para que haja políticas de minimização dos processos de expropriação e violência no campo. No processo de desapropriação acontecem tensões no âmbito do Estado e da Sociedade Civil, fazendo com que o trabalhador aprenda a interpretar a conjuntura política e, por meio da práxis, possa lutar contra o capital, construindo a história da classe trabalhadora, e as condições de superação da exploração capitalista.

Em Ferreira (2010, p. 143) encontra-se a seguinte fala do coordenador do MST na região Baixo Sul logo após uma audiência pública:

Olha, eu antes de falar hoje da postura do Estado, principalmente na figura da Casa Militar, o INCRA, eu quero lembrar o que aconteceu logo no início do governo Wagner, que isso tá acontecendo aí porque nós tivemos uma área dentro de Pitanga [...]. Nós ocupamos a fazenda, nós negociamos com a polícia pra sair, jogaram uma bomba em cima do caminhão, prendeu vinte e um companheiros e fizeram barbaridades como meter faca na cabeça do companheiro, bateram até abrir a cabeça, meteram faca dentro. Então o governo do Estado puxou a responsabilidade pra ele e hoje não dá mais despejo e toda vez que existe conflito ele manda alguns representantes da Casa Civil, Ouvidoria Agrária, enfim, pra vim resolver o problema. Então, com esse contato que nós tamos tendo, com todos os conflitos que aconteceu na Bahia, a postura do pessoal da Casa Militar é de não tá a fim daquela questão que é contra os trabalhadores. Estão procurando uma forma de resolver o problema. Porém, vem se deparando com a questão burocrática do Estado e até mesmo a vontade dos fazendeiros de não querer ceder as áreas pra reforma agrária.

Na fala do coordenador do MST, é possível identificar a opção política que o movimento fez no Estado, no sentido de apoiar o governo do PT e assumir cargos burocráticos. Atualmente, existem vários militantes ocupando funções burocráticas e políticas do governo na Bahia e, a nível nacional o Movimento tem apontado para a via do diálogo com o governo, o que não tem contribuído para aumentar os assentamentos no país, ocorrendo, assim, uma institucionalização do Movimento e a fragmentação da luta dos trabalhadores sem terra, deixando para trás o objetivo do projeto histórico socialista para transformar a sociedade. A história já nos mostrou que fazendo aliança com o capital não se chegará ao socialismo, e sim por meio da luta de classes, rompendo, totalmente com o sistema capitalista. Nesse sentido se expressa Lessa (2009, p.22):

Os projetos revolucionários que embarcaram nessa tese, que não é de Marx, e sim da social-democracia foram derrotados, de que seria possível controlar capital pela mediação política, pela mediação do Estado. E que, portanto, tomando o poder do Estado estaria aberto o caminho para o socialismo. Mészaros postula o oposto: se a reprodução do capital se mantiver, mais

cedo ou mais tarde qualquer “Estado Revolucionário” se adequará à base

material capitalista, como aconteceu na União Soviética. [...] Só tem sentido tomar o poder político se for para alterar na sua essência a reprodução material da sociedade. Tomar o poder político para não alterar a reprodução da base significa que o capital terá a seu dispor um novo serviçal no aparelho estatal.

No que se refere ao setor de educação, nessa regional, o mesmo está estruturado em 4 brigadas, sendo: Ojeferson Santos, Dand ara, Costa do Dendê e Vale do Jequiriçá. São 19 escolas, 39 professores, com 208 alunos da Educação Infantil e 709 alunos do ensino fundamental I, conforme dados fornecidos pela coordenação regional do setor de educação, os quais podem ser observados no Anexo 06.

O MST não tem autonomia em todos os municípios para indicar os seus professores, conforme expressa o coordenador do setor de educação:

O setor de educação faz esse acompanhamento para que a gente possa garantir educadores com um mínimo de formação, que conhece um pouco da pedagogia do MST. A gente sempre dialoga com o município. E agente tem uma boa relação com os municípios, mas nem todos querem aceitar indicação do movimento. Normalmente, são os professores que dão mais trabalho na cidade que eles querem mandar para o campo para se livrar. Acontece essa discriminação, mas o setor de educação tem atuado nesse sentido de garantir pessoal com formação que participe dos encontros que tem essa relação com o movimento para facilitar o diálogo. (ENTREVISTA COM O COORDENADOR DO SETOR DE EDUCAÇÃO DA REGIONAL BAIXO SUL, 03/10/2011).

Durante a pesquisa de campo foi observado que o MST tem buscado indicar um quadro de professores para as escolas de assentamentos e acampamentos que sejam militantes, ou mesmo simpatizantes do Movimento. Mas essa ainda é uma luta a vencer, pois poucos municípios do Estado tem lhe dado essa autonomia, uma vez que a gestão escolar, na grande maioria, em âmbito estadual, é exercida pelas secretarias municipais de educação.

Na região Baixo Sul, os professores são contratados pelas prefeituras, e as pessoas que fazem o acompanhamento pedagógico na coordenação e direção, também, normalmente têm essa parceria com a prefeitura. Tem município que constrói as escolas nos assentamentos, e têm outros que já tem a própria estrutura da escola e eles acabam utilizando esse espaço. (ENTREVISTA COM O COORDENADOR DO SETOR DE EDUCAÇÃO DA REGIONAL BAIXO SUL, 06/11/2011).

Os planejamentos acontecem quinzenalmente. Nas escolas nas quais a coordenação não é do MST, os professores se unem aos demais professores das respectivas redes municipais. O que se diferencia das demais escolas é que quando se chega à fase de planejamento escolar, internamente, o MST busca estruturar as questões pedagógicas de acordo com a sua proposta.